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Uma visão espiritualista do tempo e espaço

Carlos A. Yates

Sem a manifestação da força, em qualquer grau evolutivo, não temos a percepção de tempo. Sendo este apenas árido meio, até mensurarmos a duração e seqüência dos fenômenos quer psíquicos quer físicos. O que realmente marca a passagem do fator tempo é a expressão da vida, que o utiliza na ação que marca o seu presente, jogando-a imediatamente no passado e buscando na disponibilidade inexaurível do futuro o campo apto para nova expressão. Perfaz, então, neste deslocamento infinito, o explicitamento do seu maior ou menor quilate preenchendo um vazio futuro, e com este ato demarca a chegada do presente. Este modo atual é assim tomado até que outra ação o coloque no pretérito, repetindo-se a caminhada sem retorno na linha do tempo.

Nosso tempo para o futuro será interminável, como nós . O tempo que antecedeu a nós também é infinito. Nascemos em um ponto (evento) entre estas duas grandezas sem fim, para marcar naquele longínquo ato, o poder criador dos princípios supremos da Inteligência Universal. Esta transforma ali, o futuro que estava vazio em presente profícuo para nós e para ela. Fato que, naturalmente, se reverte automaticamente em passado para ambos, pois como vida que são manifestam-se no presente abocanhando imediatamente o futuro, repetindo a jornada vibratória a elas inexoravelmente inerentes.

O futuro será algo sempre planejado, almejado, por nós ou por uma consciência maior à qual estamos sempre ligados na esteira evolutiva. Se assim não for transforma-se em modorrento presente, não sendo nem capaz de produzir o passado. Este será sempre para a partícula um arquivo, cujo valor será tanto maior quanto maior aproveitamento ela tiver, em aprendizado, ao transformar o futuro em presente. Futuro este que, plenamente à disposição das manifestações de vida é para estas o seu próspero campo de tempo de virtual atuação, interminável e imaculado a espera da ação que o traga para o presente. Este se consome quase que instantaneamente vindo da célere chegada do futuro que jamais poderá ser consumido, por transformar-se no rápido momento de expressão da vivificação da consciência das forças que atuam em qualquer ponto do universo . Estaremos eternamente fixados no futuro, pois para lá são dirigidos nossos atos, que ao se tornarem reais fazem o presente nosso e da vida. Se sempre vamos olhar para frente, precisamos de algo que para lá nos remeta, e este é o conhecimento, que está no nosso passado, mas que trazemos conscientemente ao presente, onde também reside a capacidade, e numa nova ordenação e objetivo abrimos caminho na aproximação do futuro. E este será juntamente com o presente avidamente atravessado, alimentando o passado, onde então pode-se ter uma medida da quantidade de tempo que foi gasto, tomando-se outras formas que expressem vida como referência. Podemos estudar o passado e o futuro, mas sempre no presente, unindo neste os três tempos.

Desnecessário falarmos aqui da presença obrigatória do fator espaço. Elemento, tal qual o tempo, invisível e infinito, campo de expressão como aquele e que abriga a força e suas manifestações. Serve de local possível para o jornadear evolutivo das partículas nas transformações da matéria, que como fluido imponderável perfaz o infinito do espaço, e que não sendo inteiriça deixa pequeníssimos intervalos entre si. E é este aspecto de descontinuidade que a torna suscetível de ser apanhada e agrupada pela força ganhando novas fronteiras e formas físicas primeiramente, quando regida pelas leis atomísticas, e secundariamente formas astrais obedecendo à forças já de maior poder. Espaço necessário para o desenrolar do maior objetivo da vida, a evolução. Se o tempo aloca em seu seio a duração da vibração, qualquer que seja o seu conteúdo, o espaço permite a expressão da forma originada na intenção, podendo esta traduzir-se também em deslocamento. O espaço como o tempo futuro são panos de fundo intermináveis como a vida. Só o presente, mesmo que de longa duração, ocupa o espaço, pois a partícula só se manifesta nele. O futuro no espaço é tão inerte quanto no tempo. Aquele se altera imediatamente e somente com a chegada deste. O presente passa então a existir para os dois pela mesma razão. O passado só passará a existir se o espaço for marcado em algum fugaz presente. Estes são os aspectos que se unem para permitirem, dentro de um contexto de concepções eternas e perfeitamente interdependentes, ser realizada a sinergia da vida. Dos dois não prescinde a Inteligência Universal e seus filhos. Evoluímos multiplicando nosso campo de atividades, por exemplo ao podermos nos fazer presentes, como espírito, em vários lugares ao mesmo tempo, dentro do nosso alcance vibracional. Neste caso dispomos de um espaço maior, mas o tempo não muda sua direção com esta instantaneidade. Só podemos obedecer eternamente este atrelamento. Tempo e espaço estão diluídos, perfeitamente emulsionados, pois aquele precisa deste como um local para acontecer e o espaço depende do tempo para tornar-se útil, possibilitando, os dois em imaculada presença de manifestação, as inúmeras novas formas de projeção da existência. Estas são as únicas capazes de, numa lógica perfeita, justificarem plenamente a necessidade e funcionalidade destas duas grandezas infinitas, que tutelam a Força Criadora e tudo que dela derive.

20 de junho de 2006

 

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