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O papel da mediunidade no avanço da Ciência

Glaci Ribeiro da Silva

O grande repositório da sabedoria não está na Terra, mas no Espaço Superior.
(Do livro "Racionalismo Cristão")

Por não acreditar na existência da vida fora da matéria e até mesmo desdenhar de tudo o que diz respeito ao Espiritismo, os cientistas pouca ou nenhuma atenção têm prestado ao fenômeno da mediunidade. Embora isso seja lamentável, é sabido que essa lacuna somente será preenchida com o progressivo desenvolvimento espiritual da humanidade.

Ironicamente, no entanto, muitas das idéias que alguns deles têm quando estão investigando um assunto científico e muitos dos conhecimentos básicos nos quais eles se baseiam foram adquiridos através da mediunidade.

Das várias modalidades mediúnicas existentes a mais comum é a mediunidade intuitiva. Todos os seres humanos a possuem, mas em cada indivíduo ela se apresenta com sensibilidade diferente. Essa diferença de sensibilidade ocorre porque a cada encarnação esse predicado espiritual pode ir sendo lapidado para obter um grau maior de evolução.

Os progressos avançados da moderna tecnologia não seriam ainda conhecidos se, aos poucos, parte deles não tivesse sido transmitida aos seres humanos através da intuição (popularmente conhecida como sexto sentido).

Usar a força do pensamento e saber concentrar-se em determinado assunto com o propósito e o empenho de estudá-lo detalhadamente para procurar interpretá-lo, formulando hipóteses e concebendo idéias, é um exercício comumente feito por intelectuais das várias áreas de conhecimento como os cientistas os escritores, os inventores, etc.

No entanto, somente uma parcela relativamente pequena dessa comunidade – os chamados visionários – é capaz de ter idéias realmente inovadoras. Essas pessoas possuem uma sensibilidade mediúnica muito desenvolvida e por isso são capazes de captar tais idéias do espaço superior através da intuição.

Os autores de livros e filmes de ficção científica sempre se caracterizaram pela sua habilidade de predizer avanços tecnológicos e as conseqüências sociais que esses avanços poderiam produzir.

Nos seus livros eles previram, por exemplo, a viagem à Lua (Júlio Verne), as máquinas de fax (Júlio Verne), os submarinos atômicos (o Nautilus, de Júlio Verne), os robôs (Isaac Asimov), os satélites de comunicação (Arthur Clarke), e centenas de outros aparelhos que hoje fazem parte do nosso cotidiano.

E o que dizer, então, das predições que o escritor britânico George Orwell fez em seu livro "1984" ao descrever com tanta exatidão os fatos estarrecedores que estamos vendo se concretizar atualmente?

Outro fato interessante que queremos apontar são alguns casos em que as idéias de um Visionário se transformam mais tarde na realização tecnológica de um outro fazendo-nos pensar na possibilidade de que o realizador dessa idéia tenha sido uma reencarnação do mesmo espírito que a idealizou.

Os visionários, que alguns depreciativamente chamam de utopistas ou devaneadores são considerados como pessoas excêntricas pela sociedade e, nela, eles se sentem completamente inadequados. É comum que esse profundo sentimento de inadequação sentido por eles inclua também o seu próprio ambiente familiar.

E, como acontece com indivíduos que vivem muito além do seu tempo tornando-se assim diferentes da grande maioria, eles são isolados, ridicularizados e até mesmo perseguidos pelos seus pares e pela comunidade onde vivem. Para eles, o visionário representa uma ameaça embora, no fundo, o que todos sintam é inveja da sua coragem e da mente fértil e brilhante que eles possuem.

Esse fato é descrito de um modo singelo, mas inquestionável no livro "A História de Fernão Capelo Gaivota" do escritor americano Richard Bach. Nele, o autor narra a vida de uma gaivota, que por querer alçar vôos sempre mais altos ao invés de simplesmente buscar peixes para se alimentar como faziam seus companheiros, é expulsa impiedosamente do seu bando e acaba morrendo na penúria.

A grande maioria dos visionários sempre teve que enfrentar o ceticismo desdenhoso e a oposição ferrenha das pessoas medíocres, pois os espíritos que até recentemente encarnavam na Terra possuíam uma evolução muito limitada. E, para eles conviver com indivíduos que tinham o perfil dos visionários sempre foi um grande incômodo.

No entanto, o mundo Terra como tudo que faz parte do Universo, está evoluindo e nele estão encarnando espíritos muito mais evoluídos que aceitam melhor os visionários pois vêem neles características que eles próprios possuem.

Isso pode explicar, por exemplo, o sucesso que Einstein (um dos grandes visionários da atualidade) teve entre os jovens, pois, foi ele quem os ensinou através do seu exemplo a importância de ousar pensar além do convencional.

Como a natureza não dá saltos, todo esse processo evolutivo pelo qual o mundo Terra está passando vem sendo processado lentamente e, assim, são ainda os indivíduos medíocres os que continuam predominando (e mandando...) entre nós.

As frases abaixo podem dar uma boa idéia de como pessoas destituídas de visão costumam encarar inovações importantes:

"Mas...para que vai nos servir isso?" (Engenheiro da IBM referindo-se aos microchips em 1968).

"Não vejo nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa." (Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corporation, 1977).

"A caixa musical sem cabos não tem nenhum valor comercial." (David Sarnoff’s Associates, respondendo a uma proposta que lhe foi feita para investir no rádio durante os anos 20).

"Cavar para encontrar petróleo? Mas isso é um absurdo completo!" (Escavadores que Edwin L. Drake tentou recrutar para desenvolver seu projeto de encontrar petróleo debaixo da terra, 1859).

"Este aparelho chamado telefone tem muitos problemas para que seja considerado seriamente como um meio de comunicação. Ele não tem nenhum valor especial para nós." (de um memorando interno da Western Union em 1876).

"A teoria dos germens de Louis Pasteur é somente uma ficção ridícula." (Pierre Pachet, Professor de Fisiologia de Toulouse na França, 1872).

Para prosperar, o indivíduo deve saber aproveitar as oportunidades que lhe surgem. E, para isso, é importante que esteja sempre alerta a elas e que tenha a necessária sensibilidade para reconhecê-las usando para isso a sua intuição.

Uma nova oportunidade pode surgir quase que por acaso, mas elas também podem ser detectadas por pessoas que estavam à procura delas. E é isso o que geralmente ocorre no caso dos cientistas.

Os avanços na ressonância magnética deram o prêmio Nobel de Medicina em 2003 ao físico britânico Peter Mansfield, 69 anos, e ao químico norte-americano Paul C. Lauterbur, 74 anos.

Porém, quem mais ganhou com esses avanços foram os pacientes e os profissionais de saúde beneficiados por essa ferramenta, que permite obter imagens do interior do organismo.

As descobertas desses dois cientistas levaram ao desenvolvimento de equipamentos de imagem de ressonância magnética nuclear (IRM). Atualmente, esses equipamentos são usados para fazer um mapa detalhado do interior do organismo. Nas três últimas décadas, a IRM se tornou um exame de rotina, sendo utilizada para estudar a maioria dos órgãos sem necessidade de cirurgia. A técnica é especialmente valiosa para exames do cérebro e da medula espinhal. Em todo o mundo, são realizados a cada ano cerca de 60 milhões de estudos utilizando a IRM.

O trabalho de Lauterbur foi mostrar como era possível criar imagens bidimensionais produzindo variações em um campo magnético. Coube a Mansfield mostrar como os sinais emitidos pelo organismo durante a IRM podem ser rapidamente analisados e transformados em uma imagem.

Foi em 3 de Julho de 1977, em uma máquina que está hoje no museu da Smithsonian Institution dos Estados Unidos, que ocorreu o primeiro exame de ressonância magnética em um ser humano, acontecimento esse que mudou os rumos da medicina. O aperfeiçoamento da primeira imagem, confusa e difícil de interpretar, foi rápido e nos anos 80 o uso dessa importante ferramenta clínica já estava bastante difundido.

Nessa época, o uso da palavra tesla se tornou corriqueira porque a capacidade dos "scanners" usados para fazer IRM é medida nessa unidade de campo magnético. No entanto, ninguém se lembrava mais da origem dessa palavra.

Nikola Tesla foi o cientista responsável pelos trabalhos pioneiros sobre Eletromagnetismo. Ele nasceu em 1856 na Croácia e morreu em 1943 em Nova York. Tesla era um indivíduo excêntrico, mas que reunia em torno de si um grupo selecionado de amigos como foi, por exemplo, o célebre escritor Mark Twain.

Quando criança ele teve uma visão que um dia seria capaz de utilizar o poder elétrico da Catarata de Niágara, nos Estados Unidos. Já formado em Engenharia Elétrica, ele decidiu imigrar para os Estados Unidos onde pretendia trabalhar com Thomas Edison, mas, chegando lá, preferiu aceitar o emprego que George Westinghouse, um arquirrival de Edison, lhe ofereceu.

Tesla era dono de uma mente muito fértil e criativa. Sua primeira invenção foi um motor que funcionava com corrente alternada. A corrente alternada é muito prática por sua versatilidade, pois ela pode ser alterada e convertida para se adaptar a uma variedade grande de situações fato que não ocorre com a corrente contínua que havia sido descrita por Thomas Edison.

Quando foi decidido usar-se o poder hidroelétrico das Cataratas de Niágara para iluminar a cidade de Nova York houve um confronto entre as idéias de Edison que queria usar corrente contínua e as de Tesla defendendo o uso de corrente alternada. Edison foi obrigado, então, a amargar uma derrota, pois Tesla ganhou essa disputa tornando assim real a visão premonitória que tivera em sua infância.

Tesla trabalhou também com ondas eletromagnéticas de radiofreqüência e foi quem realmente inventou o aparelho de rádio, embora até hoje muitos, erroneamente, acreditem ainda que isso foi feito por Marconi.

Tesla possuía uma habilidade especial para visualizar invenções na sua forma final. Ele também elaborou muitas outras idéias e conceitos que somente muito mais tarde foram realizadas. Uma delas foi a criação de um grande anel estacionário em torno da Terra o que tornou possível a elaboração dos satélites artificiais que temos atualmente em órbita.

Foi dele também a idéia de usar ondas de rádio para localizar objetos no ar ou no solo. Hoje em dia isso é chamado de radar e, quando esse mesmo princípio é usado para esquadrinhar internamente o corpo humano, recebe o nome de ressonância magnética. Dele também é a idéia de usar gases especiais para encher o bulbo das lâmpadas, o que tornou mais tarde possível o desenvolvimento da iluminação fluorescente.

Durante sua vida, Tesla conseguiu patentear mais de 100 aparelhos eletromagnéticos, mas, enquanto estava planejando produzir um aparelho de rádio para longas distâncias (ondas curtas), foi ultrapassado neste empreendimento por Marconi que, para isso, havia usado conhecimentos que o próprio Tesla lhe havia ensinado.

Nessa ocasião, Tesla perdeu também um importante apoio financeiro que vinha recebendo para financiar suas pesquisas e seu nome foi aos poucos caindo no mais completo ostracismo.

Tesla sempre foi um idealista como bem demonstra essa sua frase: "Fazer ciência pode se tornar um vício se o seu objetivo principal não visar sempre ao bem da humanidade". No entanto, como muitos gênios da ciência, ele não sabia lidar com o lado prático da vida e ao morrer estava praticamente na miséria.

Infelizmente, a maneira injusta com que o mundo o tratou continuou a acontecer mesmo após a sua morte. Assim, embora por decisão da Suprema Corte Americana a patente da invenção do rádio tenha sido retirada de Marconi e dada à Tesla, na grande maioria dos livros esse fato é ainda creditado a Marconi. Fato semelhante acontece também com a corrente elétrica alternada cuja invenção ainda é muito freqüentemente creditada erroneamente a Edison.

Existe uma pequena estátua de Tesla na Usina Elétrica de Niagara Fall. À noite, propositadamente, ela não é iluminada com o objetivo de mostrar à todos que ele foi o Pai Esquecido da Tecnologia.

A história de Nikolas Tesla mostra claramente que esse visionário era dotado de uma faculdade mediúnica muito desenvolvida. Podemos inferir isso tanto na visão premonitória que ele teve quando ainda criança, como também, pela sua extraordinária capacidade de visualizar suas idéias tal como elas seriam depois de executadas.

Certa vez, já idoso, Tesla fez esse comentário: O presente, é deles; mas o futuro, para o qual eu sempre trabalhei, será meu. E, mais uma vez, o grande cientista tinha feito uma outra previsão acertada.

Bibliografia consultada e/ou mencionada no texto Back, Richard. A história de Fernão Capelo Gaivota. Rio de Janeiro, Editorial Nórdica Ltda, 1973.
A Mediunidade. Racionalismo Cristão. 36a ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1986. p. 183-189. Arthur C. Clarke http://mitpress.mit.edu/e-books/Hal/foreword/author.html As Oportunidades. Encontro de uma nova era. Luiz de Souza. 4a ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1977. p. 115-118. Fenômenos Físicos e Psíquicos. Racionalismo Cristão. 36a ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1986. p. 175-179. Isaac Asimov (1920-1992) http://www.kirjasto.sci.fi/asimov.htm Júlio Verne (1928-1905) http://www.ciencia-ficcion.com/autores/jverne.htm Lawrence DB Jr (1990). The Basis of Bioeletricmagnetism. Medical Acunpucture Journal 2: 29-36. Mattos, Luiz de. Evolução sem medo. Clássicos do Racionalismo Cristão. 2a ed. Rio de Janeiro, 2001. Volume 1. p. 142-145. Mattos, Luiz de. Cuidemos devidamente da criança. Clássicos do Racionalismo Cristão. 2a ed. Rio de Janeiro, 2001. Volume 1. p. 79-81. Nikola Tesla http://www.apc.net/bturner/tesla.htm Nikola Tesla: a short biography http://www.neuronet.pitt.edu/~bogdan/tesla/bio.htm O Pensamento. A vida fora da matéria. 21a ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1996. p. 35-41. The Life and History of George Orwell http://www.eng.buffalo.edu/~smf7/175/orwell.html The Nobel Prize in Physiology or Medicine 2003 http://www.nobel.se/medicine/laureates/2003/

Maio de 2004

 

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