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Ainda temos muito a percorrer

Walter Souza Winckler

 

O planeta Terra, pelo que se sabe, já é habitado há milhares de anos, sendo que a nossa espécie Homo sapiens data de 38 mil anos, tempo para nós humanos considerado enorme.

No transcorrer de todo este período, o homem, na busca de uma suposta proteção que entendia necessitar, foi criando inúmeras organizações como seitas, religiões, etc.. Paralelamente a elas, e até mesmo junto, passaram-se pessoas íntegras, merecedoras de nossa admiração e respeito.

Mas o tempo não pára, e já se passou uma infinidade dele e, se fizermos um balanço da situação atual da humanidade, veremos que em alguns aspectos parece-nos que ainda estamos vivendo a alguns milhares de anos atrás. Por que?

Ainda vivemos um mundo de muita brutalidade, onde nações (consideradas super-desenvolvidas, até mesmo culturalmente) coagem outras nações, numa prova de poder, poder este que na maioria das vezes só leva à destruição.

Também podemos observar, em pleno início do terceiro milênio (século XXI), um gigantesco avanço das ciências, com relação à evolução material, mas também constatamos que uma quantidade enorme de vidas são ceifadas pela fome, doenças e inclusive pela violência (em grande número), quer através de acidentes, os mais variados possíveis, quer motivada pelo desequilíbrio emocional ou até mesmo pela falta de responsabilidade, não ensinada por quem as devia ensinar. Constatamos, também, a violência pelo desafeto, desentendimento, ganância entre os seres humanos, sem se falar quando atinge um universo maior de pessoas, encaminhando-as ao holocausto, por dirigentes que se julgam as maiores e mais importantes pessoas do mundo (no seu momento).

Perguntamos: "Por que acontece tudo isso?" E a resposta é simples, e muito simples. Enquanto cada criatura humana não se conhecer como Força e Matéria, respondendo para si mesma as seguintes indagações: "De onde vim? O que vim fazer aqui? E para onde vou?", o mundo e seus habitantes continuarão a dar pequenos passos, e ainda por muito tempo e muito tempo continuaremos a ver este filme (o da degradação humana), que para muitos é de uma tristeza enorme.

Mas somente o próprio homem (ser humano) poderá mudar este caminho, onde todos possam confraternizar-se como verdadeiros irmãos, quando tirar a venda dos seus próprios olhos, impregnados de materialismo, onde mais vale o ter do que o ser, acreditando que o dinheiro compra tudo (puro engano). Só depois de entender e passar a viver as duas vidas, para as quais estamos aqui neste mundo-escola, é que realmente continuará a evoluir em toda sua plenitude.

Só que o quadro da vida neste planeta que nos é mostrado, até então, faz-nos sentir que falta muito , e muito tempo (infelizmente), para que a humanidade tome consciência de seu verdadeiro significado, como partícula de uma Força, a qual rege todo o Universo, desde o microcosmo até o macrocosmo. Mas até que esta conscientização não se estabeleça entre nós, vamos todos, indo e voltando, centenas e centenas de vezes, milhares de encarnações e desencarnações, evoluindo, se podemos dizer assim, com passo de tartaruga, bem devagar, e com isso concorrendo para a tristeza de muitos e às vezes para a nossa própria.

Só existe uma saída, a Espiritualização, mas no sentido real, científico, não através de subterfúgios, os quais levaram por milênios, e continuam levando, as criaturas ao avassalamento, e muitos até a loucura, quando tudo é tão simples, mas simples mesmo, sendo que uma das maiores bandeiras, se chama humildade. Mas para sermos humildes, temos que primeiro lavar as nossas roupas sujas, e finalmente deixar que nosso eu, com esta nova roupagem, nos conduza pelos jardins da vida.

Walter Souza Winckler, Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2001

 

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