Por que sonhamos

Jurandir Pereira

É importante a compreensão e aplicação no estudo do sono e dos sonhos para melhor conhecer os efeitos desses fenômenos ocorridos em estado de liberdade do espírito. O sono – uma suspensão temporária da atividade perceptiva e motora – concede reparação em todo organismo humano. No sono, seja ele normal ou periódico, o espírito, livre do embaraço material, conforme seu grau evolutivo movimenta-se ou vibra em freqüências equivalentes, pois, sempre ligado à Inteligência Universal, em conseqüência é eternamente ativo.

Bem diz Pinheiro Guedes: "O sono é a supressão das funções de relação. Durante o sono o corpo repousa e a alma se retempera e pede alento." Neste contexto, entende-se que esse alento significa animar-se, bem como, a acepção da palavra retemperar tem o sentido de avigorar o ânimo.

Na obra A vida fora da matéria – gravura 55 – "O espírito não só não dorme, como permanece sempre vibrando, sem necessidade de descanso, porque o cansaço é próprio da matéria e não do espírito". Há necessidade de o espírito estar sempre alerta e vigilante, consciente de que é uma Força que trabalha incessantemente, vibrando, atraindo e repelindo.

Nos movimentos vibratórios no espaço imensurável do Universo, em que a Inteligência Universal vibra sem interrupção, acusando permanente ação consciente e constantes demonstrações de vida, agita o espírito a sua força intranuclear que se exprime em todas as atividades. Assim, possibilita-lhe o enriquecimento espiritual enquanto o corpo dorme, seja pelas suas experiências vivenciadas ou pela vontade de evoluir. Já que o cansaço é próprio da matéria, espírito algum gostaria de permanecer voluntariamente no corpo, pois, seria como se um preso se sentisse realizado estando na cela de uma penitenciária.

Desligando-se parcialmente do corpo, o espírito absorve do turbilhão de energias e ondas vibrando incessante, ondas e imagens de sua própria mente, das que vibram na mesma freqüência e, se invigilante, absorve também, energias negativas que se cruzam e, com isso, pode desviar-se dos objetivos benéficos da encarnação atual. Aquele que flutua na atmosfera sem se afastar o suficiente do corpo, colhe impressões confusas, estranhas visões e inexplicáveis sonhos quando volta ao corpo.

Sonho é a lembrança dos fatos, dos acontecimentos ocorridos durante o sono. Salvo melhor juízo, muitos sonhos podem ser reminiscências de episódioss de vidas passadas. Propõe-se que através de nosso grau evolutivo determina a qualidade de nossos sonhos. Sob influência de vibrações em freqüências diferentes, boas ou más, o espírito procurará ambientes que lhe satisfaça.

Por que não nos lembramos de todas as nossas atividades durante o sono? Se pudéssemos recordar tudo que se passou, gastaríamos o mesmo tempo que dormimos para contar o sonho a alguém ou se não, tentaríamos interpretá-lo, como muitos gostam, tudo desperdício de tempo. Outra impossibilidade seria a conservação das impressões do período de atividade fora da matéria, já que esta é densa com seus mecanismos incapazes para tal, mas nenhuma cena escapa da filmagem que o espírito é capaz de gravar.

Ao retornar à matéria pelo cordão fluídico (acordar), se emoções boas e agradáveis sentimos, porque vivenciamos uma atividade positiva durante o sono. O oposto, se sentimos emoções negativas, porque nos prendemos com certeza à situações de ambientes desfavoráveis. Nesta última, daí a necessidade de apropriar bons hábitos durante a vigília, irradiações antes de dormir para que nos sintonizemos com forças superiores. Desta feita, indubitável que teremos sonhos construtivos e sono reparador.

Portanto, como se diz e publica, que ao mesmo tempo em que o corpo repousa o espírito descansa, ou, que o espírito precisa de descanso tal como o corpo precisa comer e beber, seria contra as leis universais ou puro desconhecimento de causa.

Goiânia, novembro 2009

 

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