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A crucificação de Jesus
Como e quando teria sido a sua morte?

Gilneu Castro Müller



Do livro "Santo sudário", de Julio Marvisom Preney. Editora Mercuryo, 1998.
Moderna imagem em cores do dorso, que mostra sangue venoso e arterial,
assim como a fluorescência da albumina.


1. Antecedentes e motivos da condenação

As circunstâncias de como e quando teria ocorrido a morte do corpo físico de Jesus, após a crucificação em uma grande cruz de madeira, entre dois "ladrões" companheiros seu de infortúnio, é um assunto muito cheio de controvérsias e polêmicas. Segundo as informações contidas nos evangelhos bíblicos, ele teria sido retirado da cruz já sem vida, sepultado logo em seguida e permanecido o seu sepulcro guarnecido por dois soldados romanos para evitar qualquer violação. No entanto, mesmo com dois guardas vigiando o local, durante a noite o corpo foi retirado e levado para local ignorado do público comum e a partir deste ponto surgem todas as lendas e as diversas histórias desencontradas que iremos abordar neste artigo, fazendo o possível para comparar e analisar todas as circunstâncias, situações e hipóteses possíveis de terem acontecido, desde a crucificação até a suposta morte e a complicada ressurreição, que aconteceu após muitas aparições extraordinárias em locais também desencontrados segundo os próprios evangelhos canônicos.

Segundo os mesmos relatos bíblicos, especialmente os "evangelhos", Jesus, para encerrar a sua missão terrena, teria viajado pela última vez para Jerusalém, quando se descuidou e após ser entregue aos seus inimigos por Judas Iscariotes, acabou sendo preso e condenado à morte. Alegam os evangelistas que o principal motivo para essa viagem seria a celebração ou comemoração da Páscoa, o que representa uma causa insignificante, pois a mesma poderia ser celebrada em qualquer outro lugar, sobretudo se for levado em conta que Jesus sabia muito bem que era em Jerusalém onde se encontravam os fariseus, os seus maiores e mais rancorosos inimigos.

Quando Jesus atravessou a porta de entrada da cidade montado em seu pequeno burrinho, segundo algumas fontes apócrifas seria uma linda jumenta branca que lhe presentearam antes da viagem, Jerusalém era a maior cidade do Império Romano, entre Damasco na Síria e Alexandria no Egito, com uma população estimada em 80 mil moradores. No entanto, durante as festividades da semana da Páscoa, com o grande número de peregrinos a circular pela cidade, o número de habitantes ultrapassava dos 100 mil, o que nos dá uma idéia do clima de agitação vivido na cidade, carros de bois dividiam as ruas estreitas com pedestres e havia ao mesmo tempo um grande vai e vem de animais sendo trazidos para os sacrifícios durante as celebrações do Templo.

A cidade fora conquistada pelos romanos em 63 a.C. E se encontrava no auge do seu esplendor arquitetônico. Onde quer que chegasse o seu império, os romanos faziam questão de introduzir o seu estilo arquitetônico em obras como estradas, palácios, anfiteatros e hipódromos. Em 31 a.C. eles haviam colocado o judeu Herodes Antipas como governador da Palestina. Sua principal obra foi a construção do templo de Jerusalém, cujo tamanho e riqueza foram idealizados para rivalizar com o templo salomônico descrito na Torá. As obras haviam terminado no ano 10 a.C., portanto aproximadamente quatro anos antes do nascimento de Jesus. A riqueza da elite judaica era alimentada pela cobrança de taxas dos peregrinos especialmente nos dias de festas. Para as convicções rígidas e disciplinadas de Jesus com respeito a riquezas e ostentações, era inadmissível o estilo de vida dos sacerdotes judeus e do próprio rei Herodes, que aceitavam e se beneficiavam com a dominação dos romanos, considerados por eles pagãos.

É certo que em vários trechos e passagens da história bíblica há informações atribuídas a Jesus de que ele já tinha conhecimento do que iria se passar em sua vida, isto é, a sua prisão e morte. Mas se Jesus sabia realmente o que ia lhe acontecer e, apesar desse conhecimento, foi ao encontro dos inimigos, pode-se concluir que ele procurou por si mesmo a morte, neste caso se acabaria por admitir este absurdo: Jesus suicidou-se! Portanto, ou ele esperava empolgar o povo e tê-lo a seu favor na hora do perigo, ou então não tinha conhecimento algum do que iria acontecer, e nem dos riscos a que iria expor-se, e nesse caso mentem os evangelistas quando dizem que ele sabia e tinha previsto o que iria acontecer. Aqui não importa e nem influi o argumento contido nos evangelhos de que isso era para cumprir-se o que estava escrito como previsão no antigo testamento, de qualquer forma apressando o fim dos seus dias estaria cometendo o suicídio. Logicamente se sabe que a vida terrena terá um fim, ninguém vive para sempre aqui no mundo Escola ou fica para semente como se diz vulgarmente, mas se for apressado esse fim pela própria criatura, por sua ação direta, a mesma estará incorrendo no seu próprio suicídio quando está reduzindo os seus dias de vida física.

Além disso, deve-se levar em conta o instinto de conservação que fala mais alto em todas as criaturas, e este sentimento pode ser traduzido pelas seguintes palavras: "medo de morrer". Jesus não deve ter sido alheio a este sentimento, pois, segundo os próprios evangelistas, no Horto das Oliveiras, quando em profunda oração e meditação, pediu que fosse afastado dele o cálice da amargura. Somente em completo estado de alucinação ou perturbação psíquica se pode compreender que alguém enfrente e aceite a eventualidade de sua própria morte certa! Mas nos parece que Jesus não estava enquadrado nesse caso. Também é falha a alegação de que Jesus ia a Jerusalém para terminar a sua obra, morrendo na cruz, o que é muito discutível, e para redimir o gênero humano o que é mais absurdo ainda. Se sabe, perfeitamente, já foi estudado anteriormente, que cada criatura humana, como Espírito encarnado que é, é a única responsável para regatar os seus débitos, faltas ou pecados para os religiosos, por sua própria conta através de incontáveis e sucessivas reencarnações aqui no plano terreno. Portanto, cada criatura realiza por si própria a sua evolução através de atos dignos e elevados; ninguém assume as faltas de seus semelhantes em nenhuma hipótese.

Como quer que tenha sido, o fato é que a ida de Jesus a Jerusalém, cuja causa não está suficientemente provada ou esclarecida, foi imprudente, a não ser que ele esperasse ali qualquer acontecimento que lhe tornasse o meio ambiente favorável, ou ocorresse uma calorosa recepção ou uma aclamação, ou uma espécie de glorificação maior por parte do povo. Nada que Jesus esperava lhe aconteceu e parece que ele continuou mostrando a sua animosidade contra os fariseus, como se encontra no evangelho de Lucas, no seu capítulo 19 e versículos 45 e 46, e ou no capítulo 21 de Mateus nos seus versículos 12 a 17, irritando-lhes os ânimos a ponto de eles convencerem o governador romano Pôncio Pilatos de que se tratava de um perturbador da ordem, motivando o mandado de prisão e a subseqüente condenação à morte.

Segundo a própria história bíblica, na quinta-feira percebendo que o cerco apertava, os apóstolos resolveram celebrar com Jesus a última ceia. A imagem que é divulgada desta ceia por Da Vinci e outros pintores nada representa do que realmente aconteceu. Os judeus comiam deitados de flanco como os romanos e as mesas eram ordenadas em formato de "U" e nunca dispostas em linha reta como aparecem nos quadros da "Santa Ceia". Durante a realização desta ceia, Judas Iscariotes teria se levantado para trair o seu próprio mestre, ou como muitos sugerem, para cumprir uma ordem dada pelo próprio Jesus. Ordem esta que não deixa de ser um tanto estranha e até paradoxal e incompreensível.

Uma das causas para a condenação de Jesus teria sido a perturbação da ordem pública que lhe acusaram, mas existe outra de ordem pessoal que fora a vingança de Hanã, o sumo pontífice do alto sacerdócio judaico. De acordo com fontes apócrifas Maria Madalena teria sido amante de Hanã e ele lhe presenteava com jóias caríssimas e mantinha por ela uma paixão fervorosa. Quando Maria Madalena conheceu Jesus, após ouvir as suas palavras esclarecedoras a respeito das riquezas materiais mal adquiridas e das verdadeiras riquezas do Espírito que eram eternas, ela resolveu mudar seus hábitos de vida e subitamente resolveu abandonar todas as riquezas materiais e seguir Jesus de perto como uma das mais dedicadas discípulas do Mestre Nazareno. Por ela ter seguido Jesus, corria notícias entre o povo de toda Jerusalém que Maria Madalena era a companheira e amante do seu Mestre. Pouco antes da condenação de Jesus, Hanã teria mandado um de seus mensageiros tentar convencer a Madalena para que voltasse atrás na sua decisão e que ele a perdoaria, lhe ofertando novas jóias e tudo que ela tinha antes. Como ela não teria aceitado de maneira nenhuma, ele vingou-se em Jesus, fazendo tudo para condená-lo e mais ainda crucificá-lo entre dois ladrões confundindo-o com os mais perversos que encontrou. Eis uma das razões a mais para a crucificação de Jesus. Pois se Jesus fosse condenado de acordo com costumes judeus, ele teria sido apedrejado até a morte e nunca crucificado. A crucificação era considerada um dos castigos mais desumanos daquela época e era exclusivamente aplicado pelos romanos com a principal finalidade de dominar os revoltosos que porventura tentassem apresentar alguma resistência.

2. Quem teria condenado e crucificado Jesus?

Parece que há entre os evangelistas uma tentativa de tirar de Pôncio Pilatos a responsabilidade ou culpabilidade pela morte de Jesus, mas isso se explica pelo fato de que os primeiros cristãos queriam contar com a simpatia das autoridades romanas, com as únicas que podiam contar na guerra franca entre eles e as sinagogas. A história inserida no texto bíblico pelos evangelistas apresentando um Pilatos que hesitou e acabou lavando as mãos e consentindo por fim na morte de um "inocente" revelou-se muito pior do que eles pretenderam apresentar, simplesmente o governador agiu como um covarde! Ou ele sabia que Jesus era culpado e o condenava, como condenou, ou então tinha certeza da sua inocência, e em tal caso não o podia ter condenado, ele que tinha em suas mãos poder para agir das duas formas.

A lenda que foi inventada sobre a escolha entre Jesus e Barrabás não tem nenhuma razão de ser.

Entretanto o que é mais provável é que até o último momento Jesus teria esperado qualquer coisa de anormal que o livrasse da fúria dos fariseus, ou então estava muito longe de saber o que iria lhe acontecer, e tanto é assim, que segundo Mateus no seu capítulo 26 e no versículo 32, ele havia marcado um encontro com os discípulos posteriormente na Galiléia. Fato este que confirma a sua intenção em ainda retornar mais uma vez de Jerusalém para a sua terra natal.

Pilatos, porém, foi inflexível e assinou a pena de morte, tirando-lhe as últimas esperanças. Segundo algumas fontes apócrifas, Pôncio Pilatos intimamente não tinha nada contra Jesus e possivelmente até o admirava e quando o apresentaram Jesus preso para que decidisse sobre a vida e morte do mesmo, ele teria até se penalizado daquele homem inocente tão martirizado. Mas foi armado um conluio entre os chefes da religião judaica ameaçando de entregar Pilatos ao imperador romano, caso ele não condenasse Jesus a pena máxima.

Segundo conjecturas de ordem histórica geral, Tibério era o imperador que reinava em Roma e era um monarca cheio de superstições e perseguido pelo medo, do que há vestígios claros daquela época. E é impossível que até ele já não tivessem chegado rumores de que nas terras da Palestina incorporadas ao seu império houvesse surgido alguém se apresentando como rei da Judéia. Fato este que o levaria a ficar no mínimo preocupado com o que estivesse por lá acontecendo. Dizem, ainda, alguns historiadores que por esta época Pilatos não estava em muitas boas graças com o imperador, e conseqüentemente por ver a sua situação agravada em Roma, poderia ter sido a causa determinante da assinatura da pena máxima contra Jesus. Após ter decretado esta sentença de morte, Pilatos mandaria um relatório a Tibério, e com isso provaria que estava desempenhando o seu cargo de procurador com zelo, agradando e captando as boas graças do imperador.

Apesar de os soldados romanos sob o comando de um centurião terem colocado em prática a pena máxima decretada contra o indefeso e martirizado Jesus, não podemos dizer que todos os romanos foram responsáveis pela sua morte. Também é injusta a condenação que vulgarmente se faz contra o povo judeu todo, o acusando do mesmo crime, a religião de Roma já dita cristianizada chegou ao absurdo de condenar o povo judeu por deicídio, isto é ter matado Deus e, maior absurdo ainda, porque Jesus não era Deus e nunca se intitulou como tal. Na verdade foi um grupo de judeus, que Haná comprou a peso de ouro, que se colocou contra Jesus na hora da decisão final, não foram todos os judeus. Neste caso a responsabilidade maior recai sobre os chefes religiosos que prepararam toda intriga ameaçando de entregar Pilatos para Tibério se ele porventura libertasse Jesus. Nem todo o povo judeu queria a morte de Jesus. Atualmente levanta-se outra hipótese um tanto absurda para os crentes de todas as seitas religiosas que usam a morte de Jesus como sua principal fonte de vida, se Jesus sabendo que os fariseus eram seus ferrenhos inimigos e eles estavam em Jerusalém, ao voltar e até provoca-los no Templo, estaria a procurar a morte pelas próprias mãos. Nesta hipótese Jesus teria praticado o seu próprio suicídio. Assim entre o povo romano e o judeu, naquela época de Jesus, existiam muitas criaturas com a índole voltada para o bem e para as boas ações, e por isso não podemos condenar os habitantes de uma nação inteira pelas irresponsabilidades de um grupo que decide agir com maldade, perversidade e vingança contra quem ousa contrariar os seus interesses e as suas mordomias mantidos à custa da exploração e da ignorância dos mais humildes.

3. Como e quando teria acontecido a sua morte?

A morte na cruz, como relatam os evangelhos, não pode ter se dado como nos é relatada, e por isso se irá estudar mais adiante as muitas probabilidades de que Jesus tenha sido retirado da cruz ainda com vida, isto é em um estado de morte aparente, desmaiado e inconsciente. Todos os quadros ou imagens que mostram Jesus carregando uma pesada cruz de madeira nas costas não são verdadeiros, pois o que ele transportou nas costas amarrado aos dois braços foi um pesado pedaço de madeira que formava apenas a parte horizontal da cruz, já que a parte vertical se encontrava fixa no local da crucificação. Os quadros religiosos que representam a crucificação são tão falsos como os da "Santa Ceia" e outros que a igreja utiliza largamente para melhor impressionar os seus fiéis e mantê-los assim com a fé sempre afiada e em condições de aceitar a imposição de seus dogmas.

Também se pode admitir com muita lógica e cabimento, a hipótese de que Jesus não estivesse morto, mas apenas com ferimentos e desmaiado, só assim se justifica o cuidado dos discípulos em reanimá-lo o mais rapidamente possível, talvez para que não expirasse. Esta suposição pode basear-se em algumas circunstâncias que não passam desapercebidas, e que entre outras se pode citar as seguintes:

1ª - O cuidado de José de Arimatéia em solicitar direta e pessoalmente a autorização ao procurador Pôncio Pilatos para retirar da cruz o corpo e depositá-lo em um sepulcro que mandara construir, que podia muito bem estar preparado para isso.

2ª - O cuidado que houve no Gólgota em não quebrar as pernas somente de Jesus, pois os outros dois condenados tiveram as suas pernas quebradas, para que morressem mais rápido.

3ª - A urgência com que Maria Madalena e outras mulheres correram para o sepulcro com preparados diversos, podendo ser admitido que tivesse sido marcado previamente um encontro lá com os demais discípulos.

4ª - A estranheza de Pilatos quando lhe foram dizer que Jesus já tinha expirado, após apenas três horas de crucificação.

5ª - Substância narcótica que foi colocada na boca de Jesus junto com a esponja embebida em vinagre e fel na ponta de uma cana, quando ele sentiu sede e pediu água, conforme se pode ler no evangelho de Mateus no seu capítulo 27 e versículos 45 ao 48.

6ª - Descoberta e estudo científico do "Santo Sudário" lençol de linho especial que se acredita que tenha envolvido o corpo de Jesus ao ser retirado da cruz e de acordo com as impressões que ficaram gravadas no mesmo, se pode deduzir que o corpo que dele foi aproximado ainda estava vivo, fato este confirmado pela disposição do sangue coagulado na sua superfície.

7ª - A possível admiração e simpatia pelo condenado, do próprio centurião que comandou o ato da crucificação, que segundo a história bíblica, o mesmo teria ficado penalizado com a situação de Jesus e até no momento em que o carrasco iria lhe cravar os cravos, ele teria virado o rosto para o lado. Esta circunstância também pode ter influído para não serem quebradas as pernas somente de Jesus.

8ª - O possível suborno dos soldados romanos por parte de Maria Madalena para que não fossem quebradas as pernas de Jesus e permitissem a retirada de seu corpo da cruz antes do tempo previsto para os demais condenados em situação normal.

9ª - E por último muitas contradições e discordâncias que existem entre umas e outras narrativas evangélicas, todas elas dignas de serem levadas em consideração.

A seguir apresenta-se mais um trecho da obra de Holger Kersten, no qual podem ser observados alguns costumes e fatos históricos interessantes, a respeito da morte dos condenados a crucificação, desconhecidos ainda do público e principalmente das partes que tratam da suposta "morte de Jesus" que é o tema principal em estudo: "... A história nos conta que a sentença de morte nos tribunais romanos se consubstanciava nas palavras 'ibis and crucem' que significam 'subirás à cruz'. A crucificação era a forma mais ignominiosa e brutal de morrer. Essa pena não era aplicada a cidadãos romanos, mas aos povos dos países dominados, era a maneira popular de converter um povo rebelde em súditos pacíficos e obedientes ao jugo romano. A prática da crucificação era desconhecida entre os judeus, que em caso de pena de morte usavam a lapidação, decapitação, estrangulamento e fogueira. Porém, segundo a lei mosaica, um blasfemo, quando já estava quase morto, podia ser pendurado a uma árvore, pois aquele que é suspenso é um maldito por Deus. (Deuteronômio, capítulo 21 e versículo 23). A crucificação, não podia nunca ocorrer no sábado. Entre os judeus, o sábado tem início na tarde do dia da Preparação, que foi o dia da crucificação."

Os romanos, para evitar problemas, costumavam tolerar, na medida do possível, os usos e costumes religiosos dos judeus, e foi por isso que a execução foi realizada às pressas, para que terminasse antes do cair da tarde. Para intimidar outros rebeldes ou agitadores, era sempre angustiante, dolorosa e prolongada.

Se todo o peso do corpo da vítima fosse suportado apenas pelos pulsos, a morte sobreviria após cinco ou seis horas de sufocação e não de perda de sangue, pois nessa posição a respiração torna-se tão difícil que o corpo não receberia oxigênio suficiente para sobreviver. A fim de evitar uma morte rápida, assentavam os pés do condenado numa espécie de suporte horizontal à cruz, para que ele pudesse sustentar o corpo, enquanto agüentasse. Os ferimentos nós pés da vítima do santo sudário não provam que tivesse tido tal apoio, mas o cravo, por si, seria suficiente para evitar a asfixia. Na arte ortodoxa grega, o crucifixo apresenta sempre um apoio para o pé. Muitas vezes um pequeno assento de madeira era colocado atrás do condenado para diminuir a dor, mas também para prolongar a agonia. Sêneca, o filósofo da corte de Nero, escreveu em uma de suas cartas: 'a vida dos condenados a esse tipo de morte se esvai gota a gota'.

Segundo os evangelhos bíblicos, Jesus foi pregado à cruz na "sexta hora" ou ao meio dia e morreu na hora nona ou as três da tarde. Ao anoitecer, o evangelho de Lucas relata que uma estrela tripla anunciava o começo do sábado, às seis horas da tarde, o corpo considerado morto, foi retirado da cruz.

Se a narração dos evangelhos estiver correta, Jesus estaria "morto" havia pelo menos, três horas. Era costume colocar sobre os pés do crucificado o nome e o motivo da condenação, para conhecimento de todos. Segundo a tradição, no caso de Jesus, a tabuleta dizia em latim, grego e aramaico que se tratava de "Jesus, Nazareno, Rei dos Judeus" . As representações artísticas da crucificação mostram apenas as iniciais INRI, que são uma abreviatura do texto latino que era assim escrito: 'Jesus, Nazarenus, Rex, Iuaeorum'. Evidentemente uma das acusações contra Jesus residia no fato de ele ser um nazareno (natural da cidade de Nazaré)!

Parece ainda menos provável que Jesus tenha morrido após três horas, porque os nazarenos ao contrário dos essênios, não eram ascetas. Conforme Mateus em seu capítulo 11 e versículo 19; Veio o filho do homem que come e bebe, e dizem: eis aí um glutão e bebedor de vinho". Jesus dificilmente poderia ser descrito como uma pessoa magra e fraca, pois pesava 79 quilos.

A morte dos outros dois homens crucificados com Jesus é expressivamente descrita no evangelho de João: "Como era a Preparação, os judeus, para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado - porque esse sábado era um grande dia - pediram a Pilatos para lhe quebrar as pernas e fossem retirados da cruz. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e depois do outro, que fora crucificado com ele." (Conforme o evangelho de João, no capítulo 19 e versículos 31 e 32.) O texto dá a entender que os dois "ladrões" morreram asfixiados dentro de poucas horas, por não poderem se suster, devido às pernas quebradas. Chegando a Jesus e vendo-o já morto, não lhes quebraram as pernas...(conforme capítulo 19 e versículo 33 do evangelho de João).

A razão para a morte aparente de Jesus pode ser encontrada um pouco antes, nos versículos 27 e 30 do evangelho de João: "... Estava ali um vaso cheio de vinagre. Fixando, então, uma esponja cheia de vinagre num ramo de hissopo, levaram-na a sua boca. Quando Jesus tomou e absorveu o vinagre disse: "...Está consumado, e inclinando a cabeça, entregou o Espírito". Resta saber se foi o vinagre que levou Jesus a entregar imediatamente o Espírito, ou se foi uma outra substância qualquer. Era comum entre os judeus darem a um homem condenado a morte vinho temperado com mirra e incenso, a fim de amenizar-lhe a dor com o efeito narcótico dessas substâncias.

A hipótese de que Jesus somente aparentasse estar morto quando entregou o "Espírito" foi muitas vezes levantada, mas como a ressurreição nunca foi provada com certeza, o apóstolo Paulo aproveitou-se disso para formular a sua doutrina pagã da redenção sacrificial, que prometia a salvação através da morte e derramamento de sangue. O sacrifício de Jesus foi sempre apresentado como voluntário, especialmente pelos propagadores da fé cristã, mas, na verdade, os evangelhos demonstram várias vezes que Jesus tinha medo da morte. Na expectativa do que poderia acontecer, Jesus reza no Horto de Getsmani, com as seguintes palavras: "Abba, Pai, tudo é possível para ti; afasta de mim este cálice; porém, não se faça o que eu quero, mas o que tu queres." (conforme os evangelhos de Marcos capítulo 14 e versículo36, e Mateus capítulo 26 e versículo 29 e Lucas no seu capítulo 22 e versículo 42). "E, estando em agonia, orava com mais insistência ainda e o suor se lhe tornou semelhante a gotas de sangue que caiam por terra" (Lucas capítulo 22 e versículo44). Um mártir preparado para oferecer a sua vida em sacrifício encararia a morte com mais serenidade. No entanto, o apelo final de Jesus: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" é prova suficiente de que a crucificação estava longe de representar a realização dos seus desejos. Os acontecimentos posteriores irão provar que Jesus não estava tão abandonado, como a sua queixa dá a entender. Os três evangelhos sinóticos narram que Jesus, antes de entregar o Espírito, deu um grande brado. Ora, é impossível que uma pessoa consiga gritar em estado de absoluta exaustão, ou prestes a morrer por asfixia - que foi na opinião da grande maioria dos médicos, a "causa mortis" de Jesus (a opinião destes médicos estranhamente coincidem com a história bíblica).

De acordo com o texto bíblico, Jesus teria permanecido "morto" na cruz por três horas. As conseqüências desse fato podem ser descritas com precisão absoluta. Segundo recentes pesquisas nesta área, apenas após trinta minutos de ter ocorrido a morte já inicia-se um processo de enrijecimento dos músculos.

Quando Jesus crucificado perdeu a consciência, seu corpo, embora sustentado pelos cravos que lhe traspassavam os pés, pendeu, de forma que suas pernas se dobraram sensivelmente, a partir de então todo o peso do corpo foi sustentado pelos cravos nos pulsos. A cabeça pendeu e o queixo encostou-se-lhe ao peito. Transcorridas de três a quatro horas, seu corpo deveria normalmente ter enrijecido. Se porém observarmos a imagem estampada no sudário, notamos que as costas, a cabeça e as pernas do "cadáver" se ajustam perfeitamente a superfície plana do lençol. O fato de Jesus não estar enrijecido ao ser retirado da cruz, é prova suficiente de que ele não estava morto. Provas ainda mais convincentes podem ser vistas nas manchas de sangue, visíveis no lençol.

Apesar das contradições e relatos inexplicáveis dos evangelhos, sobre os acontecimentos que se seguiram à paixão, inúmeras testemunhas dizem ter visto Jesus em carne e osso, após a "ressurreição". Maria Madalena, pensou a princípio, que ele era um jardineiro!...

4. Estudo científico do "Santo Sudário"

O "Santo Sudário" ou o famoso "Sudário de Turim" é um lençol de tecido especial de linho, medindo 4,36 metros de comprimento por 1,10 metros de largura, e revela com incrível clareza a imagem de um homem flagelado. Este lençol teria servido de mortalha para Jesus, e na época fora adquirido por José de Arimatéia que era um judeu rico e de posses, que conhecia os ensinamentos de Jesus, e segundo os próprios evangelistas ele e Nicodemos, apesar de pertencerem ao Conselho Religioso Judaico, tinham uma grande amizade e consideração por Jesus e até votaram contra a sua condenação, embora sozinhos não tenham conseguido evitá-la. A analise científica da figura humana que ficou marcada neste tecido do "Santo Sudário" é uma das provas de que o corpo que esteve ali envolvido ainda tinha vida, ou seja, o seu sangue ainda estava sendo bombeado pelo coração, conforme se pode verificar a seguir na análise científica do sudário. Uma das metades do lençol mostra o corpo visto de costas e a outra metade o corpo visto de frente. Pode-se distinguir com facilidade a cabeça, o rosto, o peito, os braços, as mãos e os pés ali impressos em cor sépia, e em alguns pontos em cor cinza.

Este lençol que aqui é mencionado foi conservado até os dias de hoje, e se encontra atualmente em Turim. É portanto um documento autêntico que registrou prodigiosamente um dos momentos mais importantes da história universal. Trata-se de um documento quase fotográfico, possivelmente uma das maiores relíquias de todos os tempos e uma das maiores provas de que Jesus não teria morrido na cruz, como nos dizem os evangelhos e todas as religiões que neles se apóiam.

O teólogo alemão Holger Kersten em sua obra "Jesus Viveu na Índia" nos apresenta a sua análise científica, onde através de fotografias aperfeiçoadas, foram feitas as seguintes observações:
1º - O corpo, visto no sudário, está nu. De acordo com a lei romana, os criminosos eram castigados e executados nus. Uma representação artística de Jesus, nu, seria considerada sempre uma blasfêmia imperdoável.

2º - Está bem nítida a imagem de uma pessoa pregada na cruz, e não simplesmente amarrada com tiras de couro, como era também usual. A crucificação era uma punição freqüente, e por isso não se pode provar que aquele corpo seja exatamente o de Jesus. Entretanto, considerando que o primeiro imperador cristão, Constantino, aboliu esta pena tão desumana, o sudário só pode ser anterior a 330 d.C.

3º - O estilo da barba e do penteado usado pelo homem estampado no sudário, não sendo adotado em nenhum outro lugar do Império Romano, com exceção da Palestina, sugere fortemente que o condenado era membro da seita nazarena e que pertencia à comunidade essênia.

4º - O sudário apresenta sinais evidentes das seis primeiras estações da via sacra descrita nos evangelhos. Em primeiro lugar, médicos especialistas diagnosticaram grave inchaço sobre o olho direito e outros ferimentos faciais, evidentemente causados pelo cruel tratamento infligido pelos soldados romanos.

5º - Em segundo lugar, notam-se pequenas, mas bem nítidas marcas de forma arredondada, atrás e na frente do corpo,. Ao todo são noventa marcas. De forma que sabemos não só quantos golpes foram desferidos, mas também que o açoite empregado foi o "flagrum" romano, um tipo de flagelo, dotado de três tiras de couro, em cujas extremidades se atavam pares de pequenas esferas de chumbo ou de osso.

6º - A terceira estação da via sacra é reconhecida pelos ferimentos dos ombros, obviamente causados por um forte peso, o que indica que a vítima deve mesmo ter carregado uma cruz ou pedaço de madeira pesada.

7º - A quarta estação da via sacra se nota nas listas irregulares de sangue que aparecem na parte anterior e posterior da cabeça, provocadas pela coroa de espinhos. Não se trata, de uma coroa redonda, como a ilustrada pela maioria dos artistas, mas de um gorro inteiriço que cobria toda a cabeça, semelhante às coroas orientais. Um falsário teria representado uma coroa de espinhos convencional.

8º - A quinta estação da via sacra, a fixação por cravos à cruz apresenta-se visível no sangue que escorreu dos pulsos e dos pés. A direção tomada pelo fluxo maior de sangue indica que os braços estiveram estendidos em um ângulo de 55 a 65 graus. Uma das mais surpreendentes informações coletadas no sudário é que os cravos foram pregados, não nas palmas das mãos como todos os artistas pintaram, mas nos pulsos. O cirurgião francês Bardet demonstrou que a palma das mãos jamais suportaria o peso de um corpo crucificado, que pesasse mais de 40 quilos. Simplesmente se rasgaria, acompanhando os ossos do metacarpo. Que falsário saberia disso?

9º - A sexta estação da via sacra reconhece que pelo corte de 4,5 centímetros aberto do lado direito, entre a quinta e sexta costelas , por onde teria corrido muito sangue. Isto confere com o texto do evangelho de João que fala de um ferimento de lança, do qual fluiu em profusão "sangue e água".

10º - Tanto o fêmur como a barriga da perna não mostram sinais de grandes feridas, sugerindo de fato que as pernas não foram quebradas.

Todos estes dados que foram enumerados demonstram que não se trata de uma vítima qualquer de crucificação. Tantas provas que coincidem com o evangelho de João, somente poderiam dizer respeito a uma única pessoa!

Além destas provas apresentadas anteriormente é preciso que se observe com atenção uma das pesquisas realizadas em laboratórios da NASA, onde uma fotografia computadorizada possibilitou a elaboração de uma figura tridimensional em tamanho natural. Se se tratasse de uma farsa, a proporcionalidade não teria sido conseguida. Com base no relevo foi possível determinar o verdadeiro peso e as medias de Jesus: Aproximadamente 1,80 metros de altura e 79 quilos de peso.

5. Jesus não morreu na cruz!

A seguir apresentam-se informações contidas em três obras de autores diferentes que confirmam que Jesus não teria morrido na cruz, mas ele teria sido retirado dela inconsciente e em estado de morte aparente. A obra "A Personalidade de Jesus no Labirinto Evangélico" de autoria do ex-padre Américo Correa Marques, nos apresenta informações mais lógicas do que as encontradas nos evangelhos bíblicos a respeito deste assunto relacionado com a vida e a morte de Jesus, especialmente de quando e como ela teria ocorrido. Eis o trecho da obra do ex-padre Américo: "...Todos os credos religiosos, absolutamente todos, que são derivados da lenda evangélica, e hoje se consideram os seguidores de Jesus e os únicos cristãos, evitam aprofundar este assunto, porque sabem que esbarrarão em um terrível impasse, e partem além disso de um ponto de partida errôneo que é o de considerarem Jesus mais uma entidade abstrata do que real. O resultado é que a morte é relatada com mais ou menos superabundância de recursos de imaginação e fantasia, não sabem, porém o que fazer, ou o que foi feito do corpo."

Os evangelhos nos relatam episódios após a morte de Jesus, dizendo ter havido a ressurreição. Ora, a morte é o fim da vida orgânica, entrando a matéria logo em decomposição no grande laboratório da natureza, portanto se a ressurreição é a volta à vida, o Espírito não poderia voltar a animar um corpo já entrado em putrefação.

Logo, se Jesus voltou à vida é porque ainda não havia morrido! Esta hipótese é baseada num velho pergaminho manuscrito originado de um membro superior da Ordem da Congregação dos Essênios. Trata-se de uma epístola deste membro integrante dos essênios, supõe-se que Jesus e alguns dos seus apóstolos pertenceram a esta Ordem, tal carta teria sido remetida de Jerusalém para idêntica comunidade existente na cidade de Alexandria, para esclarecer pontos sobre a morte e a ressurreição de Jesus, que a lenda e a exaltação mística de então já haviam adulterado e tornado-os confusos.

Declara o autor desta carta que Jesus, como João, era essênio, pertencendo ambos a congregação existente ao pé do monte Cassius, onde José, Maria e Jesus haviam se refugiado antes, por ocasião da ida ao Egito, por cuja hospitalidade José fizera o voto de consagrar o menino à Ordem em sinal de reconhecimento.

Depois de vários acontecimentos relacionados com Jesus e seus pais, relata que os mesmos foram mais tarde para Jerusalém, para fugirem a pressão que o rei Archelau fazia sobre a Galiléia. De entradas triunfais em Jerusalém não se encontra vestígios de citação alguma nessa carta que estamos analisando. Jesus, que então já era adulto, impulsivo e ardoroso propagandista da pureza de costumes, logo se tornou malquisto dos fariseus, que resolveram prendê-lo e matá-lo, não obstante os esforços de amigos influentes filiados à Ordem. José de Arimatéia e Nicodemos, apesar de serem ambos judeus e membros do Sinedrim eram secretamente ligados à Ordem dos Essênios.

Então a seguir, Jesus foi preso e condenado, tendo os romanos colocado na cruz o dístico que dava como "Rei dos Judeus", em quatro idiomas, procurando dessa forma ridicularizar o Sinedrin Judaico e os fariseus. Já crucificado, quando sentiu sede, foi por um iniciado secreto da Ordem embebida uma esponja em matéria narcótica, substância misturada ao vinagre a que se referem os evangelhos bíblicos, que de acordo com instruções prévias de Arimatéia e Nicodemos, chegando-se com uma cana comprida aos lábios de Jesus que absorvendo o líquido desmaiou.

Foi ainda devido à influência destes dois poderosos judeus que não se quebrou as pernas dele como foi feito aos demais, porque todos o deram como morto, menos aos que estavam a par do segredo.

Retirado o corpo da cruz, com a autorização de Pilatos, foi levado para um horto de propriedade essênia e depositado em túmulo já preparado, onde à noite por meio de ingredientes preparados pelo próprio autor da carta, da qual estamos nos referindo, foi reanimado e levado para a casa de amigos que iam proceder o seu restabelecimento completo.

E de madrugada, um noviço essênio, envergando uma túnica branca, que era a insígnia do grau a que pertencia, foi ao túmulo para de lá retirar as faixas que o corpo tinha sido envolvido e que podiam denunciar tudo devido à matéria cicatrizante de que estavam impregnadas. Os soldados romanos que se achavam próximos tomaram o jovem por uma entidade sobrenatural, e veio dai a origem do anjo que aparecera junto ao túmulo, história que depois foi aumentada ao sabor da fantasia, pois outros irmãos essênios foram ainda ao Horto durante a madrugada e manhã para avisar os amigos e discípulos que por lá aparecessem de que poderiam reencontrar Jesus na Galiléia.

Depois de muitas peripécias, já mais restabelecido, Jesus se pôs a caminho para a Galiléia, mais ainda muito fraco pelas emoções e pelos resquícios de sofrimentos físicos. Viajava só de noite, não só por precaução, mas também por ser mais ameno e propício clima noturno, acompanhado sempre por Maria Madalena que não se conformou em se separar dele um só instante, a qual era também uma iniciada essênia. De longe iam os dois vigiados por José de Arimatéia e Nicodemos, que tinham se oposto à viagem devido ao estado de fraqueza de Jesus e receavam por ele. Todos os cuidados, porém, foram inúteis, e Jesus sucumbiu após alguns dias de viagem, rompendo a sua alma os liames da matéria de forma suave, para evolar-se para o infinito, sendo o corpo inumado, isto é sepultado a segunda vez perto do mar Morto.

Como tudo isso aconteceu em segredo, conhecido apenas por alguns iniciados da Ordem Essênia, a lenda da ressurreição se espalhou e tomou vulto entre o povo comum que desconhecia a realidade dos fatos, para o que muito concorreu a circunstância de Jesus não ter sido visto mais pelo vulgo.

Como se pode deduzir, foram os próprios soldados romanos que concorreram para criar-se a lenda da ressurreição, mais tarde aceita empiricamente, e hoje tida como dogma infalível pela igreja cristã e seus seguidores.

Tudo o que se encontra nesta epístola essênia, que acabamos de fazer a sua citação, pode ser autêntico ou não. Mas o que não se pode negar é que tenha mais visos de verossimilhança do que a lenda evangélica contida no texto bíblico.

Uma outra obra editada pela Ordem Rosa Cruz, "A Vida Mística de Jesus", embora ainda propague a divindade do Mestre Nazareno, afirma que ele não morreu na cruz e que quando dela foi retirado estava apenas em um estado de morte aparente. Teria Jesus sobrevivido à crucificação e após perder as suas aptidões de fazer milagres teria se afastado de Jerusalém e secretamente se dirigido para o norte da Palestina e vivido em lugar ignorado próximo ao monte Carmelo até avançada idade. É admitido que Jesus, após a sua suposta "Ressurreição" teria andado por um prazo de quarenta dias, entre os seres terrenos, mas teria secretamente se afastado de Jerusalém e se encontrado em carne e osso, isto é, em vida física, com os discípulos na Galiléia. Ainda segundo esta obra, a ressurreição não teria se dado no sentido de Jesus ter voltado ao seu corpo já morto e ressurgido caminhando no terceiro dia.

Também na obra de Holger Kersten, que já se fez referência, se tem informações com circunstâncias bastante coerentes e aceitáveis de que Jesus após a crucificação, em estado de morte aparente ou desmaiado teria sido recolhido secretamente para um local seguro e ficou completamente recuperado dos ferimentos e torturas que havia sofrido, teria se retirado de Jerusalém secretamente e durante a noite, e sempre acompanhado por Maria Madalena, que foi a única discípula que nunca o abandonou, seguindo para o norte da Palestina, onde na Galiléia teria se encontrado com os seus discípulos e até os convencido a seguir e divulgar a sua doutrina esclarecedora para povos de outros países distantes da Palestina.

Algum tempo depois, houvera também o encontro especial com o apóstolo Paulo de Tarso, que na realidade se deu em vida física e não em uma forma de mensagem visionária como anunciam as religiões cristãs e querem nos fazer acreditar na história bíblica que mais se assemelha a um conto lendário. A alegada cegueira que Paulo teve após esse encontro teria sido provocada por uma substância tóxica, isto é, um tipo de entorpecente forte que o mesmo teria ingerido em uma reunião secreta com Jesus e outros membros da Ordem Essênia que possuía representantes na Galiléia e em Damasco na Síria. Esta versão torna mais compreensível e aceitável até a sua alegada conversão que não seria tão brusca como informam os evangelhos bíblicos. Após este encontro secreto, Paulo teria se disposto a realizar longas viagens para divulgar o cristianismo ao seu modo e completamente modificado em relação aos ensinamentos originais de Jesus.

Após todos estes encontros e reencontros, Jesus juntamente com Maria Madalena e a Maria sua mãe carnal, teriam seguido viagem para a região da Caxemira no norte da Índia e lá vivido até avançada idade, constituindo família e tendo até deixado descendentes, que lá vivem até os dias atuais. A mãe de Jesus não teria suportado esta longa viagem e teria falecido ou desencarnado a caminho da terra de Caxemira.

Com todas as provas científicas e evidências apresentadas até aqui, neste trabalho, se pode compreender melhor o por quê, as razões de a igreja ter inventado tantos mistérios para a vida e a morte de Jesus, e também se pode compreender porque a verdade nunca será conveniente para eles, principalmente para os seus sofismas dogmáticos, pois os põe por terra. Também joga por terra toda a fantástica lenda da "Ressurreição" que foi inventada pelo apóstolo Paulo juntamente com os primeiros divulgadores do cristianismo paulinizado de Estado. Mais tarde, ainda foi esta lenda ampliada e retocada por sábios teólogos da Corte Eclesiástica do Vaticano, muitos anos após o desaparecimento físico de Jesus.

Finalmente, após ler, reler e estudar com calma, e comparar todas as informações que se teve ao dispor neste trabalho, com conhecimentos anteriores oriundos de outras fontes religiosas ou não, se pode afirmar com convicção: Jesus, o Cristo, não morreu na cruz! A verdade tem as pernas compridas e a vida eterna um dia tudo virá a tona e será plenamente esclarecido, e a igreja não terá mais como sustentar os seus dogmas sobrenaturais e enganar, como vem fazendo há mais de dois mil anos, boa parte da humanidade do mundo ocidental. A cada nova geração, a cada nova reencarnação, os Espíritos estarão vindo com mais lucidez e maior clarividência e senso crítico para compreender as coisas que os cercam, saber separar o falso do verdadeiro, saber separar o "joio do trigo" como se referia o mestre Nazareno em sua época. E desta forma, com o passar do tempo, dias, anos ou séculos, se tornará cada vez mais difícil manter as criaturas humanas enganadas a respeito do que são como força espiritual e do que vieram fazer aqui no mundo Escola.

 

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