gazeta2.jpg (8041 bytes)

A influência dos hábitos na saúde

José Rodrigues da Silva

Evidentemente, não incorreremos em erro de expressão se dissermos que é muito poderosa a influência dos hábitos no equilíbrio material, moral e espiritual dos seres humanos. A todo instante, o homem pode observar em seu próprio organismo o quanto ele se mantém equilibrado ou cai em desarranjos, dependendo evidentemente do modo como é conduzida a vida. Até no hábito de alimentar-se, o ser humano não perde por ser mais consciente, tudo fazendo por tirar dos alimentos o que estes podem oferecer para aumentar, cada vez mais, o poder de resistência contra as enfermidades, e essa resistência mantém sempre o bom humor.

As escolas do ensino formal prestariam à nação uma contribuição inestimável se transmitissem orientações práticas e racionais do quanto é fundamentalmente importante saber comer, como ter uma atitude mental correta à mesa e como se deve viver, para estar sempre com a vitalidade indispensável ao perfeito cumprimento de todos os deveres. Já cedo, as próprias crianças deveriam receber das mães as informações sobre os hábitos proveitosos, sendo ainda essas crianças alertadas, também, para a desastrosa conseqüência dos atos nocivos ao organismo, inclusive quanto ao uso de alimentos impróprios a uma boa saúde. Uma boa alimentação ajuda a desenvolver no homem a eficácia, além de mantê-lo sempre sereno, calmo, tranqüilo, sem perder a noção do cumprimento de suas obrigações.

Conforme se observa da obra Racionalismo Cristão, o homem só poderá ser cada vez mais diligente, mais operoso e mais criativo se estiver ancorado firme mente nos princípios espirituais, que devem ser do conhecimento humano, e esses princípios possam, então, ser o governo de tudo na vida. O conhecimento dos princípios racionais leva o homem à prática de hábitos e regimes alimentares, cujas regras de salutar importância são fáceis de seguir. Há uma diferença muito grande entre os que vivem para comer e os que comem para viver. A verdadeira disciplina da vida exige do homem a compreensão de que nunca vale a pena abarrotar o organismo a ponto de este se ver seqüestrado pelos mais sérios embaraços.

Arruinar a saúde é um crime e, no entanto, são muitos os seres humanos que fecham os olhos a essa advertência, que se funda na lei da evolução humana. Cometem essa espécie de crime as pessoas obstinadas a sobrecarregar constantemente o estômago, buscando com isto um grande número de doenças, e também aquelas que, só pensando em diversões, convertem a noite em dia e o dia em noite. E quando o conseqüente estrago nervoso atinge o seu corpo, sentem-se imediatamente com desânimo, com incapacidade de ação, com inabilidade para iniciativas próprias. Resultado: vão ao fundo e não à ponta da escala dos valores morais que conduzem ao progresso.

Evidentemente, só conseguem ter a recompensa de uma boa saúde os homens de vida seriamente metódica, devido ao fato de viverem sempre na mais completa adaptação às condições necessárias, impostas pelas leis naturais. Só mesmo esses homens alcançam melhores condições físicas e anímicas de vida, trazendo sempre consigo o condão de nunca vacilar nos seus empreendimentos; o seu esforço, a sua luta estão sempre correspondendo também à obra do mundo. É de admirar como muitos seres humanos escangalham o seu sistema nervoso com hábitos incorretos, viciosos e que só trazem malefícios orgânicos.

Se alguém resolver percorrer todos os asilos, talvez venha a encontrar nessas casas de amparo à velhice idosos viciados no tabagismo, soltando baforadas de fumaça, sem a menor preocupação de que estão aumentando o desarranjo do organismo já tão enfraquecido pelo peso dos anos.

Leitor amigo: pense, repense, viva o presente com a mais perfeita circunspecção, buscando no passado somente chamas que possam, ainda hoje, ser aproveitadas na sua evolução e na evolução da civilização humana.

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo