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As vibrações da força

Valdir Aguilera

No Universo não há nada estático; tudo está vibrando

O que caracteriza uma força, diferenciando-a de outra? Como saber se uma força é mais evoluída do que outra? O que caracteriza essa evolução? O que significa irradiar? Como uma força atrai outra? Estas e outras perguntas do mesmo gênero não são apenas audaciosas, são legítimas e, vez por outra, nos acometem.

Baseando-nos em conceitos da Física e nos ensinamentos do Racionalismo Cristão, vamos procurar, se não respostas completas, pelo menos alguma luz que ilumine o caminho que nos leva à compreensão dessa instigante matéria.

Grau de evolução da força

Todos os fenômenos são resultado da ação de forças. Estas atuam em incontáveis níveis. E elas se diferenciam entre si, provocando fenômenos simples ou de grande complexidade. Dizemos, então, que no Universo há forças mais evoluídas e outras menos. Para ficar apenas no plano físico, numa classificação elementar, as forças que atuam no reino mineral são, certamente, menos evoluídas do que as que atuam no reino vegetal. Estas, por sua vez, são menos evoluídas do que as do reino animal.

Além disso, em cada reino da natureza há, também, forças mais evoluídas e outras menos. Por exemplo, as forças que atuam no interior de um átomo, mantendo-o coeso, são menos evoluídas do que as que atuam sobre os átomos para formar uma estrutura mais complexa, a molécula. Os graus de evolução dessas forças são diferentes.

Do quadro acima, é fácil concluir que as forças mais evoluídas são capazes de organizar estruturas mais complexas do que as menos evoluídas. Num átomo de hidrogênio, a força atômica precisa apenas ser capaz de manter um elétron unido ao núcleo atômico. Já no átomo seguinte, o de hélio, a força atômica já terá de manter dois elétrons unidos ao núcleo atômico. Para a Física, essa força é a mesma que atua no átomo de hidrogênio, a saber, a força eletromagnética. Mas, salta aos olhos que deve haver algo diferente nos dois casos. Esse algo ainda não pôde ser equacionado. E isso por uma simples razão: ainda não houve necessidade disso.

Aparentemente, a teoria quântica vem dando conta do recado. Mas, não é bem assim. A teoria quântica não é capaz de descrever com precisão o comportamento de átomos mais complexos. Atribui-se isso a dificuldades puramente técnicas para resolver as equações da teoria. Essa "explicação" é parcialmente correta. Mas, não seria o caso de se suspeitar que as equações são complexas porque falta algum ingrediente na teoria? Ou que os problemas que a teoria quântica enfrenta não estão sendo enfocados numa perspectiva mais ampla?

De qualquer forma, podemos afirmar que um elemento que diferencia as forças entre si é o seu grau de evolução. Precisamos, então, entender como se caracteriza e se mede esse grau de evolução. Esta tarefa se simplifica se pudermos descobrir quais são os atributos de uma força que a diferenciam de outra. Que atributos são esses é o que pretendemos discutir em seguida.

Atributo fundamental das forças

É lógico que, para poder ordenar as forças pelo seu grau de evolução, precisamos antes saber o que caracteriza um estado de evolução.

Suponhamos que queremos comparar duas forças para descobrir qual é a mais evoluída. Em que aspecto devemos nos concentrar? Suas intensidades? A resposta deve ser "não", pois, considerar apenas a intensidade não é suficiente. Imagine que estamos comparando dois seres humanos. Vamos afirmar que o mais evoluído é o mais forte? Pode ser exatamente o contrário. Portanto, temos de pensar em outra característica da força, pois nem sempre a mais intensa é a mais evoluída.

Voltamos, então, à pergunta: O que devemos procurar nas forças para descobrir qual é mais evoluída? Quais qualidades devemos considerar?

Procurando tornar menos complicada a exposição da matéria, consideremos o caso simples de duas forças, ambas capazes de produzir apenas movimentos de vaivém do tipo esquerda-direita. Observando o movimento esquerda-direita provocado por uma delas, notamos que num caso o movimento é mais lento do que o produzido pela outra. Embora produzam o mesmo tipo de movimento (esquerda-direita), estas duas forças se diferenciam por um detalhe: a freqüência das vibrações, isto é, do movimento de vaivém que elas provocam. As duas forças não são iguais; diferenciam-se pelo menos pelo valor da freqüência das vibrações do movimento que causam. Precisamos, então, entender o que é vibração e o que é freqüência.

O que é uma vibração?

Em seu sentido mais amplo e geral, uma vibração é um movimento periódico, isto é, que se repete. Grosso modo, é um movimento de vaivém. Como exemplos citamos o movimento do pêndulo de um relógio, da corda de violão ferida pelos dedos do violonista, da membrana do tambor golpeada pelas baquetas do tambor-mor. O pêndulo, a corda e a membrana vibram, num movimento de vaivém. O movimento do pêndulo vai marcar o fluir do tempo; o da corda vai definir uma nota musical; o da membrana vai definir um som mais ou menos surdo.

Uma das características intrínsecas e fundamentais de uma vibração é a sua freqüência. E o que vem a ser uma freqüência? No movimento vibratório, freqüência é o número de vaivéns durante um certo lapso de tempo. Se consideramos o número de vaivéns em um segundo, a freqüência se mede em hertz. Por exemplo, um objeto que oscila sessenta vezes em um segundo tem uma freqüência de 60 hertz.

Ondas e vibrações 1

Se algo está vibrando em um determinado meio, esse algo produz ondas que se propagam nesse meio com uma velocidade que depende das condições do meio e da freqüência da vibração. Se não houver um meio para se propagar, não haverá produção de ondas. Por exemplo, uma campainha tocando está vibrando e podemos ouvir seu som característico. Contudo, se a campainha for colocada dentro de uma redoma de onde todo o ar foi retirado, podemos ver a campainha vibrando, mas não ouviremos nenhum som. Sem o ar, isto é, sem o meio, não vai haver onda se formando e se propagando, embora haja uma vibração.

O éter

Esta subseção é um parêntese que abrimos, por nos parecer oportuno. Sua leitura pode ser omitida sem nenhum prejuízo para o entendimento do que estamos discutindo.

O fato de uma onda necessitar um meio para ser produzida e propagada é a origem da hipótese da existência do éter. De acordo com a teoria ondulatória, a luz necessita de um meio para se propagar. Portanto, a luz emitida pelo Sol (e pelos objetos luminosos do cosmos) deve atingir a Terra propagando-se em um meio, para nós invisível, ao qual foi dado o nome de éter. Muito esforço já foi despendido para se detectar esse éter, sem nenhum êxito. Isso não significa que ele não exista.

Vamos aproveitar para aclarar um ponto que tem confundido muita gente. Não é rara a afirmação de que Einstein demonstrou que o éter não existe. Isso é totalmente falso. Para começar, não é possível provar logicamente que algo não existe. Ninguém, até hoje, viu um cachorro com duas cabeças ou um gato com dois rabos. Isso não significa que não eles não existam. É bastante improvável, mas não logicamente impossível. O mesmo acontece com o éter, ninguém conseguiu detectá-lo, mas é impossível provar que ele não exista. O que Einstein realmente mostrou foi que sua teoria (da Relatividade) não requer a existência do éter para que tenha validade. Se o éter existe ou não, é indiferente, não tem importância para a teoria.

Ondas e vibrações 2

Retornando ao nosso assunto principal, recordamos que uma vibração é um movimento de vaivém. Voltando ao exemplo do pêndulo de um relógio, sabemos que ele demora um certo tempo para ir e vir. Esse tempo gasto numa ida e volta completa chama-se período. Muitos pêndulos de relógios tardam exatamente um segundo para completar uma oscilação. Após 60 "balançadas" do pêndulo, passou-se um minuto.

Quanto mais rápido for o balançar do pêndulo, maior será a sua freqüência (mais vaivéns ele fará num determinado tempo) e menor o seu período (demorará menos para completar uma ida e volta). Pensem nisso calmamente, se tiverem tempo e interesse.

Vemos, portanto, que freqüência e período são quantidades relacionadas e inversamente proporcionais. Isto quer dizer, se a freqüência é grande, o período é pequeno; se o período é grande, a freqüência é pequena. Quanto mais precisamente conseguimos medir uma dessas quantidades melhor é o conhecimento que temos da outra. Nos cristais, os átomos vibram com uma freqüência extraordinariamente precisa. Portanto, o período da vibração é um tempo também extraordinariamente preciso. Esse tempo é utilizado nos chamados relógios atômicos, os relógios mais precisos do universo.

O que tem o período a ver com nosso assunto? Introduzimos esse conceito em benefício daqueles que queiram se aprofundar no estudo dessa matéria. Precisam saber que a velocidade com que uma onda se propaga tem relação com o período de suas vibrações.

O fenômeno da ressonância

Uma pequena experiência

Sempre tendo em mente aclarar conceitos que nos vão ser úteis na busca de respostas para as perguntas que abriram este artigo, convidamos o leitor a fazer uma pequena experiência de física. Não será necessário nenhum material que não possa encontrar em sua própria casa.

Corte quatro pedaços de barbante (ou fio de linha de costurar ou pescar), sendo dois de um metro e dois de meio metro. Essas medidas não precisam ser exatas, mas cada par deve ter o mesmo comprimento. Procure em casa quatro objetos idênticos; por exemplo, quatro garfos. Amarre um garfo, numa extremidade de cada barbante. Pendure todos eles num mesmo fio do varal de secar roupas. Os fios devem ficar separados, digamos, por um palmo. Conseguimos construir, então, quatro pêndulos idênticos dois a dois.

Quando os quatro estiverem parados, em repouso, faça um deles oscilar num movimento de vaivém. Em pouco tempo, o outro pêndulo que tem o mesmo comprimento desse que oscila começará a oscilar também. Os outros dois não se moverão.

Como explicar que os outros dois pêndulos não oscilam?

Isso se explica pelo conceito de freqüência e ressonância. Cada conjunto barbante-garfo tem uma freqüência própria. Na determinação do valor dessa freqüência entram o comprimento do barbante e o peso que ele sustenta. Como há dois pares de pêndulos idênticos, cada par tem uma freqüência que o caracteriza. A experiência que fizemos nos mostra que as oscilações de um são sentidas pelo seu par, que fielmente responde. Esse é um exemplo de ressonância. Podemos dizer que há uma afinidade entre o par de pêndulos.

É desta forma que nossos pensamentos, que são vibrações do espírito, entram em sintonia, em ressonância, com pensamentos afins.

Pensamentos, vibrações e irradiações

O pensamento é uma vibração do espírito. Toda vibração tem uma freqüência associada, uma freqüência própria. No caso de nossa experiência no varal, a freqüência própria está associada ao comprimento do barbante e ao peso nele pendurado. No caso do pensamento, a freqüência é definida pela qualidade do pensamento. E essa freqüência pode ser observada por médiuns videntes, pois ela produz cores na aura da pessoa. Por exemplo, pensamentos inferiores produzem cor escura.

É assim que pensamentos idênticos - vibrações, freqüências idênticas - entram em sintonia e "se casam" como ocorre com os pêndulos de garfo de nossa experiência. Pensar é atrair, nos ensina o Racionalismo Cristão. E é assim que a atração é feita: por identidade de vibração, de freqüência.

Como no Universo nada está estático, isto é, tudo está vibrando, há uma cadeia infinita de vibrações em sintonia. E é uma sintonia harmônica que estabelece toda a sinergia do Universo.

É parte desta seção responder a pergunta: O que são as irradiações? O que devemos entender por irradiações do espírito? Do exposto até agora podemos encontrar facilmente a resposta a estas perguntas.

Sabemos que pensamentos são vibrações do espírito e que vibrações ocorrendo num meio produzem ondas que se propagam nesse meio. Ao vibrar, uma campainha emite ondas (sons) que se propagam no ar (o meio). Em outras palavras, a campainha irradia sons. Da mesma forma, o espírito ao vibrar emite ondas que se propagam (irradiam) num meio constituído de matéria fluídica. Irradiações são, assim, as ondas emitidas pelas vibrações do espírito.

Conceitos mais avançados

Inicialmente, consideramos o caso simples de uma força capaz de produzir apenas movimentos da esquerda para a direita e vice-versa. Diferenciamos duas dessas forças pelas vibrações que produzem. Evidentemente, há vibrações mais complexas. Por exemplo, uma força pode produzir um movimento tanto da esquerda para a direita como da frente para trás.

Um estudo aprofundado que vise à classificação de forças deve considerar, também, outros conceitos como os chamados modos de vibração. Neste trabalho introdutório, não podemos nos aprofundar nesse tema. Mas, fica a sugestão para aqueles que não sintam ojeriza pela matemática ou pela física: procure um livro de física fundamental e examine o capítulo que trata de vibrações de sistemas.

O conceito de modos de vibração também está presente na teoria quântica de sistemas vibratórios.

Conclusão

Um atributo intrínseco da Força são as vibrações que ela produz. Quanto maior a variedade de vibrações, mais evoluída é a Força, quer ela esteja atuando no plano físico quer no astral. Para alcançar maior evolução, a Força deve se enriquecer de modos de vibrações.

No plano físico, a força evolui atuando em sistemas cada vez mais complexos. Quanto mais complexo o sistema sob domínio da força, mais variadas são as vibrações que ela pode produzir.

Já na condição de espírito, que é uma força altamente complexa que já atuou em todos os reinos da natureza, cada conhecimento adquirido é incorporado na forma de um novo tipo de vibração que ele é capaz de produzir. Adquirir conhecimento significa, então, enriquecer-se de vibrações. Quanto mais variedade de vibrações um espírito pode produzir, mais luz ele emite. Luz, portanto, é uma medida do grau de evolução do espírito. Luz produz cores, e a cor branca é a combinação de todas as cores. É esta, portanto, a cor emitida pelos espíritos mais evoluídos.

Março de 2007

 

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