Contestar a reencarnação?

Carlos Vicente Lobosque

Se tantas coisas erradas se fazem na Terra é porque os seres humanos não se dão ao trabalho de raciocinar demoradamente antes de praticar qualquer ato, para poderem prever as suas conseqüências. O raciocínio, quanto mais exercitado, mais se desenvolve.

O raciocínio constitui valioso atributo espiritual de que dispõe o ser humano para analisar os fatos da vida e tirar dos acontecimentos as lições que lhe puderem ser úteis.

O raciocínio é como que uma luz projetada sobre os problemas difíceis da existência, para torná-los claros e compreensíveis. Além de nortear o espírito no curso da sua evolução, ele representa, ainda, um poderoso instrumento de defesa contra o convencionalismo mundano, contra o fanatismo, contra as mistificações de qualquer natureza, que produzem subordinações indicativas de formas agudas ou amenas de avassalamento.

Com o poder penetrante de pesquisa que o raciocínio possui, não é difícil distinguir o racional do absurdo, o lógico do ilógico, o certo do errado, e divisar o caminho que levará a criatura convictamente à Verdade.
 "Espírito". Racionalismo Cristão, 44ª ed. 2010.

Uma encarnação será a preparação da encarnação subseqüente, sendo provavelmente dolorosa, dependendo do uso que tenha feito do seu livre-arbítrio na prática do bem ou do mal, revertendo em seu benefício as boas ações.

Quais os motivos que o ser humano, na sua individualidade pessoal ou espiritual sustenta o conceito negativo da existência da reencarnação?

Pois ao contestar, domina com severidade, persistindo no ato de desconhecer e negar o ato de reencarnar-se, apesar de persistir na falta de conhecimento daquilo que realmente existe.

Muito ingênua essa contestação, visto que há quem reconheça a grandeza dos que determinam com franqueza o ato de ensinar, transmitindo com conhecimentos verdadeiramente adequados, como ocorre nas casas racionalistas cristãs.

A existência dessas duas teorias interpretativas, reencarnação e salvação, discorre acerca da representação mental de uma coisa concreta ou abstrata de certa maneira, a coexistência de dois princípios contrários, que provocam atritos e que causam uma impressão desagradável pelas opiniões opostas e invencíveis, que não se pode conciliar.

Mas, nota-se que na definição de salvação, que tem alguma relação ao benefício concedido do perdão, está categórico ao sustentáculo, ao amparo dessas imaginações ou desse modo de pensar.

Da mesma forma, deveriam os conhecedores desses princípios, revelarem a verdade a respeito dessas fantasias, das remissões de penas, do ato de salvar-se e tornando-se eterno.

A partir do momento, em que cada um, por capricho da imaginação, adquirir certeza de que ao praticar o mal prejudica ou fere a si próprio ou ao seu semelhante, e de que não poderá apelar e sim terá a obrigação de cumprir, de resgatar sem ser possível o perdão e que uma encarnação será a preparação da encarnação subseqüente, sendo provavelmente dolorosa, dependendo do uso que tenha feito do seu livre-arbítrio na prática do bem ou do mal, revertendo em seu benefício as boas ações e negativamente, com danos, não podendo propor-se em contar com amparo ou proteção alguma para tornar-se livre ou desobrigá-lo das faltas cometidas, devendo de resgatá-las com procedimentos elevados, tantas forem as necessidades das encarnações, portanto, formará pensamentos ou idéias de reflexão, meditando, em lugar de levar a efeito uma conduta com indagação.

A [pessoa] que souber avaliar o peso da responsabilidade que carrega com seus atos certamente fará todo o possível para firmar-se nos ensinamentos reais que transmitem o conhecimento dos fatos espirituais. Racionalismo Cristão. 44ª ed. p. 17. 2010.

Julho 2010

 

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