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Sentimentos de amor

José Rodrigues da Silva

São incalculáveis as dolorosas conseqüências das emoções discordantes, azedas, egoístas e malévolas a que se entregam muitos seres humanos desconhecedores dos reais princípios de uma educação integral. O que mais rapidamente afeta o corpo e o espírito é a vida envolta numa atmosfera carregada de maus sentimentos, pois não resta a menor dúvida de que são eles as causas de muitas doenças, de muitas dificuldades, de muitas inseguranças; enfim, não será exagero afirmar que os sentimentos de natureza inferior perturbam a harmonia e a paz de consciência, tão indispensáveis à ordem e ao progresso de toda realização.

Aqueles que, tendo tomado bom conhecimento teórico dos ensinamentos preconizados pelo Racionalismo Cristão, esforçando-se dia a dia por cultivá-los na prática, são seres humanos sensatos e, em qualquer lugar onde se apresentam ou exercem suas atividades funcionais, observa-se neles uma fisionomia calma, equilibrada, tranqüilizadora, exatamente porque sabem trazer na alma os mais enobrecedores sentimentos, jamais permitindo que as emoções sinistras tomem conta de sua personalidade bem formada. São essas pessoas fortemente refratárias à discórdia e, onde reinar esse baixo sentimento, elas não tomam parte.

Como podem ter esperança de êxito no caminho da vida aqueles que se entregam ao domínio das idéias mais absurdas, quando estas só estão em direção oposta ao positivismo da vida e só podem, então, arrastar para essa indesejável direção quem as alimente? Muitos homens e mulheres são por demais descuidados com os seus impulsos e suas emoções, nada fazendo para fortalecer as suas qualidades de tal forma que estas lhes dêem a transparência de serem úteis à coletividade. Tem condições psicológicas para tratar o semelhante com o mais profundo respeito e consideração o indivíduo implicitamente capaz de dominar as próprias emoções. Quem vive como peça desconjuntada na máquina social diagnostica a si mesmo um futuro não recomendável, não temido pelos cultores dos mais elevados sentimentos.

A manifestação de amor ao próximo é uma atitude toda espontânea e, portanto, nenhum dinheiro a pode comprar. E ela, existindo entre duas ou mais pessoas, de modo fiel, portanto sem qualquer embuste de má-fé, só benefícios poderá trazer a todos os envolventes que souberem criar esse ambiente, onde a tranqüilidade de consciência e a alegria são os remates da feliz união. Na união conjugal, por exemplo, ao homem cabe a responsabilidade de prover as necessidades do lar, enquanto à mulher cabe cuidar de toda a sua organização, com o mister ainda de esforçar-se por mantê-lo animado e convertê-lo num lugar em que todos se sintam bem, não podendo faltar o sentimento de amor entre ambos, conforme ensina o Racionalismo Cristão.

Num ambiente de índole prazenteira, as coisas tomam um vulto mais favorável à produção porque, mesmo havendo nele somente os recursos indispensáveis, ali trabalham, em completa harmonia, pessoas de uma vida extremamente simples, respeitosas e dispostas a colaborar com as demais em tudo quanto for possível. Entrar num ambiente dessa qualidade é sentir imediatamente uma atmosfera radiante de ótimas vibrações, simplesmente porque ali não há lugar para as questiúnculas, os ciúmes, os ódios, etc., que dão origem a toda casta de desamor e de discussões prejudiciais ao admirável desenvolvimento de qualquer atividade.

Colocar o homem certo no lugar certo e, portanto, adaptar o homem ao trabalho é muito fácil. Igualmente fácil é adaptar o trabalho ao homem, pois basta colocar ao seu alcance os recursos de que ele precisa para cumprir bem a sua tarefa. No entanto, o mais difícil de conseguir-se é a adaptação do homem ao homem, e esta dificuldade está mais consignada no fato de haver muita inferioridade de sentimentos na face da Terra, cujos habitantes nem sempre têm habilidade bastante para o trabalho em grupo.

Essa habilidade só é conquistada por meio do cultivo dos mais esplêndidos sentimentos de amor ao próximo.

José Rodrigues da Silva

 

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