O que é o amor senão um sentimento universal

Elen do Souto

Como duas são as correntes que envolvem a Terra – uma do bem e outra do mal – o ser humano terá que vibrar em harmonia com uma ou com outra, não podendo ficar neutro. É lógico e sensato que se muna dos preciosos requisitos que o mantenham ligado à corrente do bem., Racionalismo Cristão, 44ª edição, p. 144.

Eu vejo o amor de uma forma bem pessoal, seria assim como uma pessoa que ao final de uma caminhada, em cima de um morro, respira profundamente e absorve o ar com toda a força de seus pulmões. Então, pensemos no processo inverso. Chegar ao topo depois da caminhada e ao invés de inspirar o ar puro, emanar amor puro, deixar fluir de você para toda a natureza, tudo enfim, essa energia pulsante que não se vê, mas, se sente, como o ar que está ali, eu sei e isso é o que importa.

Eu sei que tenho amor e levo comigo aonde eu vou, mas, só recebe quem está aberto e receptivo, na verdade quem quer. Não importa se o outro não vê e não sente, basta que eu saiba e que me permita sentir, alimentar o sentimento, cultivando-o junto a outros sentimentos generosos que o acompanham e o fazem frutificar, sem esquecer de cuidaá-los para não fenecerem, não murcharem como planta sem água e ar, esse sentimento que comove e encanta, mas que muitos pensam conhecer e nem mesmo reconhecem quando veem.

É bom ver o amor nas amizades, nas relações de família, nas relações humanas em geral. Aquele sentimento sincero e desprendido, sem nenhum interesse e de difícil detecção. Pois é muito comum ver pessoas se apropriarem dessa palavra, desse sentimento para fazerem coisas irreconhecíveis, impossíveis de serem feitas por amor.

Amar para mim é assim, simples e natural. É ser educada, generosa e amável com quem se convive, tratar a todos com respeito, mesmo em situações difíceis onde seja preciso se impor. Amar é ensinar a amar, ver todos ao seu redor cultivando esse sentimento, sem pressa, sem cobrança, sem distinções, pois não cabem, não conjugam, só desunem. Certos sentimentos nunca deveriam ser denominados amor, pois o desfiguram. E o que importa é o amor, puro e simples.

Eu amo a vida, as pessoas com quem convivo e até as que não me têm em conta. Amo viver essa viagem na qual me encontro, relembrar os caminhos que já percorri nessa jornada. Amo tudo o que faço e o que sou, simples e natural. Amo ser mãe, esposa e mulher. Amo deixar o exemplo de dedicação à família, do valor do trabalho, da importância de ser mulher. Viver é amar, deixar sua marca em tudo que se faz, aquele seu toque especial que pode ser apenas o amor por fazer bem feito tudo que se faz.

O amor é um sentimento puro, bom e feliz, pois faz com que sintamos uma paz, uma doçura que só quem prova sabe. Nossa alma se harmoniza, todo o Universo parece estar irmanado a nós e está mesmo. Quando o verdadeiro amor nos invade a alma é assim que nos sentimos, irmanados com o Universo, fazendo parte dele e sentindo-o parte de nós.

O amor não é preconceituoso, está em todas as raças e credos, está sempre onde se encontra a tolerância e a bondade extrema, não convive bem com o egoísmo, o ciúme e os sentimentos mesquinhos. Circula entre as crianças alegres no parque, os enfermos em dia de visita aos hospitais, os artistas na apresentação de suas obras, as famílias em confraternização à mesa de refeições e em todos os lugares que houver pessoas de bons sentimentos e que estejam abertas para sentirem essa energia universal.

É engano acharem as pessoas que o amor não existe, é ficção, ilusão ou tolice. Se pensarem assim é porque não se deram a chance de observar como funciona o Universo. Tudo no Universo funciona harmoniosamente, tudo se encaixa e se olharmos bem veremos que é preciso muito amor. Muito amor para a flor desabrochar cedinho, regada pelo orvalho da noite a fim de oferecer aos insetos suas pétalas sedosas e seu rico pólen. Muito amor para o fruto amadurecer, tenro e fresco para ser colhido pelo ser humano. Somente com muito amor, bondade, altruísmo e tolerância é que o Universo inteiro trabalha e nos oferece o ar que respiramos, a terra em que pisamos e tudo que nos envolve. Um Universo inteiro ao nosso dispor utilizando todas as ferramentas da natureza para nos nutrir, cuidar e proteger por toda nossa jornada.

O amor é um sentimento universal, pois sem ele e sem toda essa energia única, nada aconteceria e tudo seria apenas pó, de onde nada germinaria. Mas, com doação, dedicação, trabalho, tolerância e todos esses sentimentos elevados reunidos é que vemos o amor, onde tudo se dá, tudo ocorre e a vida prossegue sempre numa continuidade sem fim.

É o amor a mola propulsora a ordenar a vida, o amor universal, único e puro. Aquele que se sente quando se olha nos olhos do filho que acaba de nascer. Aquele que se sente quando se recebe um abraço afetuoso ou um carinho das pequenas mãos de uma criança. Aquele que se vê nos olhos de quem se ama e aquele que se sabe e se sente mesmo sem se ver, só por intuição. Está presente quando respiramos e abrimos nossos olhos para o mundo, quando nascemos e até na hora da partida, pois, deixamos nossas marcas neste mundo onde plantamos com amor os frutos e as lições que nossos entes queridos poderão colher.

O amor não cessa, não acaba, é eterno e sempre frutifica e se assim não for é sinal que não é amor, deveria ter outro nome e não o do sentimento mais puro, verdadeiro e universal que existe, pois, esse sim, se conhece como amor.

Rio das Ostras, novembro 2011.

 

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