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Para Meditar

Relatos de Ana

Tathiana Moreira


Relata a Professora Ana que, no primeiro dia de aula, parou em frente de seus alunos da 5ª série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um pequeno garoto chamado Léo. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e, muitas vezes, suas roupas estavam sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.

Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano passado. A professora Ana deixou a ficha de Léo por último. Mas quando a leu foi grande a sua surpresa.

A professora do 1º ano escolar de Léo havia anotado seguinte: Léo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.

A professora do 2º ano escreveu: Léo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida de seu lar deve estar sendo muito difícil.

Da professora do 3º ano constava a anotação seguinte: A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Léo. Ele procura fazer o melhor mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providência para ajudá-lo.

A professora do 4ºano escreveu: Léo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.

A professora Ana se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes de Natal que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Léo, que estava enrolado num papel marrom de supermercado. Lembra-se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquele dia Léo lhe disse que ela estava cheirosa como sua mãe. Naquele dia, depois que todos os alunos foram, a professora Ana chorou por longo tempo... Em seguida, decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Léo.

Com o passar do tempo, ela notou que o garoto só melhorava. E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Léo saiu como o melhor aluno da classe.

Um ano mais tarde, a professora Ana recebeu uma notícia em que Léo lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida. Seis anos depois recebeu outra carta de Léo contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram, até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Leonardo Silva, seu antigo aluno, mais conhecido como Léo.

Um dia, Ana recebeu outra carta em que Léo a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e, no dia do casamento, estava usando a pulseira que ganhou de Léo anos antes, e também o perfume. Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Léo lhe disse ao ouvido:

¾ Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.

Mas ela, com os olhos banhados em pranto, sussurrou baixinho:

¾ Você está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci.

 

Aí está, Amigos, o valor da atenção ... o quanto é importante darmos um pouco mais de atenção às pessoas que amamos ou que se encontram do nosso lado ou em nossa sala de aula. A atenção, o carinho e o cuidado devem ser somados e nunca divididos. É preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma das pessoas.

 

Tathiana Moreira, 
Belo Horizonte, 28 de abril de 2001

 

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