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A vida é uma festa

Aquiles Moisés dos Santos

A vida é uma festa bonita, com muitas lições, bastando cada um colocar-se bem como observador. Há lições lindíssimas nesta imensa escola sem bancos e o bom observador vai colhendo lições maravilhosas.

Certo domingo, estava na casa de um casal muito amigo, residente aqui em Belo Horizonte. O casal é professor e tem muita alegria. Nosso amigo, muito falante, foi logo escolhendo músicas maravilhosas em seu aparelho de DVD.

Pessoas bonitas e com voz linda representando o melhor da música na tela grande à nossa frente.

De repente, meu amigo me mostra um espetáculo lindo na janela de seu apartamento: um ninho de rolinhas e ela, a mãe, o tempo todo ali sobre o ninho, deitada, mudando de posição, gostando na certa do som que ouvia.

O espaço que as rolinhas escolheram para seu ninho é muito reduzido, com uma pequena barra na parte de baixo, que deu sustentação ao ninho. De lado é tudo vazio. Esse ninho foi desfeito duas vezes pelo dono do apartamento, a princípio, mas o casal de pássaros insistiu e, de novo, reconstruiu seu ninho, vencendo o morador pelo cansaço.

Havia no ninho quatro filhotes já grandinhos e a mãe ali, solícita, aquecendo os filhotinhos, sempre atenta. Cena incrível, muito digna de ser observada, respeitada e amada.

A música deu lugar a um bom café, mesa farta, já que a dona da casa gosta de coisas gostosas e de fartura.

A troca de informações surgiu e uma velha amiga, que é portadora de Distúrbio Bipolar do Humor, antigo PMD (Psicose Maníaco Depressiva), estava ansiosa, o que foi notado por ela própria, considerando-se o número de cigarros fumados.

Na conversa, essa minha amiga conta que, conversando com sua irmã, recordou um caso antigo de família, bem desagradável, que fez sua irmã chorar muito. Nosso amigo, com uma naturalidade toda sua, falou veementemente:

– Que coisa! Em vez de você falar com sua irmã coisas do presente, vai mexer em passado ruim, sem conserto; não dá para entender seu comportamento.

Essa minha amiga tem dentro de si um ódio mais que doentio de seu pai, já falecido e, sempre que fala nele, sem que ela se aperceba disso, sua voz se eleva e ela vai se empolgando, empolgando e não gosta de ser contrariada.

Nosso amigo entrou com sua argumentação, citando casos seus com seu pai e mostrou que ela, minha amiga, está muito na frente de seu pai, já falecido e que não deveria dar tanta importância a atos que foram praticados por uma pessoa que, na certa, pouco recebeu de seus pais e que isso machuca a pessoa mais ainda, já que está valorizando o que hoje valor não tem mais.

Minha amiga citou um filme "Uma mente brilhante", indicado por sua psicanalista, envolvendo pessoas esquizofrênicas, tendo uma delas recebido o prêmio Nobel pelo trabalho matemático desenvolvido.

Nosso amigo, dono do apartamento, foi curto no seu dizer:

– Odiei esse filme e estou com raiva de sua médica por indicar um filme desse teor para sua paciente. Se minha mente é de fundo criminosa e eu vou ver filme exibindo criminalidade, na certa vai acender mais a minha cobiça pelo crime.

Minha amiga ficou contrariada e argumentou que, quanto mais informações tiver sobre o distúrbio, mais fácil fica seu entendimento sobre ele.

Nosso amigo quis mostrar que o filme atribui tudo à parte material, sem falar no espiritual, sem qualquer referência à alma, que é a autora de tudo e deu exemplo do que acontece durante o sono. Todo mundo sai viajando por aí afora e não é a matéria que a gente conhece que está viajando, porque essa está em cima de uma cama, num quarto. Mostrou que pouco adianta tentar equilibrar o corpo matéria, se a outra parte está doente, o que não foi citado no filme e disso não gostou a amiga, já que confia muito em sua médica e ela ainda não mexeu nessa outra parte do ser humano.

Foi uma tarde proveitosa para mim que vejo Deus, a Força Criadora, até numa folha seca e vi que, mesmo na aridez de uma cidade asfaltada, existe a Luz Espiritual rompendo lentamente a negrura do túnel da mente humana, que valoriza muito mais aquilo que os cinco sentidos lhe mostram.

Já temos gente pensando um pouco além, gente sentindo que a vida não é só essa coisa de ir e vir, o que é muito bom, mas ela continua infinitamente em outras dimensões e cada um, querendo ou não, é o artífice de sua vida.

Belo Horizonte, MG - Novembro de 2006

 

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