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Condicionamento evolutivo II  (Continuação)

Parte II

Julio Cesar do Nascimento

 

Na obra Racionalismo Cristão, no capítulo "O pensamento", encontramos:

Saber concentrar-se em determinado assunto, dando asas à imaginação, com o objetivo de dissecá-lo, descobrindo nele todas as nuanças, toda a multiplicidade de aspectos, as diferentes formas de interpretação, as prováveis revelações ocultas, as intencionais ambigüidades, as modalidades sofísticas, é um exercício de excepcional importância para a obtenção de um conhecimento claro acerca do que for submetido a tal exame.

A concentração num determinado assunto e interesse por um estudo em particular também nos coloca em contato com a corrente de pensamento que se irradia pelo espaço e que guarda relação com o objeto do estudo ou atenção. Por conta desta atração é que se recomenda às pessoas que se afastem de assuntos lúgubres, do falar e tratar insistentemente sobre doenças, que não se permitam à maledicência sobre quem quer que seja e outros hábitos viciosos e prejudiciais à sua atmosfera mental. Todas estas orientações vêm em benefício da própria criatura que passa a contar com a sua faculdade irradiativa do pensamento e da percepção intuitiva, límpidas e prontas a receber as irradiações do Astral Superior.

O que passaremos a tratar é de como a ciência médica e a psicologia vêm interpretando e avaliando a irradiação dos pensamentos e, ao reconhecer a sua importância para o bem estar e desenvolvimento da vida humana, propõem meios de educar o pensamento conseguindo, a partir desta educação, os mais surpreendentes resultados.

Os experimentos de Pavlov foram desdobrados e, assim, outros pesquisadores deram início a um ramo da psicologia denominado Behaviorismo ou Comportamentalismo (behavior palavra em inglês que significa comportamento). Este novo ramo da ciência foi, então, ganhando adeptos e, como tudo o que surge da observação e desenvolvimento da ciência, tem usos mais nobres e outros nem tanto.

Pavlov formulou a sua teoria sobre as leis do reflexo, mencionadas no artigo inicial desta série, e destas podemos sintetizar que:

A nossa analogia e inferência especulativa para a nossa vida de espíritos encarnados procuram explorar o enunciado de Pavlov da seguinte forma:

A compreensão da lei de causa e efeito na sua plenitude é tarefa que transcende a percepção objetiva do encarnado, de forma que muito da relação entre os estímulos e as respostas que temos gravados nos passa desapercebida, até que provoquem reações de outras pessoas ou do nosso próprio organismo. Estas reações muitas vezes estão relacionadas a desconforto, desentendimentos e sofrimento físico e psíquico. Assim é que se diz que mesmo as doenças ensinam.

O aprendizado das relações entre pensar e atrair, desejar e fixar, conceber e precipitar no meio material e as conseqüências espirituais desta escolha (livre-arbítrio) é mais do que simples tarefa intelectual. É o exercício que nos reserva cada encarnação, aonde as múltiplas facetas da personalidade vão sendo progressivamente lapidadas integrando, no cabedal do espírito, conhecimento e valor. Este valor se manifesta na luz que o espírito concentra na medida em que mantém sem corrupção ou enganos a sua vibração voltada para o bem. Para assim fazer, deve o mesmo vencer tendências e escolhas negativas, hábitos viciosos e influências do meio e de outros seres encarnados e desencarnados saindo vitorioso.

As palavras coligidas pela Doutrina racionalista cristã, como expressão das irradiações ao Astral Superior, têm enunciado:

" ...é pelo estudo, raciocínio e sofrimento derivado da luta contra os maus hábitos e as imperfeições que o espírito se esclarece e alcança maior evolução..."

Maus hábitos e imperfeições são uma constante a nossa volta e em projeções manifestas em pensamentos e comportamentos da nossa personalidade. São tantas as manifestações de imperfeições a grassar, que aqueles seres humanos onde estas se manifestam de maneira menos acentuada, função do controle que exercem sobre as suas imperfeições, muitas já superadas, são tidos como excepcionais e boas pessoas.

As descobertas de Pavlov podem nos orientar sobre manifestações que afloram tal qual as gravações instintivas e por isso dizemos, por analogia, geradas pela memória atávica, mas, o que dizer de outras manifestações que a estas se somam, vividas na presente encarnação e mais facilmente observáveis como relacionadas à ação orientada pela escolha da criatura ou, como se diz no meio espiritualista, pelo livre-arbítrio?

Novas tecnologias propiciaram avanços ainda maiores na identificação do modo como emoções e pensamentos influem na disposição física e psíquica e, na atualidade, lançando mão de recursos da informática e da eletrônica, corpo e cérebro são mapeados e, com a representação dos impulsos elétricos gerados, é possível a criatura numa tela de computador interagir conscientemente com pensamentos, emoções e sentimentos, elaborar ordens para grupos de músculos voluntários e involuntários, no que se denomina biofeedback e neurofeedback.

Estas técnicas auxiliam nos tratamentos de fobias e outros distúrbios psíquicos e têm surpreendido ao possibilitar a reabilitação de funções motoras em pessoas que sofreram acidentes vasculares ou traumatismos que comprometeram áreas especializadas do cérebro.

Porém, ainda que de grande alcance e importância por revelar o quanto pode a mente sobre a matéria, dentro do ambiente científico tradicional, estes experimentos estão na sua maioria concentrados nos efeitos físicos e avançam com menor impulso, dada a complexidade, nos de natureza psíquica. Estão distantes, todavia, dos elementos de ordem espiritual que certamente no futuro significarão um novo salto na evolução destes conceitos quando abordados sem preconceitos.

A partir das descobertas de Pavlov, uma outra vertente de estudos cresceu com a intervenção, dentre outros, de Watson, Thordike e Skinner. É sobre estas bases que desdobraremos outras analogias e inferências especulativas, para com os princípios da Doutrina racionalista cristã, esperando que estas sejam elucidativas sobre o modo de aprendizado do ser encarnado, não por ação e reação facilitadas pelas gravações atávicas, mas, sim, em busca do Livre-Arbítrio.

Julio César do Nascimento - Monte Alto - SP, fevereiro de 2004

 

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