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Livres Pensadores

José Maurício Kimus Dias

O Racionalismo Cristão é doutrina que nos orienta e ensina respondendo à idéia que fazemos das Leis Naturais e Imutáveis em relação aos homens e ao universo.

Sabemos que o espírito caminha do estágio de simples e ignorante à condição de perfeição. Nós não podemos nos engrandecer e a doutrina não pode subir se um pensamento cada vez mais elevado não vier a se esclarecer e inspirar aos outros, tocando seus corações, renovando-os. Tudo no Universo é regido por Leis naturais e imutáveis.

A Ciência vem aumentando, sem cessar, seu campo de exploração, mas o espírito científico só chegará à realidade quando se elevar acima das miragens dos fatos materiais para estudar as Causas e os Efeitos das Leis Universais que regem todo o Universo.

O espírito humano avança passo a passo no conhecimento do ser e do Universo, e nenhum espírito perspicaz pode continuar a negar novos conceitos, a esquivar-se às conseqüências e às responsabilidades que eles acarretam. Até aqui, temos percebido que muitos dos domínios intelectuais têm estado separados uns dos outros, mas, acredito que um dia todos os pequenos sistemas serão unidos numa vasta síntese, abrangendo todos os reinos da idéia. Ciências, filosofias e religiões, divididas hoje, se reunirão na luz o que proporcionará a verdadeira vida, a realidade do espírito, o reinado de uma ética que em nada se contrapõe ao verdadeiro ensinamento que Jesus quis implantar na Terra.

Devemos pesquisar sempre. Como dizia Sócrates: "A desgraça do ignorante consiste em julgar, não sendo ele nem distinto nem inteligente, que o é o quanto lhe basta; ora, quem não se vê carecido de alguma coisa não aspira aquilo que não imagina lhe esteja faltando".

Precisamos, sim, sermos livres para pensarmos livremente e encontrarmos o que nos está faltando, encontrarmos com alegria e com fervoroso afã a nossa outra metade, a metade do nosso eu interior, do nosso ser mais puro e perfeito, sem enfraquecer, pois, do contrário, cairemos na armadilha criada por nós mesmos e, assim, não conseguiremos sair da eterna condição de trapos humanos.

Se quisermos que idéias cresçam e evoluam, devemos conscientizar e mostrar as nossas propostas, mostrar os nossos pensamentos e opiniões. Devemos fazer com que todos saibam que somos muito mais do que simples e livres pensadores, que temos bastante conhecimento e que podemos ter uma doutrina superior. Não podemos apenas virar as costas para o conhecimento e a ciência lá fora e ficar criticando os sistemas de outras doutrinas, mas, sim, dar a nossa opinião, procurar saber quem talvez mereça a nossa confiança, e depois cobrar essa confiança dele ou deles.

Podemos inferir que a parcela de responsabilidade pessoal sobre o processo de construção de nós mesmos é, na realidade, maior do que se supõe à primeira vista. Vamos aí ser informados de que o homem, na medida em que tem liberdade de pensar, tem a de agir e de que essa liberdade, então, dentro desta lógica, aumenta à medida que se desenvolvem suas faculdades intelectuais e morais quando, dessa forma, pode responder pelos atos que pratique, ou seja, sua autonomia em relação ao meio no qual se encontra inserido durante a reencarnação.

Nenhum espírito perspicaz pode continuar a negar a realidade da outra vida e novos conhecimentos que se apresentem, tudo isso, é claro, caso a Espiritualidade tenha na nossa vida o papel de um novo momento, de questionamento corajoso, de escolha tranqüila e consciente, de disposição para não esquivar-se às conseqüências e às responsabilidades que ela acarreta, e não apenas de mais um momento no qual eu, sob uma nova nomenclatura moral e filosófica, repito hábitos, valores éticos, reflexos já de há muito tempo por mim cultivados e vivenciados. Essa é uma escolha que precisa ser feita e ser feita por cada um de nós. Enquanto insistirmos em permanecer nos mesmos lugares, estaremos apenas atualizando um esquema de comportamento que tem nos mantido acorrentados a um ciclo fechado. A questão verdadeira é que as decisões equivocadas nos trarão prejuízos dos mais variados tipos.

A existência humana é uma síntese de múltiplas experiências evolutivas, trabalhadas pelo tempo que se transformam em instintos e se transmudam nas elevadas expressões do sentimento e da RAZÃO. É, portanto, com alguma ansiedade que hoje, mais do que nunca, nos questionamos sobre várias questões em relação à vida material e espiritual.

Um mundo assim, como o nosso, oferece ao espírito exatamente a colheita de seu próprio plantio. Como o aprendizado só pode se dar na medida em que o sujeito se confronta com as conseqüências de seus atos, nada mais útil à nossa evolução do que reencarnarmos onde nos encontramos no momento. E quanto à única coisa realmente inevitável é sermos um dia perfeitos, relativamente não nos esqueçamos, e por isso felizes na verdadeira acepção da palavra. Viver da melhor forma possível é o desafio imediato. Tal conquista sempre se consegue mediante o esforço da não aceitação comodista, partindo-se para a luta de crescimento pessoal e de transformação ambiental.

O próprio esforço na mínima realização vitoriosa contribui para o favorecimento da capacidade de se prosseguir conquistando as metas que, ao serem alcançadas, oferecem outras novas, que podem proporcionar melhores condições de plenitude. Cada etapa vencida, portanto, mais capacita o ser para as vindouras que lhe cumpre conquistar.

José Maurício Kimus Dias, Teresópolis, RJ. 8/3/2004

 

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