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O cérebro: dimorfismo sexual e inteligência

Glaci Ribeiro da Silva

(...) A inteligência, como faculdade mestra do espírito, interfere nas demais, apurando-as e contribuindo para torná-las melhores e mais eficientes. Da inteligência dependem os outros atributos espirituais que se criam, expandem, crescem, ampliam e aprimoram, de acordo com a evolução do espírito (...). (Racionalismo Cristão, 2003, p. 85-91)

O dimorfismo sexual (do latim, dimorpho, duas formas) ocorre quando, na mesma espécie, a fêmea difere do macho em cor, tamanho, etc.; o fenômeno é comum em insetos e aves, mas a expressão é usada em ciência mesmo quando os experimentos são feitos na espécie humana.

O primeiro dimorfismo sexual detectado no cérebro humano mostrou que o feminino tende a ser menos pesado e volumoso do que o masculino, fato este que levou muitos a acreditarem que as mulheres são menos inteligentes do que os homens.

Embora esse dimorfismo tenha sido demonstrado há mais de um século, ainda hoje o tema é polêmico e vem promovendo debates acirrados. Ele foi também enfocado por Luiz de Mattos – o grande Mestre espiritualista –, no livro Pela verdade - a ação do espírito sobre a matéria, em um capítulo que ele, muito ironicamente, intitulou "Inteligência a peso - é como entende a ciência oficial".

Recentemente, uma declaração do presidente da Universidade de Harvard – Lawrence Summers – reacendeu esses debates, pois, ele sugeriu que as diferenças inatas na estrutura do cérebro masculino e feminino poderiam ser um fator determinante para a relativa escassez de mulheres na ciência.

Estudos atualizados têm mostrado que, além dessa diferença ponderal, os cérebros masculinos e femininos diferem também tanto em arquitetura como em atividade, mas, não existe nenhuma evidência de que essas diferenças tornem as mulheres incapazes de obter distinção acadêmica em matemática, física ou engenharia – áreas tradicionalmente consideradas de domínio masculino.

Até há pouco tempo, os pesquisadores acreditavam que o dimorfismo cerebral estava presente somente em regiões responsáveis pelo comportamento sexual e preocupavam-se somente em analisar o hipotálamo, uma pequena região localizada na base desse órgão, responsável por regulação hormonal e pelo controle de comportamentos básicos, como comer, beber e fazer sexo. Conseqüentemente, toda uma geração de neurocientistas amadureceu acreditando que esse dimorfismo era restrito somente ao hipotálamo e dependia apenas dos hormônios sexuais.

Essa visão vem sendo modificada por várias descobertas que mostram a influência do gênero em áreas relacionadas com a cognição e o comportamento, tais como memória, emoções, visão, audição e, até mesmo, as respostas cerebrais aos hormônios do estresse, como a adrenalina.

O termo "cognição" (do latim, cognitione) significa o ato ou o processo de adquirir um conhecimento. Latu sensu, ele é usado como sinônimo de inteligência, um dos atributos da Mente, do Espírito ou da Força. A palavra foi inicialmente usada pelos filósofos da Grécia Antiga e teve origem nos escritos de Platão e Aristóteles, os primeiros a tentar explicar o mecanismo de funcionamento do Espírito.

Estudar o Espírito (ou Mente, o termo que os materialistas preferem usar para designar a Força, ou seja, o Espírito) sempre foi um assunto reservado aos filósofos. Porém, nos últimos anos, devido a uma convergência de investigações originadas nas Neurociências, Psicologia, Filosofia, Lingüística e Ciência da Computação, surgiu um novo campo interdisciplinar – a Ciência Cognitiva. Essa nova ciência tem como objetivo compreender a estrutura e o funcionamento da mente humana lançando mão de uma variedade de abordagens, que vão desde o debate filosófico até a criação de modelos computacionais para visão e aquisição da linguagem.

Na Ciência Cognitiva, as Neurociências (neurofisiologia, neurofarmacologia, neurohistologia, etc.) estudam o cérebro; a Psicologia, estuda as teorias de funcionamento da mente; a Filosofia, colabora com o estudo da Lógica e da Epistemologia (estudo teórico do conhecimento e da metodologia científica); a Lingüística, com o exame da linguagem e, a Ciência da Computação, com os modelos de máquinas reais ou teóricas que poderiam simular o funcionamento do cérebro ou, de partes dele – a chamada Inteligência Artificial.

O grande avanço no estudo do dimorfismo cerebral ocorrido nesses últimos dez anos foi feito pela contribuição das neurociências e das técnicas empregadas por elas para obtenção de neuroimagens funcionais. As mais importantes dessas técnicas são a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) e a Ressonância Magnética Funcional (RMf). São técnicas altamente sofisticadas cuja principal vantagem é de ser não-invasivas (isto é, elas não invadem o organismo através de incisões e de instrumentos) tornando assim possível a observação através de imagens do funcionamento cerebral.

A RMf é uma das mais usadas; ela se baseia no princípio de que a atividade neural está diretamente associada a mudanças no fluxo sangüíneo cerebral. Logo, fazendo-se uso de determinadas substâncias injetadas endovenosamente, criam-se imagens coloridas que demarcam as regiões cerebrais que foram ativadas.

Recentemente foi demonstrado através da RMf que, além de existirem no hipotálamo, os dimorfismos anatômicos estão presentes também em várias outras regiões cerebrais.

Assim:

– nas mulheres, várias partes do córtex frontal envolvidas em funções cognitivas importantes são mais volumosas do que nos homens; fato idêntico foi observado também no córtex límbico – uma área envolvida em reações emocionais.

– nos homens, as regiões responsáveis por percepções espaciais localizadas no córtex parietal, são maiores do que nas mulheres; o mesmo acontece com as amígdalas – uma estrutura em forma de amêndoa que reage as emoções liberadoras de adrenalina.

Utilizando-se material de autópsias, outros pesquisadores têm encontrado diferenças de densidade celular que são dependentes do sexo do cadáver; os resultados mostram que as mulheres possuem densidade maior de neurônios no lobo frontal e em áreas associadas ao processamento e à compreensão da linguagem. Com essas informações, os neurocientistas podem verificar se existe correspondência entre o número de neurônios e a capacidade cognitiva; isso pode ser feito medindo a relação entre a maior densidade do córtex auditivo feminino e o melhor desempenho das mulheres em testes de fluência verbal.

Para os neurocientistas essa diversidade anatômica pode ser causada, em grande parte, pela atividade dos hormônios sexuais que banham o cérebro do feto. Curiosamente, a correspondência entre o tamanho da região do cérebro em adultos e a ação de esteróides sexuais no útero indica que várias dessas diferenças sexuais são inatas, ou seja, estão ali desde o nascimento não decorrendo portanto, como se acreditava até então, de influências sociais e/ou alterações hormonais relacionadas à puberdade.

Os óvulos – gametas femininos –, são muito maiores do que os espermatozóides - gametas masculinos; eles possuem uma grande reserva nutritiva no seu interior, o que lhes permite esperar na trompa, pelos milhões de espermatozóides que são depositados no útero pela ejaculação. Os espermatozóides são células pequenas que praticamente possuem só o núcleo e um longo flagelo (a cauda) com os quais se movimentam em direção ao óvulo.

Somente um único espermatozóide é selecionado para penetrar o óvulo e, com a fusão entre os núcleos dos dois gametas, ocorre a fecundação. Tanto a cauda desse espermatozóide que penetrou no óvulo como todos os outros que não tiveram permissão de penetrá-lo, ficam retidos na membrana ovular.

Os cientistas têm proposto várias teorias tentando explicar como o óvulo seleciona o espermatozóide que irá fecundá-lo mas, até hoje, esse assunto permanece sem uma explicação lógica.

O espírito não possui sexo e, ao encarnar, ele poderá fazê-lo em um corpo físico masculino ou feminino; essa sua decisão, consta de um roteiro organizado por ele no seu mundo de estágio onde são levados em consideração os atributos espirituais que ele ainda precisa desenvolver durante sua trajetória evolutiva. É bastante provável, portanto, que seja o próprio espírito quem seleciona o espermatozóide que irá penetrar no óvulo, determinando assim o sexo de que ele necessita para cumprir o seu roteiro.

Vários estudos têm sugerido que as diferenças em tamanho das estruturas cerebrais são reflexos da sua importância para o animal; por exemplo, os primatas usam mais a visão do que o olfato e nos camundongos, esses fatos se invertem. Como conseqüência disso, os primatas possuem regiões cerebrais ligadas à visão proporcionalmente maiores, e os camundongos devotam mais espaço ao olfato. Assim, parece lógico admitir que a presença dessas disparidades cerebrais anatômicas entre homens e mulheres tenham influência no funcionamento cerebral.

O cérebro nada mais é do que um instrumento da Força ou do Espírito, ou seja, ele é um instrumento executor da vida que existe fora dele – a chamada vida fora da matéria. E, sendo um instrumento, ele não pode ser a fonte da inteligência, como afirmam teimosamente muitos cientistas vinculados à ciência oficial, onde o materialismo ainda impera soberano. Logo, é possível que o dimorfismo sexual existente no cérebro seja uma decorrência de adaptações feitas pelo próprio espírito para que ele possa usar adequadamente esse seu instrumento ao vivenciar a vida de cada um dos sexos.

Em resumo, todos os espíritos devem, obrigatoriamente, encarnar tanto num corpo masculino como num feminino, pois, assim terão a oportunidade de desenvolver os atributos que são inerentes a cada um dos sexos. Esses eventos são, portanto, somente suplementares para a evolução do espírito e, não indicam, absolutamente o seu nível de inteligência e evolução.

Bibliografia

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Mattos, Luiz de. O cérebro não é a sede da vida nem produz pensamentos. In: Pela Verdade - A ação do espírito sobre a matéria, Rio de Janeiro, Editora Centro Redentor, 9a ed, p. 44-48, 1983.

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Silva, Glaci Ribeiro da (2004). A Ciência médica diante da nova era espiritualista. Gazeta do Racionalismo Cristão. http://racionalismo-cristao.org.br/gazeta/artigos/ciencmed.html

Outubro de 2005

 

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