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Momentos que nos transportam em viagens,
curtas ou longas, mas sempre diferentes

Aida Almeida Lopes da Luz

O amanhecer nem sempre é da mesma forma.

O entardecer nem sempre nos chega da mesma maneira.

Porém, o dia vai passando, ora mais rápido, ora mais vagaroso, ora traduzindo vivacidade e alegria, ora apenas uma melancolia que, sem ser de tristeza, parece pôr-nos em frente a um quadro isento de colorido, de expressão.

É assim que em certos momentos sentimos uma alegria contagiante, noutros sentimos uma nostalgia que nos invade, por vezes até parecendo que a chama que nos impulsiona, se torna mais fraca, tornando-nos mais carentes, com falta de algo que não sabemos definir mas nos torna vulneráveis ao cansaço, à dor, à tristeza, à solidão.

Se entretanto pensarmos bem, a solidão não é real, já que nunca estamos sós. Através de nossos pensamentos temos sempre constante companhia, que poderá ser de óptima qualidade se eles forem de valor e elevados.

Num determinado dia, tudo foi decorrendo na normalidade. Amanheceu suavemente, o dia foi passando sem pressas, digamos até que, demasiadamente devagar para o habitual.

Chegaram as 19:30 horas. Como de costume fui-me abstraindo do que se passava à minha volta.

Estava em casa, "sozinha", mas com a companhia constante do Astral Superior.

Dão as vinte horas, o ambiente está sereno, sinto as vibrações que cortam o espaço e em sintonia com elas irradio, recolhida em meu escritório, já que a saúde não me permite deslocar à Casa Racionalista Cristã da qual faço parte.

Algo, porém, se passa que não sei definir. Ao irradiar, uma enorme vontade de chorar a plenos pulmões! Contenho-me! Não podemos perder o auto controle!

Lágrimas, porém, caem rosto abaixo. Sabendo claramente não se tratar de ninguém que se encontre desencarnando, tenho a certeza absoluta de que algo de grave se está passando no seio de uma Casa Racionalista Cristã.

A melancolia, a tristeza, se abate sobre mim e tenho que ser forte para resistir. Porém, a sensação persiste por muito tempo ainda e meu estado nostálgico, de perda sentida de trabalho irrealizado, talvez até começado mas inacabado, é constante.

Pergunto-me: Que terá acontecido, que nada posso fazer para remediar?

A sensação do querer e não poder! A impotência perante a incapacidade de resolução que não podemos efectivar, já que a falha não foi por nós cometida, ou mesmo face à impossibilidade de compartilhar com outros a solução adequada.

Violação de uma lei? Descaso no sentimento do dever a cumprir?

Insatisfação, incerteza, tristeza, impotência, sentimentos que se atropelam e me deixam como que fraca, sem saber por que.

Um dia, um exemplo, não para esquecer, mas sim para relembrar, em muitos momentos de reflexão, quando buscamos o entendimento do porquê de um tal acontecimento.

Desse relembrar, desse analisar constante, sai como que uma lição!

A certeza de que não somos sozinhos, fazemos parte de um Todo, e, como tal, temos a responsabilidade de não sermos alheios ao que acontece, cabendo-nos o dever de, tanto quanto possível, procurarmos ser disciplinados o bastante para cumprir com nossas obrigações, podendo evitar situações análogas e tornar mais frutífero um trabalho que não deve ser considerado pertença de cada um de nós, mas sim de todo um núcleo – "A FAMÍLIA RACIONALISTA CRISTÃ".

(Em 1 de abril de 2006
A autora é Militante na Filial Seixal, Portugal)

 

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