Consciência e conceitos da criança

Eliane Ramos, Regina Elisa Pomin e Pedro Pomin Neto

Viver, pois, é uma arte que todos devem procurar cultivar com inteligência. Luiz de Mattos, Clássicos do Racionalismo Cristão

Criança! Uma das fases da vida que se apresenta cheia de encantos. Todos os dias nos surpreendem com novas conquistas, novas proezas. Elas usam seus amiguinhos imaginários para expressarem tudo que gostam e não gostam, por isso é muito importante observá-las atentamente. Não há motivos para ficarmos perplexos perante tal situação, podemos tirar proveito delas, pois na maioria dos casos trata-se de um recurso valioso para a criança e importante para o seu desenvolvimento, quando surge de modo natural, podendo ser visto como fator compensatório.

Mas chegará o momento em que a criança começará a crescer e desenvolver a consciência que aos olhos dela se confundirá com aquilo que agrada ou desagrada seus pais e educadores . Por isso é natural a criança confundir a consciência com a vontade dos pais.

A autonomia da criança é a principal manifestação de seu crescimento. Como ajudar a criança nesse momento? É preciso deixá-la falar a partir dos conceitos dela. Se ela pergunta: – Posso deixar meu quarto bagunçado? Respondemos de forma a permitir que ela reflita colocando nas mãos dela a decisão e permitindo que ela puxe pela consciência do certo e do errado. Exemplo: – O que você acha? Isso é certo ou errado? Se você acha certo deixar seu quarto todo bagunçado para que, quando seus tios, primos ou colegas chegarem para visitar possam ver a bagunça que é sua casa, tudo bem! Mas se você preferir arrumadinho para que todos vejam o quanto você é caprichosa com seu quarto assim como com todos os seus pertences, melhor ainda. Você decide.

Pronto, você colocou nas mãos da criança a oportunidade de ela trabalhar a própria consciência e descobrir o que é melhor ou pior para ela nessa situação. E assim pode ser feito com muitas outras coisas. Claro que não com todas, pois haverá o momento em que você precisará ter pulso forte e dizer apenas "Não!" Mas quando chegar este momento, ela por si já estará treinada e saberá sozinha descobrir os motivos pelo qual recebeu aquele não.

A sadia construção da consciência se faz aos poucos. Ela deve nascer da própria vontade e livre iniciativa da criança ao pensar e refletir entre o certo e o errado ajudando-a a agir de maneira responsável e a saber que as conseqüências de seus atos ela terá que enfrentar sozinha.

Não basta ditar uma regra ou determinar uma ordem para a criança, é indispensável mostrar-lhe as conseqüências para que ela possa aprender e desenvolver sua própria consciência do sim e do não. A criança deve estar unida aos pais e educadores por uma relação de amor e não de medo, insegurança. Sabendo-se aceitar como é, e envolvida de afeto e segurança terá mais facilidade de fazer de maneira correta a prefiguração do certo e do errado.

A doutrina do Racionalismo Cristão ensina sabiamente que viver é uma arte que todos devem procurar cultivar com inteligência. Por isso é importante o estudo, o conhecimento espiritual a fim de que possamos vivenciar harmoniosamente uns com os outros dentro de nossos lares, sabendo respeitar o livre-arbítrio por ter ciência de que cada um de nós somos espíritos diferentes, de categorias diversas, em evolução neste mundo Terra. E esta diferença precisa ser respeitada desde a infância, não é inteligente os pais forçarem para que seus filhos sejam iguais a eles, precisamos deixar que sigam seus caminhos, nosso dever é orientá-los a refletir, a estudar moldando cuidadosamente a personalidade que já é originária em cada espírito.

Petrópolis, RJ, Outubro 2010

 

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