A ingenuidade

Pedro Pomin Neto, Eliane F. C. Ramos, Claudio Valpasso e Elen do Souto

O espírito faz a sua trajetória neste planeta em condições apropriadas ao seu estado de adiantamento, passando em cada reencarnação a vivenciar situações que lhe proporcionem maior progresso, até terminar a parte da evolução inerente a este mundo. RACIONALISMO CRISTÃO, 44ª ed., 2010. p. 30

A compreensão da vida nos dias atuais torna-se mais complicada para todos aqueles que veem com ingenuidade e inocência tudo a seu redor.

A ingenuidade é uma inocência franca.

A pessoa ingênua traz consigo um traço quase infantil, pois é na infância que a criança demonstra sua ingenuidade a ponto de não temer o perigo. Afinal, não consegue mensurá-lo tal a sua inocência.

Esta criatura precisa ter ao seu lado alguém com mais experiência, que conheça as maldades da vida para formar uma parceria sem domínio, pois as partes envolvidas em situações diferentes podem auxiliar-se mutuamente. Caminharem juntos em direção à meta consciente do esclarecimento espiritual onde os opostos descobrem que são absolutamente complementares. Um pode aprender a olhar um pouco com os olhos do outro e, assim, forma-se um equilíbrio onde nem a ingenuidade total nem a maldade imperam, mas, sim, o bom senso e o equilíbrio.

Quando a pessoa desconhece a maldade e a capacidade que o ser humano tem de cometê-las, necessita de um orientador. Assim como a criança que precisa dos pais para a alertarem do perigo, a pessoa ingênua necessita de alguém com uma visão mais prática deste mundo.

E assim como uma simbiose, um traz para o outro a doçura que tem em ver o mundo azul, florido e cheio de amor , enquanto o outro vem trazendo um pouco de ceticismo, de tal maneira que leve o ingênuo a colocar os pés no chão.

A ingenuidade é uma atribuição do espírito que dificulta a percepção de acontecimentos maldosos e maledicentes. Todas as criaturas ingênuas são pessoas boas que olham o mundo e as demais pessoas como elas são ou como gostariam que fossem. Na verdade crescem, mas continuam olhando a vida sem maldade, assim como uma criança. Com isso sofrem mais, pois se decepcionam com facilidade, recebem fortes golpes da vida que é dura e rigorosa, sem contar que as pessoas sem princípios se aproveitam delas.

A ingenuidade se propaga, sobretudo, pela boa índole da criatura. Provém do espírito bom, que não consegue enxergar a maldade que existe por toda parte no mundo Terra nos dias atuais.

Tais criaturas se voltam às boas ações, às gentilezas recebidas e as dispensam a todos de igual forma, o que muito as dignificam, mas, não deve ser esquecido nem colocado à parte a prudência, a precaução e a cautela sem nutrir sentimentos inferiores por ninguém, contudo, é indispensável à ponderação. Desligarem-se do mal, sem ignorar sua existência por completo para não serem surpreendidas.

Na verdade a busca da harmonia entre os dois lados é constante. Um precisa de chão para não se deslumbrar com a vida, e o outro de doçura para não se tornar amargo. O importante é isto: harmonia.

Não se devem deixar levar pelas falsas belezas da vida, e tampouco pelas agruras que ela nos oferece. Sejamos práticos quando necessário e doce quando for possível.

Seguir a causa racionalista cristã é também seguir o caminho da verdade, da realidade, sabendo reagir às ingratidões com indiferença sem esquecer-se de quem bem faz, para si o faz e quem mal faz, a si mesmo estará fazendo.

Todos os racionalistas cristãos são ricos de ânimo por conta dos esclarecimentos espirituais que nutrem a alma humana. Não perder a ingenuidade é não perder a confiança que a humanidade um dia evolua.

Petrópolis, RJ e Rio das Ostras, RJ - Maio 2010

 

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