A Natureza, será que a respeitamos?

Maria Filomena Besteiro

É tudo, portanto, na Terra pequeno para o homem, porque sabe ele que não é deste mundo, que aqui está de passagem como presidiário ou como obreiro, para colaborar na maravilhosa obra do Universo. Discursos de Antonio do Nascimento Cottas.

Após um ano de trabalho, merecidamente almejamos a chegada das férias e, cheios de projetos, partimos para as aventuras e passeios em família. Os jovens embarcam na viagem com olhar sonhador contando e planejando mentalmente e esperam encontrar carinho, atenção, paz entre todos os elementos da família, esperando desfrutar as aventuras. Todos os anos guardamos uns dias para visitar museus, podendo assim dar a conhecer a nossa história à nossa família e ficamos a imaginar dificuldades encontradas pelos habitantes que viviam naquela época e quem sabe se por acaso não teríamos feito parte de alguma dessa história. Também evidenciamos a escravidão, as desigualdades de classes e … parece que foi há tanto tempo. A nossa filha é muito organizada e faz uma lista de tudo o que é preciso, desde os gel duche, shampoo, roupas, pequeno saco de primeiros socorros.

Após ajeitarmos tudo no carro, iniciamos a marcha de manhã cedo. Há que olhar para o trânsito na cidade e então tomamos a auto-estrada, rumo ao nosso local de eleição. Então começamos a sentir a mudança da cor; passamos de prédios para uma vegetação exuberante em que se cheiram eucaliptos e pinheiros. Aqui e ali veem-se os agricultores nas suas máquinas desbravando os terrenos para novas sementeiras e noutras pastagens para o gado, pastando displicentemente. Aqui o tempo não tem pressa e tudo gira à volta do nascer e por do sol. Quem pensa que vai para o campo e dorme até mais tarde, desengane-se, pois acorda cedo, muito cedo, com o barulho dos patos, galinhas, pássaros, cães e gatos. Este é o barulho de uma autêntica cidade, em que só a natureza conversa e nós simplesmente assistimos e, por esse fato, há que sentir que somos bafejados com toda esta riqueza.

Veio-nos ao pensamento o livro do Mestre Luis de Mattos, Vibrações da Inteligência Universal, em que nos descreve a vida, que flui com tal velocidade e beleza, sentindo em todos os aspectos a Força Criadora. A nossa origem deixou-nos todas estas riquezas para que pudéssemos ver, proteger, desfrutar sem estragar, sentindo e apreciando com responsabilidade, todos estes patamares de evolução. Por ter este privilégio de conviver momentos em natureza com tanta coisa bonita, sentimo-nos privilegiados e admiramos cada vez mais a Inteligência Universal por esta obra. Senão vejamos: há música grátis, cantada pelos pássaros; água para nos banharmos; sol que nos aquece e nos dá vitamina. Aqui, nestas águas, brincamos com os nossos filhos e os sorrisos não iremos esquecer por mais anos que passem, porque ficam os momentos de cumplicidade, descontração, abraços, beijos e mimos trocados.

Cada ser humano tem a capacidade de decidir o que quer para o seu futuro e é com alegria que vemos muitos jovens com consciência ecológica preservando o ambiente, demonstrando respeito pela nossa origem. Mas também os vemos, muito desleixados sujando tudo, deitando para o chão, parecendo que a natureza é sua inimiga. Se pensarmos bem… será que uma planta, um pássaro não tem direito ao seu espaço?

O ser humano, como homo sapiens, tem a responsabilidade em preservar o mundo-escola, assumindo a postura de guardador. Desfrutar e apreciar não é sinônimo de destruir. Já por acaso pensou que um dia irá chegar a seu mundo de estágio, observar a sua vivência passada e será que irá gostar das suas ações?

A doutrina racionalista cristã dá orientações através dos seus livros, para que o ser humano melhore o seu caráter e passe a respeitar tudo. Temos que ter em mente que somos meros visitantes e devemos usufruir da matéria com respeito e contenção.

Nada é nosso. Nossas são as ações porque o resto, ou seja, tudo o que pertence a este mundo fica aqui, até o nosso corpo, que se transforma em alimento de outras vidas.

Lisboa, novembro 2010

 

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