gazeta2.jpg (8041 bytes)

Força e Matéria, Abiogênese e Panspermia

Glaci Ribeiro da Silva

[...] Ao planeta Terra tudo vem de fora e vive fora dele, fornecido pelos outros planetas que o rodeiam, em obediência às leis naturais e imutáveis do progresso, para o auxiliar, e aos seus habitantes, que não poderiam viver se lhes faltasse o oxigênio proveniente de outros planetas [...] (Luiz de Mattos. Pela Verdade - a ação do espírito sobre a matéria. 9a ed.,1983, p. 230).

A ciência racionalista cristã e a ciência oficial explicam a origem da vida na Terra através de teorias diferentes. Isso reflete o embasamento filosófico diametralmente oposto que essas duas ciências possuem sendo a primeira espiritualista e, a segunda, materialista.

A ciência racionalista cristã defende a teoria da "Força e Matéria" e a ciência materialista, a "Abiogênese"; todavia, mais recentemente os cientistas oficiais vêm assumindo também a teoria da "Panspermia".

A abiogênese (de abiose, ausência de vida) também conhecida como "Geração Espontânea", foi proposta por Aristóteles (384-322 a.C.); essa teoria defende a formação de organismos vivos a partir de matéria não-viva. Ela dominou os meios científicos por quase dois mil anos e sua longa permanência como idéia principal do surgimento das espécies ocorreu devido a influência que as crenças religiosas incutiam nas civilizações ocidentais.

A abiogênese se tornou a idéia básica do "Criacionismo", defendido até hoje por várias seitas religiosas. O criacionismo se opõe frontalmente ao "Evolucionismo", doutrina adotada pela ciência racionalista cristã e, também, pela grande maioria dos cientistas.

Mas para alguns filósofos, a vida a partir de matéria não-viva parecia tão mágica, tão perto da esfera divina, que eles preferiam a idéia de que formas de vida já prontas tivessem vindo para a Terra de algum outro lugar. O principal filósofo a assumir essa dissidência foi Anaxágoras (500-428 a.C.) que cunhou o termo panspermia (do grego pan, total, e sperma, semente) para sua teoria de que toda a vida e, na verdade todas as coisas, se originaram da combinação de pequenas sementes espalhadas pelo Cosmos.

Embora a maioria dos cientistas ainda hoje defenda a hipótese tradicional de que as primeiras células vivas sejam uma conseqüência da evolução química que ocorreu em nosso planeta há bilhões de anos, várias ocorrências ao longo da última década têm dado credibilidade à idéia de que o conjunto de todos os ecosistemas da Terra, ou seja, da sua "Biosfera" possa ter surgido de uma semente extraterrestre. Essa possibilidade alternativa, que para muitas pessoas soa ainda como ficção científica, vem sendo ventilada há mais de um século por vários pesquisadores de renome, e ultimamente, devido as viagens interplanetárias, ela tem sido alvo de muito interesse político e de intensa pesquisa científica.

No começo do século 20, o físico-químico sueco Svante Arrhenius (1859-1927), Prêmio Nobel em 1903, sugeriu que as minúsculas formas primordiais de vida na Terra vieram do espaço, propelidas pelo vento cósmico. Embora não tivesse base científica, várias décadas depois essa suposição serviria de fundamento para uma original hipótese sustentada por dois famosos astrobiólogos professores de universidades européias – o inglês Lord Fred Hoyle (1915-2001) e o cingalês Chandra Vickramansinghe. Para eles, os microorganismos primitivos chegaram à Terra a bordo de um cometa que desabou aqui há cerca de 4 bilhões de anos.

Essa hipótese contesta a idéia mais aceita sobre a origem da vida terrestre a partir da chamada "sopa primitiva" (abiogênese) onde se teriam formado, com o concurso da energia desencadeada por chuvas e relâmpagos, as primeiras moléculas orgânicas; delas se originariam os aminoácidos, as proteínas, os genes e, enfim, por sucessivas mutações, organismos cada vez mais complexos. Hoyle calculou que, para surgir uma única proteína, teriam sido necessárias algo como 1040 (o número 1 seguido de quarenta zeros) tentativas de combinações de aminoácidos – uma probabilidade virtualmente nula mesmo nessa loteria de dimensões cósmicas. Já o cometa, argumenta ele, é um maravilhoso veículo interestelar, cuja cauda desprende um calor capaz de proteger seus eventuais micropassageiros das baixíssimas temperaturas no espaço. Na suposta colisão com a Terra, tais passageiros foram parar num ambiente paradisíaco, onde a água do oceano e a radiação solar lhes davam sustento e condições para se desenvolver.

Muito recentemente a panspermia foi defendida também por um outro famoso cientista – o americano Francis Crick (1916-2004), co-descobridor da estrutura do DNA.

Nos anos cinquenta a abiogênese se deslocou do âmbito da filosofia para o da experimentação científica. Esses estudos tiveram início quando os químicos Stanley Miller e Harold Urey demonstraram que aminoácidos e outras moléculas importantes para a vida poderiam ser gerados a partir de compostos simples que deviam existir na Terra primitiva.

A matéria orgânica, matéria dotada de vitalidade, mas ainda não organizada, é quaternária; na realidade, ela não é outra coisa senão a união através de leis químicas de alguns corpos simples, elementos da matéria inorgânica, tais como carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio que são elementos da matéria inorgânica.

Na Terra primitiva só existiam compostos binários e ternários; por exemplo, a água é binária, pois é composta de hidrogênio e oxigênio enquanto o óxido de ferro – a ferrugem – é um ternário por ser constituído de ferro, carbono e oxigênio. Todavia, ali não existia nenhum composto quaternário, isto é, uma combinação de quatro corpos simples em determinadas proporções como é o caso das proteínas.

Nas células atuais as proteínas são produzidas por moléculas especializadas de ácido ribonuclêico (RNA) que usam para isso enzimas também de natureza proteica.

Portanto, a demonstração experimental da validade científica da abiogênese teve que lidar obrigatoriamente com um paradoxo do tipo "quem surgiu primeiro o ovo ou a galinha?" ou seja, as proteínas ou os componentes dos nucleotídeos, RNA e ácido desoxirribonucleico (DNA)?

Esse enigma foi resolvido no início da década de 80 por Thomas Cech e Sidney Altman, ambos ligados à universidades americanas. Esses cientistas descobriram a existência das ribozimas – um tipo especial de RNA que tem função enzimática em reações que envolvem o RNA e DNA.

A descoberta dessas moléculas dispensou a presença de proteínas no cenário pré-biótico formados por seres vivos unos e independentes – os biontes. Logo, é possível que nos primeiros estágios da evolução da vida, a estrutura de todas as enzimas tenha sido a do RNA e não a de proteínas como acontece atualmente.

Assim, segundo a abiogênese, o atual paradigma da origem da vida é o chamado mundo de RNA que repousa na descoberta das ribozimas.

Esses achados importantes da abiogênese marcaram profundamente os defensores da panspermia afastando a maioria dos seus cientistas do debate teórico e redirecionando seus objetivos para projetos experimentais.

Os panspermistas atuais estão vinculados principalmente a duas diferentes linhas de pesquisa:

- Estudo da possibilidade de material biológico viável chegar à Terra

- Análise como processos desse tipo possam ter ocorrido

Para iniciar uma viagem interplanetária, um material vindo de outros planetas ou luas, teria que ser: (1) ejetado do seu local de origem pelo impacto de um cometa ou asteróide; (2) ser capturado pela gravidade da Terra; (3) atravessar a atmosfera terráquea desacelerando, em seguida, para que possa cair na superfície do planeta.

Transferências de detritos como essa ocorrem com freqüência em todo o sistema solar; isso geralmente acontece vindo de corpos celestes mais distantes do Sol para aqueles mais próximos dele. O astrofísico Brett Gladman, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, e seus colegas estimam que a cada alguns milhões de anos Marte sofre um impacto suficientemente forte para ejetar rochas que poderiam atingir a Terra. A jornada interplanetáira em geral é longa: a maioria dos detritos marcianos que chegam à Terra passam milhões de anos no espaço. Mas uma pequena porcentagem dessas rochas – cerca de uma em cada 10 milhões –, passa menos de um ano no espaço. Três anos após o impacto, cerca de dez rochas do tamanho de um punho, com mais de 100 gramas, completam a viagem de Marte à Terra. Pedras menores, do tamanho de bolas de gude e partículas de poeira, têm chance ainda maior de fazer uma viagem rápida entre planetas. Mas qual a possibilidade que entidades biológicas têm de resistir a esse tipo de jornada? Esse assunto tem sido analisado pelos cientistas planetários sob três ângulos diferentes:

1 - No processo de ejeção do planeta

Nesse caso é preciso considerar tanto a aceleração como as altas temperaturas a que são submetidos os detritos.

Experimentos feitos em laboratório demonstraram que certas cepas de bactérias podem sobreviver à aceleração e às mudanças de aceleração encontradas durante uma típica ejeção de Marte em alta pressão.

Os geólogos planetários sempre acreditaram que qualquer detrito em grande velocidade para escapar de Marte certamente seria vaporizado ou pelo menos completamente derretido. Porém essa idéia foi afastada com a descoberta de meteoritos não-derretidos vindos da Lua e de Marte. Isso levou H. Jay Melosh, da Universidade do Arizona, a calcular que uma pequena percentagem das rochas ejetadas poderia de fato ter sido catapultadas de Marte sem se superaquecer.

2 - Sobrevivência durante a entrada na atmosfera

Durante os últimos anos foram analisados dois tipos diferentes de meteoritos marcianos: os nakhlitos, um conjunto de rochas ejetados de Marte há 11 milhões de anos e o ALH84001 que deixou o Planeta Vermelho 4 milhões de anos atrás.

Esse último meteorito ficou muito famoso em 1996 quando um grupo de cientistas da NASA afirmou que a rocha continha traços de microorganismos fossilizados semelhantes às bactérias terrestres.

Outro grupo de cientistas liderado por Benjamin Weiss, professor de ciências planetárias do Instituto de Technologia de Massachusetts (MIT) opinararam que tanto o ALH84001 como alguns dos nakhlitos, não sofreram durante sua passagem pela atmosfera um aquecimento significantemente maior do que aquele que tinham em Marte.

Esse resultado foi muito importante, pois é sabido que procariotos (células rudimentares que não possuem ainda núcleo), e certos eucariotos (células completas já nucleadas) são capazes de sobreviver a variações de temperatura similares a essas. Logo, a primeira evidência direta de que materiais poderiam viajar no espaço sem ser termicamente esterilizado durante a ejeção e o pouso havia sido encontrada.

3 - Sobrevivência à viagem espacial em si

Mas para que a panspermia ocorra, os microorganismos precisam sobreviver não apenas à ejeção do seu planeta de origem e à entrada atmosférica na sua chegada a Terra, mas também à viagem espacial em si.

Nessa viagem os meteoritos portadores de vida estariam expostos a três diferentes fatores: vácuo do espaço, extremos de temperatura e a vários tipos de radiação.

O mais preocupante desses fatores são as radiações e, entre elas, destaca-se a chamada "ultravioleta de alta energia" do Sol (UV) que é capaz de quebrar os elos que mantêm átomos de carbono unidos nas moléculas orgânicas.

Porém um estudo europeu, usando um satélite lançado em 1984 e recolhido por um ônibus espacial seis anos depois, mostrou que para esporos do Bacillus subtilis uma fina camada de alumínio era escudo adequado contra o UV. Dos esporos protegidos pelo alumínio, mas expostos ao vácuo e às temperaturas extremas do espaço, 80% se mantiveram viáveis e produziram células bacterianas ativas no final da missão. Além disso, embora a maioria dos esporos expostos à radiação UV solar tenha sido destruída, cerca de um esporo em cada 10 mil permaneceu viável. Por outro lado, foi demonstrado também que o UV solar não necessariamente tornaria estéril uma colônia microbiana inteira incidindo sobre um objeto tão pequeno quanto uma partícula de pó interplanetário.

Mas, a pesquisa descrita acima foi realizada em órbita terrestre, baixa portanto, ainda bem protegida pelo campo magnético de nosso planeta e não diz muito sobre os efeitos de partículas interplanetárias que não possam penetrar a magnetosfera da Terra.

Com freqüência, o Sol produz rajadas de íons e elétrons energéticos, e essas partículas carregadas são um componente importante da radiação cósmica galática que bombardeia nosso Sistema Solar.

Proteger coisas vivas desse tipo de radiação é mais complicado do que bloquear raios UV. Logo, além da proteção ao UV, o que realmente importa é quão resistente um micróbio é a todos os componentes de radiação espacial e quão rapidamente o meteorito transportador da vida se move de planeta a planeta. Quanto mais curta a viagem, menor a dose total de radiação recebida.

Nos anos cinquenta o agrônomo Arthur W. Anderson descobriu uma espécie bacteriana que é ainda mais robusta em termos de resistência à radiação do que o Bacillus subtilis. Esse organismo – o Deinococcus radiodurans – sobrevive a doses de radiação usadas para esterilizar produtos alimentícios e até prolifera em reatores nucleares. Logo, teoricamente, se organismos semelhantes a esse fossem inseridos em material catapultado de Marte da mesma forma que os nakhlitos e o ALH84001 aparentemente foram, isto é, sem calor excessivo, uma fração deles ainda seria viável depois de passar muitos anos e mesmo várias décadas no espaço interplanetário.

Muito ainda se poderia falar sobre o êxito das experiências que continuam sendo feitas visando a provar a panspermia. Mas, com certeza, esse apaixonante assunto poderá ser acompanhado por aqueles que nos lêem através de revistas de divulgação científica e também da mídia que, atualmente, vem dando destaque especial a esse tópico.

A origem da vida na Terra é explicada pela Ciência racionalista cristã através do binômio "Força e Matéria" – os dois elementos que compõem o Universo.

A teoria foi proposta no fim do século 19 pelo mais notável erudito daquela época – Ludwig Büchner, que deu o título de Força e Matéria a um dos seus livros. Nele, porém, o autor declara que o que seja a matéria em si e a força em si ainda era ignorado por todos, inclusive por ele próprio.

Karl Christian Ludwig Büchner (mais conhecido por Louis Büchner) nasceu em 1824 na cidade alemã de Darsmtadt; com 18 anos de idade ele já havia estudado medicina, física, química, botânica, mineralogia e filosofia na Universidade de Giessen onde se graduou em 1848 com uma dissertação sobre o sistema nervoso. Continuou seus estudos na Univerdade de Würzburg, em Strasbourg onde aprendeu patologia com Rudolf Virchow – um dos maiores mestres do assunto.

Em 1855, quando era professor de medicina na Universidade de Tübingen, publicou seu trabalho científico mais importante –
Força e Matéria: estudos empíricos e filosóficos (em alemão, Kraft und Stoff: Empirisch-naturphilosophische Studien).

Por ter sido considerado extremamente materialista e contrário à filosofia religiosa da época, esse livro de Büchner causou muita polêmica; a grande revolta causada entre seus pares fez com que ele pedisse sua demissão do cargo de professor na Universidade de Tübingen.

Depois desse lamentável episódio, Büchner retornou à Darmstadt – sua cidade natal –, onde exerceu a medicina e escreveu artigos de patologia e fisiologia para revistas especializadas. Ele continuou também defendendo suas idéias filosóficas publicando uma série de livros e artigos dos quais destacamos os seguintes:
A natureza e a alma, 1857; Sobre a natureza e a ciência, (livro em 2 volumes), 1884; O progresso da natureza e a História à luz da teoria darwiniana, 1884; Fatos e teorias da vida científica atual, 1887; O estranho e o eu da vida espiritual do presente, 1890; Darwinismo e Socialismo, 1894; À serviço da Verdade, 1899. Em 1881 Ludwig Büchner fundou a Liga Alemã dos Livre Pensadores (Deutsche Freidenkerbund) para melhor divulgar suas idéias; ali se reuniam os defensores do ateísmo na Alemanha, a doutrina que nega a idéia da divindade, isto é, de Deus tanto do ponto de vista prático como teórico. Büchner morreu em 1899 na cidade de Darmstadt.

Matéria é uma palavra latina cujo significado original era "madeira de construção". No decorrer da história do pensamento humano essa palavra teve diversos conceitos.

Assim, ela foi usada pelos antigos filósofos gregos que buscavam descobrir a substância universal, ou seja, o material do qual todas as coisas são feitas. Essa matéria primordial ou básica era identificada com algum tipo específico de matéria, como por exemplo, terra, água, fogo e ar; ela não possuia nenhum atributo, exceto ser o material do qual todas as coisas eram feitas.

Mais tarde, Aristóteles procurou correlacionar matéria e forma. Para ele, a matéria não era uma realidade em si mas, uma possibilidade que somente a forma lhe daria existência.

Quando Descartes definiu a matéria como res cogitans e o espírito como res pensante sendo ambos aspectos complementares do mundo, a ciência materialista inferiu erroneamente que a matéria tinha realidade própria, independente do espírito ou de qualquer força sobrenatural, sendo seu processo de formação o resultado de interações puramente mecânicas.

É essa conceituação cartesiana de matéria a que vem predominando desde então entre a imensa maioria dos pesquisadores ligados à ciência materialista. Essa é a razão pela qual essa ciência continua afirmando que a sede da vida e do elemento que a gera está nas células do corpo humano, ou seja, na matéria organizada, especialmente do cérebro.

Recentemente tivemos a oportunidade de discutir esse assunto em um dos capítulos do livro Racionalismo cristão e ciência experimental, volume 2 ("A ciência médica e a nova era espiritualista"; ver bibliografia).

Em 1910, Luiz de Mattos – o grande Mestre espiritualista codificador da Doutrina racionalista cristã – desdobrou esse assunto explicando de modo simples e claro o que são a Força e a Matéria. De acordo com ele, o Universo é formado por dois únicos elementos: Força e Matéria. A Força é o elemento ativo e criador; sob sua ação a Matéria é passivamente modelada, ou seja, moldada em formas diversas.

Luis de Mattos divulgava amplamente suas idéas através de jornais e de livros explicando o verdadeiro absurdo que seria admitir que a matéria, que não pensa e se decompõe, seja geradora da Força, que é criadora, que é inteligência, que é luz.

Dizia ele:

"A força que no mundo físico se sente tem origem no Grande Fóco, também denominado Inteligência Universal. Desse Grande Fóco vem ela incitar e movimentar todos os corpos orgânicos e inorgânicos (...) dos reinos mineral, vegetal e animal" (no livro Pela Verdade: a ação do espírito sobre a matéria, 9a ed., p. 228).

Mas nem Luiz de Mattos nem o Racionalismo Cristão estavam fazendo uma revelação inédita com essas afirmações, pois, há vários milênios grande pensadores espiritualistas como, por exemplo, Krishna na Índia, Hermes no Alto-Egito e Pitágoras, Sócrates e Platão, na Grécia, já proclamavam a existência da Inteligência Universal, a imortalidade da alma e a sua evolução através de múltiplas encarnações. Mas, por precaução todas essas verdades eram cuidadosamente ocultadas do povo em geral e somente revelada a alguns iniciados; caso de Jesus, por exemplo, que teve contato com essas idéias durante o tempo que conviveu com os essênios e, também quando esteve no Egito, divulgando-as posteriormente junto às massas populares da Galiléia. Sua trágica desencarnação (morte, como diz o vulgo) justifica, de certa forma, a precaução que os altos sacerdotes egípcios tinham de ocultar cuidadosamente essa verdade do povo em geral.

Portanto, a definição de Força e Matéria situa-se dentro da lógica dos fenômenos psíquicos que têm sido amplamente divulgados pelo Racionalismo Cristão tanto através dos livros publicados pela doutrina como explicada oralmente durante as Sessões Publicas realizadas nas suas numerosas Casas espalhadas por todo o mundo; nessas explanações são usadas uma linguagem simples e acessível a todos, como sempre fez o grande Mestre Luiz de Mattos. Desse modo, o Racionalismo Cristão está tentando corrigir, finalmente, o erro que vem se arrastando por muitos séculos de deixar a humanidade na mais completa ignorância a respeito dos princípios que explicam a sua própria existência.

O princípio fundamental da vida no Universo é a Evolução. Esse princípio faz parte de uma lei natural e imutável à qual todos os seres pertencentes aos reinos mineral, vegetal, animal, hominal e espiritual estão sujeitos. Em cada ser desses reinos existe uma partícula da Inteligência Universal. Para entender-se melhor como a Inteligência Universal dá origem a essas partículas vamos usar aqui uma descrição feita por Fernando Faria – um escritor racionalista cristão, em um dos seus livros que é dirigido principalmente aos adolescentes:

"A Inteligência Universal pode ser imaginada fazendo-se analogia com um grande clarão, tal qual enorme foco de luz, onde o Universo está mergulhado, como se esse clarão fosse um oceano de luz. Desse enorme clarão, qual braseiro incomensurável, saltam pequenos pontos de luz, em busca da própria individualização, como aquelas fagulhas que saltam pipocando das fogueiras de São João. Essas fagulhas, ou melhor, estes pontos de luz desprendidos do Grande Foco são partículas da Inteligência Universal, as quais, simples e ignorantes, possuem potencial fantástico, latente. Estas partículas de luz, para conquistar a consciência mergulham nos mundos materiais em busca da construção da individualidade. Cada partícula da Inteligência Universal promoverá o seu progresso, a seu modo, a sua custa, através de método interativo, isto é, de ensaios e erros repetidos incansavelmente, de acordo com os procedimentos que adotar na sua trajetória evolutiva. Tragetória esta que demandará milhares de séculos, vivenciando as suas experiências, através dos reinos da natureza, inicialmente." (A chave da sabedoria, 3a ed., p. 130.)

Após completar sua evolução no reino animal, onde o pensamento é fragmentado por ser somente estimulado pelas necessidades básicas e pelo instinto de defesa, essa Partícula Inteligente migra para o reino hominal onde recebe o nome de "Espírito"; o espírito se diferencia da partícula em si por possuir corpo mental e livre-arbítrio. É o próprio espírito quem constrói para si um "corpo mental"; corpo esse capaz de gerar pensamento pleno e contínuo e, consequentemente, um livre-arbítrio, ou seja, será somente desse ser o poder de decidir suas próprias ações.

A evolução do espírito no reino hominal é feita através de numerosas encarnações em mundos do tipo "escola". Esse é o caso do planeta Terra – um dos vários mundos-escola existentes no Universo – onde as primeiras dezessete classes espirituais fazem a sua evolução. Para realizar essa evolução, o espírito necessita encarnar, ou seja, ter um corpo físico; esse corpo físico é organizado também pelo próprio espírito que usa para isso a matéria do próprio planeta onde ele encarnou.

O tema "Força e Matéria" é amplamente abordado em vários livros do Racionalismo Cristão onde os interessados poderão encontrar informações adicionais sobre o assunto (ver bibliografia). Esses livros encontram-se também no site da Doutrina Racionalista Cristã poderão ser baixados gratuitamente no seguinte endereço:

www.racionalismo-cristao.org.br

Para concluir esse artigo, vamos procurar analisar o conjunto dessas três teorias que visam a explicar a origem da vida.

O objetivo tanto da abiogênese como da panspermia – teorias defendidas pela ciência materialista – tem se limitado unicamente ao surgimento da vida como matéria orgânica; e, embora essa primeira teoria parta do princípio que a vida tenha se originado na matéria inorgânica, seus defensores a consideram como não-vida.

Por outro lado, a única preocupação que os defensores da panspermia têm manifestado até então é de detectar material orgânico que tenha chegado à Terra vindo de outros corpos celestes desconsiderando assim a possibilidade de analisar como esse material surgiu, ou seja, qual teria sido a sua origem no Universo.

Já para a teoria "Força e Matéria" a vida existe em todo o Universo e ela se manifesta em vários outros corpos celestes.

No nosso planeta a vida está presente em todos os reinos da natureza, inclusive no mineral, pois ali também existe uma partícula da Inteligência Universal. A diferença observada entre os seres desses vários reinos diz respeito tão-somente ao grau de evolução da Força que ali está presente.

Dentro dessa linha de raciocínio podemos concluir que de todas as teorias que visam a explicar a vida na Terra a mais abrangente é a defendida desde 1910 pela ciência racionalista cristã, pois, através da ação da Força Criadora sobre a Matéria Universal ela explica tanto a possibilidade da vida ter surgido a partir da matéria não-viva, como querem os defensores da Abiogênese, como também que a vida no planeta Terra tenha sido trazida do espaço cósmico e semeada nele, como atualmente tentam provar os panspermistas.

Bibliografia

A vida fora da matéria. Força e matéria. Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 21a ed., pp. 11- 17; 1996.

Couto, José Gonzalo Villaverde (2004). Introdução ao estudo da base científica do Racionalismo Cristão.

http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta/diversos/palestra2.html

Faria, Fernando. A chave da sabedoria. A evolução II, Rio de Janeiro, Editora Diagrama Comunicações Ltda, 3a ed., pp. 123 - 152; 1998.

Fontanari JF (2005). Moléculas altruístas. Scientific American Brasil, Setembro de 2005, pp. 48-55.

Guedes, Pinheiro A. Ciência espírita. Força Biogênica, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 8a ed., pp. 119-122; 1992.

Mattos, Luiz de. Pela Verdade: a ação do espírito sobre a matéria. Força e matéria: ação no planeta Terra, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 9a ed., pp. 227-234; 1983.

Mileikowsky C, Cucinotta FA, Wilson JW, Gladman BM, Horneck G et al. (2000). Risks threatening viable transfer of microbes between bodies in our Solar System. Planetary and Space Science, 48 (11), 1107-1115.

Racionalismo Cristão. Força e Matéria. Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 42a ed., pp. 43-52; 2003.

Santos, Aquiles Moisés do (2002). Força e Matéria. Gazeta do Racionalismo Cristão

http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta/artigos/fmateria.html

Silva, Glaci Ribeiro da (2006). Racionalismo Cristão e ciência experimental. A ciência médica e a nova era espiritualista. vol. 2 pp. 17-21.

http://www.racionalismo-cristao.org.br/bu/rc-ciencia-experimental2.pdf

Yates, Carlos Alberto Aires (2006). Justos Interventores. Gazeta do Racionalismo Cristão

http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta/artigos/justos-interventores.html

Maio de 2006

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo