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Até quando os cientistas continuarão procurando a mente nos labirintos do cérebro?

Glaci Ribeiro da Silva

(...) O Universo é composto por Força e Matéria. Em Força e Matéria se resume, se sintetiza, se define, se explica toda a Verdade da vida. (...) A Força é o agente ativo, inteligente e transformador. A Matéria, o elemento passivo e plasmável (...) A Matéria não possui atributos. Estes são exclusivos da Força (...) ("Racionalismo Cristão", 42a ed., p. 45-51, 2003).

Durante os anos noventa, as investigações sobre o cérebro humano tiveram um grande avanço fazendo com que essa época recebesse o nome de "A Década do Cérebro". Esses estudos foram estimulados pelo surgimento de técnicas sofisticadas e de métodos de análise pouco invasivos como as imagens obtidas por ressonância magnética funcional (fMRI) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), alta tecnologia essa que, nos dias atuais, também tem sido amplamente usada em clínica médica.

Foi nessa década, usando esse tipo de metodologia, que os cientistas começaram a desvendar com êxito os intricados impulsos elétricos e as substâncias químicas que os neurônios cerebrais usam em suas comunicações - os chamados neurotransmissores.

Nosso cérebro, com cerca de cem bilhões de neurônios e pesando aproximadamente 1,3 kg, é o órgão mais complexo do corpo. Auxiliado pela medula espinhal, cabe a ele supervisionar todas as operações do nosso organismo.

Com o acúmulo de resultados interessantes que vinham sendo obtidos com o uso dessas técnicas, vários cientistas se entusiasmaram e se sentiram desafiados a vasculhar os labirintos do cérebro a procura daquilo que, para eles, ainda é um grande enigma - a Mente.

O questionamento sobre a mente não é um fato novo em ciência e, de uma maneira ou de outra, ele vem sendo feito há séculos. Mas isso só pôde ser intensificado quando se tornou possível fazê-lo e não ser morto na fogueira pela Inquisição. Diferentes tipos de pesquisadores tais como, os neurocientistas, os cientistas cognitivos, os físicos e os filósofos têm sido e, continuam a ser, os principais questionadores desse tema.

Isso para eles, que em sua imensa maioria são desconhecedores da vida fora da matéria, tem sido uma procura desafiante, mas, desanimadora, pois, embora a ciência saiba cada vez mais sobre o funcionamento do cérebro, ele continua a esconder dela a mente...

Várias linhas de pesquisa têm sido organizadas no afã de desvendar esse enigma. O principal objetivo delas têm sido encontrar respostas a várias perguntas, tais como:

- O que é afinal a mente humana e como ela pode ser explicada cientificamente? - Como se explica a consciência? Como ela é criada, por que existe? E existirá de fato? - Seria a mente unicamente o resultado de processos cerebrais que podem ser descritos em termos biológicos e físicos, ou algo mais?

Dar respostas teóricas formulando hipóteses a essas perguntas tem sido relativamente fácil para os filósofos. Mas o desafio para homens de ciência que usam o laboratório para investigá-la é encontrar explicações que possam ser provadas experimentalmente ou seja, medindo e quantificando, como reza o método cartesiano.

Visando a responder essas questões e, tendo os critérios científicos sempre em mira, os pesquisadores têm analisado vários fenômenos como a natureza dos sonhos, das emoções e da consciência, as vias sensoriais, os sistemas de aprendizagem, o armazenamento de memórias, etc.

Muitos fatos novos e interessantes têm surgido desses estudos, mas alguns cientistas mais perspicazes, como é o caso do filósofo David Chalmers, já perceberam que todas essas informações têm fornecido somente mais detalhes sobre a própria matéria viva e não estão conseguindo ainda explicar a mente.

Por dedicar-se à investigação, todo cientista tem curiosidade para conhecer fatos novos, e conhecê-los é uma das atividades mais prazerosa para um intelectual. Por isso, aqueles possuidores de uma mente aberta e isenta de preconceitos na certa ficariam deslumbrados com o descortinar do novo panorama que o espiritualismo lhes daria.

E quando isso acontecesse, iriam encontrar nos numerosos livros que o Racionalismo Cristão vem editando desde 1910 a ajuda necessária para interpretar de uma maneira lógica e simples os resultados polêmicos que eles vêm obtendo. Isso os preservaria da ridícula situação de aventar hipóteses e tirar conclusões absurdas como recentemente foi feito afirmando-se ser o cérebro o criador da mente!!!

No entanto, já no século XIX cientistas de renome como o sábio Claude Bernard, considerado o criador da Fisiologia moderna e, o igualmente sábio, Paul Gibier - médico bacteriologista e discípulo de Pasteur - já afirmavam que a Matéria mesmo viva é inerte e que é a Força, que se encontra fora dela que a organiza, estimula e movimenta.

Em resumo, mesmo sendo o cérebro formado por matéria viva, ele é inerte e não pode criar nada. Quem cria é a tão procurada mente, por ser ela - a Força - o Corpo Mental, a Alma, a Mente ou, simplesmente, o Espírito. E, esse sim, é capaz de organizar, estimular e movimentar todo nosso corpo físico, inclusive o cérebro.

O espírito é luz, é inteligência, é vida, é poder criador e realizador. Ele é invisível ao observador comum, mas pode ser reconhecido pelo resultado das suas ações, ou seja, através dos seus efeitos. Mas, mesmo não podendo ser visto, cheirado, apalpado, medido e quantificado, ele, indubitavelmente, existe. Como já dizia o Dr. Alberto Seabra - médico homeopata e pensador independente: "Invisível são o calor, a eletricidade, o som, os raios químicos, e, de todo esse invisível, gozamos ou sentimos seus efeitos."

Na busca de bases biológicas para a mente, esses cientistas têm se deparado com várias dificuldades. Eles se sentem numa terra estranha e exótica onde o tipo de lógica que estão acostumados a usar parece não funcionar mais. E é esse o motivo das várias perguntas que eles têm se feito ultimamente, algumas das quais, vamos procurar responder agora usando para isso a límpida simplicidade da lógica espiritualista.

Pergunta: por que o corpo e o cérebro de todas as pessoas podem ser observados por outros, mas a mente é observável somente pelo seu dono?

Resposta: todo nosso corpo físico, incluindo nisso o cérebro que dele faz parte, é constituído por matéria originada do próprio planeta Terra, sendo portanto, visível e acessível a todos os habitantes desse planeta. Já a mente ou espírito é imaterial e invisível aos olhos humanos e só pode ser sentida e observada pela própria criatura através da sua consciência.

Pergunta: por que várias pessoas podem fazer as mesmas observações a respeito de um corpo ou cérebro de alguém, mas não é possível que uma delas faça uma observação direta e confiável sobre a mente desse alguém?

Resposta: o corpo físico é uma máquina admirável que foi concebida pela Inteligência Universal (ou por Deus, como ela é também chamada) para dar ao maquinista - o espírito - os recursos necessários para ele fazer no planeta Terra seu curso de aperfeiçoamento durante inumeráveis e sucessivas encarnações. Como já foi dito, ele é material sendo possível, portanto, observá-lo, medi-lo e quantificá-lo diretamente. Por outro lado, a mente ou o espírito é imaterial e constituída de luz. Ela é uma partícula da Inteligência Universal, mas, durante toda a sua trajetória evolutiva ela se mantém individualizada. Assim, não é possível que outras pessoas façam nela observações diretas, pois, só quem tem acesso a ela é o próprio indivíduo - ninguém mais.

Pergunta: Por que o corpo e o cérebro são públicos, expostos, externos e objetivos, mas a mente é privada, oculta, interna e inequivocamente subjetiva?

Resposta: por pertencer somente à própria criatura, a mente é realmente privada, como já explicado acima. Mas ela é externa e não interna como ainda hoje julgam erroneamente os cientistas. E esse é um conhecimento científico muito antigo pois, como também já dissemos, o próprio Claude Bernard já o conhecia e divulgava. É preciso assim que os homens da ciência tenham cuidado para não valorizar e se deslumbrar somente com o tecnicismo esquecendo-se, porém, dos valiosos ensinamentos legados a eles pelos grandes mestres do passado.

Antes de iniciar uma pesquisa, todo cientista procura elaborar um bom protocolo experimental ou seja, ele escreve um roteiro de como deverá ser abordado o tema que irá estudar. E nessa busca pela mente existem pelo menos dois erros básicos nos protocolos que estão sendo organizados:

- a escolha dos fenômenos que têm sido analisado - a metodologia que tem sido empregada

Exemplificando: a consciência, que tanto intriga os pesquisadores, é uma das propriedades de maior valor que o espírito possui. Sem ela, seria impossível para o ser encarnado executar adequadamente seu roteiro evolutivo, pois é através dela que são recebidas as orientações de como segui-lo.

Por isso, devemos sempre acatar a voz da consciência e, para poder compreendê-la, devemos educar os ouvidos, o raciocínio e a lógica. Mas não é mapeando através da fMRI a região auditiva do cérebro e obtendo dela belas imagens coloridas que a consciência será decifrada, pois ela é um atributo do espírito e não da massa encefálica.

O mesmo se pode dizer do olfato, da visão, do tato e do paladar, pois eles não se originam no corpo físico, mas no espírito que os exterioriza através dos órgãos do sentido e, estes, só funcionam com o impulso transmitido a eles pelas vibrações espirituais.

Logo, os cientistas estão raciocinando erroneamente quando, ao estudar as vias sensoriais, acreditam estar no caminho certo para encontrar a mente, pois, o que de fato estão observando são os efeitos das vibrações espirituais e não a causa, aquilo que as produz - ou seja, a mente, o espírito. Um raciocínio praticamente idêntico a esse pode ser aplicado também aos demais fenômenos que estão sendo investigados objetivando estudar a mente.

Mas, o maior problema nesses protocolos é, sem dúvida nenhuma, de metodologia. E será esse o ponto polêmico e o mais difícil de ser aceito pela ciência convencional e pelos seus membros - uma comunidade que é, de um modo geral, ainda materialista e muito fechada a qualquer idéia espiritualista.

Provar a existência do espírito (ou da mente) e da vida espiritual, ou seja, aquela que existe fora do nosso corpo físico é um dos principais objetivos do Espiritualismo Racional e Científico que vem sendo ensinado nas Casas Racionalistas Cristãs - verdadeiras escolas de alto psiquismo. E, tal como numa escola, esses fatos são explicados nos seus livros e explanados publicamente durante as reuniões psíquicas que ali se realizam onde, também, eles são demonstrados através de um instrumento mediúnico.

A metodologia mediúnica tem sido usada desde a antiguidade e ainda hoje é a única que a ciência poderia dispor para estudar a mente. Ela tem sido empregada com êxito por vários cientistas também como foi o caso do Dr. Paul Gibier, cujo nome já mencionamos anteriormente (ver referências bibliográficas para mais detalhes).

No estudo experimental do homem-matéria, a ciência tem evoluído muito mas falta a ela ainda devassar o homem-espírito. É, portanto, de se esperar que no decorrer da atual Era Espiritualista outros métodos mais sofisticados sejam providenciados para realizar esse tipo de estudo.

Mas, para que essa demanda exista, esses cientistas pioneiros deverão inicialmente estudar esse novo ramo da ciência - o Espiritualismo - pois, como já dizia o Mestre Luiz de Mattos: "Cientista é aquele que tudo investiga e que, em lugar de condenar o que ignora, procura estudar, para aprender o que não sabe. Só assim se faz ciência, e só assim é possível colocá-la acima de tudo, inclusive de quaisquer preconceito" (do livro Pela Verdade - A Ação do Espírito Sobre a Matéria, 1983)

Referências Bibliográficas
Chalmers, David. The Conscious Mind: In Search of a Fundamental Theory, Oxford University Press, 1997.

Claude Bernard
http://www.infoscience.fr/histoire/biograph/biograph.php3?Ref=9

Damasio, António R. Como o Cérebro Cria a Mente. Segredos da Mente, Scientific American Brasil, Ed. Especial, número 4, 2004.

Força e Matéria. In: Racionalismo Cristão, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 42a ed, p. 44-51, 2003.

Guedes, Antonio Pinheiro. Espiritologia. In: Ciência Espírita, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 8a ed., p. 33-66, 1992.

Mattos, Luiz de. A Vida Moderna e a Debilidade Nervosa. In: Pela Verdade - A Ação do Espírito Sobre a Matéria, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 9a ed, p. 23-28, 1983.

Mattos, Luiz de. Não Pode Haver Efeito sem Causa. In: Pela Verdade - A Ação do Espírito Sobre a Matéria, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 9a ed, p. 44-48, 1983.

O Espírito. In: Racionalismo Cristão, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 42a ed, p. 83-91, 2003.

Os Fenômenos Físicos e Psíquicos. In: Racionalismo Cristão, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 42a ed, p. 207-214, 2003.

Paul Gibier
http://www.survivalafterdeath.org/researchers/gibier.htm

Seabra, Alberto. O Problema do Além e do Destino. Citação feita por Luiz de Mattos em seu livro Pela Verdade - A Ação do Espírito sobre o Corpo, 9a ed., Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, p. 52, 1983.

Silva, Glaci Ribeiro da (2004). A Ciência diante da nova Era Espiritualista. Gazeta do Racionalismo Cristão. http://rcristao.tripod.com/artigos/ciencmed.html

Silva, Glaci Ribeiro da. A Captação do Pensamento dos Espíritos pelos Médiuns. In: Racionalismo Cristão e Ciência Experimental. S. Paulo, Editora Íbis, 1a ed., p. 29-36, 2004.

Souza, Luiz de. A consciência. In: A Felicidade existe, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 7a ed, p. 179-184, 1982.

A autora é médica e militante na Filial de Porto Alegre, RS

 

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