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Padre Antônio Vieira
(1608 - 1697)

A 6 de Fevereiro de 1608 nasce Antônio Vieira, na freguesia da Sé, em Lisboa. O pai, de origem modesta, provavelmente com ascendência africana, é destacado como funcionário, para trabalhar no Brasil(na Baía). Antônio é batizado na Sé, segundo parece na mesma pia batismal em que o fora Fernando Bulhões, o famoso Santo Antônio de Lisboa, por quem o futuro pregador jesuíta sempre manifestará grande admiração e devoção.

Na viagem para o Brasil, o pequeno Antônio refugia-se nos braços da mãe. Vai agoniado. A caravela que transporta a sua família em direção a S. Salvador da Baía, balança descontrolada na violência tempestuosa do mar. A bordo, como era comum na época, as condições são péssimas. Mal se dorme, tal a quantidade de parasitas de todo o gênero de que o barco está infestado. Mesmo na coberta os ratos disputam ruidosas correrias, enfiando-se nos espaços mais ínfimos. A água doce já está imprópria para consumo, sai verde e com cheiro nauseabundo. O peixe em salmoura e as carnes salgadas com que todos se alimentam estão prestes a apodrecer. Quase diariamente, a caravela é abalada pela movimentação dos marinheiros e das velas, tentando escapar à perseguição dos piratas holandeses. Não há a menor privacidade - passageiros e tripulação amontoam-se nos exíguos espaços disponíveis. E a viagem é longa, aproximadamente dois meses.

Já à vista da costa brasileira a embarcação estremece fortemente da popa à proa, tudo se parte no seu interior, o cavername parece ir despedaçar-se. É uma noite negra, povoada de faíscas e trovões, o mar revolta-se, os passageiros choram e gritam, acendem-se lanternas no negrume, o capitão dá ordens tonitruantes, nos porões os homens procuram detectar algum rombo. A caravela está encalhada nos baixios arenosos e vai adernando para estibordo. Pensa-se no pior.

Na manhã seguinte, o pequeno Antônio solta-se da mãe. Quer ver tudo, saber como se safará a caravela. O dia amanhece com o sol em brasa, vêem--se, em frente, as florestas brasileiras, banhadas de luz dourada. Um batel puxado por remadores, consegue desencalhar o barco. Enfunadas as velas, dirige-se para o Sul e nos fins de Janeiro de 1615 aporta à Baía.

É aí que vai desembarcar a família Ravasco. O pai, Cristóvão Ravasco, a mãe Maria de Azevedo e os dois filhos, Antônio de seis anos e o irmão mais novo, Bernardo. Tinham saído de Lisboa a 16 de Dezembro de 1614.

O futuro Padre Antônio Vieira jamais esquecerá esta viagem penosa. Ora no sentido Portugal-Brasil, ora no de Brasil-Portugal, fá-la-á mais vezes e, praticamente em todas elas, sofrerá um naufrágio.

A VOCAÇÃO

Logo à chegada à Baía, Antônio é atacado de uma doença tropical e fica às portas da morte, mas salva-se.

Na cidade e em todo o Brasil tem fama o Colégio da Companhia de Jesus. É nele que Cristóvão Ravasco inscreve o filho. Submetido à dura disciplina jesuíta, Antônio não teve os pequenos prazeres da infância. Os educadores, de breviário e palmatória nas mãos, impuseram-lhe um tempo sombrio, acrescentado das constantes orações e do estudo forçado em silêncio absoluto.

Mas, no percurso de casa para o colégio, o jovem vai contactando com a realidade efervescente de uma cidade em plena expansão. É assim que vê os índios escravos, em plena rua, carregando e descarregando fardos, sob o chicote dos capatazes.

Não foi, de início, aluno brilhante. De compleição frágil, pálido, magro, grandes olhos, nariz fino, não se sente talhado para intensos esforços escolares. É, porém, de temperamento enérgico, tenaz. E, subitamente, por volta dos catorze anos, os jesuítas começam a descobrir-lhe a inteligência, a inesperada queda para escrever bem português, a facilidade com que domina o latim. Revela-se, igualmente um crente fervoroso, jejua todos os dias, reza, comunga, mas não se excede em fanatismos - conhece, todavia, em grau elevado as Escrituras, sobretudo as partes referentes aos Profetas que lhe suscitam enorme atração.

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