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Riscos

Mori Mitre

Correr riscos é permear caminhos desconhecidos longe do comodismo humano que nos impele a repetir velhas fórmulas. Arriscar calculando é, sem dúvida, a grande tática do ser humano. Quantos perderam oportunidades por mórbido receio de agir e construir. Neste aspecto o sapiente homem falha vergonhosamente. Ao contrário de seu irmão "irracional" que vive por estímulos vegetativos, atacando para sobreviver e, na maioria das vezes, conclui sua obra diária representada por uma carcaça ferozmente disputada com outras espécies.

A lucidez nos leva a refletir sobre nossas conquistas e os caminhos que adotamos até elas. Na vida de relação, nos negócios, a sagacidade do ser determina o seu progresso. Se realmente propósito fundamental é positivo. Se esta obra beneficia além do nosso interesse, e principalmente se nos colocamos inteiros na ação, obviamente que a lei de causa e efeito se faz presente. São inumeráveis os exemplos de seres aparentemente incapazes e que, ao se desdobrarem, encontram em seu íntimo a força geratriz das soluções. Outros, continuam a vislumbrar em sonhos uma realidade que nunca ocorre.

Num olhar em volta, percebemos o ir e vir de ações naturais: uma folha que cai dando lugar a um novo broto; a correnteza de um rio gerando a força que irá nutrir os motores do progresso; a carne que se decompõe num sepulcro, alimentando outras vidas. Tudo é expressão neste universo inferior denominado terra, e nós, chamados de humildes mortais, quantas vezes preferimos o muro das lamentações ou aquela espera letárgica de "algo que vai acontecer de bom", nos esquecendo de que o alimento ingerido por um não pode ser digerido por outro. Um compêndio de posturas está à nossa disposição. Basta estudá-lo e principalmente aplicá-lo em nosso proveito. Que compêndio é esse? A doutrina racionalista cristã. Talvez, o maior tratado sobre a evolução do homem.

Arriscar é tomar nas mãos o leme de uma rota até desconhecida, mas que seguramente nos coloca, no mínimo, muito além de onde estávamos. O preço a pagar é perfeitamente condizente com o nosso relativo poder.

Mori Mitre, Belo Horizonte, MG - 28/9/2003

 

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