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Justos interventores

Carlos Alberto Aires Yates

O universo, no qual desenrola-se a vida astral superior, é composto principalmente de sabedoria e justiça. A sabedoria leva ao exercício da justiça e esta à consciência de que todos são irmãos em essência, apenas em diferentes estágios evolutivos na busca pelo conhecimento. Há nestes planos um equilíbrio de ações que se tornam possíveis visto o grande entendimento da necessidade de determinados atos para suprir hierarquias de menor evolução de conteúdo que as tornem equilibradas, com mais conhecimento e justiça, ao mesmo tempo em que há um movimento evolucionista dentro da própria hierarquia.

Este nosso planeta, desde o aparecimento do homem, tem primado pela falta de conhecimento, justiça e equilíbrio. A ausência destes três fatores em qualquer parte do universo sempre irá gerar sofrimentos, onerando, portanto, em muito, o progresso das partículas atingidas por esta situação.

A vida no espaço superior decorre de uma maneira mais amena, educada e cooperativada exatamente pelo clarividente discernimento próprio de cada categoria. Ali não há a matéria densa a perturbar a vida de quem já está educado e espiritualizado. Ao contrário da vida aqui, onde muitas vezes temos que vencer obstáculos internos, do espírito, e também não raro outros vindos do semelhante. Sendo que a partícula que se coloca contrária, por vezes criminosamente, à realização de nossos deveres e ideais faz parte do mundo astral. Muitos desconhecem isto. Seria justo que todos conhecessem este fato para um melhor equilíbrio do desenrolar da vida.

O conhecimento acerca da vida astral superior e inferior sem dúvida modifica os pensamentos e atos dos espíritos, pois sabem que irão ligar-se à uma das duas correntes, justamente, pelo que de bom ou ruim engendrarem em si, mesmo que o alvo destes sentimentos seja uma partícula irmã. Portanto desconhecendo que é um espírito emissor/receptor de ondas, imerso num meio onde predominam as vibrações deletérias, tem o homem que, muitas vezes, sucumbir a um estado de perturbação, originado nele e agravado pelo meio espiritual. Temos que reconhecer que há aí o cumprimento de uma lei, a da justeza das afinidades.

E é exatamente por isso, o desconhecimento do homem a respeito da vida e a injustiça que isto representa para ele e o meio, é que vieram até nós muitos seres de luz, reencarnando em civilizações que ainda eram hostis a determinados aspectos elevados da vida, mas que, sem dúvida, necessitavam destes para melhorarem e evoluírem.

O homem caminhava no rumo do progresso social, constituía lares, cidades, civilizações e tudo era observado do espaço superior pelos coordenadores responsáveis pela evolução do nosso planeta.

De tempos em tempos, uma intervenção, uma genialidade chama o homem à razão, ora nas ciências jurídicas ora na filosofia, ora na espiritualidade, ora nas artes e ciências materiais. Fruto isto de uma programação lógica e justa de mundos mais evoluídos cujos espíritos percebiam que a justiça já tinha um campo razoável para medrar nas consciências humanas, através da distribuição de algo que melhorasse as condições de vida, tanto individual quanto coletivamente. E esse algo era e é fornecer ao encarnado condições de procurar e deduzir a verdade, propiciando-lhe a condução do raciocínio em bases corretas, advindas de idéias novas, aqui trazidas por aqueles que em seus mundos assim se prontificaram.

E alguns passos eram dados. Da injustiça à humanidade, com a falta de conhecimentos, à justiça de colocá-la a par dos mesmos. Do desequilíbrio que havia entre, no Astral Superior saber-se muito, e na Terra pouco ou nada, finalmente trazia-se até aqui parcelas fragmentadas do grande conhecimento para possibilitar que cada vez mais fosse diminuída a diferença entre o plano físico e o astral. Pois certamente com mais conhecimento tem-se mais equilíbrio, e isto reflete-se na vivência com maior propensão à felicidade.

Um dos espíritos que muito lutou para equalizar a brutal diferença que havia foi Cristo. Sem dúvida um ser altamente verdadeiro e enérgico. Pregava com seus apóstolos, que lhe faziam corrente para o Astral Superior o intuir e fazer a limpeza psíquica. Tinha o seu preparo mental, nem místico nem religioso, mas voltado para as forças naturais Superiores. Trouxe enorme parcela de conhecimentos para todos, lutou contra a mentira, o interesse e o preconceito. Queria a justiça plena do homem para com todos e para com ele próprio, ao declará-lo espírito e corpo igual a todos e ao universo. Queria a justiça que brotaria naturalmente em cada um pela consciência desperta pelo conhecimento de sua profunda e humana filosofia, que traria a todos o equilíbrio.

Sabia Cristo o que enfrentaria aqui. Não desistiu. Arriscou-se ao tremendo sofrimento porque tinha claro no espírito a convicção da necessidade da presença de uma alma como a sua num meio como aquele. Isto tudo também sabiam seus superiores hierárquicos, com os quais foi estudada, nos seus pormenores, a missão. Que enorme coragem, que grandes desprendimento e conhecimento. Talvez maior que isto tudo só fosse mesmo o seu amor pela humanidade carente. Veio para trazer meios de se fazer justiça e foi cruelmente injustiçado. Quanto não teria realizado, em termos de preparo da humanidade, se não tivesse sido brutalmente arrancado da sua rota esclarecedora!

O certo é que ele veio até nós, não por milagre ou divina concepção, mas para intervir racionalmente para o bem na sua esfera de ação, que era bem maior do que seus poucos seguidores. Não muitos o entenderam porque poucos eram os espiritualizados. Ignorantemente a maioria desavisada tirou de todos a grande chance de, fundamentalmente, aprender a se reeducar para evoluir.

Foi uma intervenção, o que Cristo realizou, com ideais superiores, para corrigir o rumo de pessoas que estavam marcando passo, utilizando-se de conhecimentos inverídicos a respeito da vida, concernente isto à orientados e orientadores. Foi Mestre que mostrou a outros mestres esta verdade, pagando alto preço, pelo despertamento das vaidades e interesses feridos. Só mesmo um grande espírito para vir a este degredo, defrontar-se com toda sorte de mesquinharias e mesmo assim afrontá-las com a força da verdade que tinha convicção havia em si.

Parcela significativa do que trouxe vingou, outra foi esdruxulamente mistificada. Mas não faltaram outros interventores enviados dos mundos superiores para nos corrigir à todos no decorrer da história.

Notamos que o Astral Superior investiu também no aspecto de acelerar o progresso material, com descobrimentos e invenções, sem dúvida nenhuma para quando a verdadeira acepção da vida voltasse a ser pregada, medrasse de forma definitiva, ao encontrar mentes mais progressistas. Porque conforme foi colocado, a verdade sobre o homem não entrou em consonância com as mentes retrógradas de uma época em que aquela população não tinha meios de acesso a bens culturais egressos de uma filosofia mais pura em termos de uma vivência e convivência mais racionalmente apuradas. Então podemos observar que a orientação explicitada, no decorrer dos seguintes séculos, nos conduziu a expandir os horizontes atinentes a melhorar a nossa vida material, aguardando pelo lento transformar das nossas capacidades espirituais, para, finalmente um bom número de seres encarnados ao serem confrontados com a verdade, ela reconhecerem e servirem de seus continuadores. Não podendo esquecer-nos, evidentemente, do conhecimento trazido aqui nas trevosas brumas fanáticas da Idade Média, que a tantos trucidou, impedindo que grandes passos fossem concretizados, com a aceitação de idéias mais racionais distantes da religiosidade oficial.

Um desses últimos, a quem chamamos de interventores, que aqui esteve, conseguiu reavivar a verdade sobre o espírito, rastreando sabedorias milenares e compilando a verdade posta à nossa disposição por antigos decodificadores da realidade da vida. Foi, como todos os antecessores enviado pelo Astral Superior e por ele também intuído. Ele igualmente açodou com a realidade seus ferrenhos adversários em renhida luta. Legou-nos esta jóia rara, o Racionalismo Cristão, para termos conhecimento a respeito do que podemos fazer para errarmos menos, evoluirmos mais rápido e guiar-nos pela justiça buscando sabedoria no equilíbrio conosco e o próximo.

Hoje em dia nos é patente que os espíritos deste plano ainda necessitam de uma intervenção nas suas (in)consciências. Podemos falar que já existe esta grande intervenção, altamente benéfica, aos moldes superiores, que hoje se alastra silenciosamente e que do patamar em que está se perpetuará, com toda certeza, no nosso mundo, levando a todos os quadrantes deste, aquilo que inúmeros intervencionistas outrora nos apontaram como indubitavelmente verídico.

Sócrates, Platão, Confúcio, Pitágoras, Arquimedes, Francisco de Assis, Cícero, Joana d'Arc Gandhi, Santo Agostinho, Antônio Viera, Voltaire, Rousseau, Descartes, Darwin, Mozart , Da Vinci, Luiz de Mattos, Antônio Cottas......

Julho 2006

 

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