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Não nos esqueçamos de amar
e interiorizar os sons maravilhosos da "NATUREZA"

Aida Almeida Lopes da Luz

No universo de hoje em dia, onde ninguém se preocupa com ninguém, onde por tudo e por nada se fazem greves, se apela para direitos muitas vezes inadequados, como nos faz falta sentir os sons da Natureza!

Vem-me à idéia uma época de há cerca de 5 a 6 décadas. Que época de ouro, face àquela que hoje vivemos.

Muito embora não possa abstrair-me dos avanços tecnológicos e científicos de suma importância para o desenvolvimento da era atual, poderíamos ser mais humanos e não bichos irracionais.

Irracionais sim, pois os avanços tecnológicos trouxeram ao homem possibilidades de, sem prejudicarem ninguém, viverem a vida a seu bel-prazer.

Se querem ouvir uma bateria estrondosamente, o toque de um tambor como se estejam em selvas, devem lembrar-se de que o poderão fazer usando auscultadores nos ouvidos, sem incomodarem uma comunidade inteira, prejudicando doentes, idosos, crianças, que não terão sequer concentração para fazerem seus próprios estudos.

Dizem que, antigamente, a vida era de selvagens, que saudades desse tempo meus amigos!...

Menina dos meus quinze anos, sentada sob uma frondosa árvore ou debaixo de um simples arbusto que fosse, os sons da natureza vinham até mim com todo o seu vigor e encanto.

Como era feliz ao ouvir o trinar dos pássaros, o coaxar das rãs, o som rastejante dos lagartos, das lagartixas, o bater de asas das lindas borboletas, o abrir de uma semente dando ao mundo seu fruto, o desabrochar de uma flor, poder sentir o espalhar de seu perfume no ar. Tudo era audível e sentido a quem a isso se predispusesse.

As próprias folhas secas caiam e estalavam, na seqüência normal da modificação da própria natureza.

O riacho que a poucos palmos de mim passava acalmava minha alma, trazendo até mim ruídos outros, vindos de outros sítios. Tudo era perceptível! Muitas vezes trazia uma mensagem, uma lembrança de alguém a quilômetros de distância.

Esperava o ocaso ou o amanhecer com a mesma ansiedade e vontade de meu espírito assim florescer.

Hoje, coitadas de nossas crianças, abandonadas a uma vida sem escrúpulos, onde não há tempo nem lugar para apreciar o que há de mais belo no mundo.

Antes recebíamos a natureza como uma dádiva sublime, hoje a desprezamos como algo desnecessário.

Coitado do "Homem" de hoje!... Até onde terá de cair para voltar a erguer-se e reparar na necessidade de cultivar as coisas mais simples da natureza, que nos foi doada sem obrigatoriedade de pagamentos de impostos.

(Em 4 de março de 2006. A autora é Militante na Filial Seixal, Portugal)

 

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