Não substimemos os chamados 'deficientes'

Eliane Ramos e Aida Luz

Se não puder alterar os fatos, diante de doença grave e incurável ou quando portador de defeito físico, esforçar-me-ei o mais possível para suportar os males e tirar da situação o melhor proveito, não me deixando alquebrar nem permanecer de mau humor. JAMAIS desempenharei o papel de "coitadinho" ou de mártir face às doenças e ao sofrimento, pois sei que tudo é transitório; procurarei suportar as situações dolorosas e penosas, lutando com determinação para suplantá-las. (Pensamentos para bem viver, Caruso Samel, p. 43. Na versão Internet estes pensamentos estão na página 14.)

Gestação

No silêncio e no calor do ventre materno, encontra o feto condições que lhe permitirão desenvolver, gradualmente, seu pequenino corpo, que será acompanhado pelo espírito que se ligará, através de cordões fluídicos, órgão por órgão, dando-lhe toda a assistência durante a gestação, até completar a sua evolução, altura em que estará pronto a vir ao mundo. Daí, deve a grávida ter o cuidado de permanecer, o menor tempo possível, em locais barulhentos que, sabemos hoje, causam mal estar ao feto em desenvolvimento.

E, assim, o pequenino corpo cresce, ganha forma, desenvolve seus membros de acordo com suas necessidades vitais. Fora, lado a lado do corpo da mãe, ali está o espírito daquele corpinho, irradiando-o, cuidando detalhadamente da sua formação de acordo com a sua opção espiritual.

Quando ainda em seu mundo de estágio, diante do quadro fluídico de suas ações referentes a encarnações anteriores, este espírito fez cuidadosamente suas escolhas, determinando as necessidades para uma nova encarnação.

Desta forma, o espírito reveste-se de coragem e com sua opção feita, está pronto a vir continuar sua evolução, o que efetivamente acontece, a partir do exato momento em que a criança chora pela primeira vez, demonstrando estar encarnada.

Família

Todo pai, toda mãe, querem o melhor para seus filhos! Porém, quando um filho se desenvolve mais lentamente que os outros, demonstrando ter alguma limitação ou apresentando alguma anormalidade chamada por muitos de "deficiência", é natural que, à primeira vista, os pais se recusem a aceitar tal situação. Muitos até negam, outros ignoram tais dificuldades, tentando fazer vista grossa ao problema em questão.

Ignorando completamente que esta dificuldade vem da escolha do próprio espírito, antes mesmo da construção de seu corpo físico que nada mais é que o seu próprio invólucro, durante a passagem por este mundo a fim de evoluir espiritualmente, resgatando débitos de encarnações anteriores.

É natural ouvir de pais e familiares de portadores de limitações, diante da falta de conhecimento espiritual, que Deus os escolheu para terem tais filhos, mas a pura verdade é que foram os próprios filhos que os escolheram como seus pais.

Todos os pais sempre desejam seus filhos perfeitos, saudáveis, fortes, robustos.

É muito natural que os pais se sirvam dos filhos para tentarem provar sua integridade e potência e quando acontece o contrário sentem-se frustrados e abalados.

Quando a aurora desta vida se ilumina com um nascimento, milhares são as bocas que proferem as mesmas perguntas:

- É perfeito?
- É normal?
- Então, isso é que importa.

Na realidade não! Não é isso que importa, em absoluto!

E o Racionalismo Cristão aí está para nos ensinar e nos esclarecer que realmente o que importa é o espírito que está encarnado, naquele corpo físico, fazendo sua evolução!

Esclarecendo-se espiritualmente

Eis porque se torna imperiosa a necessidade dos pais serem conhecedores de sua composição astral e física. Terem consciência de que o corpo humano é constituído por Força e Matéria, assim como todo o Universo.

Se até agora tem havido uma falta de esclarecimento quase total, chegou a hora de deixarem o desconhecimento espiritual para trás, achando que o estudo é bom para os outros, por vezes até com a consciência de que deveriam saber mais, mas deixando-se andar à deriva, para desfrutarem, enquanto jovens, dos prazeres da vida.

Não há nada mais triste do que os chamados cegos propositais. Quantas vezes, ainda antes de constituir família, o par apaixonado fica esperando um filho, sem ter construído os alicerces necessários à sua própria união quanto mais ao nascimento de uma criança, que ocorre duma forma quase inconsciente.

Se o novo ser trouxer uma má formação, não sabem enfrentar a realidade e, na maioria dos casos, a gestante ainda se agarra à esperança de conseguir encontrar uma solução para a cura do fruto de seu ventre, mas o homem, sem conhecimento espiritual, afasta-se um pouco, quando não definitivamente, daquela que serviu de mãe para seu filho, mas, face à realidade evidente, foge à sua responsabilidade, quando deveria partilhar com sua companheira a alegria pelo nascimento, considerando que o fato de ter um defeito físico não é razão para o bebê ser menos amado. Pelo contrário, essa criança tem mais necessidade de amor para conseguir vencer seu receio, para se sentir com os mesmos direitos de outra criança.

Como seria diferente se os pais fossem esclarecidos espiritualmente. O núcleo familiar de base precisa ser um suporte forte, com ideias realistas, sempre voltadas ao bem estar familiar e não pode haver uma família bem constituída capaz de ultrapassar todas as intempéries, que sempre aparecem, se não encararem com verdade suas necessidades e conhecerem suas possibilidades e suas limitações.

A doutrina racionalista cristã, através de seus princípios, está ao alcance de qualquer pessoa, para lhe ensinar como viver e conviver com todos esses problemas, e, aqueles que a seguem, estão aptos a seguir em frente e, pouco a pouco, corrigirem erros, fazendo face a esses sofrimentos, minimizando-os e acreditando que vivendo uma vida digna, com trabalho e sempre com o pensamento positivo, procurando crescer sempre, embora devagarinho, mas com segurança, estarão prontos a ultrapassar essas situações.

Aconselhamos a esses pais que façam seu exame de consciência. Que ao encararem seus filhos que nasceram diminuídos, não lhes mostrem tristeza, não deixem passar insegurança, vergonha, revolta. Eles necessitam da compreensão do vosso olhar, que através dele consigam ter esperança para vencer seus defeitos, se possível, através da medicina, que hoje já não se equipara à de outrora. Porém, se os recursos da medicina não forem suficientes, que lhes dêem cobertura para se tornarem independentes pelas suas próprias qualidades.

Se adquirirdes os conhecimentos que vos são prodigalizados pelo Racionalismo Cristão, chegareis à conclusão que vossos filhos vos escolheram em função do amor. E, no silêncio expressivo e cercado de olhares críticos e penalizantes, a criança cresce como que implorando:

– Olhem para mim, me aceitem como eu sou! Compreendam que sou um espírito em evolução como vocês!

Nenhum ser humano gosta de ser tratado com indiferença, por ser diferente dos demais. Afinal todos somos iguais, somos partículas do TODO, estamos aqui para evoluir, todos somos irmãos em essência.

No dia em que a humanidade for esclarecida pelos ensinamentos racionalistas cristãos, a palavra DEFICIENTES deixará de ter força.

O fim do preconceito

Por conta do preconceito que em vez de desaparecer tende a crescer cada vez mais, neste mundo Terra, por pura falta de esclarecimento espiritual, são muitas as pessoas que escondem seus próprios filhos ou entes queridos, portadores de limitações físicas e/ou mentais, para poupar da dor e do sofrimento, tanto o portador como, muitas vezes, a si próprio.

A palavra deficiente parece que foi a eleita, pela maioria dos seres humanos, como a mais correta, para identificar todos que nascem ou adquirem, após o nascimento, qualquer dificuldade, qualquer insuficiência.

Porém, aqueles que lidam diretamente com essas partículas encarnadas, nossos irmãos em essência e o fazem, responsavelmente, e com amor à profissão, como professores, médicos, terapeutas e outros profissionais, os definem como "especiais" ou "diferentes".

O famoso "coitadinho" não existe no vocabulário da criatura esclarecida espiritualmente.

Essas palavras não foram criadas para denominar pessoas com limitações, pois todo o portador de limitações tem sua eficiência, tem sua capacidade aflorada, para algo que só precisa ser descoberto e explorado. Todos somos, apenas, espíritos que encarnam neste mundo-escola para cumprirem sua etapa evolutiva, independentemente da limitação e da capacidade física de cada um.

Se todos tivessem reais conhecimentos sobre os dois constituintes "Força e Matéria" e estudassem as verdades explanadas dentro de uma casa racionalista cristã, tornar-se-ía mais fácil abolir, de vez, a palavra DEFICIENTE e a força que ela tem para enfraquecer, ainda mais, as pessoas que convivem com tais situações.

É preciso mostrar e provar a toda a sociedade que a maioria dos portadores de algum tipo de limitação não são incapazes de fazer coisas que outras pessoas podem fazer. Tais criaturas jamais devem ser consideradas deficientes, na verdadeira acessão da palavra, pois, na realidade, não são incapazes! Por vezes, acontece que, para efetuar um trabalho, levam mais tempo do que levaria sendo feito por uma pessoa que não tivesse limitações. Por outro lado, não é raro encontrar trabalhos mais perfeitos quando executados por pessoas com limitações, dado que, vivendo "num mundo aparte", se dedicam, por inteiro, a fazer seu trabalho e com o carinho que nele põem a perfeição é mais vincada.

Não podemos deixar de nos referir aos portadores de síndroma de Down. Essas criaturinhas maravilhosas que nos olham com imenso carinho, que não vêem maldade em nada e se entregam com boa vontade e interesse a tudo o que fazem. Claro que há exceções, mas isso não é regra geral e muitas vezes isso acontece por não terem tido quem as ajudasse a se situar e se inserir na sociedade.

Também queremos chamar a vossa atenção para aqueles artistas que, não tendo mãos, às vezes nem braços nem mãos, fazem diversos trabalhos de arte, como por exemplo, desenho e pintura.

Quanto nos emocionamos ao ver esses artistas segurando o pincel ou o lápis com a boca ou os pés, traçando e pintando desenhos magníficos. Quanta sensibilidade e destreza!!!

Deficiente, pois, para nós, é aquele que não consegue modificar sua própria vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive. É todo aquele que vê na criatura limitada, fisicamente, um ser que está aí só para aumentar a população, sem direito a usufruir dos mesmos benefícios daquele que é considerado "normal".

Portanto, toda e qualquer criatura tem seu poder de atuação e pode e deve contribuir com a sociedade, mostrando o que ela é capaz de fazer, pois, com certeza, deixará exemplos a serem seguidos por muitas gerações.

Deficientes não existem, o que existe é a falta de esclarecimento espiritual para compreender a vida na sua expressão maior, para poder entender as leis espirituais.

Julho 2009

 

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