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Mecânica do desenvolvimento

Carlos Alberto Aires Yates

Segundo a obra básica, Racionalismo Cristão, capítulo V ("O Espírito") temos: "São os movimentos irradiados de um núcleo de força, que é o espírito (partícula), no oceano de uma essência idêntica, que é o Todo, assinalando o poder atrativo que faz com que atributos deste Todo convirjam para o núcleo, desenvolvendo-o e dando-lhe maior potencialidade".

Para desenvolver estes atributos, que são aperfeiçoamentos (ou como diria Antônio Pinheiro Guedes, transmutabilidades) das incipientes propriedades que trouxe desde o "nascer", a partícula exerce as diversas funções no engendramento e funcionamento dos vários corpos que a inteligência universal projetou e disponibiliza na forma de programação astral, sendo naturalmente cada modelo adequadamente destinado à ação de uma força mais ou menos evoluída, conforme a capacidade de gerenciamento desta, de uma maior ou menor complexidade de funcionamento e de compleição física destinada àquele corpo material delineado na matriz (que acredito ser matemática) do corpo astral.

E se não fosse a capacidade de percepção do meio, composto de fenômenos totalmente protagonizados por outras forças, impossibilitada estaria a interatividade, base da troca, condição fundamental para o aprendizado, sustentador da função evolutiva. Como a partícula trabalhará sempre em conjunto, desde seu aparecimento ao ser usada para estruturar o universo material, será a comunicação entre elas algo de primordial necessidade, desde então até a eternidade. Passando esta propriedade, conforme colocado acima, pelos inevitáveis progressos. Indico aqui a leitura do artigo de autoria de Valdir Aguilera denominado "As vibrações da força", à disposição na Gazeta do Racionalismo Cristão, que irá facilitar o que neste texto pretendo colocar.

Inferimos daí que desde a sua aparição no átomo a partícula vem usando este processo para evoluir e o Todo usando este processo para torná-la útil. Como? Exatamente valendo-se da possibilidade de comunicação entre forças, inclusive naturalmente da inteligência Universal para com suas partículas, vindo esta aparelhada estruturalmente com as funções básicas que mais tarde irão se desdobrar, apenas desenvolvendo-as e revelando quando pela vivência nos diversos aspectos de diferentes corpos que animará (vide livro Ciência espírita), desenvolvendo paulatinamente, aí sim, seus atributos através do aperfeiçoamento das suas embrionárias funções de comunicação, inclusive que culminarão bem mais tarde, com a sua ascenção ao status de espírito, isto devido ao fato de que, conforme sua relação com o meio ambiente, de maior ou menor grau de liberdade, vai a partícula encontrando necessidade de desenvolvimento e campo de aplicação de seus atributos (vide livro Ciência espírita).

Pois que tudo se desenvolverá a partir de atividades programadas e iniciadas sua execução por hierarquias superiores, cuja ordem de trabalho atinge, obviamente, até a última partícula presente no último escalão, necessário a consecução da atividade. Um átomo estará invariavelmente atido à ordem maior que regerá a molécula (que obviamente estará atida a outra ordem... e assim sucessivamente). Desta ordem (hierarquicamente superior à ele) vêm vibrações que o coordenam (no processo aglutinador/desaglutinador), e quando à elas se submete, isto só é possível pelas ondas de informação, que perfazem o meio em que se insere(m) a(s) partícula(s) que obedece. Pode-se falar, então, que atributos desenvolvidos, que são as informações (ordens) mais inteligentes, pois de hierarquia superior, ao convergirem para um núcleo de força (partícula), agregam à este conhecimentos que enriquecem a sua capacidade, tornando-o apto às novas atividades. Neste exemplo podemos dizer que o Todo, que estava presente para a partícula comandada (A), é a ordem vibrátil vinda da partícula que comanda (B), no momento, sendo que sua vibração predomina no universo das suas comandadas. Seguindo nesta linha de encadeamento de ações para determinado fim (sinergia) podemos dizer que a partícula que comanda (B) está imersa em outro universo, mais complexo e amplo, que ordena, talvez, várias delas também e que tem supremacia evolutiva e portanto coordenativa por mais conhecimento lógico adquirido. Este então é o Todo onde se insere(m) a(s) partícula(s) (B) que coordena(m) aquela primeira (A). Podemos ir daqui ao infinito, e será sempre assim, ou seja um universo mais acanhado englobado por outro mais amplo dentro de outro, repetindo-se esta hierarquização infinitamente.

E os atributos acorrem à partícula vindo de sua hierarquia coordenativa mais próxima, pois que é a que consegue interagir consigo devido à pequena diferença existente entre os conhecimentos (experiências), pois que a natureza não dá saltos e o aprendizado é lento. Só lembrando aqui Pinheiro Guedes ao falar nas oficinas do Universo onde diz que a mais ínfima é a que tem uma especialidade e mais evoluída encerra todas as especialidades. Esta última é o Todo e dele vêm, através das hierarquias até o primeiro nível, conhecimentos (atributos) infimamente utilizados ali nesta e que serão tão desenvolvidos quanto mais próximo do Todo estiver a capacidade da partícula.

É claro que podemos colocar como correto que toda esta manifestação de vida, trabalho, e aprendizagem, só é possível pela comunicação entre partículas de iguais/diferentes níveis evolutivos, que absorvem os conhecimentos que a elas chegam, em forma de ondas ordenativas, às quais se sujeitam, por entendê-las e serem hierarquicamente inferiores, dando vazão ao predomínio lógico à que fazem jus as mais evoluídas. Portanto todo o conhecimento está disposto no Universo em sucessivas camadas, e a captação deste é feita quando se entra em contato com o mesmo, através da necessidade da prestação de uma atividade, cuja utilização da técnica para o mais perfeitamente realizá-la envolve logicamente a necessidade do seu aprendizado para correta aplicação. E este conhecimento nos é passado exatamente por quem tem, dele, conhecimento, ou seja, alguém (partícula) possuidor de um grau evolutivo um pouco acima do nosso. Esta é a maneira única de se fazer progresso, ou seja, o conhecimento vem de cima para baixo e o aprendizado de baixo para cima, quer sejamos um átomo ou um espírito Superior, e que o Todo também (necessariamente, já se vê) se apresentará fragmentado (hierarquizado), parcelado.

Este nos passará então os conhecimentos conforme a nossa capacidade de desenvoltura nas atividades do nível inferior imediato, facultando-nos então, através da inata capacidade de comunicação a utilização de uma outra, ou seja, da capacidade de absorção de conhecimentos e posterior desenvolvimento (via processamento lógico) de condições necessárias para paulatinamente abranger a Capacidade Total.

Como dito, todo este processo se utiliza da comunicação entre partículas, ou seja sua capacidade de receber/enviar ondas. Vemos portanto que a capacidade de comunicação entre forças de iguais/diferentes categorias precede, acompanha e transpõe a condição de espírito encarnado. Transforma-se esta condição, no espírito encarnado, nos vários sentidos e mediunidades, separando-se assim a vida de relação material da vida de relação espiritual ficando o encarnado com sua atenção necessariamente voltada para ao plano material, mas sem nenhuma possibilidade de extinguir a sua capacidade, mais ou menos aflorada (e inata enquanto partícula), de comunicação com o plano espiritual seja inferior ou Superior.

É este método de interatividade entre forças que, na condição de espírito encarnado, mostra-se subdividido em sua atuação, pois toda e qualquer atividade externa ao espírito é pertencente à sua vida de relação. Uma parte coordena a vida vegetativa ao comandar as células etc., outra parte a vida de relação, como é conhecida, ao colher impressões dos sentidos, outra parte por assim dizer é voltada as "mediunidades" tal como as conhecemos: a intuitiva, a de incorporação etc. Então estas mediunidades são na verdade a capacidade da partícula de expressar-se e receber impressões de outras, que ao longo dos tempos se aperfeiçoou nos diversos corpos que incitou. Vemos que a capacidade de receber e enviar ondas aprimorou-se até o ponto da emissão da vibração racional (pensamento), sendo algo que lhe serviu (e ao todo também, obviamente) desde a sua incursão no átomo quando esta mesma capacidade era uma incipiente receptora/emissora, interagindo com ondas mais simples coordenativas de uma molécula.

Quando atinge a condição de espírito este já entra em contato com um novo universo muito mais amplo, composto, além daquilo que já aprendeu, de moral e intelectualidade, e então novos desafios o farão utilizar-se, do que até aqui aprendeu, com novo significado, ou seja vibrando seu espírito no sentido de alcançar cada vez mais o aperfeiçoamento moral/intelectual, novamente atraindo, agora com sua vontade e raciocínio, os atributos presentes no Universo, latentes e incompletos em si espírito, e fortes e completos no Todo, agora de cabal necessidade ao seu progresso neste novo universo composto de diretrizes espirituais. E estes atributos são todos concernentes à um bom desempenho da sua vida de relação, nova ordem de fenômenos no qual se embrenhará para se tornar capaz de, ao se relacionar, desenvolver um alto grau de consciência individual, necessária para um cada vez maior avanço no captar e desenvolver outros tantos atributos à sua disposição no interminável jornardear evolutivo, que sempre irá obedecer a mesma mecânica de necessidade de conhecimento, aprendizado, e ação dentro dele, para integrá-lo à si, dando vazão ao mesmo processo utilizado lá atrás, só que com elementos mais simples, desde quando recém desprendido da força mater. E se naqueles longínquos tempos a ascensão de categoria era feita por um processo mais mecânico, de aproveitamento aleatório, já nesta nova condição este depende unicamente do esforço envidado na direção do objetivo correto, não sendo pois este progresso, linear, pois é dependente agora de livre-arbítrio, que lhe dá total liberdade, conferida para exatamente o ser escolher, a bel prazer, ligar-se ou não à vibrações de progresso, atraí-las e evoluir.

E esta condição inata de relacionar-se com o todo, é exercida, entendendo-se aqui que a comunicação coordenativa ocorre na direção sempre de uma partícula mais evoluída para uma menos evoluída, também, para que a ação seja sempre desenvolvida sob a coordenação de um conjunto de idéias que perfaçam em suma um objetivo, obedecendo à leis e dando à construção/desconstrução uma finalidade racional, com o qual muitas vezes não atina a partícula menos evoluída ao desconhecer sua necessária validade.

Esta condição apresenta-se desde o átomo, que aloca sua capacidade à ação coordenativa expressa na onda de comunicação vinda daquela força que gerencia, por exemplo, a molécula. Não existe escravização, uma vez que a força menos evoluída está prestando serviço à outra que, via interação das magnetizações da vibração das capacidades das forças envolvidas está repassando conhecimentos à sua(s) inferior(es) hierárquica(s). Vale dizer que as partículas coordenadas não se anulam e sim exercem plenamente, sempre, seus atributos até então adquiridos, apenas recebendo da hierarquia imediatamente superior uma ordem que ao ser absorvida, pois é superior e dirigida à si, se impõe pela lógica e conseqüente poder que esta lhe confere, tendo o justo dever de fazer com que o poder menor da comandada aja agora em novo e determinado sentido. Ou seja esta relação dá ao ser de menor evolução, sentido, utilidade, função elevada ao colocá-lo como partícipe nas atividades de maior ou menor elevação que perfazem as inumeráveis manifestações de vida, quer no vasto mas limitado âmbito material ou na incomensurável amplitude do Universo espiritual.

Portando a partícula ao longo de sua vida primeiramente atua numa faixa evolutiva onde a recepção/emissão de "ordens" não requer intelecção, sendo vibrações mais simples e de rápida absorção por aquelas que sustentam a vida em seus primeiros patamares de manifestação na matéria, conformando-a a partir da relação de níveis atômicos/moleculares. Já muito mais adiante no patamar de espírito estas condições, como vimos anteriormente, mudam, e para aceitar uma ordem como algo possível/necessário de ser feito por si, deverão os objetivos/condições da ação proposta sofrerem o crivo do seu conjunto de conhecimentos. Sempre nesta relação de cumprimento de deveres que passa de partícula para partícula, há no acoplamento de atributos, uma introjeção daqueles de maior complexidade da primeira na comandada, cuja capacidade é menor, mas desta necessita a mais evoluída utilizar-se naquela atividade em determinado espaço de tempo. Necessária é esta interação para dar vazão à obediência à uma intenção que se insere nas leis que regem o Universo, e que utiliza este sinergismo de ações, através do qual quem comanda consegue a consecução de tarefas em um nível mais inferior onde já, por merecimento de situar-se em maior status evolutivo, não atua mais. Esta relação entre partículas de diferentes graus de evolução confere como visto, uma extensão de poder às duas. A menos evoluída ganha um reordenamento de suas capacidades para executar funções até então desconhecidas, ou seja evolui com estas atividades. A mais evoluída obtém através deste compartilhamento a capacidade de minuciar a ação tendo alguém que, induzido, leve a ordem a realizar-se no seu nível mais ínfimo ou cada vez mais perto dele. Poderíamos dizer que a grande vantagem é da força de menor evolução pois ganha a impregnação de um conhecimento, necessidade de óbvia satisfação para evoluir. Para encerrar vamos colocar aqui que uma das funções do reino vegetal é treinar elementos vindos inclusive do reino mineral, de presença predominante na constituição de qualquer corpo biológico, e que o reino animal que o sucede é também usado para treinar, através de um diferenciado processo metabólico, elementos que, vindos de atuação em uma ordem evolutiva inferior (no caso vegetais) estão já em condições de incursionarem constitutivamente numa ordem de maior evolução, obedecendo ao influxos coordenativos moleculares da célula animal, mais evoluída, portanto mais complexa que a célula vegetal.

O que quis colocar aqui é a idéia de que a partícula evolui sempre trabalhando e aprendendo. É como se fosse um aprendiz que entra em uma grande indústria e começa pela função mais simples possível, e que depois de muito tempo, desenvolvendo atividades em todos os setores desta e claro com cursos de especialização, chega ao cargo máximo daquela fábrica, ou seja ele agora tem condições de comandar pessoas na execução de tarefas nas quais desempenhou a sua válida função, e comanda-as com todo conhecimento de causa, lógico que indiretamente, pois delega funções aos seus competentes inferiores hierárquicos, que devem reportar-se à ele, pois o mesmo agora é o cabeça das ações, e todo e qualquer ato dentro do "corpo" da empresa tem sua diretriz atida à coordenação das idéias do seu comandante maior. Podemos fazer analogia com a evolução da força presente no átomo até tornar-se um espírito capaz de comandar um corpo físico, o que faz com muita propriedade, ao seguir um processo de desenvolvimento e capacitação na trilha de um caminho aqui apresentado para esta evolução.

Podemos finalizar ratificando que todas as capacidades que a partícula apresenta, em qualquer grau evolutivo, que a levem a relacionar-se com o meio, seja este material ou espiritual, são frutos das modificações da projeção da sua inata condição de comunicar-se, o que em suma sabemos que caracteriza unicamente aquilo que tem vida. E se olharmos não só para a terra, mas também para o Universo com este conceito é mais do que certo que vamos percebê-lo todo vivo. Pois pode não haver num corpo mineral, um bloco de granito por exemplo, vida para nós, mas agora sabemos que ele é composto de uma porção muito grande de partículas que ainda não têm capacidade de trocar impressões conosco, porque já estamos num patamar evolutivo muito alto, mas que ali, dentro daquele bloco de pedra, aquelas forcinhas involuidas estão numa grande convivência, ligadas umas às outras aprendendo, trocando informações através das ligações químicas, com a devida intersecção de elétrons, e trabalhando ao constituírem o aspecto material de um planeta no Universo. São de ínfima evolução, mas já servem à altos ideais, o que configura aquilo que colocamos neste texto, ou seja que é a capacidade de comunicação, devidamente fracionada, entre todos os níveis de evolução da força que torna a vida exeqüível. Sendo que naturalmente o entendimento das informações se dá em um nível (hierarquia) de atuação muito próximo, tendo que ser pois, gradativamente simplificada a introjeção em cada passo adentrado pela informação em níveis de inferior escalão evolutivo.

Abril de 2007

 

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