gazeta2.jpg (8041 bytes)

Receita para nunca envelhecer

Aquiles Moisés dos Santos

Eu gosto de ver mentalmente o Mundo Terra como uma imensa escola sem bancos, com alunos e professores os mais variados possíveis. Alunos trabalhando, alunos recreando, professores em ação e professores em passeio, mas todos dentro desta imensa escola sem bancos.

Quem já entende alguma coisa da Vida fora da matéria sabe que os alunos e os professores dessa escola em que estamos vieram de 17 classes espirituais diferentes, que existem fora da atmosfera da Terra, bem no Plano Astral, e os seres espirituais ali estão separados por classes, ascendentemente, de acordo com a evolução de cada um.

Quando vêm para o Planeta Terra, em obediência às Leis da Reencarnação e da Evolução, aqui se misturam, formando um todo heterogêneo, onde quem sabe mais vai passando para quem sabe menos o seu conhecimento e isso é muito enriquecedor.

Mesmo dentro de uma família, há filho professor e pai aluno, porque um deve aprender com o outro aquilo que ainda não sabe. É uma sabedoria superior que impera Universo comandando todo esse desenrolar da vida na Terra e no próprio Universo.

Em um simples caminhar dentro dessa escola sem bancos, o bom observador aprende muito. Se vê um indivíduo caído pela rua, bêbado, sujo, aprende com ele que isso é feio, desmoraliza o viver humano, mas, se vê uma pessoa limpa, risonha, estendendo a mão para outra que precisa, aprende como é bom ajudar e como é gratificante ser ajudado. E as aulas continuam, enquanto continuar a vida aqui na Terra.

Na terça-feira de 7 de novembro de 2006, na parte da manhã, eu estava dentro do ônibus Sagrada Família, número 9410, no sentido Centro-Sagrada Família, quando entrou uma senhora pequenina, de 89 anos, risonha e com duas sacolas pesadas nas mãos. Seu acesso ao ônibus foi demorado e alguém a ajudou a entrar. Como era velha conhecida do motorista, ele foi logo brincando com ela:

– Onde vai ser a festa, vó? E ela toda feliz, risonha, disse que, quando nova, dançar era seu esporte predileto. Nunca passou por momentos de tristeza e soube aproveitar a vida até este momento. Na conversa, ela contou que o motorista do ônibus anterior quis maltratá-la verbalmente, vendo sua dificuldade para subir no ônibus, dizendo:

– Vai ser preciso agora arranjar pequenos elevadores para esses velhos não ficarem atrasando o embarque de passageiros.

Ela disse que, depois de sentar-se, de arrumar suas sacolas, ficou rindo, rindo por dentro e por fora e que o motorista estranhou sua atitude e perguntou-lhe:

– Você fica rindo, depois de eu lhe chamar de velha? E ela disse que lhe respondeu assim:

– Meu amigo, porque eu vou ficar com raiva? Sou velha mesmo. Sei que dou um pouco de trabalho, mas não fico triste não, porque fui sempre feliz por estar vivendo. Agora, com meus 89 anos, eu posso dar a você uma receita para não envelhecer tanto quanto eu. O o motorista ficou atento e pediu a sua receita, e ela receitou:

– Meu amigo, é muito fácil não ficar velha como eu. Procure morrer bem novo ainda.

Segundo ela, os passageiros que estavam por perto ficaram olhando para o motorista, que ficou assustado com a resposta lógica da mulher e fez todo o trajeto sem dar nem mais uma palavra com ninguém.

Esse motorista, como é também um aluno desta imensa escola sem bancos, na certa vai ser bem mais cuidadoso doravante ao falar com as pessoas necessitadas de ajuda e carinho.

Belo Horizonte, novembro de 2006

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo