gazeta2.jpg (8041 bytes)

Aprendendo a viver

Cega de olhos abertos, a humanidade tem sido constituída, vivendo numa aparente felicidade que se desfaz como bolhas de sabão que enchem os ares...

Educar a capacidade de raciocinar é um patrimônio que conduz o ser humano a muitas alegrias vida afora. O povo vem fazendo pouco uso dessa arma poderosa, preferindo um viver sem planejamento, ou melhor, planejado por outros.

Esse mal vem de longe e é transmitido geração após geração, de pai para filho, na doce ilusão de que isso é natural. À criança, quantas coisinhas aparentemente simples são transmitidas. Quantas palavras ocas, quantas expressões, quantos gritos, quantas coisas vazias ouvem as crianças que, querendo ou não, vão formando um patrimônio pesado, do qual com muita luta terão de libertar-se na vida futura, porque a base foi construída sobre um roteiro sem expressividade, defendido por muitos, sem sentir que lá adiante vai haver uma barreira de difícil transposição para a criança criada sob essa orientação.

Cega de olhos abertos, a humanidade tem sido constituída, vivendo numa aparente felicidade que se desfaz como bolhas de sabão que enchem os ares, alegram momentaneamente, mas desaparecem sem deixar a marca registrada da paz, do amor e da felicidade, porque faltou a energia interna de amor à vida, de amor à verdade.

A felicidade é uma fonte de energia que deveria fazer parte integrante da raça humana para mantê-la sempre livre, sempre amiga, sempre amorosa e fiel em tudo por tudo. A felicidade tem sido de poucos porque tem prevalecido o comodismo mental, com sua inércia, chavões, mutilando a estrutura humana dos seres.

A família, essa grande escola sem bancos, tem de abrir seus olhos, porque é aí que se formam os seres. É um recanto onde deve haver amizade, confiança, amor verdadeiro, mas para isso a família tem de aprender a utilizar bem o pensamento, o raciocínio e a força de vontade, esse tripé básico que traz a felicidade para dentro dos lares, para dentro dos seres humanos que cultivarem esses atributos verdadeiros.

Aquiles Moisés dos Santos
Belo Horizonte, 2 de fevereiro de 2001

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo