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Condicionamento evolutivo I

Parte I

Julio Cesar do Nascimento

 

Na obra Racionalismo Cristão, no capítulo "O pensamento", encontramos:

"Os pensamentos ficam ligados à sua fonte de origem enquanto permanecer o sentimento que os gerou."

É como que um fio solto no espaço, uma antena flutuante em condições de captar pensamentos afins dos seres encarnados ou desencarnados, animados dos mesmos interesses ou propósitos. Tal fio, se carregado de maus pensamentos, é condutor de correntes avassaladoras, condensadas na atmosfera deste planeta pela grande inferioridade espiritual predominante. Estas correntes, postas em contato com o ser humano, produzem-lhe os mais sérios agravos em distúrbios físicos e psíquicos.

Ensina o Racionalismo Cristão, nas suas obras, como pensar e dar combate aos pensamentos enfermiços e inferiores.

Vamos debruçar-nos sobre os efeitos mais surpreendentes que o pensamento causa em nossa saúde física e psíquica e sobre o fato de que a matéria é de tal sorte controlada pelo pensamento e pela percepção da criatura que a saúde ou doença, física e psíquica, e, em última análise, a evolução são, na verdade, engendradas e controladas pelas vibrações do espírito na forma de pensamentos e conseqüentes ordens da mente ao corpo físico.

Um cientista fisiologista, Ivan Pavlov (1849-1936), ao estudar o sistema gastrointestinal, descobriu o reflexo condicionado. Esta sua descoberta foi reconhecida como uma das grandes descobertas do século e o cientista agraciado com o Nobel.

A experiência clássica de Pavlov consistiu em soar uma campainha (kolokolcheak - pequeno sino em russo) e em seguida apresentar um pedaço de carne. Depois de um certo número de repetições, observou-se que o cão desenvolvia no seu organismo, tão logo soava a campainha, todas as reações características da preparação para digerir a carne, desde a salivação até os movimentos intestinais, mesmo quando não mais lhe apresentavam o pedaço de carne. Esta experiência foi desdobrada tomando-se sempre por base alguns princípios identificados e comprovou-se que os mecanismos de condicionamento eram observados em todos os organismos superiores e mesmo nos seres humanos; daí a sua importância.

Os princípios que garantem o reflexo condicionado são os seguintes:

  1. Coexistência no tempo: a repetição do estímulo com a apresentação praticamente simultânea do chamado agente indiferente (campainha no experimento) e do estímulo incondicionado (carne no experimento);
  2. seqüência: o agente indiferente deve sempre preceder, num curto intervalo de tempo, o estímulo incondicionado;
  3. inexistência, no momento do estímulo, de outros que possam provocar a inibição da percepção ou gravação dos seus efeitos;
  4. reforço: a manutenção do efeito condicionado necessita de reforço periódico da seqüência de estímulos. Por exemplo, se submetermos o animal a sucessivos estímulos incondicionados sem a presença do agente indiferente, a reação típica deixa de se manifestar quando apenas o agente indiferente for acionado.

A definição de Pavlov para o reflexo condicionado é: "uma conexão nervosa temporária entre um dos inumeráveis fatores do ambiente e uma atividade bem determinada do organismo".

Definiu-se então que: Reflexos incondicionados são aqueles com os quais os animais nascem, adquiridos ao longo da evolução de sua espécie ou filogênese. Reflexos condicionados são aqueles que os animais adquirem durante as suas vidas ou ontogênese.

Buscando uma analogia espiritualista, podemos arriscar-nos a dizer que o ser humano, além das gravações próprias da filogênese, também traz as gravações típicas da evolução espiritual e das imperfeições e tendências psíquicas (atavismo). Estas gravações e tendências são decisivas nas escolhas realizadas pelo espírito encarnado e também na forma como assimila as diversas experiências ou estímulos incondicionados que a vida lhe apresenta — criando os seus condicionamentos que na verdade são como recondicionamentos — e responde a essas experiências ou estímulos, porquanto provavelmente já ocorreram noutras vidas.

Assim como o cachorro saliva de forma instintiva ao ver a carne, o ser humano de tendências viciosas, ao ser confrontado com intuições do Astral inferior e pensamentos negativos, presentes na atmosfera, recolhe das suas tendências atávicas a porção equivalente ou reflexo incondicionado. Este encontro manifesta pela primeira vez o conjunto tal qual o descobriu Pavlov, o que produz então, na mente e demais partes constituintes do organismo, a manifestação da memória celular e suas conseqüências físicas e psíquicas.

As sucessivas intuições negativas como são as do Astral inferior, e mesmo nossos pensamentos, quando inferiores, vão agindo tal qual a campainha do experimento de Pavlov. Quando temos na nossa memória atávica o estímulo incondicionado, ou seja, a inferioridade ainda não extirpada (a carne do experimento), ao se acercarem do organismo as vibrações tal qual percebidas num momento anterior (ou mesmo noutra encarnação), dando o indivíduo a elas a mesma atenção, vai sendo reforçado o condicionamento e, ao cabo de algum tempo, mesmo sem que o indivíduo faça vibrar o pensamento no mesmo diapasão, é, como que de súbito, tomado do mesmo impulso ou tendência inferior.

Neste caso, o agente indiferente, vibrações negativas do pensamento presentes na atmosfera, intuições negativas, erros dos estímulos na nossa educação (vide palestra "Programando a evolução" – Gazeta) e a ação de obsessores desencadeiam a herança atávica (o agente incondicionado), nossas tendências negativas e modo errado de pensar e agir e produzem os efeitos nocivos sobre o organismo e sobre a nossa própria vibração espiritual, enredando-nos no erro que se repete tal qual ciclo interminável, encarnação após encarnação. É assim manifestado o "efeito condicionado psíquico".

Da mesma forma que a repetição dos agentes indiferentes sem a conseqüente presença dos agentes incondicionados, a superposição de outros estímulos mais fortes faz com que estes deixem de produzir no organismo os efeitos do condicionamento.

Também no ciclo evolutivo temos opções básicas para fazer cessar os efeitos condicionantes do atavismo psíquico ou seja deixarmos de lado nossas imperfeições.

São estas opções:

O vigor do pensamento emitido por criatura mentalmente sã e esclarecida cresce na medida das necessidades do momento, amplia-se, expande-se e supera qualquer corrente de pensamentos inferiores, pela atração que exerce da Força afim universal, cujo poder é infinito. (Racionalismo Cristão – capítulo "O pensamento".)

Tomando consciência de si mesma, reconhece a criatura as suas faltas e busca continuamente disciplinar a mente para estar em contato com o Astral Superior.

Como descobriu Pavlov, se outro estímulo mais importante ocorrer simultaneamente à estimulação do condicionamento, esta não irá se manifestar ou perderá o seu efeito.

Então, podemos crer e experienciar que, se desejarmos reforçar um condicionamento positivo ou estivermos voltados para a reeducação de hábitos e costumes por vezes seculares, devemos valorizar a disciplina e método porque estes favorecem, em todos os níveis, a gravação de novas opções de modo de pensar e agir.

A seqüência de condicionamento positivo pode ser por exemplo:

Numa determinada hora pré-estabelecida, procure um lugar calmo e recolha-se em meditação por alguns instantes, respirando de forma completa e profunda para tomar consciência do seu estado psíquico e acalmar o organismo de qualquer agitação.

Faça as irradiações ao Astral superior e, dando plena atenção às palavras proferidas, vá integrando ao seu modo de pensar o teor das irradiações.

Sentindo no seu íntimo os efeitos de cada momento da irradiação, prossiga com a irradiação ao Presidente Astral e mais cinco minutos de irradiações ao Grande Foco, encerrando com uma irradiação ao Astral Superior e mais uma ao presidente Astral, tudo conforme prescreve a disciplina ensinada pelo Racionalismo Cristão.

Este condicionamento limpa o perispírito e a mente da influência de pensamentos negativos e da proximidade de espíritos inferiores que estariam agindo como estimuladores do desencadear do processo de condicionamento negativo ou do seu reforço.

Julio César do Nascimento - Monte Alto - SP, dezembro de 2003

 

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