gazeta2.jpg (8041 bytes)

O a priori ético da doutrina racionalista cristã

José Renato Novaes

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) teve como objetivo principal no desenvolvimento de sua filosofia responder à seguinte pergunta: O que é o homem? Para isto, estabeleceu três questões fundamentais: O que posso saber? O que devo fazer? O que me é dado esperar?

Fundamentando-se na razão prática, Kant busca definir qual é o ideal ético da conduta humana, através do imperativo "dever ser". O filósofo tenta uma fusão entre a liberdade e a lei, a fim de determinar a regra universal que rege nossas ações, tendo como embasamento a natureza da alma humana, naquilo que ela tem de mais livre e responsável.

Para Kant o Homem na sua natureza se caracteriza por três dimensões: disposição para a animalidade, para a humanidade e para a personalidade. Enquanto ser racional, caracteriza-se por sua humanidade. A personalidade é a dimensão ética. É ela que permite ao Homem assumir-se como pessoa livre e responsável, como ser moral. Para ele o sujeito (o Homem) só atinge a liberdade e a autonomia da vontade, por um princípio que ele chama de : o a priori ético. A Lei Moral deve ser totalmente alheia às inclinações sensíveis e às paixões do mundo natural, pois que ela é exclusivamente proveniente da razão. A Lei Moral é a lei que o homem descobre em si, como ser livre e racional, aquilo que o distingue da animalidade.

O Racionalismo Cristão prima também por esse a priori ético. O valor do indivíduo principia onde começa o domínio de si mesmo. Essa qualidade é essencial e necessária, portanto, universal. "Somente os atos de valor engrandecem a personalidade e enobrecem o caráter. Os que os praticam tornam-se colaboradores eficazes na obra de pacificação e espiritualização das massas humanas" (Racionalismo Cristão, capítulo "O valor").

Sabemos que os pensamentos antecedem as ações. Por que? Nossas ações já estão a priori em nossos pensamentos como vibrações do espírito que nada pode esconder. Assim, o homem idealizado pelo Racionalismo Cristão deverá sempre respeitar a Lei Moral, agindo por dever, cuja ação será moral e legal. Uma ação contra o dever é imoral e ilegal, uma ação conforme o dever, é moral e legal. Ambas, segundo o pensador e a Doutrina, na sua intenção não obedecem a um motivo racional.

É fato que nada acontece por acaso, que nossa conduta reflete a ação soberana do pensamento, portanto torna-se um imperativo que nossas ações e pensamentos sejam racionais.

Para Kant, de tudo quanto se possa conceber neste mundo, nada existe de melhor do que a boa vontade; uma vontade boa em si mesma, que aja sempre e só por dever, sem se preocupar com as inclinações sensíveis.

Para o Racionalismo Cristão, o pensamento forte, claro e bem definido só se cultiva, se aperfeiçoa, se aprimora e fortalece pelo poder consciente da vontade. Devemos não só ter consciência a priori dos nossos atos, como também sermos absolutamente responsáveis por eles. Donde se conclui que para ambos não basta fazermos o bem por prazer, mas por dever. Uma ação moral nunca contém o seu valor no fim que pretende atingir, mas na máxima que a determina, isto é, na vontade livre, que objetive o bem comum, e, que toda lei moral é universal enquanto pertence à razão. Diz a máxima kantiana: "Age sempre segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei universal".

Meus amigos, munidos que somos pela força do pensamento e pela vontade livre, devemos estar atentos ao utilizar esses atributos, não agindo jamais contrariamente a esses princípios racionais e universais.

Dezembro 2008

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo