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Não ao fracasso

Aida Almeida Lopes da Luz

É errado pensar que nem todos têm oportunidade de vencer na vida. Todos têm, sim, essa oportunidade, é só procurá-la até encontrá-la. Luiz de Mattos

Haverá, hoje em dia, quem procure no mais recôndito do seu ser as causas atuais, ou mesmo remotas, do seu próprio fracasso?

Na realidade é tão triste reconhecê-lo, como ter a hombridade de o confessar. É bom reconhecermos que talvez nenhum de nós consiga desembrenhar-se dessa escuridão imensa do receio que dói, da amargura que entristece, da vergonha que acovarda, da ilusão de falsas esperanças de que o fracasso não venha à luz e, enfim, da revolta criminosa ao ter a plena consciência de ruptura da teia que envolvia a verdade, que muitas vezes fere, no momento em que é conhecida.

Para que negar que a ela se foge para nos embevecermos, muitas vezes, com as luzes ilusórias da falsidade anelante, – falsidade que nos ri, nos enternece e faz esquecer quem somos e o que somos? Não é mais fácil e cômodo esquecer?

O reconhecimento do erro e a tentativa de emendá-lo, que bom e útil seria a todo cidadão que se preza e deseja colocar um marco de felicidade na longa estrada da sua vida, dessa vida que não fenece, desse pulsar contínuo duma existência em que a morte não conta, por ser ela apenas um estado mórbido do veículo que locomove o espírito, este que cintila, além-túmulo, como luz trepidante a que a corrente jamais falta!

Voa, leitor, um pouco alto, e retrata o meu pensamento como de alguém que face à relva verdejante e à água corrente de um regato sibilante, teme que algo aconteça, e aconselha:

Oh pastor que apascentas o teu rebanho, dá-lhe de beber, mas tem cuidado, não vás sujar as águas do regato onde ele tem que ir beber. Repara como é límpido e cristalino! Deixa que a sua água refresque as gargantas dos sequiosos animais e lhes dê o frescor e a vida de que precisam. A caminhada é longa e cheia de espinhos e há que se prepararem para a jornada.

Sim, leitor, se refletires talvez me dês razão. Muitas vezes, como os animais irracionais, também nós precisamos de um conselho amigo. E por que não dizer que a nossa necessidade é maior, ainda, pois a responsabilidade tanto nos pesa? Para nós e principalmente para os mais esclarecidos, não há desculpas. Temos a obrigação de ver à nossa frente, com nitidez, o reflexo da nossa própria vida, dos nossos erros, das nossas faltas e das nossas virtudes.

Não vos deixeis soçobrar, pois é preciso levantar-vos da queda e, se for vertiginosa, erguei-vos com maior ânimo ainda, pois o tempo urge e é necessário não o perder.

O presente não mata o passado mas pode iluminar o futuro, aplainando os ásperos caminhos das vicissitudes da vida.

Que bom seria que em ti sentisses a revolta do erro e a satisfação da rebeldia ao fracasso!

A vitória seria certa e a felicidade te envolveria!

Abril de 2007

 

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