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O livre-arbítrio

Julio César do Nascimento

O espírito, no seu mundo de estágio espiritual, programa uma nova encarnação para concluir o que deixou por fazer, para resgatar faltas cometidas, para aprimorar o seu desenvolvimento e dar a sua contribuição para a evolução da sua família espiritual e da humanidade. É com ânimo e coragem renovados e a irradiação amiga dos seus companheiros astrais que forma compromissos e identifica o país, a família e as condições pelas quais terá que passar para dar bom termo à missão que se determina a si mesmo, e que passa a ser o seu compromisso individual e coletivo, pois do seu sucesso também depende a vitória de todo um grupo. Vem a este mundo escola de posse de faculdades que lhe permitem fazer as escolhas e práticas que poderão garantir alcançar a sua meta maior: a evolução espiritual. Dentre estas faculdades gostaríamos de destacar para este nosso tempo de reflexão o livre-arbítrio.

Vamos estudar o tema tendo como ponto de apoio à reflexão o nosso íntimo, pondo todo e qualquer conceito sob o crivo do nosso entendimento racional e intuição, tendo por inspiração as orientações de homens como Aurélio Agostinho (345-431) (Santo Agostinho) que disse: "não vá fora, entra em ti mesmo: no interior do homem habita a verdade" [1]. Com a compreensão profunda do sentido cristão de sua época e sobre o livre-arbítrio ele exortou: "ama e faze o que queiras" [2] e para avançarmos orientados por estas palavras vamos discutir a natureza do amor e do querer de que fala Agostinho.

A busca que encetou Agostinho teve destino certo, porque ele admitiu, a partir de uma fase da sua vida, atormentado pelos sofrimentos morais, que não precisaria buscar ao longe o que estava ao seu alcance, seguiu o que já fora gravado na rocha às portas do templo de Delfos: "Advirto-te, quem quer que sejas, oh Tu ! que desejas sondar os Mistérios da Natureza. Como esperas encontrar outras excelências, se ignoras as excelências de tua própria casa ? Em Ti está oculto o tesouro dos tesouros. Oh Homem!, conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses."

Confrontados por essas palavras, muitos poderiam indagar, como olhar para mim mesmo, quando todos os sentidos nos apontam as sensações esfuziantes do exterior; como compreender a nós mesmos se a nossa compreensão racional posta frente a frente com a consciência e a intuição, por vezes não as reconhece como guia seguro?

A estas indagações os mestres do passado e os nossos mestres do presente, como Luiz de Mattos e Antonio Cottas, respondem e das suas respostas podemos em síntese dizer: isso é possível porque há a incitar a vida no ser humano algo mais do que se enxerga e apalpa; há uma substância que não envelhece, há uma porção da eternidade e do universo que, ao final de uma existência física, vai verificar o que alcançou na sua experiência junto à matéria e a outros seres encarnados. O espírito, este organizador da matéria, sabe e tem donde tirar as respostas, mas necessita das experiências da vida material, para alcançar o grau de maestria na condução do seu livre-arbítrio podendo continuar então, a sua educação na expressão da vida, noutros níveis cada vez mais sutis.

Fica desde já evidente que não trataremos aqui do conceito materialista de livre-arbítrio, mas do livre-arbítrio filosófico e espiritualista que diz respeito à capacidade humana de decidir entre a evolução espiritual, resultante da condução desta faculdade para o bem, para o mal ou a inação que o assemelha aos animais irracionais.

Sendo o livre-arbítrio faculdade desperta da vida espiritual para o exercício na vida material, ele depende da evolução da capacidade de raciocínio e do fortalecimento da vontade, para que esta possa atingir o seu apogeu.

Segundo o Racionalismo Cristão "(...) Quanto maior o poder de raciocinar, mais fácil se torna o governo do livre-arbítrio. Livre-arbítrio quer dizer liberdade plena de ação, tanto para o bem, quanto para o mal. Praticam o bem os que trabalham para o aperfeiçoamento de hábitos e costumes, promovendo a sua evolução. Os que, por ações ou pensamentos, fazem por retardar essa evolução, incidem no mal. (...)"[3]

O que resulta em que da faculdade do livre-arbítrio poucos são os que fazem pleno uso, já que caminham presos a falsas concepções, pensamentos e hábitos viciosos e não aplicam por conta destas limitações a plenitude do poder do raciocínio, o que limita ou condiciona o que poderiam escolher, ficando prejudicado o exercício e alcance desta faculdade.

Vamos inicialmente avaliar as concepções antigas e como elas deságuam no conceito do livre-arbítrio, tal qual o entendemos no Racionalismo Cristão.

Veremos que as concepções milenares da antiguidade não são destoantes da concepção do Racionalismo Cristão e que estas estão fundamentadas no pensamento expresso por diversos filósofos; podemos entender o Racionalismo Cristão como uma síntese filosófica, urdida por Luiz de Mattos e Antonio Cottas, uma evolução filosófico-espiritualista, inspirada por Antônio Vieira, do pensamento de homens como Platão, Aristóteles, Cristo, Agostinho, Descartes que resultou no corpo filosófico da Doutrina racionalista cristã.


Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.)

Aristóteles, discípulo de Platão, que fora por sua vez discípulo de Sócrates, ingressou na escola deste mestre em 367 a.C. aos dezoito anos e lá permaneceu por vinte anos até a morte do mestre. Neste período estudou também os filósofos pré-platônicos e, com o conjunto destes conhecimentos e no exercício de sua mente privilegiada, criou o sistema que difere do platônico nalguns pontos. Analisaremos elementos da filosofia de ambos os pensadores para compreensão da sua proximidade com os do Racionalismo Cristão e de como estes convergem para o conceito racionalista cristão de livre-arbítrio.

Para Platão a natureza do homem é a racionalidade, e com a razão e pela razão o homem atinge a felicidade e a virtude, porém, para isso, deve eliminar as sensações que se contrapõem ao intelecto, os impulsos materiais que se contrapõem à vontade.

Para Aristóteles a experiência humana na sua relação com os sentidos é instrumento para o aprendizado, já que é a partir dos fatos percebidos, analisando-os através do pensamento indutivo, e principalmente dedutivo, que vai chegar às suas conclusões lógicas. Também no Racionalismo Cristão somos exortados tanto através de seus livros, quanto através de doutrinadores do Astral Superior a buscar na compreensão dos fatos da vida e na sua relação com os nossos atos e modo de pensar as bases para remodelarmos conscientemente os nossos fundamentos filosóficos e modo de viver, o que tem as suas conseqüências sobre o porvir, na lei de causa e efeito. Esta remodelação consciente é efeito do uso racional das intuições e da faculdade arbitral voltada para o bem.

Aristóteles tanto quanto Platão reconhece ser a razão a essência característica do ser humano e que a realização deste ser é fundamentada então na vida racional e na plena consciência desta. Não basta, porém, para o ser humano ter a sua disposição à racionalidade para a sua realização, há que existir a consciência da sua aplicação. Concebe que, estando o homem em busca da felicidade, atinge a mesma mediante a prática da virtude e que esta se encontra em dependência direta do bom uso da razão; é então no exercício desta faculdade racional que se fundamenta a moral aristotélica.

Para Aristóteles a virtude não é resultado imediato da existência da faculdade racional. É antes de tudo de um exercício da racionalidade sobre as paixões, quando o ser humano busca o caminho do meio. Também neste ponto encontraremos congruência entre a filosofia racionalista cristã e o pensamento aristotélico, quando este avança concebendo a virtude como um hábito racional, entende ele que a virtude não é inata, mas resultado do exercício continuado da avaliação da razão sobre a existência e mesmo sobre o que é transcendente a esta.

"(...) O livre-arbítrio é uma faculdade que surge quando a partícula inteligente ingressa na fase que lhe dá o cunho característico dos seres racionais. Nesta fase, o espírito toma consciência do bem e do mal. Mesmo que desconheça a Verdade sobre as leis da evolução, há no seu íntimo, um estado consciente, sensível à apreciação do bem e do mal (...)." [3]

Quanto à felicidade, o que assevera o Racionalismo Cristão é que a felicidade possível no mundo Terra é relativa, e que esta é em maior medida dependente da consciência do dever cumprido.

Quando no Racionalismo Cristão se diz que "(...) é pelo estudo, raciocínio e sofrimento, derivado da luta contra os maus hábitos e as imperfeições, que o espírito se esclarece e alcança maior evolução (...)" [4], não está a afirmar nada diverso do que concebia Aristóteles sobre as virtudes éticas e dianoéticas. As virtudes éticas voltadas à prática, que conduz a evolução moral e as dianoéticas que são numa hierarquia uma manifestação superior da moral, que o ser humano alcança quando desdobra em raciocínio questões transcendentes, que não dependem de experiência física, porque são fruto da intuição superior; virtudes maiores que podem ser alcançadas pela prática da racionalidade contemplativa sobre estas questões.

Para Aristóteles o ser vivente tem por princípio a alma e difere do mundo inorgânico por esta presença; concebe a respeito desta três manifestações distintas alma vegetativa, presente nos vegetais e responsável pela nutrição e reprodução; alma sensitiva, que responde pela sensitividade e locomoção, própria dos animais; e alma racional, responsável pelo pensamento. Esta alma racional, no homem, desempenharia as três funções. A concepção de Platão é a de que todo ser vivo tem uma só alma com três diferentes faculdades.

Para o Racionalismo Cristão a partícula da Força em diferentes estágios evolutivos , amplia a extensão e poder das suas manifestações e é responsável tanto pela organização da matéria na sua forma mineral, quanto nos demais reinos da natureza, tendo na condição humana atingido o estágio evolutivo da racionalidade como a conceberam Platão e Aristóteles. A serviço desta partícula inteligente, dois corpos distintos e formados de matéria de dois mundos distintos, o corpo etéreo ou perispírito, formado por matéria do mundo de origem do espírito, e o corpo físico, formado por matéria do mundo Terra , ambos sujeitos às conseqüências do modo de uso do livre-arbítrio, que é o nosso objeto de análise.

Para Aristóteles, "quando a origem das ações é do intimo da criatura, é também de sua escolha realizá-las ou não" [5]. Esta singularidade e simplicidade da exposição aristotélica não foi seguida por séculos e as interpretações de muitos dos filósofos que o sucederam perdeu a objetividade de análise, porquanto buscavam justificar as dificuldades filosóficas através de exposições teológicas, pretendendo dar a ambas igual estatura e importância para a realização do saber humano.

Assim tornou-se mais importante para muitos avaliar se os fatos eram predeterminados pela divindade "destino", ou se era o homem artífice do seu futuro, pois a concepção teológica da presciência divina conflitava com o conceito de livre-arbítrio. Como era do natural interesse teológico passou-se a dar sentido de completude pela fé e religiosidade ao que, segundo entendimento de alguns, a filosofia não lograva explicar. Os filósofos católicos como Agostinho (354 a 430) e Tomás de Aquino (1225-1274) se esmeraram em conciliar a teologia aos pensamentos de Platão e Aristóteles, respectivamente, fazendo sobre estes uma exposição que reduzia os conceitos não dogmáticos destes expoentes do pensamento humano à trama intelectual orientada pelo dogma. Suas proposições eram de antemão voltadas para a defesa do caráter religioso das conclusões a que pretendiam chegar; utilizaram-se da filosofia como elemento de trabalho para dar satisfação intelectual às tradições da "verdade revelada" proposta pela teologia; buscavam aplacar as argüições naturais da racionalidade que surgia na evolução do pensamento humano, com proposições teológicas e dogmáticas, portanto indiscutíveis.


Aurélio Agostinho (354-430)

O que já dizia Agostinho no século III no seu livro O livre-arbítrio, elaborado na forma de um diálogo com o seu discípulo Evódio.[1]

– O Criador não seria responsável pelos atos de suas criaturas?
– Se eu prevejo com segurança o que acontecerá a alguém, não significa que estou determinando o que acontecerá, mas apenas antevendo. O mesmo se dá com Deus.
– Do mesmo modo como nossa memória dos fatos passados não determina tais fatos, a presciência de fatos futuros também não.

Para o Racionalismo Cristão os pensamentos e atos formam na substância etérea, a sua projeção e estão impressas na aura das criaturas humanas, dando natural condição para que os fatos futuros sejam antevistos na vida espiritual como uma conseqüência dos pensamentos e atos plasmados espiritualmente.

– Deus não é responsável pelos atos derivados do Livre-Arbítrio, portanto é o justo a punir ou recompensá-los.

Para o Racionalismo Cristão os resultados dos atos e pensamentos são conseqüência de leis naturais e imutáveis a que tudo está sujeito.

– Os bons desejam afastar-se das coisas que não podem possuir sem risco de perder, os maus lançam-se a possuir essas coisas tentando remover qualquer ameaça de perdê-las.

Para o Racionalismo Cristão o ser humano deve-se aplicar ao aprendizado das duas vidas, a material e a espiritual, que devem ser vividas de maneira harmônica. Deve a criatura encarnada buscar o progresso tanto material quanto espiritual, tendo consciência de que a vida espiritual é permanente e que sobre ela recaem os débitos morais praticados pelo espírito na sua jornada enquanto encarnado, não dando, portanto, maior valor aos bens materiais do que efetivamente têm como meios para alcançar o objetivo maior da encarnação, qual seja, a evolução espiritual.

– Uma coisa é viver, outra é conhecer que se vive.
– O Homem é mais perfeito que os animais devido à Razão, inteligência. As feras podem nos destruir, mas não nos domar como nós as domamos.
– A "Ciência" (consciência) da Vida é atributo da Razão, que não pode ser má.
– Temos algo em comum com as plantas e os animais, mas a Mente/Espírito, nos é exclusiva.
– A potência da Mente não é suficiente, é preciso atuar, manifestar a Potência, que domina as paixões. – O Sapiente é o que faz uso pleno da Mente. A Sapiência é o reinado da Mente.
– Os animais não possuem Mente, pois esta não está no corpo. O homem possui Mente, ainda que nem sempre plenamente manifesta, que lhe dá poder sobre os animais.
– Nem mesmo Deus tornaria a Mente Sapiente escrava do mal.
– Somente o Livre-Arbítrio próprio pode submeter a Mente à prática do mal.
– A Mente deve ser castigada pelo pecado de se submeter ao mal.
– A Mente Virtuosa não se submete ao mal, sendo assim é Justo que a Mente que se submeta seja punida.
– Ninguém quereria se submeter à Iniância e ser penalizado. Se o homem foi criado tão perfeitamente por Deus, por que se submete ao mal?

Para o Racionalismo Cristão não existem punições, existe a disposição do espírito consciente dos erros praticados da necessidade de retomar uma existência física buscando, mesmo que através do sofrimento, atingir o grau de aperfeiçoamento frente às leis naturais e imutáveis.

– Se nunca fomos sapientes, merecemos ser castigados pelo erro que não tínhamos poder para evitar?
– Mas será que sempre fomos inscientes? Será que antes de nossa união espírito-corpo não experimentamos um período de Sapiência?

Neste ponto Agostinho propõe a existência de uma fase de sabedoria que mais tarde seria claramente apresentada pelo Racionalismo Cristão, quando afirma que o espírito traz consigo o saber capaz de discernir entre o que lhe conduz a evolução ou paralisa a mesma.

– Temos alguma vontade?
– A Boa-Vontade é a que incita a retidão, e conseqüentemente a instrução e sapiência.
– Os adeptos dos prazeres terrenos, mesmo que nunca tivessem sido sapientes, são vitimados pelos infortúnios.
– PRUDÊNCIA é o conhecimento do que se buscar, e o que se evitar.
– FORTALEZA é a capacidade de desprezar os bens transitórios.
– TEMPERANÇA é a virtude que afasta o desejo desmedido, reprime o erro.
– JUSTIÇA é a virtude de dar a cada qual o que lhe é devido.
– A pessoa de Boa-Vontade possui as 4 Virtudes, e é bem-aventurada, e feliz.
– Possuímos esses potenciais, portanto podemos ser bem-aventurados e virtuosos, mesmo que jamais tivéssemos sido sapientes.

O Racionalismo Cristão alinhou alguns atributos do espírito e atualizou a sua descrição para os nossos dias, apresentando-os da seguinte forma.

A força de vontade e a consciência de si mesmo, a capacidade de percepção e a inteligência; o poder de raciocínio e a faculdade de concepção; o equilíbrio mental e a lógica; o domínio de si mesmo e a sensibilidade; firmeza de caráter.


– Quem não desejaria ser Bem-Aventurado, Virtuoso e Feliz?
– Se todos o querem, por que alguns não conseguem?
– Merecemos o prêmio ou o Castigo por nossa própria Vontade.
– Todos querem a mesma coisa, ser afortunados, porém os Bons o querem levando uma vida reta e justa, e os maus o querem sem ser justos e retos. Bons e Maus querem a mesma coisa, mas de modos diferentes.
– A Lei Eterna estabeleceu que o mérito esteja na Vontade, e o prêmio ou castigo na ventura.
– Os Bons, Bem-Aventurosos, Virtuosos, Sapientes, amam as coisas Eternas.
– Os Maus, desventurados, infortunados, inscientes, amam as coisas Temporâneas.
– As coisas Temporâneas não são culpadas, mas sim as pessoas que as desejam.
– O que é proceder Mal?
– Proceder Mal é diferente de Desejar as coisas temporâneas?
Mal é tudo que afasta o homem das coisas eternas.

Os pontos de divergência entre a concepção de Agostinho e a do Racionalismo Cristão são claros, o que ele atribui a Deus o Racionalismo Cristão atribui às leis naturais e à decisão do próprio espírito do encarnado de buscar através do sofrimento criar na experiência espírito-matéria a compreensão da lei que a transgrediu, deixando para trás o conceito de castigo. Se substituirmos a concepção religiosa de Agostinho por esta em que predomina a razão guiada pelo espírito em observância a leis naturais, tudo o mais no discurso de Agostinho faz sentido e tem absoluta congruência. A lei de causa e efeito pode também ser entendida como uma conseqüência natural da prática da justiça universal ao equilibrar os pratos de uma balança que estaria pendendo para um dos lados; esta concepção é uma evolução natural do pensamento e proposição racional para explicar os resultados de ações pregressas e que nem sempre se realizam numa única encarnação.

O trabalho de Tomás de Aquino (1225-1274), embora tenha-se imbricado com a conformação teológica, serviu, para além da evolução que proporcionou no pensamento religioso da igreja romana, conciliar o pensamento Aristotélico, com os dogmas religiosos, o que favoreceu certamente o surgimento de outro movimento, o humanista.

Em oposição ao pensamento dos escolásticos como Tomás de Aquino o pensador Francisco Petrarca (1304-1374) vai buscar a mais de mil anos atrás e recupera para a Europa o pensamento platônico e dos neoplatônicos; Petrarca com os seus seguidores fazem surgir a escola humanista.


Descartes (1596-1650)

Avançando um pouco no tempo, vamos encontrar em Descartes (1596-1650) uma figura importante dentro do amálgama que forma a filosofia racionalista cristã.

Descartes já estava envolvido com o pensamento e a filosofia quando, aos 23 anos, teve uma revelação enquanto engajado na campanha de Maximiliano e suas tropas na Baviera. Conta ele que, entre os dias 10 e 11 de novembro de 1619, numa noite, no que acreditara sonho e transe, teve o vislumbre dos alicerces do que ele concebeu ser um método para a unificação de todo o saber. Este método ele apresenta em O discurso do método.

Descartes rompeu com o conceito aristotélico e considera a matéria sujeita a relações mecanicistas e submetida ao espírito. O Racionalismo Cristão diz ser a matéria uma porção de energia universal condensada e a serviço da Força que a organiza seguindo leis naturais e imutáveis.

Ele reafirma a concepção dualista do homem (corpo-espírito) e afirma que o universo é formado de duas substâncias, a mente ou substância pensante, e a matéria, sendo que esta última sempre seria passível de a compreendermos através da ciência. A proposição de submissão das proposições humanas a um método científico o afasta da escola tomista, que pretendia preencher as lacunas do conhecimento científico com concepções teológicas.

Para ele esta separação corpo-espírito tem um liame, uma ligadura através da glândula pineal, que seria um ponto de ligação do espírito ao corpo. Esta afirmação de Descartes caiu no descaso. Na verdade, a origem deste conhecimento está relacionada a uma das atividades de Descartes, os estudos místicos das escolas de mistério, que na época eram desenvolvidos em segredo, por conta da Inquisição.

Chegamos neste ponto às afirmações de Descartes sobre o livre-arbítrio, que são as que guardam maior identidade com o conceito filosófico do Racionalismo Cristão.

Descartes aborda o livre-arbítrio nas cartas para o Pe. Mesland e na sua "quarta meditação", que apresentamos a seguir. Em Princípios e nas cartas ao Pe. Mesland, de 2 de maio de 1644 e 9 de fevereiro de 1645, Descartes afirma ser o livre-arbítrio o poder de recusar a Verdade e o Bem até mesmo na presença da evidência que se manifesta. [7,8]

4ª Meditação

"O que existe unicamente é a vontade que sinto ser tão grande em mim, que não concebo de modo algum a idéia de nenhuma outra mais ampla e mais extensa: de maneira que é ela, principalmente, que me faz conhecer que trago a imagem e a semelhança de Deus. Pois, ainda que ela seja incomparavelmente maior em Deus do que em mim, seja em virtude do conhecimento e do poder - que, encontrando-se juntos aí, a tornam mais firme e mais eficaz - seja em virtude do objeto, na medida em que ela se dirige e se estende infinitamente a mais coisas; ela não me parece, todavia, maior se eu a considero formal e precisamente em si mesma. Pois ela consiste somente em que podemos fazer uma coisa ou deixar de fazê-la (isto é, afirmar ou negar, perseguir ou fugir), ou, antes, somente em que, para afirmar ou negar, perseguir ou fugir as (sic) coisas que o entendimento nos propõe, agimos de tal modo que não sentimos de maneira alguma força exterior que nos obrigue a isso.

Pois, para que eu seja livre, não é necessário que eu seja indiferente na escolha de um ou outro dos dois contrários; mas, antes, quanto mais eu tender para um, seja porque eu conheça evidentemente que o bem e o verdadeiro aí se encontram, seja porque Deus disponha assim o interior do meu pensamento, tanto mais livremente o escolherei e o abraçarei. É certo que a graça divina e o conhecimento natural, bem longe de diminuírem minha vontade, antes a aumentam e a fortalecem. De modo que essa indiferença que sinto, quando não sou de maneira alguma impelido mais para um lado do que para outro pelo peso de alguma razão, é o mais baixo grau de liberdade, e faz antes parecer uma carência de conhecimento do que uma perfeição na vontade; pois, se eu sempre conhecesse claramente o que é verdadeiro e o que é bom, nunca teria dificuldade em deliberar qual juízo e qual escolha deveria fazer; e, assim, eu seria inteiramente livre, sem nunca ser indiferente." [7]

Se compreendermos ser o livre-arbítrio e o seu bom uso como determinante para a evolução, tanto quanto a racionalidade no trato das duas vidas, a material e a espiritual, cabe agora avançar e estabelecer o modo pelo qual se pode desenvolver a faculdade arbitral de forma a tornar mais segura e a mais breve possível a caminhada evolutiva, enquanto encarnados. Para tal devemos compreender o modo pelo qual opera a razão e como bem conduzir o livre-arbítrio.

Segundo Descartes: [7,8]

(...) de que maneira opera a razão? Afastada a hipótese de se fazerem conjecturas com base nos sentidos que só poderiam conduzir-nos a um conhecimento provável e incerto, as operações da razão que conduzem à verdade e à certeza são apenas duas: a intuição e dedução.

Por intuição entendo não a confiança flutuante que dão os sentidos ou o juízo enganador de uma imaginação de más construções, mas o conceito que a inteligência pura e atenta forma com tanta facilidade e distinção que não resta absolutamente nenhuma dúvida sobre aquilo que compreendemos; (...). Deste modo, cada qual pode ver por intuição intelectual que existe, que pensa
(...) A intuição é, portanto, um ato puro e atento da inteligência que apreende direta e imediatamente noções tão simples que acerca da sua validade não pode restar qualquer dúvida. Assim, o que caracteriza a intuição é a sua clareza e distinção, o seu caráter imediato, o fato de constituir um ato de apreensão total e completa (...).

A disciplina proposta por Descartes não estava completa para que o ser humano encarnado atingisse o objetivo proposto. O Racionalismo Cristão acrescenta à sua obra o seguinte: para que a intuição seja um ato puro como Descartes pretendia, é necessário que o espírito esteja livre da intervenção de idéias pré-concebidas e da ação de obsessores. Para livrar a mente das idéias pré-concebidas, deve o ser humano apoiar-se no estudo e no raciocínio aplicado ao descortínio da vida e dos seus princípios na sua verdadeira feição, para que não se veja obrigado a despertar pelo sofrimento. Sobre a ação de obsessores, pode-se dizer que é a disciplina do pensar com elevação e a focalização da atenção nos deveres a cumprir, o que se torna verdadeira irradiação mental ao Astral Superior, um modo de disciplinar as vibrações do espírito, para que este possa receber e desenvolver intuições superiores sem a indesejável interferência de espíritos estacionados na atmosfera da Terra.

Esta conceituação somente se tornou possível a partir do estudo da espiritualidade dentro de uma disciplina isenta de dogmas, desenvolvida por Luiz de Mattos para a codificação da doutrina racionalista cristã em 1910.

O segundo elemento que segundo Descartes pode-nos levar à verdade e à certeza é a dedução. [7,8]

"A dedução é, em primeiro lugar, um encadeamento de intuições. Ela pressupõe, portanto, a intuição das idéias simples e das relações existentes entre elas das quais conclui, necessariamente, outras idéias e relações, como conseqüências lógicas das anteriores".

"A dedução estabelece um encadeamento entre as proposições, um nexo lógico de antecedente e conseqüente de tal modo que a verdade do antecedente exige a verdade do conseqüente. Assim, a dedução permite construir uma relação necessária entre as proposições de tal modo que a verdade das proposições intuitivas possa passar para a conclusão. Nesse sentido, é necessário partir de verdades evidentes para depois, dedutivamente, descobrir todas as outras ainda não conhecidas e, assim, alcançar o conhecimento verdadeiro
."

E onde se encontram as verdades e o amor, temas tratados por Agostinho?

Verdade e amor subsistem em algum lugar profundo do nosso ser e são intuídos e irradiados também pelo Astral Superior. Nós nos determinamos a buscá-los ou não. As verdades representam as leis naturais, imutáveis e eternas, razão pela qual servem de fundamento a todo o saber científico. O amor, o poder criador universal e a disposição para viver em conformidade com as suas leis.

Como Descartes as concebeu? [7,8]

"(...) quando começo a descobri-las, não me parece aprender nada de novo, mas recordar o que já sabia. Quero dizer: apercebo-me de coisas que estavam já no meu espírito, ainda que não tivesse pensado nelas. E, o que é mais notável, é que eu encontro em mim uma infinidade de idéias de certas coisas que não podem ser consideradas um puro nada. Ainda que não tenham talvez existência fora do meu pensamento, elas não são inventadas por mim. Embora tenha liberdade de as pensar ou não, elas têm uma natureza verdadeira e imutável."

Para Descartes tanto quanto para o Racionalismo Cristão existe uma ordem de precedência para o aprendizado da vida consciente.

Descartes propôs: [7,8]

"Gostaria de explicar aqui a ordem que, parece-me, devemos seguir para que nos instruamos. Primeiramente, o homem que ainda só possui conhecimento vulgar e imperfeito, deve, antes de tudo, encarregar-se de formar uma moral que seja suficiente para ordenar as ações da vida, porque isso não deve ser adiado e porque devemos sobretudo procurar viver bem. Após isso, também deve estudar lógica, não a da Escola pois ela nada mais é do que uma dialética que ensina os meios para fazer entender a outrem as coisas que já se sabe ou então de emitir opiniões, sem julgamento, sobre as que não se sabe; desse modo, ela antes corrompe o bom-senso do que o desenvolve mas aquela que ensina a bem conduzir a razão na descoberta de verdades que se ignora. E porque ela depende muito do uso, é bom que ele se exercite, por muito tempo, na prática de regras pertinentes a questões fáceis e simples como as da matemática. Depois, quando já tiver adquirido o hábito de encontrar a verdade nessas questões, ele deve começar a aplicar-se à verdadeira filosofia cuja primeira parte é a metafísica, que contém os princípios do conhecimento, entre as quais está a explicação dos principais atributos de Deus, da imaterialidade de nossas almas e de todas as noções claras e simples que estão em nós. A segunda é a física, na qual, após ter encontrado os verdadeiros princípios das coisas materiais, examinamos em geral como o universo é composto; depois, em particular, qual a natureza da terra e de todos os corpos que se encontram mais comumente em torno dela como o ar, a água, o fogo, o ímã e outros minerais. Após o que também é necessário examinar em particular a natureza das plantas, dos animais e, sobretudo, do homem, a fim de que se seja capaz de, depois, encontrar as outras ciências que lhe são úteis. Desse modo, a filosofia é como uma árvore cujas raízes são a metafísica, o tronco a física e os ramos que daí saem todas as outras ciências, que se reduzem a três principais, a saber: a medicina, a mecânica e a moral; eu acho que a mais elevada e mais perfeita é a moral, que pressupõe inteiro conhecimento das outras ciências, é o último grau da sabedoria."

Luiz de Mattos dedicou-se a este último degrau da sabedoria, o primeiro para o ser humano que pretende se elevar do lugar comum da materialidade, a moral espiritualista cristã, que ele e outros espíritos valorosos tornaram acessível sem mistérios e dificuldades ou artifícios próprios da vaidade intelectual.

Porém, podemos nos indagar, o que aconteceu com o conceito de livre-arbítrio do início do século XX, época da codificação do Racionalismo Cristão, até os nossos dias, neste início do século XXI? Teria avançado o conhecimento sobre o livre-arbítrio em termos filosóficos? A ciência que estuda a mente humana, a psicologia, teria identificado e desvendado como pode o ser humano afirmar o seu domínio sobre as suas escolhas?

Após a codificação do conhecimento em áreas de especialidade, vão os filósofos de um lado, os psicólogos do outro e, numa especialização e minimização cada vez maiores, também os neurocientistas, cada qual com os seus métodos e experimentos, buscando decifrar o enigma da mente humana. Também existe entre os físicos especializados na mecânica quântica alguns entusiastas e dentre estes alguns menos escrupulosos criadores de best-sellers, que fundamentam menos em provas e experimentos e mais em especulações afirmações não só sobre o livre-arbítrio, mas sobre todo e qualquer tema ainda obscuro.

Deste avolumado número de estudiosos, uns mais honestos quanto aos seus resultados outros mais escravizados pela arrogância e presunção própria dos doutos laureados unicamente por seus pares, vamos pinçar aqui algumas informações para o desdobramento do raciocínio.

Como afirmou Descartes, o método dedutivo é, sob o primado da razão, o modo pelo qual podemos evoluir no conhecimento. Há que se levar em conta, no entanto, que, uma vez escolhida a pedra fundamental, ou seja, a idéia primeira sobre a qual será erguido o edifício do conhecimento, sendo esta frágil, ou posta em terreno movediço, não tardará a ruir a construção que a princípio pode se afigurar superior.

Quando Descartes propôs a ligação do espírito ao corpo pela glândula pineal, no alto da cabeça, o fez com conhecimentos místicos que não poderia apresentar em detalhes sob pena de perder a própria vida. A ausência de compreensão da extensão da ligação das glândulas entre estes dois mundos espiritual e físico é uma lacuna de conhecimento que perdura até os nossos dias e que torna incompreensível para a ciência oficial a relação e interação entre Força e matéria.

A partir da presunção de que a afirmação de Descartes era sem fundamentação, e, portanto, uma conclusão precipitada, e mais baseada na posição física da glândula do que em qualquer conhecimento real da sua função superior, sua afirmação foi deixada de lado e surgem duas vertentes distintas e determinadas para a avaliação da vontade, os seus condicionantes físicos e os psíquicos, que passam a ser encarados como resultantes da bioquímica própria do cérebro, com as suas manifestações elétricas, algumas mensuráveis e, portanto, objeto de intensivos estudos, principalmente com a evolução de sistemas computadorizados para análise dos sinais gerados pelo organismo vivo.

Se por um lado a ciência avançou em relação à metáfora do corpo humano comparado a uma máquina, proposta por Descartes, ainda que para os fins e para o conhecimento disponível à época esta fosse uma boa comparação para uma representação de organismo com a sua complexa interdependência e equilíbrio dinâmico, por outro lado, ao desprezar a porção espiritual e sua relação com a matéria, ficou limitado na origem o avanço possível e estabelecida uma base insuficiente para o edifício que se pretende erguer.

Como uma das tentativas honestas de avançar conceitualmente sem reconhecer a supremacia do espírito sobre a matéria e a interdependência destes enquanto ser encarnado, podemos citar a proposição de Strawson [9], para quem "a entidade responsável por esta relação é aquela possuidora ao mesmo tempo dos predicados físicos e psíquicos, ou seja, dos atributos corporais e dos relacionados a consciência" [8].

Pretendeu ele desta forma identificar o conceito básico de pessoa.

Em contraposição ao proposto por Strawsom, Frankfurt [10] contra-argumenta:

"(...) os seres humanos não são os únicos seres aos quais atribuímos predicados psicológicos, que possuem desejos ou são capazes de tomar decisões, mas sim os únicos que possuem a capacidade de constituir desejos de segundo nível. Nenhum animal fora o homem parece capaz de refletir e avaliar suas próprias inclinações e fins desejá-los distintos do que são e submetê-los a um desejo de segundo nível."

"Falamos de um desejo de primeiro nível, quando alguém busca realizar aquilo que quer, e de um desejo de segundo nível, quando quer ou não possuir um determinado desejo. Alguém possui desejos de segundo nível quando gostaria de ter determinados desejos ou quando gostaria que determinados desejos fossem a sua vontade."

A discussão que se segue, já podemos antever, desdobra-se infindável e aproxima outros estudiosos que se bastam nas suas proposições, porquanto são estas dirigidas a sua academia, enquanto as mentes superiores do passado estavam voltadas para a humanidade.

O que o Racionalismo Cristão apresenta, e neste ponto concorda com os filósofos da antiguidade, é que o conhecimento a priori de que pode lançar mão o espírito encarnado, para julgar os seus atos, independe da moral relativa das civilizações, porquanto é presença inerente à criatura encarnada e que está ao seu alcance ao auscultar a sua consciência espiritual. O exercício do livre-arbítrio não depende, para a atribuição de responsabilidade espiritual, da moral aprendida, mas da disposição e vontade da criatura em acessar este cabedal espiritual.

A criatura humana não se submete às inclinações e tendências da matéria, senão por descurar da vida espiritual e não dar ouvidos à sua própria consciência, quando pode sempre dominar os seus impulsos através da vontade dirigida para o bem, função precípua da faculdade arbitral. O poder da vontade cresce na medida da sua educação para viver em equilíbrio as duas vidas, a material e a espiritual, adquirindo o hábito da racionalidade, hábito este que vai-se firmando de encarnação em encarnação, tornando a criatura humana cada vez mais livre para agir conforme a sua consciência a intui.

A outra vertente do conhecimento científico, interessada em determinar o que vem a ser o livre-arbítrio, envereda na avaliação da matéria, o que garante resultados mais palpáveis, como não poderia deixar de ser, frente ao elemento que lhe serve de ensaio, mas nem por isso mais animadores do que os daqueles que se dedicam ao pensamento puro.

Sobre os que se aplicam aos experimentos neurais em medições de laboratório, destacamos os experimentos de Benjamin Libet publicados entre 1965 e 1989 e suas conclusões.

Pretendeu Libet identificar através de medições realizadas diretamente em porções do cérebro e partes do corpo o tempo decorrido entre um estímulo e a resposta produzida. O estímulo seria externo e percebido sensorialmente e a resposta a este seria medida diretamente na porção do cérebro sob análise. A surpreendente conclusão de Libet, que vem sendo contestada por seus colegas, foi a de que a resposta a um estímulo sensorial era disparada antes que este estímulo fosse efetivamente processado pelo cérebro o que pressupõe um conhecimento prévio do que está por vir.

Para ilustrar a experiência e o nível de controvérsia atingido, simplificaremos dizendo que, para um estímulo que leva em média cerca de 500 milésimos de segundo para provocar uma reação mensurável no cérebro e outros 400 milésimos de segundo para que esta reação possa atingir um membro físico em resposta, ocorrem situações do cotidiano em que é possível medir respostas físicas que são anteriores à soma destes dois tempos. Para ser mais simples, um jogador de tênis consegue rebater e posicionar a bola com uma reação que é mais rápida do que o tempo que o seu cérebro leva para processar e enviar ao corpo o estímulo da bola que veio em alta velocidade.

A conclusão de Libet foi a proposição da hipótese de que existe uma pré-ciência do fato e que o organismo responde a esta. O que foi proposto por seus colegas em contribuição para tornar a hipótese mais palatável é que existiria um campo de consciência e que a resposta viria em função de o estímulo atingir este campo, à semelhança de um campo magnético que não é visível, mas, se estende além das fronteiras físicas dos corpos magnéticos ou magnetizados.

Estes experimentos, cedo ou tarde, deixarão claro, como única alternativa racional:

• que todo o organismo vivo está conectado a uma consciência maior que lhe impulsiona a preservação da vida organizada em cumprimento a leis naturais;

• que no ser humano a matéria está ligada ao espírito e que este é a sua fonte de vida;

• que depende das escolhas da criatura humana o fazer evoluir a manifestação da vida até que esta atinja o grau evolutivo planejado;

• que, tal qual asseverava Agostinho, o Amor, por ser substância universal que organiza e manifesta a vida, é o meio de libertação do espírito, que, apreendendo o seu significado, se torna realmente livre;

• que a aura das criaturas se projeta a metros de distância e é elemento sensível aos fenômenos psicofísicos;

• que a consciência pode ser projetada para outras localidades através do desdobramento e assim perceber e fazer reagir o corpo físico a fatos que os sentidos materiais não estão prontos a perceber.

Todos estes conceitos têm pouca relação com a faculdade arbitral e serviriam de base para pesquisadores de mente aberta avançarem com segurança na compreensão do que vem a ser a relação Força e matéria e o significado verdadeiro do livre-arbítrio.

Até que a ciência oficial chegue a este ponto, caberá ao Racionalismo Cristão a tarefa de esclarecer a humanidade tal qual buscaram fazer os homens da antiguidade que confiavam mais no seu poder de raciocínio e dedução do que nos instrumentos materiais para conhecer a si mesmos.

Referências bibliográficas:

1 - Agostinho - Julián Marías, Conferência do curso "Los estilos de la Filosofía", Madrid, 1999/2000;
http://www.hottopos.com/harvard3/jmagost.htm; junho 2005

2- O livre-arbítrio, S. Agostinho. Tradução do original latino por António Soares Pinheiro (3ª ed.), 1998; Faculdade de Filosofia de Braga.

3 - Racionalismo Cristão, Obra básica, 37ª edição; Racionalismo Cristão.

4 - Prática do Racionalismo Cristão; Racionalismo Cristão

5 - Aristóteles, Gordon L. Ziniewicz; http://www.fortunecity.com/victorian/durer/192/main.htm;junho/2005

6 - O livre-arbítrio, Monografia de Marcus Valério; Dept. Filosofia UNB;
http://www.xr.pro.br/MONOGRAFIAS/DEUS_ME_LIVRE.HTML; 1993

7 - Descartes; Mundo dos filósofos; http://www.mundodosfilosofos.com.br/#A junho/2005

8 - Stanford Encyclopedia of Philosophy; http://plato.stanford.edu/entries/freewill/; junho/2005

9 - Strawson, Peter F., Individuals, London 1959, 100.

10 - Frankfurt, H., "Freedom of the Will and the Concept of a Person", The Journal of Philosophy 68 (1971) 5-20, 6.

11 - Libet B. (1985), Unconscious cerebral initiative and the role of will in voluntary action, Behavioral and Brain Sciences, 8(4): 529-566

12 - Gomes (1998), The timing of conscious experience: A critical and reinterpretation of Libet's research, Consciousness and Cognition, 7(4): 559-595

13 - Center for CONSCIOUSNESS STUDIES, Department of Psychology, University of Arizona
http://www.consciousness.arizona.edu/ junho/2005

Este trabalho é dedicado aos amigos Francisco Orge Basadre, da filial do Racionalismo Cristão da cidade do Porto, Portugal, pela inspiração que propiciou ao citar Agostinho; e a Gilberto Silva, Vice-presidente do Racionalismo Cristão, pelo amável convite para palestrar sobre o tema na Associação Cultural Maria Cottas em agosto de 2005.

Especial agradecimento à Dra Elenir Aguilera de Barros, pela revisão do texto e por suas judiciosas sugestões em favor da clareza do mesmo.

Outubro de 2005

 

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