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Você age ou reage ?

Colaboração de Inge Georg

Certa noite, há poucos dias, fui com um amigo à banca de jornais. Ele comprou um jornal, agradecendo cortesmente ao jornaleiro. Este, nem se abalou.

¾ Camarada mal educado, não é?, comentei.

¾ Ah, ele é sempre assim!, respondeu meu amigo.

¾ Nesse caso, por que continua sendo delicado com ele?, indaguei.

¾ Por que não?, perguntou meu amigo por sua vez, concluindo

¾ Por que iria eu deixar que ele decidisse como eu devo agir?

Pensando mais tarde nesse incidente, ocorreu-me que a palavra importante era "agir".

Meu amigo agiu com relação aos outros; quase todos nós reagimos. Ele tem senso de equilíbrio interior que falta à maioria das pessoas; ele sabe como é, o que é, como deve proceder, tem convicções próprias. Recusa-se a retribuir incivilidade com incivilidade, porque assim já não seria senhor de sua própria conduta.

Ninguém é mais infeliz do que aquele que apenas reage. Seu centro de gravidade emocional não tem raízes em si mesmo, como deve ser, mas no mundo fora dele.Sua temperatura espiritual está sempre sendo elevada ou abaixada pelo clima social que o cerca, e ele é uma simples criatura à mercê desses elementos.

O elogio lhe dá uma sensação de euforia, que é falsa porque não provém de auto-aprovação. As críticas o deprimem mais do que devem, porque confirmam sua opinião insegura de si mesmo.

As caras feias que lhe fazem ferem-no e a mais leve suspeita de antipatia o faz amargurar-se.

A serenidade de espírito não poderá ser atingida enquanto não nos tornamos senhores de nossas próprias ações e atitudes. Deixar que os outros determinem se devemos ser rudes ou corteses, se devemos exultar-nos ou ficar deprimidos, é abrir mão do controle sobre a nossa própria personalidade, que, afinal, é tudo quanto possuímos.

Contribuição de Inge Georg - Rio de Janeiro, agosto de 2001

 

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