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Limites

Mori Mitre

Há momentos na vida terrena em que a natureza nos cobra bem caro o mau uso do nosso livre-arbítrio. A dor, sempre temida, toma conta do ser que sofre e, às vezes, sucumbe mesmo. Quem não passou seus maus pedaços? Mas o que é o sofrimento senão o resgate de alguma ação não exercida dentro das conhecidas leis que regem o universo. Erramos e contraímos débitos astrais e físicos a partir de um "simples pensamento" negativo que enviamos contra alguém ou alguma situação. Nos momentos de dor, os amigos e até desconhecidos são no máximo um lenitivo reconfortante já que a dor ali está e continua.

Uma palavra de apoio, um afago, um desejo sincero de melhorias para alguém. Estas ações, ao contrário das negativas, tocam o humano que sofre e até reposiciona o emissor, já que o bem que fazemos a outrem já nos faz bem imediatamente, apesar de muitas vezes nem percebermos.

Se duas são as correntes que atuam sobre o nosso quadro de vida, o simples contato com uma delas nos devolve essencialmente os resultados, bons ou ruins.

Momentos passam. Todos eles, porque a vida temporária na terra vai em ciclos e dentro deles o sofrimento permeia tal como pedras e obstáculos a serem enfrentados com a têmpera natural do espírito, que é forte, que pode vencer e se elevar desde que utilize o seu potencial para tal. Então, justamente nas horas difíceis é que o ser precisa testar os limites e até rompê-los para que a solução se processe naturalmente.

Quantas vezes imaginamos que uma determinada situação aparentemente grave vai nos perturbar e, ao enfrentarmos os fatos, percebemos que não era tão difícil sair daquela situação!

Quanto se sofre perante um possível diagnóstico médico desfavorável! E quando se tem certeza de que o pior realmente ocorreu eis o momento sublime de "levantarmos bem alto o nosso pensamento, esquecendo de tudo em volta, até da dor, e buscar no lugar certo o plano que irá solucionar a situação".

É isso que o mestre Luiz de Mattos deixou claro e que tantos outros, antes e depois dele, ratificaram. Portanto, as horas dolorosas são as ideais para que possamos buscar o melhor de nossa coragem e determinação, ainda que sangrando, mas na certeza ilimitada de que o bem sempre vence. Que a responsabilidade é sempre nossa, mas que dependendo de nosso estado mental, da preparação que fizermos, poderemos, sim, contar com o apoio superior, único medicamento universal capaz de reintegrar o ser numa vida saudável, proveitosa e em condições de usufruir da relativa felicidade que nosso atual estágio pode nos proporcionar. E o mais importante: este é o exato momento de evitarmos as dores futuras já que o plantio e replantio são como o pêndulo que oscila, mas que, se firmado nas mãos, se fixa num ponto, sujeito à nossa vontade e ação, sempre relativas.

Mori Mitre, Belo Horizonte, MG - 8 de julho de 2003

 

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