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Dualidade opostas

Aida Luz, Ana Paula Viana Pinto Oliveira, Arminda Lopes,
Carlos Alberto Aires Yates, Diego Garcia Leite, e Joaquim Alves Neto

1 - Introdução

Fala-se muito em felicidade e em paz; porém, para que existam, há necessidade de as criaturas concorrerem para as mesmas. Enquanto uns são felizes e riem, outros são tristes e choram. São os contrastes da vida: o sofrimento e a alegria. Luiz de Mattos

Preferir a ação negativa à positiva, só poderá ser um produto de mentes mal formadas por uma educação distorcida. Infelizmente, estas ações observam-se nos diversos campos da atividade humana. São as guerras ao invés da paz. Discussões radicalizadas ao invés do entendimento – fruto de um diálogo construtivo e sadio. Posições intransigentes, ao invés de compreensões nascidas da razão e da lógica.

Localizada a causa da má formação mental – A EDUCAÇÃO – urge empregar todo o esforço para alcançar resultados compatíveis com a necessária evolução humana. As filosofias, as religiões, todas prometem ser as redentoras deste resgate. Como creditar a elas o mérito desse desafio? Como identificar o caminho, e por onde começar?

A doutrina racionalista cristã chama a atenção para a responsabilidade de nossas ações, nos mostrando que somente pelo desenvolvimento moral e ético é que a evolução se torna possível.

Atribui a cada um de nós a responsabilidade por atos de ação ou omissão. Força-nos a ser um elemento ativo e não passivo de nossas vidas. Com isso há um resgate natural de cidadania e um consequente alijamento da figura divina que, inexistente, atrasa nossa evolução. Com essa compreensão, a criatura, naturalmente, será levada a evitar erros voluntários e a trilhar o caminho de opções positivas.

Esta é a educação buscada: a que resgatará os débitos sociais. Onde cada indivíduo sentirá a obrigação de buscar o aperfeiçoamento, pela superação dos seus vícios e atos negativos. Onde os jovens passarão a respeitar os idosos, por vê-los como elementos partícipes da sua compreensão e desenvolvimento. Onde os idosos, por sua vez, verão nos jovens oportunidades de se reciclarem continuamente. Esta via de mão dupla mostrará caminhos a serem seguidos, na trajetória evolutiva de cada um.

Pelo processo da evolução, os seres terrenos sempre se sentirão incompletos. Este fato é um forte e incondicional motivo para iniciar uma nova caminhada, sem retrocesso, na eterna marcha evolutiva de cada partícula inteligente, onde procurará sempre os melhores meios, na busca de seu aperfeiçoamento e na direção da libertação, dos até então obrigatórios ciclos de vida reencarnatórios. Procurará o espírito, então, a sua plena consciência, expressando-a de forma mais apurada, lutando entre o bem e o mal, estas duas extremidades constituídas, exatamente, para se fazer no seu seio a evolução, ora aproximando-se de uma, ora de outra.

2 - A dualidade oposta entre Força e Matéria

Quando uma pessoa que se diz esclarecida pensa que no Racionalismo Cristão as criaturas não podem ficar doentes, está fora do que nós ensinamos. As leis que regem a matéria são iguais para todos: esclarecidos ou não esclarecidos, porque a matéria física é finita e sofre o desgaste corrosivo do tempo, estando todos sujeitos a essa corrosão do tempo, porque nenhum espírito fica eternamente encarnado neste mundo. António José de Almeida

O universo é composto unicamente de Força e Matéria! Unem-se ambas para originar o evento vida, que permeia, assim, os dois campos e lhes dá um significado.

A força agindo na matéria, interage com o universo de matéria inerte, estando esta totalmente à disposição da força, que por sua ação vibrátil o vivifica. Os dois são eternos em sua essência, mas só a força evolui! E evolui tanto que, em dado momento, não precisa mais da matéria, nem da densa nem da fluídica. Então, a força devolve, ao repositório natural do universo, a porção de matéria que ainda utilizava, para que seja reaproveitada na formação de outros corpos, por outras forças que seguem atrás, no processo evolucionário infinito e Universal.

Sem a matéria a força não evoluiria nos seus primeiros passos, em diferentes formas de organização de matéria. Não existiria campo de estudo e trabalho para bilhões de espíritos em inúmeros mundos escolas espalhados por milhões de galáxias!

A partícula inicia sua evolução acoplada a uma porção de fluido, e avança até ser capaz de construir e manter corpos de matéria atômica organizada, num intercâmbio de aperfeiçoamento intelectual e moral. Usa a matéria para reconhecer progressiva e definitivamente a sua desnecessária vinculação a esta. Quando já em estado mais adiantado, desagrega-se do alto valor dado às coisas originadas da condensação atômica do fluido. À força é necessária a matéria, mas a esta é totalmente indiferente a presença da força. Se não fosse a matéria, a força não evoluiria, e se não fosse a força a matéria não se movimentaria.

Sem a matéria a força não evoluiria nos seus primeiros passos, em diferentes formas de organização de matéria. Não existiria campo de estudo e trabalho para bilhões de espíritos em inúmeros mundos escolas espalhados por milhões de galáxias!

São três os corpos que compõem o ser humano: corpo mental ou espírito, corpo fluídico (intermediário entre os dois corpos: mental e físico) e corpo físico.

Os dois corpos: físico e fluídico, compõem-se de substâncias materiais que contêm matéria densa em um e fluídica em outro, e que consoante a evolução espiritual do reencarnado, podem estes dois últimos apresentar uma compleição com mais tendência a diafanização.

A essência está sempre no espírito, não ocupa lugar, não é palpável, e nela não reside matéria.

As dualidades opostas entre força e matéria estão no caminho da evolução natural da vida. O corpo envelhece, mas o espírito rejuvenesce, se retempera, ganha energia e se recompõe, mas os pensamentos precisam ser alteados, e assim o corpo precisa ser poupado, para que possamos completar a nossa vida física.

É o trabalho de depuração, feito ao sabor da luta entre duas oposições máximas "o bem e o mal", que se apresenta ao reencarnado neste mundo. Enfrentamos todos esta dura batalha, até nos compreendermos como seres limitados e em evolução e irmãos de todos os demais, usufruindo de uma natureza composta de partículas inteligentes, também irmãs em essência, porém, em diferentes patamares evolutivos. Quando soubermos lidar com o bem e o mal, fazendo justiça primeiramente a nós mesmos, e exercitarmos a tolerância, estaremos em condições melhores de excursionarmos por mais tempo nos períodos de equilíbro.

3 - Coragem "o oposto" ao medo

Um bom aproveitamento da encarnação poderá significar para o espírito encarnado a subida de alguns degraus na escada da evolução. Como são maravilhosos os sacrifícios que se passa para não precisar voltar a encarnar! Bendita luta, benditos sacrifícios que fazem com que o espírito desperte para uma vida melhor, para a vida eterna! Para isto serve a reencarnação! Para isto serve esse mundo de sofrimento e de depuração dos espíritos encarnados, para esclarecê-los, para servir-lhes de luz, para iluminar-lhes as estradas que terão de seguir pela vida afora. Maria de Oliveira

O ser humano, em sua vida terrena, passa por acontecimentos desagradáveis, que lhe dão oportunidades de despertar para o espiritualismo racional e científico, ensinado pela doutrina racionalista cristã. A vida é apenas uma passagem por este planeta, e a vida do espírito é eterna, não é finita. Sempre faltará algo a aprender, sendo preciso estudar para saber o que cada um vem fazer neste mundo de sofrimentos e incertezas. É certo que, estando o espírito encarnado, sempre haverá algo para ele fazer e aprender.

Nossos sentimentos inferiores, frutos de encarnações anteriores, cheias de erros, de vícios, tornam-nos frágeis. A falta de confiança e segurança em nós próprios, são fatores geradores de medo e de timidez, pois, são rivais em potencial, bloqueando nossa ousadia de lutar.

O medo é uma calamidade que todo o ser humano enfrenta em seu quotidiano. Medo de sofrer lesões por ataques físicos, palavras ofensivas, ou julgamentos inapropriados. Por medo a criatura se acovarda, torna-se traiçoeira, desconfiada e deprimida, perde a noção da realidade e não consegue interpretar os fatos. Quando o ser é ignorante da vida fora da matéria, fica à mercê de espíritos inferiores, e, com a perda da própria razão, encontra na violência a sua ferramenta preferida para amedrontar seus oponentes.

A coragem não é a demonstração de força física, através da rudeza dos gestos vindos da má formação do caráter, mas, é a nossa demonstração de domínio de nossas ações sobre nossos sentimentos inferiores, revertendo ódios em bem-querer.

A ponderação, o bom humor e a calma são ferramentas que nos dão coragem, que nos valorizam contra os nossos padecimentos de espíritos encarnados neste degredo contra o medo.

"É preciso que os pais e professores cultivem os bons princípios, e exijam dos seus discípulos e filhos, respeito e disciplina, o método, os sentimentos de honradez e de honestidade".

PÉROLAS DA LITERATURA RACIONALISTA CRISTÃ

Para reverter essa situação, é preciso lutar com muita coragem contra nossos erros, na busca dos porquês da vida, procurando dominar os nossos instintos, agindo com ponderação, prudência e total controle de nosso livre-arbítrio, direcionado para o bem. Com gestos de altruísmo, fraternidade e bondade, sentimentos próprios de espíritos esclarecidos.

Há espíritos envoltos pelo negativismo de seus medos e incertezas, dos quais são vítimas contumazes, devido ao uso inadequado do livre-arbítrio, sob o qual deixaram-se ser escravos do egoísmo e preconceito.

4 - Conclusão

Quando nos libertamos, mentalmente, do processo dualista, e consentimos pensar em procedimentos de uma maior qualidade, olhando de frente nossas próprias ambiguidades, podemos, enfim, alcançar um estado de maturação intelectual e emocional em nossas vidas. Carlos Vicente Lobosque

É através da calma que se atinge o equilíbrio, com exemplos de honradez, visto que em todas as partes do mundo existem o sofrimento, o trabalho e a luta por dias melhores.

Todo o ser humano deve buscar razões para lutar, não esperar que as coisas aconteçam a seu favor, ou seja, lutar para não estar à margem da vida, porque então não teria nada para dizer ou fazer.

Quando nos defrontamos com empecilhos, redobramos nossa calma, colocamo-nos em alerta através de nosso raciocínio, com força de vontade e o espírito batalhador, para atingirmos nossos ideais.

Se passarmos por algo difícil hoje, será fruto de nossos erros e das consequências que agora se apresentam.

A vida terrena é passageira. Não dá para realizar tudo o que temos em mente. Trabalhamos, construímos, mas a vida é de cada um, a vida continua, empreendem-se outras lutas, novas batalhas, deixa-se passar aquilo que é mau e retém-se somente aquilo que é bom.

Sempre estaremos em situação de poder nos analisar a partir de uma curva similar à de Gauss, pois, vamos no decorrer da vida e de toda a nossa evolução, quer aqui ou no espaço Superior, mudando nossas idéias e objetivos. Portanto, chegamos a uma nova idéia, trabalhamos dentro dela com todo o afinco, com toda a garra, com todo o idealismo, e, depois, ao atingirmos um patamar mais elevado, vamos abandonando-a e entrando em consonância com outras idéias mais elevadas, e que nos parecem mais acertadas.

Viajaremos eternamente, vivenciando chegadas e despedidas de projetos e trabalhos, e modos de pensar, indo de uma ponta menos lúcida para outra de enorme lucidez, atravessando períodos de equilíbrio entre os dois pontos de vista.

Assim, entre a reencarnação e a desencarnação, viemos viver aqui um ciclo diferente daquele que se vivencia no espaço Superior. Os extremos são mais prejudiciais por serem experimentados pelo espírito reencarnado, e estes o podem pôr em contato com o astral inferior e levá-lo a inúmeros malefícios. Podemos até mesmo dizer que, neste mundo essencialmente depurador de almas como o nosso, nós os encarnados viemos para nos corrigir e atingir a capacidade de conseguirmos estar sempre equidistantes, sempre equilibrados, para quando nos desligarmos da necessidade de reencarnar, sabermos como atuar em meio mais brando de emoções, onde impera o raciocínio, e o amor é a toda prova.

Conclui-se então que as dualidades tão opostas, mas presentes no ciclo terreno da vida, servem para apurar nossa clarividência, do quão necessário é uma vida equilibrada, pois por aqui, ao menor sinal de perda deste equilíbrio, somos afetados e perturbados, levando-nos isto a valorizar a nossa busca por um esforço de lucidez, para termos sempre sob o nosso domínio a parte emocional, visto ser ela o fator primordial que, ao se descontrolar, nos arremessa direto às ondas pesadas da atmosfera da terra.

Junho de 2008

 

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