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Para Meditar

Conselho aos pais

Colaboração de Lindalva M. F. Almeida

Há mais de quarenta anos, pela palavra escrita ou falada, vem o Centro Redentor disseminando conselhos e princípios de educação e conduta.

Os meninos e meninas que freqüentavam em 1912, ano em que foi ele fundado, estão hoje com a cabeça grisalha e muitos deles têm a ventura de ser avós! ...

Educaram e instruíram seus filhos sob a égide dos mesmos princípios com que foram criados e, agora, têm a satisfação de vê-los encaminhando a novíssima geração pelos mesmos caminhos por eles anteriormente trilhados.

Não são esses caminhos os mais fáceis e menos trabalhosos. Bem o sabemos. São, porém, os mais compensadores ao fim da jornada, afirmamo-lo por experiência própria.

Porque é preciso não esquecer que os filhos que não aprendem, na época própria, com seus pais e mestres, aprenderão mais tarde na vida com os estranhos: seus chefes nas usinas e fábricas, repartições e oficinas, nos escritórios e locais de trabalho.

Neste momento, inicia sua passagem pelas casas Racionalistas a terceira geração. E foi com o pensamento em seus pais e também na época difícil em que ela enfrentará a vida, que estas linhas foram escritas. Possam elas ser úteis a todos. Vamos lê-las.

1 - Educa tu o teu filho. O lar é de todas a melhor escola: educa pela palavra e pelo exemplo. As instituições e governantas pagas pelo teu dinheiro jamais farão o que conseguirias com o teu amor. Lembra-te que educar os filhos não é pagar-lhes colégios caros.

2 - Educa desde cedo para não achares depois que é tarde demais. Educa o teu filho desde a disciplina das mamadas às imposições de higiene. Não graves na alma da criança os preconceitos da tradição supersticiosa porque isso é asfixiá-la e corrompê-la. Educa com amor e não com egoísmo. A criança é por si uma individualidade; eis porque educar é orientar e não modelar. A educação não pode ter por finalidade fazer dos filhos simples bonecos de imitação. Desperta no teu filho sentimentos nobres e elevados, auxiliando-o a desenvolver a sua personalidade criadora.

3 - Não lhe exaltes a vaidade, nem o humilhes com o sorriso irônico da tua experiência. Respeita as suas experiências frustradas como deves enaltecer as realizações elevadas. Estimula-o com o teu exemplo. A criança tem o direito de ser tratada como criança e, como tal, respeitada e atendida nos seus justos interesses e aspirações. Faz com que teu filho te obedeça com amor e não sob a compulsão do medo. Pai e mãe devem ser concordes tanto no distribuir reprimendas e castigos como carinhos, tanto no conceder como no proibir. Impor ao pai a função de carrasco, como fazem erroneamente muitas mães, é aos olhos dos filhos nivelar a autoridade paterna às proporções de um monstro ou bruto. Se um castiga e outro agrada, é mal-educar, é desmoralizar a autoridade consciente e esclarecedora.

4 - Evita a ociosidade cultivando nos filhos o amor ao trabalho, como direito a viver.

5 - Não mintas nem seja injusto. Quando for preciso punir, deves fazê-lo de modo a despertares no julgamento do filho a noção da justiça e do dever, para que ele veja sempre em ti um guia sincero e um amigo útil. Responde com lealdade às suas perguntas e serve-te dessa oportunidade para o esclarecer. Varre do teu lar as velhas expressões e práticas oriundas da superstição e do temor para dominar a indisciplina e sufocar as perguntas. Exige do teu filho a mesma lealdade e jamais permitas que em sua alma se aninhe a dissimulação.

6 - A educação deve ser integral, isto é, física, moral e intelectual, tendo como finalidade o velho postulado mente sã em corpo são. Não esqueças que à moral se prende a educação sexual, que deve ser ministrada dentro da lealdade e da franqueza e jamais mentindo ou apelando para nomes tradicionais sem nenhuma significação real como "pecado", "inferno", "diabo", "bicho-papão", "velho do saco", "mula sem cabeça" ou o "lobisomem". Responder com essas expressões é trair a curiosidade da criança, é, portanto, mentir. A moral só é perfeita quando é apoiada na verdade. A criança tem o direito de receber os princípios de educação que a preparem para a vida e lhe permitam tomar consciência do seu próprio destino.

7 - Educa o teu filho a ver no mais humilde um seu irmão. Desde cedo grava na sua alma que ele é um elo da grande família humana que se sobrepõe aos preconceitos da raça, de casta, de nacionalidade, de partido ou crença. Educa-o sob a base do amor ao próximo, mostrando-lhe como a vida merece ser vivida.

8- Educa-o para conhecer os "porquês" da existência e para se conhecer a si mesmo. Só liberto e consciente poderá teu filho ser útil a si próprio e aos seus semelhantes.

9 - Educa-o desenvolvendo a sua potencialidade original, liberto das peias da superstição, admirando a beleza da vida em todas as suas formas - tornando-o enfim um elo da geração que integrará o mundo de amanhã.

10 - Mostra-lhe a causa das guerras e também os seus fins. Auxilia-o a saber o que são e valem as religiões e qual o seu papel através dos tempos. Faz do teu filho um ser desperto e educa-o para, em vez da arma assassina, empunhar o instrumento de trabalho útil à coletividade, que, como ele, tem direito à grandeza da vida. Educa-o a irradiar sobre todos pensamentos de Paz, de Fraternidade e de Amor.

Racionalismo Cristão, Rio, Março de 1954

Enviado por Lindalva M. F. Almeida, 19/9/01

 

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