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O apóstolo Paulo
fundou o Cristianismo ou o Paulinismo Romano?

Gilnei Castro Müller

Aqui iniciamos o estudo de um novo assunto sobre o apóstolo Paulo de Tarso, dedicado aos seus ensinamentos, conhecidos como "cristãos" no mundo ocidental, que foram implantados em Roma e mais tarde de lá divulgados com mãos de ferro e fogo por uma vasta rede de missionários a serviço da Igreja Romana. Durante a imposição destes princípios pseudocristãos, não foi respeitado o livre-arbítrio e a liberdade individual de povos indígenas de nações inteiras do ocidente.

Todos os ensinamentos religiosos transmitidos através dos últimos dois mil anos da "era cristã", conhecidos genericamente no mundo ocidental como "cristianismo", são na realidade uma completa inversão ou contradição dos ensinamentos originais que Jesus, o Cristo, teve a intenção de ensinar para os seus primeiros discípulos, também conhecidos na história bíblica como "Apóstolos". Os próprios apóstolos não compreenderam Jesus no seu tempo, e os ensinamentos que passaram para a posteridade sofreram as mais diversas alterações através dos tempos.

O apóstolo Paulo, ou São Paulo como também ficara conhecido, fora um fariseu fanático e ferrenho inimigo dos primeiros seguidores de Jesus, tendo chegado a solicitar uma autorização por escrito à autoridade religiosa judaica para ir até Damasco, na Síria, para lá perseguir todos que encontrasse do lado do Mestre e trazê-los presos para Jerusalém. Como, logo depois, este mesmo homem poderia se converter bruscamente e passar de um instante para o outro a divulgar os ensinamentos de Jesus sem lhes impor nenhuma alteração ou modificação?

Paulo se encontra pessoalmente com Jesus perto de Damasco

Este encontro teria acontecido há aproximadamente dois anos depois da suposta "morte e ressurreição" de Jesus em Jerusalém, e aconteceu nas proximidades da cidade de Damasco na Síria. O teólogo alemão Holger Kersten nos apresenta na sua obra Jesus viveu na Índia detalhes interessantes a respeito deste encontro entre Jesus e Paulo. Então se faça a leitura e estudo do trecho a seguir: "Paulo, ou Saulo de Tarso que era o seu nome judeu ou original, foi um dos mais ardentes e fanáticos opositores da 'Nova Aliança'.

Provavelmente ouvira rumores de que Jesus lograra sobreviver à execução e que continuava, de algum lugar seguro, a conspirar contra os judeus ortodoxos. Saulo, ainda respirando ameaças de morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao Sumo Sacerdote. Foi pedir-lhe cartas para as sinagogas de Damasco a fim de poder trazer presos para Jerusalém os que lá encontrasse pertencendo ao lado do Caminho, isto é, do lado de Jesus, quer homens, quer mulheres! (Conforme consta em Atos, capítulo 9 e versículos 1 e 2.) O ardor que despendeu na perseguição aos cristãos representava uma compensação diante das suas limitações. A grande atração que o 'Paulinismo' exerceu derivou, e deriva, da idéia da redenção e libertação de crises interiores.

Paulo era dono de uma energia sem limites e de uma personalidade competitiva. Sofria de fortes ataques que atribuía a demônios. As mais recentes fontes apontam a homossexualidade como a explicação para aquilo que ele chamava de 'espinho na carne', considerado por ele como a sua cruz pessoal. Este problema de ordem particular foi a causa da grande repugnância que ele sentia pela sexualidade em geral, inspirando-lhe a doutrina acética do matrimônio e a imagem desprezível, quase torpe, do sexo e da mulher, que continuou a dominar o pensamento cristão."

Sob a luz deste novo enfoque, podemos avaliar melhor a maravilhosa experiência de Paulo perto de Damasco: "Estando ele em viagem e se aproximando de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu o envolveu com a sua claridade. Caindo por terra ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, porque me persegues? E ele disse, quem és Senhor? E a resposta: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; é duro para ti recalcitrar contra o aguilhão'. Então trêmulo e atônito, disse ele: 'Senhor, que queres que eu faça? E respondeu-lhe o Senhor: levanta-te, e entra na cidade, e te dirão o que deves fazer'. (Conforme Atos, capítulo 9 e versículos 3 e 6.)"

Damasco que se situava no centro da Síria onde os judeus, desde a revolta dos macabeus, eram odiados (cerca de 165 a.C.) e onde a Ordem dos Essênios tinha o seu Centro Espiritual. Teria a alvura das vestes de Jesus contribuído para ofuscar a visão de Saulo? Chego a admitir que Saulo tivesse participado de uma iniciação ritual e que a cegueira que por três dias o acometeu resultasse da bebida do soma ingerida. (Conforme Atos, capítulo 9 e versículos 8 e 9.)

Sossianus Hierócles, um alto oficial romano, governador da Phonécia, do Líbano, Bitínia e Egito, considerado um dos mais cruéis perseguidores das comunidades cristãs primitivas, nos legou um trabalho intitulado Aos Cristãos, em que se lê a seguinte passagem: "Após fugir dos judeus, Cristo reuniu cerca de novecentos ladrões, que eram simpatizantes ou seguidores de seus princípios. Estes ladrões eram considerados pelos romanos como guerrilheiros ou revolucionários. É bem possível que a comunidade essênia de Damasco tivesse naquela época cerca de novecentos membros."

Paulo foi batizado e iniciado na doutrina por um discípulo de Jesus chamado Ananias. De acordo com alguns documentos, Ananias foi incumbido pelo próprio Cristo de visitar Saulo; a princípio, temeroso do inimigo, se negou. Jesus, porém, tranqüilizou Ananias com as seguintes palavras: "Vai porque este para mim é um instrumento de escol, para levar meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos filhos de Israel. Eu mesmo lhe mostrarei quanto é preciso sofrer em favor do meu nome".(Conforme Atos, no seu capítulo 9 e versículos 15 e 16.) A partir desse momento, Paulo é considerado o mais zeloso propagador da nova fé. Ele finalmente cedeu ao fascínio da personalidade de Jesus e reconheceu imediatamente as implicações da missão que o Nazareno lhe confiara. Com maior zelo do que durante as perseguições a Jesus e seus seguidores, Saulo encarregou-se de difundir a sua própria interpretação da nova doutrina. O encontro entre Paulo e Jesus, na estrada próxima a entrada de Damasco, teve lugar, mais ou menos, dois anos após a crucificação.



PRINCIPAIS VIAGENS DE PAULO: Mapa que nos mostra as viagens missionárias que o apóstolo Paulo teria realizado com a finalidade de divulgar os princípios que deram origem ao atual "cristianismo paulinizado" que se instalou e oficializou como a religião de Estado em Roma e mais tarde nos países do mundo ocidental.

A uns trezentos quilômetros ao norte de Jerusalém, Jesus estaria relativamente a salvo, sob a proteção dos essênios. Desde que uma comunidade religiosa aceitasse a religião romana, o governo romano local tolerava as suas práticas religiosas. Os judeus estavam até mesmo isentos de tomar parte nos rituais cúlticos romanos. A "Nova Aliança", formada pelos primeiros cristãos, a princípio beneficiou-se dessa isenção. Quando, porém, os romanos compreenderam que a doutrina de Jesus nada tinha a ver com o judaísmo ortodoxo, e que muitos dos adeptos da nova fé estavam entre os agitadores políticos, os cristãos passaram a perder o direito de tolerância e o conflito começou. Inicialmente as comunidades cristãs eram perseguidas somente a nível local, sob a alegação de perturbarem a paz. A perseguição aberta e generalizada só iria ter início na segunda metade do terceiro século. Como a crucificação era ainda um fato recente e como continuasse a hostilidade dos judeus, os primeiros cristãos foram obrigados a propagar a sua fé em distantes regiões do Império Romano. No entanto, em Damasco, Jesus pode usufruir dos benefícios da proteção essênia. A cinco quilômetros dessa cidade existe um lugar chamado "Mayuan I - Issa" que quer dizer: "O lugar que Jesus viveu". O historiador persa Mir Kawwand citou várias fontes que atestam que Jesus viveu e ensinou nessa localidade após a crucificação.

Os adeptos da Nova Doutrina aumentariam devido, sobretudo, ao empenho pessoal de Jesus. Contudo os rumores de que Jesus estaria nas proximidades de Damasco chegaram até Paulo, e provavelmente até mais longe, e por isso foi se tornando perigoso ao Nazareno permanecer por mais tempo na Síria, que fazia parte do Império Romano.

Após a leitura do trecho citado anteriormente, se pode entender melhor como teria se formado o "Cristianismo de Estado" que foi oficializado em Roma mais tarde, e as muitas razões para os desvios dos princípios originais que Jesus tivera a intenção de implantar. Sabe-se através da própria história bíblica que Paulo era inimigo ferrenho dos primeiros cristãos. Como poderia ele depois, bruscamente, se tornar o maior evangelizador e pregador de boas novas evangélicas por lugares muito distantes da sua terra natal. Segundo o mapa apresentado acima (PRINCIPAIS VIAGENS DE PAULO), ele teria realizado quatro grandes viagens de evangelização. Na quarta viagem teria chegado até a cidade de Roma que era a capital do maior Império daquela época. Paulo se utilizou da "morte'" de Jesus e do seu sacrifício na cruz para fazer o ponto central da divulgação do seu "cristianismo paulinizado", enquanto os verdadeiros ensinamentos originais de Jesus, que determinavam o auto-aperfeiçoamento do Espírito encarnado durante a sua trajetória terrena com a realização de ações elevadas, se perderam completamente no tempo. Com o seu método de evangelização contribuiu para transformar o Jesus-Homem em um Jesus-Deus.

Em nome do mestre Nazareno fora criado um conjunto de dogmas alegóricos e carregados de fantasias e crendices, incluindo inicialmente as "salvações" e os "perdões" para todos que somente passassem a crer nos seus dogmas religiosos e muitas outras superstições e invencionices descabidas, em completo desacordo com as Leis Espirituais. Tudo com a finalidade de manter os seus seguidores eternamente subordinados aos seus interesses. E ainda se julgaram no direito de sair mais tarde pelo mundo afora a impor à força a sua doutrina intolerante através de uma vasta rede de missionários.

A própria "Lei da Reencarnação dos Espíritos" uma das Leis Espirituais que foi abordada com detalhes em artigos no jornal A Razão [e se encontram reproduzidos na Gazeta: Nota dos Editores] fazia parte da crença dos primeiros cristãos que o próprio Paulo antes de se "converter" perseguiu com tanto ardor e tenacidade!

De acordo com outras informações não bíblicas, Paulo tinha completa aversão pelo sexo oposto, e considerava as mulheres como o sexo pecaminoso e degradante do homem. Assim se pode compreender, também, a razão do acentuado machismo que influiu e gerou a primeira cristandade romana, especialmente a da alta cúpula dirigente da igreja. Também justifica a razão de todos os papas e cardeais serem do sexo masculino.

De acordo com os ensinamentos da igreja católica apostólica romana, Jesus teria concedido em vida ao apóstolo Pedro a primazia sobre os demais bispos da igreja. Com a "morte" de Jesus no ano 30 de nossa era, o apóstolo Pedro teria se tornado o seu primeiro representante na Terra, que além de chefe da igreja foi considerado o seu primeiro papa. Por volta do ano 42 d.C. teria Pedro estabelecido a sede da igreja em Roma, mas acredita-se que ele terminou os seus dias como papa neste mesmo ano 42.

O conjunto de dogmas estabelecidos pela igreja em Roma foi praticamente fundamentado na "morte" de Jesus, quando ao contrário deveria ter sido na vida pessoal e, principalmente, nas virtudes do Mestre Nazareno, pois tanto Pedro como Paulo, além de possuírem as suas divergências de credo, ambos sequer acompanharam Jesus nos momentos da sua crucificação. Quando Jesus foi preso, Pedro chegou a negar que conhecia seu próprio Mestre. Como poderiam eles, mais tarde, se reunir em Jerusalém e depois em Roma e representarem os verdadeiros ensinamentos de Jesus? E assim se justifica o jogo de interesses que se arregimentou no corpo diretivo da primeira igreja. Lendo toda a história bíblica e especialmente o Novo Testamento, em parte alguma consta que Jesus tivesse delegado poderes para um substituto seu, seja ele Pedro ou Paulo, e muito menos que este viesse a ter primazia sobre todas as igrejas do mundo. Assim sendo, se pode concluir que a autoridade papal é toda falsa e arbitrária e representa o puro convencionalismo dos poderosos daquela época que se tornou tradição eclesiástica e culminou com tudo que se conhece hoje no mundo ocidental como "Cristianismo" e que com toda a justiça deveria se chamar de "Paulinismo Romano".


A doutrina de Paulo de Tarso

Foi o apóstolo Paulo quem centralizou a atividade de Jesus em sua "morte", mostrando que é através dela que o homem de "fé" se liberta de seus pecados das misérias do mundo e até do poder de "Satanás". Este último inventado e criado através dos "concílios" da Igreja romana para amedrontar e mais facilmente dominar os espíritos fracos e ainda desconhecedores da realidade sobre a vida espiritual. Em suas cartas, também conhecidas como epístolas, Paulo não escreveu uma única palavra sobre os ensinamentos de Jesus, aqueles originais, nem menciona qualquer de suas parábolas. O que ele faz é apresentar a sua própria filosofia e as suas idéias. Paulo tende e até se esforça para apresentar todas as pessoas como sendo "filhas da ira", isto é, como sujeitos à ira de Deus. (Conforme Efésios, capítulo 2 e versículo 3.) Para ele, tudo, sem exceção, está perdido, sem esperança e sem Deus, pois Satanás subjuga a todos sem exceção. Segundo a sua doutrina, o próprio Satanás é mais importante do que Deus! (Conforme Efésios, capítulo 2 e versículo 12.)

A sentença de condenação paira sobre o povo como uma espada de Dâmocles (ver em Romanos, capítulo 5 e versículo 16). Assim, Paulo transformou as "boas novas" de Jesus em "novas terríveis", dando a entender que somente ele podia mostrar o caminho da salvação. Claro que diante desta postura é muito difícil alguém chegar a uma concepção natural da morte, pois a morte passou a representar uma solução para os pecados e para os pecadores.

Em nenhuma outra religião, além do "cristianismo de Paulo", nos deparamos com este culto do medo. Com Paulo, os cristãos, dominados pelo medo, docilmente se curvam ao peso de ameaças. A religião de Roma perdeu o conceito do Deus amoroso, "todo bondade" e "todo perdão" anunciado por Jesus, retrocedendo às crueldades do Deus vingativo do Antigo Testamento, renovadas nas palavras de Paulo.

Paulo diz claramente que o homem não pode, por si mesmo, alcançar a salvação de sua alma, (conforme Romanos, capítulo 3 e versículos 24 e 28), pois a salvação depende única e exclusivamente da graça de "Deus" (conforme Efésios, capítulo 2 e versículos 8 e 9). Assim a doutrina da salvação de Paulo torna-se um ato unilateral, diante da qual a humanidade se encontra de mãos atadas. Esta mensagem de Paulo é pouco atraente , pois não traz conforto. Quem faz parte do rebanho está automaticamente salvo. Não há necessidade de um esforço individual e pessoal para se atingir o principal objetivo da vida, pois todo cristão é salvo através da morte de Jesus, na cruz no Gólgota, e não precisa fazer mais nada. Em outras palavras, o cristão deve apenas "associar-se" tornando-se um membro da "Instituição Igreja" pagar as taxas de "Sócio e os dízimos" e eis que lhes está garantido um lugar eterno no paraíso. Esta doutrina, pela facilidade apresentada, conquistou muitos adeptos e se difundiu rapidamente.

É, sem duvida, muito prático acreditar que, através de um simples ato de conversão, um pecador é redimido, transformando-se em um filho de "Deus" e em um novo ser. De acordo com essa doutrina, qualquer tentativa que o indivíduo faz isoladamente, em prol da sua própria salvação, representa uma afronta a Jesus, constituindo-se, pois, um "pecado mortal." Assim, pensando desta maneira, por mais exemplar que tenha sido a vida de uma pessoa, se ela não acreditar nos ensinamentos de Paulo a sua salvação está irremediavelmente perdida e condenada por esta mesma doutrina. A grande maioria dos cristãos atuais ainda acredita que a grandeza incomparável do cristianismo reside na verdade destes ensinamentos; porém, quando examinados mais de perto, revelam-se bem distantes da verdadeira doutrina ensinada por Jesus. Não encontramos em nenhuma parte dos "evangelhos bíblicos" o menor vestígio da chamada doutrina cristã da "Salvação".

Cristianismo e reencarnação

Os primeiros seguidores de Jesus aceitavam, sem problemas, a idéia da reencarnação do "Espírito" para realizar a sua evolução espiritual enquanto se encontra de posse do corpo físico aqui no plano terreno. A idéia da reencarnação veio de crenças orientais, onde se acredita que Jesus teria buscado conhecimentos durante a sua juventude e até dos vinte aos trinta anos de idade. Aqui é interessante esclarecer que o princípio da reencarnação somente foi afastado do cristianismo original por intermédio de um "erro histórico" que teria ocorrido em algum momento do nosso século quatro.

Até agora, quase todos os historiadores da igreja acreditaram que a doutrina da "reencarnação" foi declarada herética durante o Concilio de Constantinopla no ano 553 d.C. No entanto, a condenação da doutrina se deve a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou a sua rápida ascensão ao poder como cortesã. Materialmente, para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais tarde, o assassinato de quinhentas antigas "colegas", e para não sofrer as conseqüências dessa ordem cruel em outra vida como preconizava a "Lei do Carma" como se dizia naquela época, e achando que poderia derrogar as Leis Espirituais, empenhou-se junto ao Imperador, que era seu marido, para abolir toda a magnífica "doutrina da reencarnação". Estava ela confiante no sucesso desta anulação, decretada por "ordem divina" já que o imperador representava o próprio Deus e se julgava com poderes divinos.

No ano 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas obras De Prinsipiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C.), o grande Padre da Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava, e com muita razão e certo, que muitas passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da reencarnação.

Participaram deste concílio convocado pelo imperador Justiniano só bispos ortodoxos do oriente. Nenhum de Roma tomou parte. E o próprio papa, que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro.

O Concílio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da pré-existência da alma, apesar dos protestos do papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata.

A conclusão oficial a que o Concílio chegou, após uma discussão de quatro semanas, teve que ser submetida ao papa para sua ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados versavam apenas sobre a disputa a respeito de três eruditos que Justiniano, quatro anos antes, havia por um édito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes. Os três papas seguintes, quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no nome de Orígenes.

A igreja simplesmente aceitou o Édito de Justiniano: "Todo aquele que ensinar esta fantástica pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado", como parte das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da "doutrina da reencarnação" não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica.

A era dos mártires e o início da queda do Império Romano

Ainda sobre a obra e a vida de Paulo, no dicionário enciclopédico Larousse consta o seguinte trecho: "Paulo, cognominado o apóstolo dos gentios, (Tarso - Cilícia 10 d.C. - Roma- 67 d.C.), fariseu fervoroso, perseguidor dos cristãos, quando a caminho de Damasco foi derrubado por uma força sobrenatural, e tornou-se discípulo dos apóstolos de Cristo, a ponto de ser considerado muitas vezes como o segundo fundador do cristianismo. Sua ação apostólica desenvolveu-se sobretudo em proveito dos gentios: três viagens missionárias o levaram à Ásia Menor, à Grécia e à Macedônia. Preso em Jerusalém e enviado a Roma, foi decapitado no ano 67 d.C, no reinado de Nero. Sua personalidade ímpar, que se expressa nas suas quatorze epístolas ou cartas, permitiu-lhe elaborar o 'mistério do cristianismo' e separar a religião de Cristo do Judeu - Cristianismo."

Como já foi visto e comentado em passagens anteriores, Jesus quando em vida física não teve a intenção de fundar nenhuma religião ou seita, no entanto, este trecho anterior nos confirma, mais uma vez, que Paulo através da divulgação das suas "Epístolas" pode elaborar o "mistério do cristianismo" ou até implantar o cristianismo modificado e ao seu modo com suas próprias idéias, influindo decisivamente no pseudocristianismo que mais tarde foi oficializado em Roma a partir do terceiro século da nossa era. Na época do imperador Nero, os cristãos foram considerados os maiores inimigos do Império, a tal ponto que, por influência de sua esposa que era descendente de judeus, mandou incendiar Roma e colocou a culpa nos cristãos para que houvesse um motivo mais forte para apertar a perseguição contra os mesmos. Esta ficou conhecida como 'Época dos Mártires do Cristianismo'. Muitos foram presos e conduzidos à Roma, como ocorreu com o próprio apóstolo Paulo; os chefes do movimento eram humilhados e decapitados e muitos dos mais humildes eram atirados vivos para servirem de alimento aos leões.

Com esta verdadeira guerra que foi movida contra os primeiros cristãos, duas conseqüências nos resultaram: a primeira obrigou Jesus, e os seus seguidores que se encontravam próximo a Damasco na Síria, a deixarem o local e se refugiarem no oriente; a segunda, com o espaço de tempo compreendido entre as viagens de Paulo, a implantação do cristianismo em Roma causou muitas adaptações e modificações nos princípios originais. Este mesmo cristianismo romano, na época das "Santas Inquisições" parece ter reincorporado o Espírito de Nero em seus dirigentes da igreja, que resolveu implantar a maior perseguição contra todos que não seguissem os dogmas das suas cartilhas religiosas.

No ano 36 d.C., Paulo teria se encontrado, secretamente, com Jesus próximo a Damasco, e a partir deste encontro se convertido aos princípios do Mestre Nazareno. Na mesma época, em Jerusalém, os judeus cristãos liderados por Tiago, que era um dos irmãos de Jesus, estavam voltando às suas origens judaicas. Se não fosse pela interferência de Paulo, é bem provável que o cristianismo acabasse sendo reassimilado pelo judaísmo, extinguindo-se para sempre! No ano 49 d.C., para resolver estas divergências houve em Jerusalém o primeiro Concílio da história da igreja cristã. Pela primeira vez se enfrentaram Paulo e os seguidores sobreviventes de Jesus. Ali começaram a ser edificados os princípios que deram origem ao cristianismo atual. Paulo lutou contra a circuncisão obrigatória para os convertidos, algo que afastaria muitos dos homens mais humildes provenientes dos gentios. E também defendeu a revogação das leis e prescrições judaicas em favor dos ensinamentos simples adotados por Jesus. Sua opinião prevaleceu sobretudo, principalmente porque o apóstolo Pedro chegou a convencer-se de que ele estava certo.

No ano 59 d.C., Paulo foi convocado novamente para explicar-se, e no debate que se seguiu foi obrigado pela lei judaica a adorar o Templo de Jerusalém como demonstração de fé para com a religião judaica. Durante a visita à cidade Santa, foi identificado e preso, e em 60 d.C. foi deportado para Roma, onde permaneceu em prisão domiciliar. No ano 64 d.C., quando o imperador Nero mandou perseguir tenazmente os cristãos onde os encontrasse, Paulo e Pedro acabaram presos e condenados a morte. Pedro foi crucificado e Paulo por possuir a cidadania romana teve o privilégio de ser decapitado. O imperador Nero decretou a primeira perseguição aos cristãos; seguiram-se outras, como a de Trajano. A de Marco Aurélio foi a mais violenta, e a de Diocleciano que ficou conhecida como a "era dos Mártires". No ano 70 d.C., por ocasião da revolta dos judeus contra a dominação romana, o imperador Tito mandou destruir Jerusalém e o seu Templo, obrigando os judeus a deixarem a Palestina. A partir deste ano a Palestina continuou fazendo parte do Império Romano, e os cristãos continuaram sendo perseguidos até o ano 313 d.C. quando o imperador Constantino, que já era filho de uma cristã, Santa Helena, baixou o Decreto ou "Édito de Milão" que concedia aos cristãos o livre exercício do seu culto. Também foi no governo do Imperador Constantino, no ano 325 d.C., sobre sua chefia se reuniram os bispos cristãos formando o primeiro Concílio realizado em Roma, no qual foi condenado o arianismo, uma forma de heresia que negava a divindade de Jesus. Ário, que originou esta heresia, era um sacerdote de Alexandria. Juliano, que foi o imperador que reinou logo após Constantino, ainda teria tentado restabelecer o prestígio da antiga religião, mas não o conseguiu.

O cristianismo, embora modificado, já era seguido praticamente por todo o Império Romano. Foi no governo do imperador Teodósio (389 a 395 d.C.) que o cristianismo se tornou a religião oficial de Estado, por volta do ano 380 da nossa era. No ano 395, após o término do seu governo, teve início a queda do Império Romano que foi dividido em dois: Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. Sendo as cidades de Roma e Constantinopla as respectivas capitais do Império dividido.

O Império Romano do Ocidente teve curta duração, pois no ano 476 d.C. foi destronado o seu último imperador, Rômulo Augústulo. Nas terras desse império surgiram os "Estados Bárbaros", sendo os principais fundados pelos germanos (que deram origem à atual Alemanha), os francos na Gália (que deram origem à atual França), e os anglos e saxões (que deram origem à Inglaterra).

Já o Império Romano do Oriente teve sua duração maior e somente no ano 1453 é que foi derrubado, com a tomada de Constantinopla pelo sultão Maomé II. De 395 até 1453, passou-se praticamente um milênio e esse período é considerado pela História como "Idade Média". Este período de tempo é considerado por alguns historiadores, como uma época totalmente perdida, porém na prática houve algum progresso, pelo menos na parte material e intelectual da humanidade. Foi nessa época que surgiram as primeiras universidades na Europa ocidental em países como Portugal, França e Inglaterra entre outros. Também nessa época tivera início a construção da atual civilização "cristã ocidental" da Europa e da América, com o surgimento das primeiras grandes catedrais, como símbolos do poder e da dominação da igreja de Roma sobre os povos considerados mais civilizados daqueles tempos, entre os bárbaros e "outros povos" que foram, em anos passados, vencidos ou dominados pelo poder das armas do grande Império Romano. Estes povos, que deixaram de ser vassalos do domínio dos imperadores romanos, passaram a ser dominados pelo poder político-religioso da igreja apostólica romana. Países como a Espanha e Portugal foram fundados e implantados como nações perante o mundo ocidental com a autorização exclusiva do poder papal de Roma e assim se compreende por que hoje países como o Brasil, que fora colonizado e fundado pelos portugueses, assim como outros colonizados pela Espanha, têm um grande número de seguidores do catolicismo romano.

 

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