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Padre Landell
Pioneiro da radiodifusão

Juliana Martins

Apesar de reconhecimento inexpressivo, brasileiro inventou o telégrafo e o telefone sem fio.
"Excelência, o tal padre é positivamente maluco. Imagine que ele falou-me até em conversar com outros mundos!" Foi assim que um assistente do presidente Rodrigues Alves definiu, em 1905, um homem que se dizia capaz de estabelecer comunicação com quaisquer pontos da Terra, até comunicações interplanetárias. Era o padre Roberto Landell de Moura, um dos pioneiros da radiodifusão no mundo.
O italiano Guglielmo Marconi é geralmente considerado o pai do rádio: seu invento de 1895 transmitia e recebia sinais de telegrafia pelo código Morse. Porém, dois anos antes o padre brasileiro já fazia seus primeiros experimentos de radiofonia. Infelizmente, seu reconhecimento é inexpressivo.
Considerado o patrono dos radioamadores brasileiros, Landell, nascido em Porto Alegre a 21 de janeiro de 1861, viveu entre o sacerdócio e a ciência. Em Roma, aonde foi com o irmão Guilherme, estudou física e química e iniciou sua teoria sobre a Unidade das forças físicas e a harmonia do universo. No Colégio Pio Americano cumpriu o desejo dos pais: foi ordenado padre, em 1886.
A paixão pela física o tornou pioneiro na descoberta do telégrafo sem fio, do telefone sem fio e da radiodifusão e precursor do desenvolvimento das fibras óticas. Àquela época, já haviam sido inventados o telégrafo por fios (Samuel Morse/1837), o telefone com fio (Graham Bell/1876) e a radiotelegrafia (Marconi/1895).
A hostilidade do povo, que considerava Landell louco e espírita, não impediu que ele realizasse seus experimentos. Seu primeiro invento, que ele batizou de 'transmissor de ondas' e demonstrou publicamente em São Paulo, transmitia e recebia a voz humana sem nenhum fio. "Mesmo afastado dos centros de ciência, Landell mantinha-se informado de tudo o que acontecia no mundo científico", diz Luiz Netto, estudioso do padre e autor de um site em sua homenagem. "Conhecia tanto a obra de Maxwell e Branly, como de Hertz."
Ao desenvolver sozinho seus aparelhos, Landell foi cientista, engenheiro e técnico ao mesmo tempo. Em março de 1901, obteve a patente brasileira referente a um "aparelho destinado à transmissão fonética à distância, com ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso". Em julho, foi para os Estados Unidos, onde obteve três patentes: "transmissor de ondas" (precursor do rádio), "telefone sem fio" e "telégrafo sem fio". Landell construiu ainda outros aparelhos, entre eles um que funcionava como o atual interfone.
Para além da religião, os mistérios da alma humana -- que ele acreditava ter uma contrapartida fisiológica --, também chamaram a atenção de Landell. O padre construiu em 1916 um Laboratório Antropológico Experimental, onde empreendeu trabalhos sobre biomagnetismo e bioeletricidade. Ali, desenvolveu o conceito de perianto -- uma suposta forma de energia que circundaria o corpo dos seres vivos. Apesar de nenhum invento ter sido achado para registrar o fenômeno (apenas documentos estão disponíveis), acredita-se que ele tenha criado com esse intuito um aparelho bioeletrográfico.

Juliana Martins
Ciência Hoje on-line
outubro/2002

(Colaboração de Glaci Ribeiro da Silva. Junho de 2004.
Mais informações podem ser colhidas no endereço
http://www2.uol.com.br/cienciahoje/perfis/landell/landell1.htm)

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