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Tributo à razão

Aida Almeida Lopez da Luz, Diego Garcia Leite, Pedro Pesce,
Wilarmont Pereira Franco e Wilson Candeias Moita

1. Introdução

O objetivo deste estudo é muito simples, desejamos que o homem conheça sua origem e destino, continue na sua luta por dias melhores, que viva em paz e seja feliz, que tire proveito dos sofrimentos e dos embates da vida. No decorrer da existência humana houve muitos tropeços, e o homem ainda não sabe caminhar com segurança, está atirado à própria sorte, ainda se questiona; De onde viemos? Quem somos? E para onde vamos? Porque nascemos e porque estamos aqui? Porque e quando morreremos? As respostas de sua origem, situação e o seu destino, sempre o deixaram intrigado. A natureza é sábia, dizem os românticos, é só deixar a natureza ir-se desenvolvendo e se fortalecendo nesse interjogo organismo-ambiente. O caminho é reto, a felicidade existe e o homem faz jus a ela. É ele, o homem, responsável pela dignificação da família como base de uma sociedade saudável, livre de preconceitos e julgamentos. Também o homem tem-se deixado levar há muitos séculos por interesses, conveniência, falta de decoro, vantagens pessoais, atolado em crendices avassaladoras, vivendo para os vícios e corre em busca de milagres na hora da aflição.

De tanto ver crescer as nulidades, tenho vergonha de ser honesto Rui Barbosa.

Quando tratamos as pessoas com gentileza e cortesia, somos julgados a ponto de ter vergonha de nossa dignidade. Então nos questionamos: Que tipo de escola, já dentro do século XXI, ainda estamos patrocinando? O que está sendo ensinado? A resposta está no futuro de nossas escolas com novos valores, como ensinar conforto, gentileza, cortesia e tolerância, com uma efetiva reprogramação de novas mentes, transmitindo ao ser humano o conhecimento dos porquês da vida, ensinando-o a ter confiança em si mesmo, no poder de sua vontade na luta contra os desejos que são próprios dos instintos, mostrando-lhe que somente ele é o artífice do seu futuro bom ou mau, de acordo com o uso de seu livre-arbítrio, que está no pensamento, o êxito ou o fracasso, e que estamos nos magoando no simples tratamento, inibindo, amofinando e agredindo com hipocrisias, portanto, cada um contribui exatamente com o que tem para contribuir e ninguém dá o que não tem para dar. O homem ainda acredita que é só ir à igreja, ajoelhar-se, beijar muro, beijar o chão, beijar santinhos, beijar fitas coloridas, acender velas, ou fazer qualquer micagem e pedir perdão, tudo estará resolvido. A resposta não é essa, tem de haver uma melhoria na evolução. Em nossas crianças está uma das soluções, para que mudemos o mundo para melhor , através da educação escolar, com uma nova formatação de esforço, de respeito, de apoio, de compromisso com a criança. A outra saída, que se faz mister, é uma mudança dentro de nós no cultivo da arte de viver, conhecendo-se como força e matéria, dando valor à vida do espírito e suas faculdades mediúnicas, cabendo a cada um aceitá-la ou não, pois esse entendimento depende da vontade espiritual de cada um, mas, nele estará o resultado de um destino saudável.

2. Quem somos?

Quem somos? Por que somos? Quando somos? Como somos? Estas questões nunca estarão completas, sempre teremos algo a acrescentar, o que vale é a pesquisa, a contribuição de cada um de nós, à soma e à correção, o princípio é fugir de estudos intocáveis e dogmatizados. A descoberta da base de nosso ser, a essência de tudo que existe no homem e no universo, onde repousam nossas qualidades. Então, questionamos, e se nós não existíssemos, o que existiria? Talvez o vazio! Por que não? Como somos natureza, apenas vamos preenchendo os espaços, tomemos como exemplo a semeadura de uma planta qualquer, em um espaço qualquer, então nasce, cresce, toma seu espaço, cumpre o seu papel, dá frutos, que, amadurecem, caem no solo, geram-se novas sementes, é o ciclo da vida tomando novas formas de vida, estruturação, desestruturação e reestruturação. Mas, somos animais racionais, já temos códigos de comunicações estabelecidos, com línguas diferentes, vivemos em sociedades estruturadas, temos territórios com fronteiras estabelecidas. Voltamos a nos questionar; qual será a língua, ou as próximas fronteiras nos próximos cem, duzentos, ou quinhentos anos? Como nos situamos defronte do universo? Qual será a energia de locomoção? Qual será a principal energia de alimentação? Teremos protegido nossas principais fontes de energia que são a água e o oxigênio? Harmonizamo-nos com a vida silvestre ou com a natureza em geral? Seremos capazes de conviver em espaços reduzidos? Continuaremos a viver em contradições de ódio, do sofrimento, da intolerância, do preconceito, da miséria, sustentado por um materialismo avassalador, grosseiro e destrutivo?

Para iniciarmos nosso passeio no futuro, temos que recapitular nossas atividades diárias, circunstâncias pessoais e, quanto depende de nossas heranças, ou seja, as atividades que são aprendizagens do dia-a-dia e as que são instintivas. A psicologia moderna nos revela cada vez maior o número de reações, que nos parecem instintivas e automáticas, mas que, na realidade dependem de acontecimentos retidos em nossa memória de infância.

O filósofo Descartes (1596-1650), que, viveu num período onde imperava o dogmatismo, cujas idéias exerceram a mais profunda influência no pensamento dos últimos séculos, supunha que os animais fossem autômatos e que só o homem possuía verdadeira alma consciente, e, acreditava que os animais, agissem naturalmente por molas, como um relógio.

Mas, o russo Igor Pavlov (1849-1936), que abandonou a carreira eclesiástica, estudou neurofisiologia, executou experiências com cães, além dos esclarecimentos para os processos mentais, trouxe algumas reflexões sobre como esses animais ouvem, vêem, cheiram e sentem o mundo.

A obra de Pavlov, com suas idéias e experimentos, foi uma etapa decisiva na história da ciência biológica, no estudo dos reflexos condicionados e incondicionados, nos estudos das glândulas salivares que têm importância fundamental no processo mental, entre impulsos e inibição. Portanto, quando nos apresentam uma comida que não conhecemos, ficamos curiosos e temos impulsos por experimentar, mas, se já a conhecemos e tem gosto ou cheiro repugnante, aí sim entra o processo de memória, e nossa boca imediatamente aumenta o fluxo de saliva, que deve ser cuspido para auxiliar na lavagem da boca. Do mesmo modo quando vemos uma mesa posta ou ouvimos uma campainha, que nos indica a hora do jantar, forma-se a conexão entre o centro visual ou auditivo, com os centros motores mentais.

Provou também que o cão vê apenas em branco e preto, isto nos leva a concluir que nós temos o campo visual um pouco mais apurado, mas limitado, enxergamos várias cores e, aí fica uma incógnita: enxergamos todas as cores ou apenas a superficialidade delas? O daltonismo por si só já justifica a nossa incapacidade de ver cores, mas, existem também pessoas que têm sensibilidade à refração da luz e enxergam a mesma cor em tonalidades diferentes, mais claro ou mais escuro, a idade das pessoas é outro diferencial no poder de visão, altera a percepção dos objetos se perto ou longe. Nossa visão também cria outro elemento fundamental, a ilusão de ótica, em que distorce as formas, o tamanho, a posição e a distância dos objetos, dependendo da posição de quem está vendo, os objetos sólidos movimentam-se, as linhas retas paralelas ficam diagonais afuniladas. A visão altera fundamentalmente quando os pensamentos das pessoas estão entorpecidos pelo estado emocional, principalmente nos momentos de ira, perdem o foco principal dos objetos, perdem a tonalidade principal e ficam escurecidos.

Quando executamos atividades físicas como andar ou ficar em pé, corresponde a reflexos inatos, conduzidos por impulsos que caminham no corpo por fibras nervosas. Quando pensamos, são os mesmos reflexos, mas, os impulsos circulam nos labirintos do hemisfério cerebral.

3. Busca do poder

Na história da humanidade, em diferentes partes do mundo, observamos a constância da luta pelo poder, onde a ganância é o impulso da conquista.

Vejo a necessidade de mudar muitas coisas no mundo, sobretudo o controle de nós mesmos e de nossa consciência... somos descendentes de seres que têm lutado entre si... as soluções passam necessariamente por uma maior consciência. (JOESTEIN GAARDER 1953-) O homem aprendeu a lutar quando fugindo do medo, defendeu-se para não ser devorado por alguma outra espécie de fera, nessa contínua luta; guerreiam entre si, matam, exploram e usurpam, e, mantêm no topo da pirâmide os mais fortes, protegendo suas conquistas e vantagens pessoais, despejando neste milênio atitudes bolorentas, interesseiras, mal cheirosas de: corrupção, enfermidades, fome, drogas, violência, invasão de espaço, desrespeito, submissão da mulher, desigualdades sociais, prisões, assédio sexual, abuso de menores, menores abandonados, miséria, preconceitos, manipulação do indefeso, vantagens pessoais, poluição, e a destruição do meio ambiente.

Ontem eu vi um bicho
Catando detritos no lixo,
Esse bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato,
Esse bicho,
Era um homem!

(Manuel Bandeira)

No decorrer da história sucederam-se os grandes pensadores, que, com suas idéias, contribuíram para oxigenar o pensamento dos homens, promovendo a evolução dos usos e costumes da espécie, porém, continuamos a observar os efeitos dessa luta pelo poder, chaga que sobrevive. Contemporizamos, argumentamos e, no final acabamos dando de ombros com os falsos moralismos fazendo parte do contexto social. Não adianta exigir direitos, temos que buscar as causas", nossas origens e, começar, urgentemente, a implantar uma consciência da ética dentro de cada um, sobre deveres e responsabilidades, afinando o pensamento com as atitudes, gestos e palavras corretas. Só os animais irracionais e os criminosos inveterados, agem inconscientemente, contrários às leis naturais, comuns e imutáveis do progresso e do bem-estar coletivo.

4. Ética pessoal, caminho da evolução

O mundo atual passa por um constrangimento muito forte e preponderante do mal sobre o bem, do sofrimento sobre a felicidade, da guerra sobre a paz, enfim, da violência sobre a fraternidade. Com a sistemática concentração de riquezas nas mãos de poucos homens, e, que preocupados com o poder material, não percebem o domínio do instinto sobre a razão, onde prevalece o egoísmo e a vaidade com a característica marcante do instinto em buscar prazeres no alimento, no álcool, no luxo, no jogo ou na satisfação erótica.

Esse ardente desejo dos prazeres, marcantemente interesse materialista como causa , está focado na individualidade, com requintes de ignorância total sobre o bem coletivo, leva o homem aos desatinos de conquistas materiais, gerando efeitos de sofrimentos gerais, onde predominam sentimentos de tristeza, angústia e a depressão nos demais, com perdas irreparáveis individuais ou coletivas, contribuindo ainda mais com a pobreza, mendicantes, excluídos da saúde e justiça, e o crescimento das populações em hospitais e penitenciárias.

O homem vive e se comporta segundo modelos ou padrões transmitidos pelos antepassados. Sentimentos atávicos, através da tradição ou influídos por fatores ambientais de ordens físicas, filosóficas, psicológicas e socioculturais. O homem deve sair dessa rigidez limitada e mórbida de prevalecer o instinto. Devemos estudar outras faculdades sensoriais, sair da realidade aparente para outra acessível à razão.

Diariamente somos obrigados a nos posicionar de acordo com diferentes situações, simples ou complexas, exercitando o mental para o enfoque centralizado na prática da ética pessoal , disciplinando nossos pensamentos e nossas atitudes para a lógica, a razão e o método. De uma forma mais singela, podemos nos utilizar aforismos como: não é meu não me pertence ou só é bom quando for bom para todos. Nossas decisões ou atitudes terão que gerar resultados positivos, individuais ou coletivos no presente e para o futuro. Nossos sentidos deverão ir-se clareando, pouco a pouco, e, terão maior liberdade de percepção das leis naturais e imutáveis. Perceberemos um processo contínuo em evolução que, influi nos destinos dos homens pela lei natural de causa e efeito e, nas suas relações interpessoais, que deverá arejar os pensamentos dos homens, reprogramando-os como livres-pensadores, gerando novos ideais, dentro de uma nova conduta, sendo mais participativos, e, integrados no meio social em que vivem.

5. O grande segredo

Qual é a nossa origem? Qual é o nosso destino? A resposta em si... é muito simples. Nunca houve segredo algum, as informações sempre estiveram à disposição, tudo no "Universo" está criado, somente existem transformações da matéria e evolução da força, mas, no decorrer dos milênios, foram sendo interpretadas pela ótica do mais forte, fisicamente, confundiu-se com o poder, enraizaram-se, tornaram-se privilégios. Travaram-se batalhas, alienou-se e escravizou-se, cresceu o comodismo e a indolência, tudo em nome do interesse e manutenção do poder de supostos privilegiados, mas, as informações vêm sendo descobertas e acumuladas, uma a uma, pela ótica das experiências, pesquisas e livres-pensadores.

A idéia de que os indivíduos ainda conservam sobre si mesmos, é nitidamente materialista, ou seja, é como verem-se no espelho; apenas o corpo, ou a expressão momentânea da matéria, roupagem do espírito.

Segundo Dulce de Mendonça Uchoa, em Ensaios de filosofia de vida (1989:27) o mundo continua entorpecido do ponto de vista das leis do espírito, predominando as leis da matéria continua Uchoa (1989:106) cada vez mais sentimos que a matéria não existe como algo definitivo, a condensação de energia que se manifesta na solidez da matéria tem caráter provisório. Tudo se passa como se a matéria não tivesse vida própria, dada sua tendência incoercível para a transformação e dissolução.

O ser encarna numerosas vezes até atingir determinado grau de evolução. Milhões de criaturas não querem reconhecer esta verdade, mantêm-se em primitiva incompreensão sobre a trajetória evolutiva ou trajetória da existência. A lei da evolução nunca falha, e está dentro das leis naturais e imutáveis que são absolutamente iguais para todos.

A falsa concepção, com crenças ilusórias, mistificadoras, dogmatizadas e enganos, têm atrasado o progresso espiritual, e, precisam ser eliminadas da mente humana, e de uma forma lógica desprogramar da mente humana, o que foi programado pela igreja durante séculos. (Energia programada: José Amorim)

6. Grandes pensadores

6.1 Buda

Sakyamuni Gautama era o nome oficial de Buda. Nascido na Índia há aproximadamente 3.000 anos, filho dos governantes do reinado de Sakya, filho do rei Suddhodana e da rainha Maya, recebendo o nome de Sakyamuni Gautama, era chamado também como Siddhartha Gautama que significava "aquele que realiza todos os desejos" indicando que todos os desejos de Suddhoana, haviam sido realizados após o nascimento de seu filho e a posterior prosperidade advinda ao seu país, em face ao seu nascimento. Embora nascido como príncipe, Buda ou (Sakyamuni) abdicou, deixou sua vida de riquezas e títulos de nobreza, dedicando-se incansavelmente pela felicidade humana do povo indiano.

O Buda expôs os seus ensinos através de diálogos com os seus adeptos. Naquela época, um crescente número de pessoas começava a abandonar o bramanismo tradicional em favor da nova filosofia, pois os ensinos do Buda eram uma nova interpretação da vida, muito além das doutrinas bramanistas, sendo ainda transmitidos através dos pensamentos populares da época.

Para difundir seus conceitos doutrinários de humanismo, Buda viajou por rotas de caravanas durante toda a sua vida. Em seus últimos dias, tristes eventos ocorreram. Seus dois discípulos de maior confiança, Sharihotsu (Shariputra) e Mokuren (Maudgalyayana) desencarnaram. Estes dois líderes freqüentemente auxiliaram as pregações do seu mestre e, nos momentos críticos, protegeram-no das tramas de Devadatta. Apesar de entristecido com a morte desses dois discípulos, Sakyamuni encorajou os seguidores que estavam igualmente em desespero, ensinando-lhes que não deveriam jamais se abalar com os aspectos mutáveis da vida, mas esforçarem-se sempre para desenvolverem seu caráter. Nesse meio tempo, o Reino Sakya caiu sob o domínio de Kosala. A terrível situação serviu somente para estimulá-lo a continuar sua jornada, para que todos pudessem reconhecer o indestrutível universo interior que ele havia descoberto em sua filosofia e racionalismo.

Apesar da avançada idade bem próxima de oitenta anos, Sakyamuni continuou a pregar o budismo buscando a salvação da humanidade sem que retornasse à vida familiar que outrora prometera voltar.

Devemos observar que Buda, Platão e Cristo, possuem a mesma personalidade filosófica espiritualista em épocas diferentes, porém com as mesmas características em todos os aspectos.

Buda, reconhecidamente, foi o primeiro filósofo espiritual, construtor da doutrina filosófica, espiritual e racional, sendo confundida como religião até aos dias atuais.

6.2 Tales de Mileto

Nascido em Tebas em 624 a.C. e morto em Atenas 546 a.C., foi o primeiro e mais famoso dos sete sábios da Grécia. Foi o primeiro filósofo jônico. Percorreu o Egito, onde realizou estudos, pondo-se em contato, deste modo com os mistérios da religião egípcia. Atribui-se a ele o fato de ter predito o eclipse do Sol ocorrido no ano de 585 a.C. Também se atribui a ele o fato de ter realizado a medição das pirâmides, mediante as sombras que projetam. Foi o primeiro a dar uma explicação dos eclipses. Em Mileto, como em toda a Grécia, floresciam as artes e as ciências, o ambiente favorecia que os homens perguntassem o porquê de sua existência. Tales foi considerado o pai da filosofia Grega, como rico mercador e astrônomo, dedicava-se a estudar a matemática e a física da natureza, interessado em conhecer a origem de tudo, e, como está feito, ao observar os três estados da água, sólido, líquido e gasoso, concluiu que tudo procedia da água como origem da vida e do cosmos. Assim, Tales de Mileto colocou em confronto as bases de duas correntes filosóficas: a materialista – tudo tem um princípio na matéria – ; e a idealista – atrás da realidade material, está o divino elemento criador. Tales de Mileto deixou-nos máximas, entre elas: "ensina e aprenderás o melhor", "não enriqueças com más atitudes", "mesmo sendo rico, não te entregues ao ócio", "seja você o oráculo da cortesia", "não acredite em todos", e "ao governar, governe-se primeiro a si mesmo".

6.3 Pitágoras

Pitágoras é conhecido especialmente por sua tabela "pitagórica", foi o primeiro a declarar que a Terra não era o centro do universo, mas um de tantos planetas girando ao redor de um ponto central, porém quase esqueceu-se de seu papel de filósofo. Pitágoras teve influência nos ensinamentos do poeta e filósofo Orfeu, também foi fundador da Irmandade Escola "O Mistério de Orfeu" com ensinamentos secretos, onde os estudantes viviam como monges, praticavam o vegetarianismo, a abstenção sexual, compartiam os bens, e estudavam os princípios matemáticos e o esoterismo. Acreditavam na reencarnação, predicavam que o princípio de todas as coisas eram os números. A saúde era o resultado de uma apropriada relação matemática no corpo humano.

"Tudo no universo e o homem que faz parte dele, são matemáticas"... "Há um princípio absoluto (um da divindade) exterior ao tempo e ao espaço, princípio que contém em essência todos os seres e todas as coisas, verdadeira fonte eterna de vida"...

Designou ao 2 a dualidade da natureza; dia e noite; frio e quente; masculino e feminino; vida e morte; direito e esquerdo, etc.

Como Pitágoras estudou no Egito, sua filosofia tem bases esotéricas, surgiu daí a sua idéia de que os números contêm um caráter sagrado e secreto, e hoje a ciência moderna dá a razão à Pitágoras quanto a "criação matemática" do universo, do mundo, do ser, do mundo animal, vegetal e mineral.

"O mundo é pura harmonia matemática", influenciando enormemente o futuro; Galileu disse: o grande livro da natureza se escreveu com a matemática; Einstein disse em seguida: Deus não jogou com os dados.

Mas, na escola de Pitágoras nem tudo era matemática. "Castiga com severidade a seu filho culpado da morte de um animal ou um inseto: assim inicia-se o homicídio"... "A felicidade consiste em estar de bem consigo mesmo"... "Seja sóbrio; um corpo muito grosso enfraquece a alma. Não faça de seu corpo a tumba de sua alma"... "Não dê a mão em seguida, na dúvida se abstém"... "As mulheres são débeis porque só contam com o coração para se sustentarem, e o coração é frágil"... "Perdoe a todos, mas a você não perdoe nada"... "Não aspires a vaidade de ser rico, contribuirás a que fosse pobre".

Quando sua escola foi dispersada pelos invasores persas, permitiu que seus conhecimentos fossem levados a toda a Grécia, através de seus gênios membros. Pitágoras foi o primeiro a falar no ocidente sobre a imortalidade do espírito e a reencarnação.

6.4 Sócrates

Sócrates nasceu em 470 a.C., embora desta data não se tenha absoluta certeza, em Atenas, sendo filho de um escultor. Aprendeu a arte paterna, mas dedicou-se à meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa alguma, não obstante sua pobreza. Ocupou alguns cargos políticos e foi sempre modelo irrepreensível de bom cidadão. Formou a sua instrução, sobretudo através da razão e reflexão pessoal, na moldura da alta cultura ateniense da época, em contato com o que de mais ilustre houve na cidade de Péricles.

Completamente tomado pela sua vocação, não se deixou influenciar pelas preocupações familiares, nem pelos interesses políticos. Quanto à política, foi valoroso soldado e austero magistrado em Atenas. Porém, em geral, manteve-se afastado da política contemporânea, que era contrária ao seu temperamento crítico e com o seu indeclinável caráter e juízo. Entendia que deveria servir à pátria conforme suas atitudes valorosas e dignas, vivendo com simplicidade e justiça, formando cidadãos sábios, honestos, temperados; diversamente dos sofistas, que agiam para o próprio proveito e formavam grandes fileiras de egoístas, capazes unicamente de se acometerem uns contra os outros e escravizar o próximo.

Porém, a liberdade de seus discursos, a retidão austera de seu forte caráter, as suas atitudes críticas, irônicas e a conseqüente educação por ele ministrada, criaram descontentamento geral, hostilidade popular, inimizades pessoais, apesar de sua probidade. Diante da tirania popular, bem como de certos elementos reacionários, fulgurava Sócrates como pilar de uma aristocracia intelectual e racional. Esse estado de ânimo hostil a Sócrates concretizou-se, tomou característica jurídica, na acusação movida contra ele, sendo acusado de corromper a mocidade e negarem-se aos Deuses da pátria introduzindo outros.

Sócrates desdenhou defender-se diante dos juízes e da justiça humana ateniense, humilhando-se e desculpando-se mais ou menos. Tinha ele diante dos olhos da alma e da consciência, não uma solução empírica para a vida terrena, mas sim, o juízo eterno da razão, para a imortalidade. E preferiu a morte. Sendo declarado culpado por uma pequena minoria, assentou-se com indômita fortaleza de ânimo diante do tribunal, que o condenou à pena capital com o voto da maioria.

Tendo que esperar por mais de um mês a morte no cárcere, pois havia uma lei que vedava as execuções capitais em Atenas durante a viagem votiva de um navio a Delos, seu discípulo Criton preparou e propôs uma fuga ao Mestre. Sócrates, porém, recusou-se, declarando não querer absolutamente desobedecer às leis da pátria. E passou o tempo preparando-se para o passo extremo, em palestras espirituais com os amigos.

Especialmente e não menos famoso é o diálogo sobre a imortalidade da alma, que se teria realizado pouco antes da morte e foi descrito por Platão no Fédon com arte incomparável. Suas últimas palavras, dirigidas aos discípulos, depois de ter sorvido tranqüilamente a cicuta, foram: "Devemos um galo a Esculápio". É que o deus da medicina tinha-o livrado do mal da vida física, com o dom da morte ou liberdade espiritual. Desencarnou Sócrates em 399 a.C. com 71 anos. Sócrates deixou-nos máximas, entre elas: "somente sei que nada sei", e "o pensamento justo é sempre inseparável da ação".

6.5 Platão

Platão nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C. e aos vinte anos de idade aderiu aos ensinamentos de Sócrates. Com a morte deste por envenenamento em praça pública, Platão fica desiludido e deixa de confiar nos políticos e religiosos.

Em Atenas, pelo ano de 387 a.C., Platão fundou a sua célebre escola, que, dos jardins de Academo, onde surgiu, tomou o nome famoso de Academia. Como já em Sócrates, assim em Platão, a filosofia tem um fim prático, moralizador; é a grande ciência que resolve os problemas da vida. Este fim prático realiza-se, no entanto, intelectualmente, através da observação, do conhecimento e da ciência. Mas, diversamente de Sócrates, que limitava a pesquisa filosófica, conceptual, ao campo antropológico e moral, Platão estende tal indagação ao campo metafísico, cosmológico e espiritual.

Este caráter íntimo, humano, espiritual da filosofia, em Platão é tornado especialmente vivo e angustioso, pela latente sensibilidade do filósofo, em face do universal vir-a-ser, nascer, crescer, envelhecer e perecer de todas as coisas; em face das imperfeições, oriundas da infelicidade e desordem que se manifestam em especial no homem materialista, onde o corpo é inimigo do espírito, o sentido físico se opõe ao intelecto. A paixão contrasta-se com a razão. Assim, considera Platão o espírito humano peregrino neste mundo e prisioneiro na caverna do corpo. Deve, pois, transpor-se a este mundo e libertar-se do corpo para realizar sua finalidade, isto é, chegar à contemplação do inteligível ou força criadora universal, para o qual é atraído por um amor nostálgico, pelo Eros platônico.

Desencarnou o grande Platão em 348 ou 347 a.C. com oitenta anos de idade. Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas. Dos 35 diálogos, que correm sob o seu nome, muitos são apócrifos, outros de autenticidade duvidosa.

6.6 Aristóteles

Nascido na Macedônia encarnou Aristóteles em 384 a.C. e desencarnou em 322 a.C. e, por vinte anos, foi aluno da Academia de Platão, quando este estava com sessenta e um anos de idade. Ao passo que Platão se dedicou inteiramente ao mundo espiritual, Aristóteles buscou a característica dos processos naturais biológicos e fitológicos, estudando rãs, peixes, anêmonas e papoulas. A grande importância de Aristóteles para a cultura européia está, também, no fato deste grande filósofo ter criado um dialeto técnico, utilizado até hoje pelas ciências. Foi um grande sistematizador, fundador e ordenador de variadas ciências. Embora aluno da Academia de Platão, Aristóteles discordava de determinados pontos abordados pelo mestre. Esta dicotomia se dava pelo fato de Aristóteles buscar nas leis químicas e biológicas, dentro do campo das ciências naturais, os processos de imutabilidades da natureza e as relações de causas e efeitos físicos, bem como causa da finalidade e característica das coisas, um porquê determinador de um fim inteligente puramente físico.

Aristóteles não se limitava apenas a observar, por exemplo, por que a chuva cai. Como o processo de evaporação condensação e liquidificação se opera. Ele ia além. Buscava neste processo natural uma razão lógica e inteligente de tal fenômeno existir, assim como todos os processos naturais, concluindo que as existências de tantos fenômenos naturais, visavam ao equilíbrio do meio ambiente, permitindo aos seres vivos e plantas viverem em harmonia numa cadeia de interdependência e sobrevivência mútuas, como causa final de um efeito natural e inteligente indo ao cosmo, na observação do firmamento, pontilhando uma cadeia de eventos universais e imutáveis.

Assim como Platão, Aristóteles afirma que o equilíbrio e a disciplina na vida, assim como a felicidade do homem, dependem de harmonia e moderação. Afirma que são três os pontos referenciais importantes em harmonia na busca da felicidade relativa: primeiro, as virtudes emanadas do caráter; segundo, o suprimento das necessidades físicas com alimentação vestuário e moradia, onde destacamos o trabalho, produtor de reservas financeiras e sustentador do patrimônio material à subsistência; e, finalmente, a sabedoria, razão e a filosofia positiva.

Entendia este sábio, bem como entendiam Sócrates e Platão, que acima das questões particulares de cada cidadão, a felicidade social se encontrava na estruturação de um Estado laico e organizado sem tiranias. Defendiam uma monarquia onde haveria somente um Chefe de Estado em harmonia com as aspirações da sociedade. Defendiam também a possibilidade da existência da Aristocracia parlamentarista, onde um grupo de soberanos governa um Estado. Esta forma de governo deveria ter o cuidado de não governar em proveito próprio, onde os interesses pessoais de uma minoria seriam evidentes, o que seria o que hoje conhecemos como Oligarquia. A terceira forma de Estado seria a Democracia, que também tem seus pontos negativos quando mal administrada ou conduzida em proveito de uma minoria dominadora.

Platão reconheceu na mulher a grande incumbência de dar a vida e afirmava que a mulher teria a mesma natureza do homem, bastando que ministrassem a elas as mesmas instruções que tinham os homens, nivelando por cima, os direitos e capacidades intelectuais da mulher. Infelizmente Aristóteles negou à mulher o seu verdadeiro valor. Para ele a mulher era apenas uma criatura incompleta e inferior ao homem, pelo fato de ser passiva e receptiva, a mulher era um homem incompleto, limitando-se apenas a um terreno fértil em que o homem depositava os espermas, sem que ela tivesse nada a haver biologicamente e intelectualmente.

7. Os sofistas

A época áurea da sofística foi, pode-se dizer, a segunda metade do século V a.C. O centro foi Atenas, capital democrática de um grande império marítimo e cultural. Os sofistas maiores foram quatro. Os menores foram uma plêiade, continuando até depois de Sócrates, embora sem relevância filosófica. Protágoras foi o maior de todos, chefe de escola e teórico da sofística. Em coerência com o ceticismo teórico, destruidor da ciência, a sofística sustenta até hoje, o relativismo prático, destruidor da moral. Como em suas visões, o verdadeiro, o que tal é ao sentido, assim é bem ou bom, o que satisfaz aos sentimentos materialistas, aos impulsos, às paixões e ao egoísmo de cada um em cada momento em detrimento do semelhante. Ao sensualismo, ao empirismo gnosiologia correspondem o hedonismo e o utilitarismo: o único bem é o prazer, a única regra de conduta é o interesse particular. Declaram plena e completa indiferença para com todo moralismo: ensinam eles a seus discípulos unicamente a arte de vencer os adversários custe o que custar; seja justa ou não a causa, não lhes interessa. A verdadeira moral, portanto, – como norma universal de conduta –, é concebida pelos sofistas, não como lei racional do relacionamento e do agir humano, isto é, como a lei que potencia profundamente a natureza social humana; mas como um empecilho que incomoda o homem de princípios sofísticos. Desta maneira, os sofistas estabelecem uma oposição radical entre natureza e lei, quer política, quer moral, considerando a lei, como fruto arbitrário, interessado, mortificador, uma pura convenção, e entendendo por natureza, não a natureza humana racional, mas a natureza humana insensível, animal, instintiva.

8. Filosofia versus sofística

Platão, em seus oitenta anos de vida física, conviveu com a realidade triste do apogeu do Sofismo. Seus ideais, não só voltados para a visão espiritual do homem, mas também com a realidade social nas esferas da organização do Estado e do Estado de Direito, onde as aptidões de cada cidadão seriam conhecidas, a partir da educação que todos receberiam, em castas sociais de acordo com suas necessidades e capacidades naturais, sendo três os estágios educacionais: (básico) para a sociedade: trabalhadores da terra e guerreiros receberiam ensino fundamental; (médio) para os diferentes profissionais especializados e comerciantes; e, por fim, educação (superior) para os dirigentes do Estado e administradores que estudavam até aos cinqüenta anos de idade.

O pensamento humano segundo Platão desempenha papel de mediador entre a alma e a matéria, à qual comunica o movimento e a vida, a ordem e a harmonia, em dependência da ação da vontade sobre o corpo. Assim, deveria ser, tanto no homem como nos outros seres da natureza, porquanto Platão é um espiritualista. Ele, todavia, dá à alma humana um lugar de destaque e um tratamento à parte, de superioridade, com vista aos seus importantíssimos interesses morais e racionalistas. Assim, considera ele, a alma humana como um ser eterno de natureza espiritual, inteligível, vindo ao mundo material como que por uma espécie de viagem ao plano físico, reparatória de um mal radical, que podemos entender tratar-se da evolução e da espiritualidade e reencarnações. Deve, portanto, a alma humana, libertar-se do corpo, como de um cárcere; esta libertação, durante a vida terrena, começa e progride mediante o exercício do raciocínio, da reflexão, da razão, da sabedoria e da filosofia, que é separação espiritual, apartando a alma do corpo, e se realiza com a desencarnação, separando-se, então, na realidade, a matéria do espírito.

9. Os cínicos e o sábio do barril

Conta-se que um dia, andando pelo mercado, Sócrates parou diante de uma tenda onde estavam dispostas diversas mercadorias e parado ali, depois de algum tempo disse: "Vejam quantas coisas os atenienses precisam para viver". Ele quis dizer com isso que não precisava daquelas coisas. Esta postura de Sócrates foi o ponto de partida para a filosofia cínica fundada em Atenas por Antístenes, um de seus discípulos por volta do ano 400 a.C. Os cínicos afirmavam que a verdadeira felicidade não estava nos bens materiais, e que o bem-estar do homem estava na simplicidade, uma vez que ela poderia ser alcançada por todos, e uma vez alcançada, jamais poderia ser perdida.

O cínico mais notório foi Diógenes, discípulo de Antístenes. Conta-se que ele vivia dentro de um barril e não possuía mais do que uma túnica, um cajado e um embornal de pão. Um dia, quando estava sentado ao sol junto ao seu barril, recebeu a visita de Alexandre Magno. Alexandre se aproximou do sábio e perguntou-lhe se ele tinha algum desejo e disse-lhe, se acaso tivesse, seu desejo seria imediatamente satisfeito. Ao que Diógenes respondeu: "sim, desejo que te afastes da frente do meu sol". Com isto Diógenes mostrou que era mais rico e mais feliz que o grande conquistador. Ele tinha tudo que desejara.

Os cínicos achavam que as pessoas não deveriam se preocupar com a saúde e nem com a morte e o sofrimento. Elas também não deveriam se preocupar com os sofrimentos dos outros. Atualmente quando empregamos a palavra cínico ou cinismo , estamos nos referindo apenas a este aspecto: o da imprudência, o da indiferença e insensibilidade ao sofrimento do semelhante oriunda dos filósofos cínicos.

10. A filosofia cristã

O espaço de tempo que separa os filósofos gregos do século V a.C. à Idade Média dos anos 400 d.C., foi o helenismo, a cultura mundial produzida pelas batalhas de Alexandre Magno. Em meio a estes fatos, aflora uma nova era filosófica: A Era Cristã.

Jesus Cristo não é reconhecido oficialmente como filósofo, mas como um messias às vistas da cultura mundial. Nascido em Nazaré, Judéia, sob o domínio de Roma, tudo que sabemos sobre o Cristo, chegou-nos por meio de evangelhos, sendo que a grande maioria deles foi descartada por Roma na compilação do Novo Testamento. Evangelho quer dizer: boas notícias. Estima-se que havia mais de trinta evangelhos diferentes, sendo que atualmente os historiadores vêm descobrindo alguns evangelhos considerados proibidos, que não conseguiram ser destruídos pelos romanos, em que citamos: O Evangelho de Maria, O Evangelho de Tomé, O Evangelho de Judas Iscariotes, sendo estes polêmicos, sob a visão da discutível verdade que circunda a história de Jesus Cristo em vida familiar e social. Mas, deixando de lado os mistérios que envolvem o nome do Cristo e sua vida particular, familiar e social, por faltar-nos embasamentos históricos consistentes, este filósofo espiritual, dedicou-se ao amor universal, à remodelação do caráter e ao sentimento mais belo, que o ser humano é capaz de sentir: O amor, a paz de espírito, a simplicidade, a compaixão pelo semelhante, a meditação, o sentimento da justiça e equidade, assim como um reino de harmonia entre os homens de todas as nações, na qual deixou algumas frases filosóficas belíssimas: "não queira para o próximo aquilo que não quer para si mesmo", "quem o mal faz, para si o faz", "dê a César o que é de César", "amai-vos uns aos outros".

Sem sombra de dúvidas, este homem pobre e simples; e ao mesmo tempo rico e poderoso, pagou um tributo extremamente alto pela implementação de sua filosofia doutrinadora e verdadeira, igualmente a Sócrates, transformando-se, naturalmente, este nazareno, no maior ícone dos vultos humanos de todos os tempos, pela sua simplicidade, coragem e superioridade espiritual, com a mesma visão universal do mundo das idéias de Platão e a sabedoria de Sakyamuni Gautama , pela ótica espiritual, deixando em legado ao mundo, a filosofia espiritual de opulência inimaginável e quase inatingível à compreensão humana, que a tudo deturpa, nascendo desta deturpação, centenas de seitas religiosas, gravitando em redor do seu nome.

11. Idade Média

Com a desencarnação de Cristo, após um julgamento irregular e covarde, levado à crucificação como Rei dos Judeus, humilhado e coroado de espinhos, consolida-se o cristianismo numa configuração romana, completamente distorcida e com maquiagem européia, transformando a figura de Jesus, a um homem loiro e de olhos azuis, próprios das regiões européias. Fato que foi desmentido pela ciência forense e historiadores sérios, assim como todos os personagens que somavam os doze discípulos que também adquiriram feições européias consolidadas depois do quadro pintado por Leonardo da Vinci, sem esquecermos das difamações que os romanos cometeram contra Maria Magdalena, de Magdala, como a maior prostituta da história. O Cristianismo Romano estendeu-se pela Europa, em face do poder dos seus militares nas guerras do século IV, nas conquistas bélicas e relações internacionais.

A verdade absoluta advinda desta configuração romana, da deturpada doutrina de Jesus denominada Católica, circundada de arcanjos alados, loiros com cachos nos cabelos, é uma repetição do que anteriormente acontecera ao Sakyamuni Gautama, Buda , onde o budismo adquiriu uma configuração bramanista em quase todo o seu contexto, sendo que com Jesus a história se repetiu através dos romanos, e finalizando o raciocínio, o mesmo fato quase aconteceu ao filósofo Platão na Grécia antiga. Por muito pouco, Plotino quase chegou a declarar Platão como "O redentor da humanidade" sendo o sábio Platão, incompreendido pelos próprios discípulos, ao que se refere o mundo das idéias platônicas , na qual à luz da razão, entendemos tratar-se do mundo espiritual inteligente, do qual o homem faz parte como força e matéria, nos princípios da doutrinação científico-filosófica espiritual de Luiz de Mattos, Luiz Alves Thomas e Antônio Cottas do início do século XX no Brasil!

12. Ensaio: a razão no Islam

O Islamismo foi, no princípio, uma religião fanática e intolerante, que não aceitava dúvidas e nem oposições. Porém, passado o primeiro ardor da conquista de metade da Europa, começou a aflorar a filosofia com as suas primeiras idéias, aparecendo assim, pensadores como Avicena (Ibn-Sina) (980-1036), médico autodidata e filósofo, admirador do Neoplatonismo e de Aristóteles, logrou uma síntese entre o Islam, Platão e Aristóteles, argumentou que o pensamento traz a generalidade das formas , agregou também, a idéia das coisas existentes na mente do homem antes, durante e depois das coisas , tratou de conciliar a fé popular ao razoável valor filosófico, assim ressuscitou Aristóteles, em uma Europa que sofria com a proibição da razão.

Outro foi Averroes (Ibn-Rushdi), médico, astrônomo físico, trouxe a idéia de que somente a filosofia pode levar à verdade. Também citou que os textos sagrados dentro do Alcorão e da Bíblia são somente recados alegóricos para pessoas incultas, igualmente a todas as religiões do mundo. Somam-se também Moisés Maimónides (1135-1204) que tentou conciliar a Bíblia com o pensamento grego.

Mas, no ano de 1150 foram queimadas as obras de Avicena e no ano de 1190 foram queimadas as obras de Averroes , consagrando assim a proibição do estudo da filosofia dentro do Islamismo.

13. Influências culturais e filosóficas indo-européias

Os indo-europeus viviam há aproximadamente quatro mil anos nas proximidades do mar Negro e do mar Cáspio, (região noroeste da Índia e da Europa Oriental), saindo dali grandes levas para o Irã e a Índia ao sudeste, Grécia, Itália e Espanha para o oeste atravessando a Europa central, indo até a Inglaterra e França ao nordeste rumo à Escandinávia, e para o norte rumo ao leste europeu e à Rússia. Em todas as partes, os indo-europeus se mesclaram às culturas pré-indo-européias, predominando nestas regiões as religiões, deuses e o dialeto da fusão indo-européia.

Constatamos que nos antigos livros sagrados da Índia, os Vedas, bem como nas descrições da mitologia grega, que os mesmos foram escritos numa língua da mesma família cultural de cunho indo-europeu. A cultura indo-européia foi marcada pelo culto aos inúmeros deuses. Esta cultura religiosa antiga é reconhecida e denominada como politeísmo onde citamos, por exemplo:

Os antigos indianos cultuavam o deus celestial (Dyaus), em Grego este se denomina (Zeus); em latim (Júpiter) Iov-pater , ou seja, Deus pai celestial ); em norueguês antigo (Tyr) e (Tivur). Estas nomenclaturas: Dyaus, Zeus, Iov, são vertentes da mesma palavra. No norte da Europa, os vikings adoravam deuses denominados (Asens). Percorrendo pela Europa, encontramos ainda a influência indo-européia na designação dos deuses a definição em sânscrito (Asura) e também em sânscrito (Deva); em iraniano (Daeva).

A partir dessa ramificação cultural indo-européia, onde a religiosidade anterior à filosofia grega, desde a cultura bramanista e as leis das tábuas de Maomé no ano de 1200 a.C. à fuga de Moisés do Egito levando consigo o povo hebreu verifica-se um embaralhado de deuses copiados da mesma cultura indo-européia e configurados numa visão cemita de apenas um pai celestial, ou monoteísmo latino.

Havia no norte da Europa ainda um grupo especial de deuses da fertilidade como, por exemplo: (Nord, Frey e Freyja. Estas divindades eram denominadas (Wanen). Esta palavra funde-se com o nome latino da deusa da fertilidade, Vênus. Em sânscrito há uma palavra familiar (Vani), que significa prazer, desejo.

No Egito havia uma deusa virgem, com os seios desnudos denominada (Ísis) amamentando uma criança. Esta criança era o filho de (Osíris). E Ísis, a mãe virgem do Deus encarnado. Seus templos estendiam-se até à cidade de Roma no século segundo da era Cristã, sendo estes transformados em templos católicos por volta do ano 312.

Antes de Roma implantar o atual cristianismo, é bom lembrar que nos anos 60 de nossa Era, os cristãos que não se curvavam diante de Nero, eram crucificados no Coliseu, ao mesmo tempo em que na cidade de Jerusalém, Nero enviava dois exércitos para conter e esmagar os rebeldes cemitas, destruindo e incendiando o templo de Jerusalém, deixando de pé somente o muro das lamentações que hoje conhecemos.

Quando o católico romano Irineu no ano 180 reuniu todos os evangelhos cristãos, estimados em mais de trinta, muitos deles considerados proibidos por Roma, deixou legado na história, o reconhecimento da existência de diferentes formas de cristianismo e mais tarde, tais evangelhos seriam destruídos por Roma.

Então o cristianismo romano que conhecemos hoje é diferente e completamente adverso do que era praticado e conhecido nos séculos primeiro, segundo e terceiro de nossa era.

Muitos fatos históricos autênticos foram apagados da história, e nela introduzido somente aquilo que era do interesse de Roma, e durante a idade média, nos deparamos com os horrores da intolerância, verdadeiros anos, séculos obscuros do catolicismo romano, assim a história se repetiu, considerando os massacres do século II oriundos das guerras contra os Estados que ameaçavam o poderio e a soberania Romana.

No século XV, com o início das navegações européias, a descoberta do novo mundo por Colombo, as atenções se voltaram para as Américas, numa corrida louca a este novo continente repleto de riquezas. Os espanhóis, portugueses, ingleses, franceses e holandeses, dominaram o continente, cada qual assumiu uma parte deste bolo recheado.

Roma e o Vaticano, por intermédio do cristianismo se faziam representar pelo poder católico das coroas destes países. Era uma fonte gigantesca jorrando riquezas e poder oriundas de além-mar. Estava, então, instituída a dominação global do mundo. Esta dominação custou mais de quinze milhões de vidas dos habitantes do novo mundo. Incas, maias, astecas e nações indígenas foram dizimadas pelas espadas, cavalos e canhões europeus. As doenças como a varíola e o vírus da gripe arrasaram o continente americano, quase dizimando completamente sua população escravizada e empobrecida. Dentre as grandes vítimas deste holocausto estão os africanos, trazidos por seqüestro ardil e desumano em condições humilhantes e degradantes, separando famílias inteiras, sem que o Vaticano e Roma movessem sequer um olhar ou um gesto em repúdio ou desagrado, num comportamento sofista e cínico ao sofrimento humano!

14. Renascimento do pensamento

O movimento renascentista teve início na Itália, no século XIV. O desenvolvimento do comércio e das cidades faz nascer um espírito de otimismo, de confiança no homem e no futuro, que se contrapõe à cultura clerical da Idade Média.

A principal tendência do Renascimento é o Classicismo, que se define nas artes e na literatura pelas seguintes características: imitação dos autores gregos e latinos, modelos de perfeição estética; obediência a regras; busca da perfeição formal das obras; racionalismo; equilíbrio entre razão e emoção, entre razão e imaginação; impessoalidade; universalismo dos valores ideais do Bem, da Beleza e da Verdade, com base nos valores naturais e não religiosos.

É na Renascença que a arte ganha autonomia. Os artistas voltam a estudar o corpo humano, procurando perfeição e harmonia de formas, e vão buscar sua inspiração nos povos greco-romanos, os que melhor trabalharam a natureza humana na Antigüidade.

Entretanto, o homem inicia uma nova fase na história da civilização mundial em que a razão, a contestação e o questionamento ocupam uma posição de singular e excepcional relevo, sobrepujando a prepotência clerical dominante na Idade Média, que apenas explicava os fatos através da fé em todos os fenômenos e acontecimentos. Pensadores e Cientistas, desafiando a Igreja e seus dogmas, desenvolveram teorias e realizaram descobertas em diferentes campos; desenvolve-se a metalurgia, as primeiras máquinas, a astronomia, surgem os primeiros mapas para a navegação, a física, a química, a medicina, saciando cada vez mais a sede de conhecimento do homem moderno. Galileu Galilei, nessa mesma época, também mostrou-se adepto às idéias de Copérnico. Para aprimorar seus estudos desenvolveu a primeira luneta, aprimorou-a e criou o telescópio. Dessa forma, pôde observar que havia sombra na lua e em outros planetas, descobriu milhares de astros impossíveis de se ver a olho nu, derrubando a teoria mantida pela Igreja de que os astros foram criados por Deus para que os homens pudessem admirá-los.

Representantes intelectuais com acentuado espírito crítico no aspecto eminentemente literário neste período, temos: Luiz Vaz de Camões (1524-1580), considerado o maior poeta renascentista português, produziu uma obra lírica inesquecível, Os lusíadas. Erasmo de Rotterdam (1465-1535), foi considerado o homem mais erudito de sua época, foi cortejado pela cúria do Vaticano ao posto de Cardeal, Lutero o aliciava para que passasse para seu lado no movimento de reforma da igreja. Nunca dobrou-se a nenhuma delas. O livro Elogio da loucura, consiste numa interessante crítica satirizada ao seu tempo, e através dele podemos facilmente perceber os fundamentos humanistas de Erasmo. Thomas More (1478-1535), ao escrever, em livro, a república ideal, More expressou suas idéias de justiça e igualdade. Seu livro Utopia é um grito de protesto contra a sociedade feudal, em que grassavam a corrupção, os favorecimentos espúrios, as injustiças sociais, a exploração dos pobres, a marginalização das classes menos favorecidas, a iniqüidade das leis, a violação dos direitos e muitos outros males que, infelizmente ainda continuam a afligir a sociedade do século XXI. Tornar nossa sociedade menos injusta deveria ser uma necessidade e uma preocupação de todos; Nicolau Maquiavel (1469-1527) é um dos mais originais pensadores do renascimento, uma figura brilhante, mas também algo trágica. Durante os séculos XVI e XVII, o seu nome torna-se sinônimo de crueldade. A fonte deste engano é o seu mais influente e lido tratado sobre o governo, O príncipe, um pequeno livro que tentou mostrar a manipulação política de conquista e manutenção do poder e a autoridade.

Os frutos intelectuais do movimento renascentista somente começaram a reproduzir-se no século XVII, também conhecido como século dos gênios, ou seja o Iluminismo.

15. Iluminismo

História do Iluminismo, o pensamento no século das luzes, crítica ao absolutismo. Pensadores iluministas, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e D'Alembert, idéias dos principais filósofos, filosofia e política nos séculos XVII e XVIII.

Jean Jacques Rousseau: um dos principais filósofos do iluminismo. Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica (sistema de governo comandado pela classe sacerdotal), que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.

Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas racionais e laicas (idéias que dispensam a instrução religiosa) para as questões que, até então, foram justificadas somente pela fé.

O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil e com a expressão "ordem e progresso", frase de Augusto Comte, pai da sociologia, estampada na bandeira do Brasil.

Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais para todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, sendo contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados à nobreza e ao clero.

Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido às suas formas de participações serem limitadas. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas.

No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: em primeiro lugar vinha o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia seguida dos trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram retirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa.

Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), que acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), que defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica à intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que defendia a idéia de um estado democrático que garantisse igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), que defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.

15.1 René Descartes

La Haye, Touraine, 1596 Estocolmo, 1650. Filósofo francês. Filho de um político bem situado forma-se com os jesuítas e estuda Direito. Em 1618 inicia um período de viagens pela Europa, primeiro como soldado e posteriormente como particular. Em 1628, desejoso de assegurar uma vida de meditação e estudo, retira-se para a Holanda, onde durante vinte anos se consagra ao estudo e à meditação. Nos últimos anos da sua vida aceita o convite da rainha Cristina da Suécia e muda-se para Estocolmo como bibliotecário real, morrendo de pneumonia em pouco tempo.

O objetivo final do pensamento cartesiano ao afirmar que alma e corpo, pensamento e extensão, são substâncias distintas, é salvaguardar a autonomia da alma em relação à matéria. A ciência clássica, impunha uma concepção mecanicista e determinista do mundo material, na qual não ficava resquício algum para a liberdade. A liberdade, assim como o conjunto de valores espirituais defendidos por Descartes, apenas se pode salvaguardar subtraindo a alma do mundo das necessidades mecanicistas, o que por sua vez supunha concebê-la, como uma esfera da realidade autônoma e independente da matéria. Esta independência da alma e corpo é a idéia central que proporciona o conceito cartesiano de substância.

15.2 Antônio Vieira

> Dia 6 de fevereiro, nasce em 1608 em Lisboa Antônio Vieira. E em 1614, aos 6 anos parte para o Brasil, com a família; seu pai fora nomeado escrivão da Relação na Bahia. Em 1623, matricula-se como aluno do Colégio dos Jesuítas na Bahia, sente vocação religiosa. Como em 1624, os holandeses ocupam a cidade; os jesuítas, com Vieira, refugiam-se numa aldeia do sertão. E em 1633, prega pela primeira vez. Em 1635, é ordenado sacerdote, é Mestre em Artes e exerce a função de pregador. Em 1638, e, nos anos seguintes, pronuncia alguns dos seus mais notáveis sermões. Em 1641, parte para Portugal e na embaixada, ao declarar fidelidade ao novo rei, é preso em Peniche no desembarque; torna-se amigo e confidente de D. João IV. Em 1642, prega na Capela Real; publica um sermão avulso. Em 1643, na Proposta a El-Rei D. João IV declara-se favorável aos cristãos novos e apresenta um plano de recuperação econômica. Em 1644 é nomeado pregador régio. Em 1646 inicia atividade diplomática indo à Holanda. Em 1647 vai à França. Em 1648 emite um parecer sobre a compra de Pernambuco aos holandeses, defende a criação da província do Alentejo. Em 1649 é ameaçado de expulsão da Ordem dos Jesuítas, mas D. João IV opõe-se. Em 1650 vai a Roma para contratar o casamento de D. Teodósio. Em 1652 parte para o Brasil como missionário no Maranhão. Em 1654 prega o Sermão de Santo Antônio aos peixes; embarca para Lisboa a fim de obter novas leis favoráveis aos índios. Em 1655 prega na capital, entre outros, o Sermão da Sexagésima; regressa ao Maranhão com as novas leis. Em 1659 escreve Esperanças de PortugalV Império do mundo. Em 1661 é expulso, com os outros jesuítas, do Maranhão, pelos colonos. Em 1662 participa do golpe palaciano que entrega o governo a D. Afonso VI; desterro no Porto. Em 1663, no desterro para Coimbra, depõe no Santo Ofício sobre a sua obra Esperanças de Portugal. Em 1664, escreve a História do futuro; adoece gravemente. Em 1665 é preso pela Inquisição, depois mantido sob custódia. Em 1666 entrega a sua defesa ao Tribunal; é interrogado inúmeras vezes. Em 1667 é lida a sentença que o priva da liberdade de pregar; D. Afonso VI é afastado do trono e encarcerado. E em 1668, quando mantido sob custódia em Lisboa, é anistiado, mas impedido de falar ou escrever sobre certas matérias. E em 1669 chega a Roma, prega vários sermões que lhe dão grande notoriedade na Corte Pontifícia e na da Rainha Cristina; combate os métodos da Inquisição em Portugal; defende novamente os cristãos novos. Em 1675 recebe um Breve do Papa que louva Vieira e o isenta da Inquisição, regressa a Lisboa. Em 1679 sai o primeiro volume dos Sermões; recusa o convite da Rainha Cristina para ser seu confessor. Em 1681 volta à Bahia e aos trabalhos de evangelização. Em 1683 intervém ativamente na defesa de seu irmão, Bernardo. Em 1688 é nomeado Visitador Geral dos Jesuítas no Brasil. Em 1691 resigna ao cargo por força da idade e da falta de saúde.

Em 18 de julho de 1697 desencarnou Padre Antônio Vieira aos 89 anos, na Bahia. Padre Antônio Vieira sempre demonstrou em suas atitudes uma filosofia humanística e universal, ornada de compaixão pelos semelhantes e de profundo amor pela humanidade. Pressionado pela inquisição, manteve-se erguido, e como era muito respeitado escapou da morte. Este homem não se rendeu aos cínicos religiosos; mas aos seus ideais de justiça e razão, movidos pelo seu caráter superior reconhecido por toda a humanidade.

15.3 Immanuel Kant

Nascido em Konisgberg uma cidade da Prússia oriental em 1724, filho de um seleiro, passou quase toda sua vida em sua cidade natal até desencarnar em 1804 aos oitenta anos. Vindo de família católica, buscou nas inspirações religiosas as bases humanísticas da sua filosofia. Havia em seu vasto conhecimento filosófico, não apenas as visões dos empíricos que consistiam em dar à filosofia uma configuração disciplinar baseada nos cinco sentidos humanos, mas reconhecer que os sentidos precisavam de bases racionalistas, sem as quais, todos os conhecimentos da filosofia seriam incompletos se faltassem bases de racionalidade e elevação moral.

A grande contribuição de Kant pode ser resumida em uma frase: "As coisas são sempre iguais, mas de pessoa para pessoa elas se apresentam de maneiras diferentes". Pois cada um de nós temos nossos próprios prismas e lentes pessoais, e, muitas vezes as diferentes conclusões ou interpretações de apenas um acontecimento, pode ser visto de formas diferentes por pessoas diferentes, de diferentes tradições; mas ao depararmos todos, com os mesmos acontecimentos sob a ótica da razão e da ética, estas fornecem uma visão universal da qual todos partilhamos indistintamente.

A maior contribuição deste filósofo se percebe na configuração dos critérios da conduta e da moral humana, com princípios universais de harmonia e sabedoria. Kant postulava pela ética e pelo dever. A moral do homem deveria preceder absoluta e independente à existência de normas jurídicas. Seus princípios morais têm uma natureza de sentimento de dever, com função absoluta do espírito da boa conduta, com bases na ética e nos bons costumes consolidadas pela honestidade e bom caráter, orientado pela razão e pela determinação em bem proceder.

Toda conduta humana, obrigatoriamente, deve ser regida pela disciplina, honestidade, dever e auto consciência do valor universal e do amor ao próximo, das virtudes e da ética. A maior de todas as leis, considerando neste aspecto as leis constitucionais, código civil, código penal etc., às que nos permitem fazer ou deixar de fazer algo; é a lei de conduta ditada pela consciência latente da criatura, que pelo livre arbítrio e educação moral, não se curva diante das fraquezas morais. Obedece-se às leis apenas porque elas existem, mas as criaturas deveriam ter em suas consciências o discernimento e noção clara de ética, moral e dever, que mesmo se tais leis não existissem, as criaturas não cometeriam aquele ato criminoso. Se furtar ou roubar deixasse de ser crime, mesmo assim, uma pessoa de envergadura moral elevada e ética, jamais furtaria nem roubaria nada de ninguém. Assim é a moral de Immanuel Kant, ou moral kantiana.

15.4 Karl Marx

Idealizador de uma sociedade com uma distribuição de renda justa e equilibrada, o economista, cientista social e revolucionário socialista alemão Karl Heinrich Marx, nasceu na data de 5 de maio de 1818, cursou Filosofia, Direito e História nas Universidades de Bonn e Berlim e foi um dos seguidores das idéias de Hegel.

Este filósofo alemão foi expulso da maior parte dos países europeus devido ao seu radicalismo. Seu envolvimento com radicais franceses e alemães, no agitado período de 1840, fez com que ele levantasse a bandeira do comunismo e atacasse o sistema capitalista. Segundo este economista, o capitalismo era o principal responsável pela desorientação humana. Ele defendia a idéia de que a classe trabalhadora deveria unir-se com o propósito de derrubar os capitalistas e aniquilar de vez a característica abusiva deste sistema que, segundo ele, era o maior responsável pelas crises que se viam cada vez mais intensificadas pelas grandes diferenças sociais.

Este grande revolucionário que participou ativamente de organizações clandestinas, lado a lado do operário, também escreveu a obra O capital, livro publicado em 1867, que tem como tema principal a economia. Seu livro mostra estudos sobre o acúmulo de capital, identificando o excedente originado pelos trabalhadores acabam sempre nas mãos dos capitalistas, classe que fica cada vez mais rica à custa do empobrecimento do proletariado. Com a colaboração de Engels, Marx escreveu também o Manifesto Comunista, onde não poupou críticas ao capitalismo.

Este notável personagem histórico desencarnou em Londres, Inglaterra, em 14 de março de 1883, deixando muitos seguidores de seus ideais. Lênin foi um deles, e, na União Soviética, utilizou as idéias marxistas para sustentar o comunismo, que, sob sua liderança, foi renomeado para marxismo-leninismo. Contudo, alguns marxistas discordavam de certos caminhos escolhidos pelo líder russo.

Até hoje, as idéias marxistas continuam a influenciar muitos historiadores e cientistas sociais que, independentemente de aceitarem ou não as teorias do pensador alemão, concordam com a idéia de que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua forma de produção. Apesar de a utopia marxista postular edificar uma forma justa de distribuição de renda, forma esta, estabelecida pela União Soviética, faliu em virtude do mesmo vírus do capitalismo: o cinismo dos sábios de barril soviéticos, advindos da falta de respeito humanístico e elevação moral. Reconhecemos em Marx o valor humanístico e racional da filosofia fraternal, fundamentada pela razão e pela igualdade entre os homens.

15.5 Ghandi

Líder pacifista indiano (1869-1948). Principal personalidade da independência da Índia, seu nome verdadeiro é Mohandas Karamchand Gandhi. Forma-se em Direito em Londres e, em 1891, volta à Índia para praticar advocacia. Dois anos depois, vai para a África do Sul, também colônia britânica, onde inicia um movimento pacifista, lutando pelos direitos dos hindus. Volta à Índia em 1914 e difunde seu movimento, cujo método principal é a resistência passiva. Nega a colaboração com o domínio britânico e prega a não-violência como forma de luta. Em 1922 organiza uma greve contra o aumento de impostos, na qual uma multidão queima um posto policial. Detido, declara-se culpado e é condenado a seis anos, mas sai da prisão em 1924. Em 1930, lidera a marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros a pé para protestar contra os impostos britânicos sobre o sal. Em 1947, é proclamada a independência da Índia. Gandhi tenta evitar a luta entre hindus e muçulmanos, que estabelecem um Estado separado, o Paquistão, e, ao aceitar a divisão do país atrai o ódio dos nacionalistas hindus, sendo assassinado a tiros no ano seguinte.

16. Definitivamente implanta-se a razão

16.1 Luiz de Mattos

Nascido em 3 de janeiro de 1860, na cidade de Chaves, em Portugal, Luiz de Mattos imigrou para o Brasil aos 13 anos, desencarnando na cidade do Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1926. Dotado de grande inteligência e opulento espírito empreendedor, aos 23 anos tornava-se importante homem de negócios, como grande comerciante de café na Praça de Santos, estendendo sua incursão pela atividade empresarial, ao fundar, entre várias companhias, uma estrada de ferro e uma de natureza financeira o Banco de Santos.

Sua prosperidade econômica deu-lhe ensejo de mostrar o lado generoso, distribuindo, a mancheias, os recursos de que dispunha, seja como grande benfeitor de sociedades beneficentes na cidade de Santos, seja ajudando as pessoas que reconhecia carentes ou que lhe solicitavam ajuda, fazendo-o sem alarde, pois, como simples que era, não admitia que seus gestos de solidariedade humana, a todo momento manifestos, pudessem ser objeto de divulgação. Humanista por excelência, os interesses da coletividade estiveram presentes em muitos momentos de sua vida, quando, por exemplo, abraçou, com a força da sua alma de verdadeiro cristão, a causa da abolição da escravatura no Brasil. Como abolicionista, travou uma longa batalha para ajudar os escravos a escapar de condições humilhantes e desumanas e a se estabelecerem em quilombos, que eram campos secretos, protegidos pelo movimento anti escravagista. A abolição da escravatura, com a lei que pôs fim àquela situação vergonhosa para o País, foi largamente festejada, durante dias, por Luiz de Mattos e seus amigos.

Apesar de continuar cidadão português após os muitos anos de vida no Brasil, as suas lutas em prol dos interesses do povo brasileiro fizeram-no respeitado e admirado, levando-o a que fosse convidado para representar o Estado de São Paulo no Senado. No entanto, na qualidade de vice-cônsul português em Santos, considerou que não podia aceitar a honra dessa representação e, embora se sentindo brasileiro também, entendeu que devia manter sua cidadania original.

Luiz de Mattos Chaves Lavrador, ou apenas Luiz de Mattos, como era por todos conhecido, legou aos seus familiares, os exemplos mais alevantados de amor ao trabalho, de retidão moral, de dignidade pessoal e de liberdade. Subtraiu do seu nome a classificação de "Chaves" e "Lavrador", designativos que lembravam a sua origem de nobreza das casas fidalgas portuguesas e espanholas, para ser apenas Luiz de Mattos, em consonância com a sua alma simples e humana, inteiramente devotada aos interesses dos humildes. Luiz de Mattos foi um gigante aos olhos do povo. Sempre ao lado das causas justas, não poupava esforços, nem sacrifícios, para alcançar os objetivos que minorassem o sofrimento alheio. Desinteressado de postos, posições ou cargos de evidência, não quis ingressar nas alas do Poder Legislativo do país, para dedicar-se ao viver comum de homem do povo, despretensiosamente, à custa de sua pena de jornalista, que soube vibrar como poucos, graças aos seus excepcionais recursos de inteligência, discernimento e equilíbrio. Foi ele um dos mais ardorosos abolicionistas da época, ao lado de seus amigos imperecíveis José do Patrocínio, Júlio Ribeiro, Francisco Glicério, Campos Sales, Bernardino de Campos, Luiz Gama e outros; participou, gloriosamente, dessa imortal campanha cívica, das mais memoráveis dentre as que se feriram no passado, em nosso solo pátrio.

Por ocasião da proclamação da República, teve papel destacado no cenário dos acontecimentos, ao lado dos correligionários de Deodoro, e não se prevaleceu de coisa alguma para se beneficiar das valorosas atitudes assumidas. O seu ideal resumia-se em ver vitoriosa uma causa que lhe pareceu a melhor para o bem do Brasil, não lhe passando nunca pela mente o propósito de colher para si vantagem de qualquer espécie, em troca dos gestos decisivos de sua ação cívica. Homem cortês, educado, estudioso, letrado, revelou-se um hábil e esclarecido conselheiro em todos os transes difíceis por que atravessara o país nos seus dias. Oliveira Botelho, Hermes da Fonseca, Rui Barbosa e Epitácio Pessoa, conheceram-lhe o valor dos sábios conselhos ou das acertadas previsões.

Luiz de Mattos, benemérito de índole, de quanto dava não queria que se fizesse alarde, mas os beneficiados não se podiam conter e, assim, numerosos feitos humanitários vieram à tona e se tornaram públicos. Homem de recursos foi sócio benfeitor de várias associações de caráter altruístico. Grandes porções de seus pertences as distribuiu com os necessitados. Não resistia à dor de assistir o sofrimento alheio sem que não se movesse, prontamente, com o fim de aliviar o aflito; tudo quanto tivesse em mão ia ao socorro imediato; não poucas vezes voltava ao lar sem um real nas algibeiras, mas com a alma transbordante de alegria, por haver propiciado benefícios. Na sua alma não se aninhava o rancor. Teve desilusões, e grandes, foi muitas vezes traído e ludibriado, mas soube desculpar e esquecer.

Contribuiu, com vigorosa parcela, para enriquecer as páginas de ouro de nossa história. A sua memória é evocada pelos que conhecem a sua passagem luminosa pela Terra, com admiração profunda e não menor respeito. A sua vida foi um repositório farto de exemplos edificantes. A sua conduta, sempre firme e corajosa, valia como barreira contra qualquer opressão. Aqueles que viviam do suor do rosto, em esforço braçal, encontravam, nesse defensor, a segurança de um apoio que não faltava. Era, por isso, quase venerado nos meios populares dos homens de trabalho rude. A sua lembrança não se apagará jamais.

Luiz de Mattos, como livre-pensador, não se filiou a nenhuma religião, pois prescindia de qualquer delas para balizar a conduta do homem honrado, respeitador do seu semelhante, solidário com a dor dos que sofriam, como verdadeiro cristão que era. A sua noção de honra e de valor pessoal, intangíveis, levava-o a não aceitar o que diziam determinados religiosos e a respectiva doutrina, que Jesus Cristo teria oferecido a outra face como prova de sua humildade, pois esse nobre atributo espiritual jamais poderia implicar, no seu entendimento, na aceitação do gesto vil de ofensa de tal natureza, justificado no objetivo, de quem a realiza, de humilhar o ofendido.

Um dia, chegados os cinqüenta anos de idade, sofreu Luiz de Mattos um ataque cardíaco e, durante dias seguidos, tudo o que viu foi um túmulo frio como prenúncio da morte. Começou a ponderar sobre as razões da existência do ser humano, pois não podia aceitar que viver seria somente o que via com os olhos da matéria. Deveria haver alguma coisa além da vida física. Talvez houvesse uma alma, mas, indagou-se: o que seria ela? Recuperado da saúde, Luiz de Mattos atendeu a um convite feito por Luiz Alves Thomaz, a quem conhecera na casa comercial de um amigo comum, de irem os três a um centro espírita na cidade de Santos, e poder examinar o que seu médico, Dr. Oliveira Botelho, afirmava: que só o espiritismo como ciência poderia explicar certas enfermidades para as quais a medicina materialista não tinha remédio. Resolveu, finalmente, iniciar os estudos que acabaram por fornecer-lhe as bases para a defesa do espiritismo como ciência, e não como fruto de noções de natureza mística, inexplicáveis cientificamente.

Ao instituir o Racionalismo Cristão como filosofia espiritualista assentada no verdadeiro cristianismo, Luiz de Mattos estava convencido de que a felicidade da humanidade somente poderia ser alcançada com a substituição do materialismo, base de seitas e religiões, pelo espiritualismo, fundado em princípios racionais e cristãos. O respeito que Luiz de Mattos sempre devotou aos seus semelhantes levou-o a firmar, como questão fundamental na difusão da doutrina racionalista cristã, o acatamento ao livre-arbítrio, jamais impondo o código de conduta cristã defendida, diferentemente pelas seitas e religiões, que se importam mais com a adesão conquistada, tantas vezes pelas imposições submetidas, em razão do temor dos castigos pela não-aceitação do que elas prescrevem.

Fato inegável é que, com seu código de disciplina racionalista cristã, Luiz de Mattos abriu ensejo a uma nova mentalidade filosófica. Sua doutrina racional, em número crescente, vem rompendo as barreiras das crenças e misticismos que repudiam a razão, conduzindo-nos a entender e agir sob a convicção filosófica de que cada criatura humana deve se conduzir de forma a refletir seus reais sentimentos espirituais. Luiz de Mattos foi muito hábil em apresentar os princípios racionalistas cristãos de forma simples e prática, pois, assim fazendo, permitiu que os mesmos estivessem ao alcance de qualquer mentalidade. A simplicidade com que são descritos esses princípios, deixando patente o desvalor da linguagem de afetação, fez com que fossem facilmente compreendidos por todas as camadas sociais. Desses princípios deve-se dizer, por último, que uma das suas grandes virtudes é poderem ser resumidos em uma única palavra: CONDUTA.

Nestes últimos três mil anos, de Sakyamuni Gautama ao nosso queridíssimo Luiz de Mattos, dentre tantos sábios enviados do Astral Superior, encarnaram em nosso planeta, dedicando suas vidas pelas causas nobres da felicidade humana, reservamos este tributo à razão, como reconhecimento racionalista cristão.

Foi com muito sofrimento e sacrifícios, que através destes últimos trinta séculos se escreveu a história da razão. Cada um destes grandes ícones humanos se destacou pelo ardiloso labor e a dedicação incansável a uma causa nobre, de valor universal, ultrapassando fronteiras imensas, as quais somente gigantes poderiam ultrapassar, considerando o gigantesco abismo existente entre a razão e a intolerância, que habitam o âmago humano até os nossos dias, deixando-nos um legado de estradas seguras, ao encontro dos conhecimentos, daquilo que somos no contexto universal, descerrando-nos as cortinas do obscurantismo, trazendo luz aos nossos olhos cegos e materializados, soprando-nos com a brisa da sabedoria, do valor espiritual e das virtudes, como pérolas aureoladas de conforto interior à alegria do cumprimento dos nossos deveres.

(Fonte bibliográfica: Racionalismo filosófico científico espiritual doutrinário cristão. Biografia Gazeta do Racionalismo Cristão)

16.2 Luiz Alves Thomaz

Espíritos da grandeza como do de Luiz Alves Thomaz vem de seu mundo de luz ao planeta Terra, conscientes da batalha que vão enfrentar. Sua luta foi o maior exemplo a todos em viver simultaneamente as duas vidas: a material e a espiritual paralelamente. Na vida material, soube aplicar com grande habilidade, na prática dos negócios, os ensinamentos que o Racionalismo Cristão recomenda, portanto, quando encarnado viveu a vida física com seus pensamentos unidos aos planos superiores, mostrou-nos que há tempo para tudo, escreveu-nos uma bela página da história da humanidade, provou-nos que podemos trabalhar e acumular valores materiais, dando bom uso ao legado material em benefício da paz e usufruto de todos. Após a desencarnação, continuou vivendo a vida em plano astral de apoio em missão de orientação espiritual, intuindo a paz aos encarnados. Em sua última encarnação escolheu estar no papel de apoio e suporte material ao amigo dileto Luiz de Mattos, foi laborioso e amável conquistando muitos amigos, e sem seu suporte material a doutrina de Jesus não teria sido implantada. No seu incansável trabalho físico, muitas vezes chorou às escondidas para em seguida arregaçar as mangas e voltar ao trabalho sem lamentar-se. Deu o máximo de si, renunciou às atrações terrenas e trabalhou abnegadamente pela sua causa, a doutrina da razão, que é dirigida por espíritos do Astral Superior. Na sua trajetória evolutiva entre nós deu-nos provas contundentes de sua fortaleza e energia, trabalhou e predicou, e em seu legado espiritual, seu labor em corpo astral além de nossas retinas foi tão forte quanto em vida física, nos tocou profundamente com suas doutrinações, no calor de suas palavras duras e firmes, esclareceu contra os falsos valores e instintos, conduzindo e instruindo a todos por caminhos claros e seguros, palavras de pai que ama seus filhos e não os quer perder. Suas doutrinações enriqueceram de sabedoria muitos espíritos, que hoje trabalham em corpo astral. Sua alta missão foi completa com resultados que repercutem dentro de nós, exemplos de confiança e firmeza. Em 26 de Junho de 2006 ascendeu ao seu mundo de luz puríssima mostrando-nos que A RAZÃO existe, e sempre devemos pleiteá-la.

17. Conclusão

Os fatos merecem ser observados pela lógica e pela razão, hoje a ciência expõe tudo sob a ótica e as leis do raciocínio, expõe os fatos em sintonia com a coerência natural, legítima e mais próxima da verdade.

A natureza não dá saltos, e a ciência, com novas tecnologias, está abrindo o conhecimento no desconhecido, conquistando o saber com mais rapidez e segurança, dando soluções para fatos, ou algo de difícil solução que ultrapassa os limites do conhecimento humano que, no folclore popular chamamos de milagres. Histórias ditadas por supostos deuses e manipuladas por interesses secretos, frutos da imaginação ou da histeria coletiva, como mares que se abrem, duendes, anjos, querubins, andarem sobre as águas, estátuas de madeira que choram, portais que se abrem, etc. e tal, que necessitam a devida revisão sob a luz da ciência, mas, por estudiosos isentos da carga rançosa de dogmas e mistificações. Sempre haverá respostas lógicas e racionais, determinando a evolução científica da humanidade.

Julho de 2006

 

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