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Estresse e obsessão

Julio Cesar do Nascimento

Introdução

Buscamos avaliar os fatores que na vida moderna contribuem para a obsessão e as doenças físicas e, dentre estes, o estresse nos parece ser um dos mais importantes e modernos. Moderno a ponto de não estar este elemento dos dias atuais listado, nos livros básico e prática do Racionalismo Cristão, como um dos modos ou formas iniciais de obsessão.

A manutenção do equilíbrio funcional e de desenvolvimento (saúde) do nosso organismo depende da intervenção da nossa vibração do pensamento, e esta lidera três sistemas: o nervoso; o imune, e o endócrino. São estes que, num equilíbrio dinâmico, vão propiciando a manutenção da saúde física e por reação reflexiva da mente. Esta é uma reação cíclica e auto-regulada. O pensamento influi nestes sistemas e estes, por sua vez, uma vez programados, passam a interferir no modo de pensar, pois geram condicionantes físicos que fazem com que o modo de pensar e agir corra como que por trilhos pré-assentados.

No início do século, época da codificação da doutrina, a medicina se desenvolvia essencialmente com base nas avaliações físicas. Alguns especialistas se dirigiram para o psíquico, o que suscitou, da parte de Luiz de Mattos, codificador da doutrina, considerações declarando as suas boas expectativas em relação à psicanálise. O sistema freudiano não chegou a transformar a visão médica a ponto de alterar o curso do modo de considerar sobre a gênese das doenças. Permanecemos, ainda, como que cindidos entre a mente e o corpo. Para muitos especialistas, o ser humano ainda é somente matéria, enquanto assevera o Racionalismo Cristão: somos Força e Matéria.

Na atualidade surge um novo ramo na medicina que, na forma de avaliar os fenômenos, vai progressivamente se aproximando da origem dos fatos. Busca a psiconeuroimunologia compreender a estreita relação entre o pensamento, (ainda que considerado como um resultado da ação eletroquímica no cérebro), e os seus efeitos sobre estes sistemas.

Vamos, então, discorrer sobre alguns fatores físicos e psíquicos predisponentes para o estresse; em seguida sobre fatores espirituais e, logo adiante faremos, também, noutra comunicação, considerações sobre modos adequados para reduzir o estresse e os seus efeitos.

O estresse

Temos a capacidade de reagir a perigos reais e, também, de nos colocar em prontidão para esta ação, quando a situação real ainda não se tornou manifesta. Ou seja, por intuição ou percepção dos sentidos físicos, tal como um ruído identificado como típico de perigo, o nosso sistema de defesa prepara todo o organismo para a ação. Esta reação, batizada de reação de bater ou correr, no passado era mais facilmente exercida quando o homem primitivo se envolvia na caça ou na disputa por território com outros selvagens ou animais. Porém, nos dias de hoje, a maior parte das ameaças não é física e materialmente realizada. Grande parte dos elementos atemorizantes é de natureza psicológica, comportamental e social, porém, nem por isso sentida como menos ameaçadora pelo organismo, que derrama na corrente sanguínea quantidades equivalentes de hormônios como se estivéssemos sendo perseguidos por um leão.

Nem todas as situações provocam altos níveis de estresse; na verdade, o estresse até um certo grau é uma reação normal e necessária do organismo para reagir às situações do cotidiano. O que no linguajar leigo chamamos de estresse é, para a ciência, sinônimo de ansiedade, e somente temos como diferença entre os termos os níveis mais ou menos intensos e continuados, que podem resultar em distúrbios físicos e psíquicos.

A ansiedade é, na maioria das vezes, caracterizada por um estado de alerta ou de prontidão e somente quando exacerbada será sintoma de uma forma de obsessão. Nestes casos, o indivíduo não tem tranqüilidade, vive em sobressalto e preocupação com o que está por vir e com as situações que não pode ou poderá controlar. Esta situação provoca o esgotamento nervoso, fobias, pânico, depressão. Este estado alterado é, na maioria das situações, acompanhado da atração e intuição de obsessores, e a criatura que se deixa levar por excessivas preocupações está sempre franqueando a estes a aproximidade e seus efeitos danosos.

No sistema nervoso central, além das funções da amígdala e do hipotálamo, que mencionamos na palestra Programando a Evolução (vide gazeta RC) é da hipófise – glândula chefe do sistema endócrino – que parte a ordem para que as supra-renais produzam e introduzam no sangue a adrenalina e a glicocorticóides, dois dos hormônios responsáveis pela ativação do organismo na típica situação de estresse.

Algumas disfunções ou distúrbios têm entre homens e mulheres incidências estatisticamente diferenciadas e a ansiedade patológica tem, segundo o pesquisador Kaplan, o dobro da incidência em mulheres do que em homens. Uma das conclusões a que chegamos partindo desta constatação científica e, tomando por base a ciência espiritualista, é de que a comprovada superioridade da sensibilidade mediúnica nas mulheres as põe mais intensamente em contato com a ação estressante do astral inferior. Mais adiante, falando da fisiologia do estresse, justificaremos melhor esta conclusão.

A ansiedade, quando não tratada, tem a tendência de se tornar crônica e, sendo um processo que envolve altas doses de atuação do sistema nervoso autônomo, resulta em diversos sintomas físicos que vão e vêm conforme se torna mais aguda a crise de ansiedade.

Kaplan relacionou dezoito sintomas e que nas manifestações têm seis deles como mais presentes, se alterando conforme a tendência do paciente:

1 - tremores ou fraqueza;
2 - tensão ou dor muscular;
3 - inquietação;
4 - fadiga fácil;
5 - falta de ar ou sensação de fôlego curto;
6 - palpitações;
7 - sudorese, mãos frias e úmidas;
8 - boca seca;
9 - vertigens e tonturas;
10 - náuseas e vômitos;
11 - rubores ou calafrios;
12 - polaciúria (emissão frequente de urina mas sempre em pequena quantidade) ;
13 - sensação de bolo na garganta;
14 - impaciência;
15 - resposta exagerada à surpresa;
16 - pouca concentração ou memória prejudicada;
17 - dificuldade em manter e conciliar o sono; e,
18 - irritabilidade

Estes sintomas, de natureza psiconeurobiológicos, podem acometer a todas as pessoas em forte estresse.

Mas, todo este quadro de estresse, como dissemos de início, faz parte de um processo que até um certo ponto segue o curso normal dos mecanismos de defesa e prontidão do organismo. Então, por que ocorre de se tornar descontrolado e em alguns casos crônico, ou como dizem os médicos, patológico, ou seja, se torna uma doença?

A par com os chamados agentes estressores, existe a predisposição do indivíduo, ou seja, há pessoas mais susceptíveis a desenvolver a ansiedade do tipo patológica.

Neste ponto, a medicina tradicional avança e se interpenetra com a psicologia e neurologia gerando, nos tratados mais recentes de pesquisa no campo da psiconeuroimunologia, conclusões que se avizinham do que o Racionalismo Cristão já assevera desde o início do século: Conforme pensares assim serás.

A fisiologia do estresse

Antes de abordarmos a avaliação espiritual dos estressores, vamos procurar entender o que o Dr. Hanz Selye escreveu sobre a fisiologia do estresse ou da chamada síndrome de adaptação (ansiedade ou síndrome de adaptação seria o resultado da tentativa do organismo em se adaptar as nossas percepções sobre o que pensamos, sentimos e intuímos como riscos, e estresse, a ansiedade exacerbada).

Segundo este pesquisador, nesta síndrome passamos por três fases sucessivas: Reação de alarme, fase de resistência e fase de exaustão, sendo esta última atingida somente nas mais graves e persistentes patologias.

Na fase do alarme, sofremos um choque e o organismo se alarma, o sistema nervoso autônomo age ativando e inibindo diversos sistemas, órgãos e glândulas. Podemos imaginar esta fase como um susto. Nessa fase, entra na corrente sanguínea adrenalina, noradrenalina, ACTH,  glicocorticordes e, conforme o caso, endorfinas (que alteram o limiar da dor), etc. Tudo isso em nome da preservação do organismo, da sua integridade e funcionalidade.

A fase seguinte é a fase de resistência, que surge quando o estímulo que gerou o estresse ao invés de regredir, permanece. Nesta situação, as alterações físicas provocadas estão principalmente ligadas à supra-renal. Esta cresce de volume, enquanto concomitantemente se atrofia o baço e algumas estruturas linfáticas, aumentando o número de glóbulos brancos do sangue.

Deste ponto em diante podemos fazer a nossa analogia espiritual.

Temos as nossas tendências atávicas. Tendências estas que nos tornam mais susceptíveis a assimilar traços do ambiente e da educação que recebemos de maneira a desenvolvermos maior ou menor resistência à atuação de pensamentos negativos (auto-obsessão) e de intuições negativas (obsessão) sendo que estas podem ter origem em vibrações do pensamento de seres encarnados ou desencarnados.

É característico do pensamento, uma vez vibrado, que faça no seu veículo físico, cérebro, como que um caminho. Este caminho, ou sinapses nervosas, uma vez gravadas, facilitam e, podemos assim dizer, de certa forma automatizam as reações do organismo. Equivale dizer que uma vez irradiado um pensamento, com uma determinada característica vibratória, ao se repetir o estímulo que o gerou este ocorrerá com maior facilidade ou intensidade.

A atuação dos obsessores numa mente pouco disciplinada ou de tendências enfermiças é, então, de início mais difícil, mas, uma vez que a criatura cedeu à intuição negativa inicial, esta tem um caminho facilitado para as próximas atuações.

Assistir a imagens de uma experiência traumática tem efeitos diferentes para o cérebro do que presenciá-la.

Fischer (1996) realizou experiência onde apresentou o filme de um assalto a banco para um grupo onde havia pessoas que sofreram o assalto e outros não assaltados. Nesse experimento, constatou o pesquisador que os anteriormente assaltados ao reverem as cenas, além de apresentarem maiores alterações físicas típicas da ansiedade, também tiveram maior atividade no córtex-visual, no córtex órbito-frontal esquerdo e no giro posterior do cíngulo. Concluiu o pesquisador que as pessoas antes assaltadas na verdade sofreram novo estresse ao rever as cenas do assalto.

No caso de pessoas com a mediunidade mais desenvolvida, o que para muitos é uma vaga sensação, para elas é uma viva realidade. O médium é criatura mais susceptível ao estresse, justamente porque a sua sensibilidade aguçada transforma em realidade emocionalmente mais pungente imagens, sons, aromas, pensamentos, enfim tudo aquilo que lhe for intuído, ou apresentado aos sentidos mediúnicos.

Para a ciência médica em geral, mediunidade ainda é um fenômeno devido à epilepsia do lóbulo temporal ou do sistema límbico ou síndrome de Tourette, ou esquizofrenia ou transtorno afetivo bipolar, ou transtornos depressivos com sintomas psicóticos ou, por fim, histeria.

Para nós, racionalistas cristãos, estas patologias são manifestações de distúrbios neurológicos e do comportamento resultantes da ação continuada sobre o organismo dos efeitos danificadores das irradiações de pensamentos enfermiços somados à vibração de obsessores.

O estresse tem, através da continuidade da sua ação, o efeito antes molestador do corpo físico, porque a constante liberação de hormônios e as alterações da pressão sanguínea e outras já citadas fazem o organismo insensível para a atenuação das causas estressantes e mantêm-no inundado de elementos que deveriam agir em doses mínimas e momentâneas, e que passam desta forma a prejudicar o que foi preparado para auxiliar.

Um próximo passo na fisiologia do estresse é o da exaustão, quando as reservas de energia e vitalidade do organismo são drenadas pela situação do estresse e, então, as manifestações neuropsíquicas já se tornam visíveis. O corpo pára de reagir convenientemente às situações de estresse, drenado que está da sua energia anímica. Deste ponto em diante, fica clara a situação de obsessão, que até então fora simplesmente estresse.

Também neste estado tem início o que a ciência médica classifica como sintomas vagos e inespecíficos que caracterizam o esgotamento:

dores sem causa física: de cabeça; abdominais; nas pernas; costas; peito e outras;
alteração do sono: insônia ou sonolência excessiva;

perda de energia: desânimo; desinteresse; apatia; fadiga fácil;
irritabilidade: perda de paciência, reações explosivas, inquietação;
ansiedade: apreensão contínua, inquietação, às vezes medo inespecífico;
baixo desempenho: alterações sexuais, memória, concentração, tomada de decisões; e,
queixas vagas: tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar, bolo na garganta

Todos estes são nossos reconhecidos sintomas da ação de obsessores. Neste ponto, porém, há que cuidar do corpo, além de procurar a criatura reagir e adotar a disciplina racionalista cristã, porque o seu organismo já estará depauperado pela ação continuada dos seus próprios venenos mentais e orgânicos e da ação fluídica dos obsessores.

Na próxima seleção e pesquisa, estaremos informando sobre modos mais eficazes de tratar o estresse, catalogados na atualidade pela ciência médica e, é claro, na disciplina racionalista cristã.

Julio Cesar do Nascimento, 12 de dezembro de 2003

Bibliografia

Livro básico do Racionalismo Cristão

Palestra Programando a Evolução – Julio César do Nascimento – site da Gazeta do Racionalismo Cristão

J. Balone Geraldo - Especialista em psiquiatria pela ABP e professor do Departamento de Neuropsiquiatria da Faculdade de Medicina da PUCCAMP – site psiqweb

H. Fischer, G. Wik e M. Fredrikson. Related Articles (1996) - Functional neuroanatomy of robbery re-experience: affective memories studied with PET.- Neuroreport. Sep 2; 7(13):2081-6.

 

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