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Pequena estória sobre ovnis, luzes e outros anseios humanos

Mori Mitre

Era uma noite de verão. A brisa quente tocando a pele e, olhando pela janela, vasculhava o horizonte curioso: "dizem que por aqui têm aparecido ovnis..." comenta consigo mesmo o personagem desta séria fábula que ocorre num sitiozinho nos arredores da cidade grande.

E continua ele a vislumbrar o céu em busca de uma luz que se move. "Pode ser um espírito, um habitante de outro planeta, trazendo uma mensagem, reconforto, bons fluidos". Até que adormece em meio aos sonhos de quando estava acordado.

Aprofunda-se o sono e eis que lhe surge uma luz prateada e de dentro dela ouve uma voz grave, mansa, calma e tocante, que diz:

? Meu amigo, a luz que pretendes não está disponível como um abajur que podes ter à mão, bastando um gesto. A luz que anseias está no teu íntimo esperando o burilar dos teus sentimentos , que como um diamante corta o vidro de uma existência fugaz, modelando, recriando e dando forma ao teu mental plano de evolução. As luzes puras ainda não podem ser vislumbradas pela tua retina limitada. O que vês aqui e ali é apenas o reflexo natural de forças outras que no opaco de seus estágios campeiam sinalizando algo que ainda também pretendem aprender. Nem tudo que reluz é ouro. A verdadeira luz precisa ser identificada no íntimo de cada espírito que, a cada passo na vida, ilumina mais e mais o caminho à frente. O combustível desta luz é o sentimento puro, o dever cumprido, a indelével tomada de consciência universal que te identifica como a partícula que foi e que agora deve retornar, viajando por moradas tantas até chegar à origem, fechando um ciclo. Portanto, meu caro terráqueo, entenda que também tu és luz e com ela contatai diariamente acima de ti, os que aqui estão cumprindo uma jornada em outro plano, mas com a capacidade e interesse em emitir alguns raios em sua direção, desde que para isso recarregues tuas baterias com a verdade, a justiça, a ação positiva e o espírito de cooperação com o teu tão sofrido planeta. Só assim poderás vislumbrar a luz pura do universo superior. Mais que isso, te aguardamos. Irradia e trabalha sempre. Este é o método. E lembra-te: ao procurar no exterior aquelas luzes que alguns dizem ser superiores, volta o teu olhar mental para dentro de tua grande usina a que chamas de mente e acende lá a tua luz verdadeira, mantendo-a com o óleo extraído da convergência de tuas ações positivas. Deixa de buscar no outro o que já está em ti.

Moral da história: o homem tem vivido por aqui, pretende colher sem plantar. Ilude-se e aprende que o universo natural tem sábias leis imutáveis e que não há como se valer de expedientes a não ser os ilusórios pedidos que até acabam por provocar algum resultado, já que neste estado de subserviência, por um mecanismo também natural, coloca em ação a sua centelha luminosa e onde a luz está pode-se ver sempre um pouco além. Até que, finalmente, entende que o Grande Foco é verdadeiramente o ápice da sua própria evolução.

Mori Mitre, Belo Horizonte, MG - 18/10/2003

 

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