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Estrelas-do-mar

Colaboração de Tathiana Moreira

Era uma vez um escritor, que morava numa praia tranqüila, junto a uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele passeava à beira-mar, para se inspirar, e de tarde ficava em casa escrevendo.

Um dia, caminhando na praia, ele viu à distância um vulto que parecia dançar. Quando chegou perto, percebeu que era um jovem pegando na areia estrelas-do-mar e jogando, uma por uma, novamente de volta ao oceano.

¾ Por que você está fazendo isso? - perguntou o escritor.

¾ Você não vê? - respondeu o jovem. A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas vão se secar ao sol e morrer, se ficarem na areia.

¾ Meu jovem existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar, espalhadas pelas praias. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

O jovem pegou uma estrela na areia, jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e disse:

¾ Para essa eu fiz diferença.

Naquela noite o escritor não conseguiu dormir nem sequer conseguiu escrever. De manhãzinha foi para a praia. Reuniu-se ao jovem e juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

Tathiana Moreira
Belo Horizonte, 13 de fevereiro de 2001

 

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