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O que se pode esperar do mundo espiritual superior?

Mori Mitre

Tudo ou nada. Depende de nosso estágio e intenções.

O tudo seria a possibilidade de um aprendizado fraterno, entendendo as imutáveis leis da evolução. Cumprir nossa jornada é tarefa individual e essencialmente um sólo a ser treinado, trabalhado, executado nos mínimos acordes para que a nossa melodia soe de forma natural.

O nada é o que aí está. Muitos esperando, aguardando, na infeliz suposição que forças superiores vão nos ajudar aqui e alí, independente de nossa ação para isso.

O estágio terreno é arenoso e muitas vezes o ser perde a noção da realidade frente aos embates mais violentos. Mas o espírito se vale de sua energia originariamente superior e num salto se locomove e reencontra, ainda que com grande dificuldade, o caminho rumo aos seus objetivos mais importantes.

Os ramos filosóficos, religiosos todos eles, pregam a necessidade da reaproximação com a casa paterna. Este ponto é nevrálgico na medida em que na avaliação estão presentes poucos conhecimentos e muitas dúvidas. O Racionalismo Cristão deixa claro, aos que por ele passam, que a única forma de evoluir é buscar em si mesmo a condição para a luta diária, o aprendizado constante. As forças superiores superintendem, mas nunca num processo de plantão em 24 horas para "ajudar a quem precisa".

Imaginemos alguém resolvendo por nós, desfiando o nosso novelo, contornando nossas arestas. Isso seria um festival de benesses sem qualquer fundamento. A ajuda é aquela que buscamos pelo nosso tentar, pelo nosso aprender, pelo nosso fazer. Neste estado somos capazes de criar pólo positivo e aí, num desencadear de ações, o estímulo superior se faz presente, averbando o procedimento naturalmente e nunca por simples ajuda.

Quantas pedras teremos que chutar pelas estradas da vida futura? Quantos negócios perderemos? Quantas desavenças provocaremos? Quanto sofrimento está pré-programado em cada ser que, de forma inconsciente, parte para a vida sem cálculo, apenas vivendo o momento e sempre esperando que "alguém quebre o galho naquela hora mais difícil ". É natural do ser humano contar com alguém. Assim foi com a nossa mãe que nos ofereceu o seio para o primeiro alimento após o parto. Assim é com o velho pai que nos consertava o brinquedo quebrado pela nossa imprudência.

O inconsciente coletivo é um amplo depósito de súplicas e de programações que precisam ser deletadas como vírus que são e que travam nossa inteligente mas limitada máquina de raciocinar. Mais que discutir espiritismo, espiritualismo e outros ismos, fica um convite mais interessante para uma constante busca de razões tão íntimas e tão próximas que, talvez por isso mesmo, pareçam tão distantes.

Setembro de 2005 - Belo Horizonte, MG

 

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