Astral Superior, astral inferior e fluido astral

Caruso Samel

Este artigo é uma tentativa para explicar porque não sou a favor de se misturar os conceitos referentes à classe dos mundos-escolas com a classe dos mundos espirituais com terminologias assemelhadas, bem como, porque prefiro adotar especificamente a expressão Astral Superior como coletivo de espíritos do Astral Superior e a expressão Astral Inferior (que eu prefiro escrever com letras minúsculas - astral inferior) como coletivo de astral inferior, sendo estes, espíritos em evolução na Terra (mundo-escola), espíritos estes que, no seu conjunto, se acham quedados temporariamente na atmosfera da Terra.

Para isso, vamos examinar cientificamente duas questões, a saber: 1) O que é a atmosfera da Terra e, 2) O que é e como se comporta o fluido astral.

1. A atmosfera da Terra

Uma consulta a diversos sites da Internet vai nos revelar o que se segue. A atmosfera terrestre, em função de vários fatores (densidade dos gases componentes, altitude e até latitude) é composta de cinco camadas, que são: 1) troposfera - até 17 km de altura, onde se formam os fenômenos meteorológicos; 2) estratosfera - entre 17 até 50 km, onde situam-se as camadas de ozônio; 3) mesosfera - entre 50 e 85 km, que além da parte gasosa contém finíssima poeira de meteoritos que se destruíram na camada seguinte; 4) ionosfera ou termosfera - de 85 até 500 km, responsável pela destruição dos meteoritos que alcançam a atmosfera da Terra; e, finalmente, 5) exosfera - a partir da qual a pressão atmosférica é próxima de zero, ou seja, praticamente inexiste. Aqui se formam as auroras boreais. Daí em diante, além dos 500 km, os gases rarefeitos (praticamente o hidrogênio e algum hélio) se dispersam e se perdem no espaço interplanetário, interestelar e intergalático. Toda esta disposição é devida à lei de ação das massas de Newton que afirma que "a matéria atrai a matéria na proporção direta das massas dos corpos e na razão inversa do quadrado das distâncias". Aqui no caso, a gravidade da Terra e a densidade dos elementos que compõem a sua atmosfera são responsáveis por esta distribuição. Isto é o que a Ciência nos ensina.

A composição molecular aproximada do ar atmosférico junto à superfície da Terra, ao nível do mar e 0º C, é, aproximadamente: oxigênio (21%), nitrogênio (78%), gás carbônico (0,03%) e mais seis gases nobres (0,97%) constituídos por hélio, argônio, neônio, criptônio, xenônio e radônio. As composições (misturas de gases) são diferentes para cada camada da atmosfera e sua densidade decresce à medida que a distância (altura) da Terra aumenta, tornando gradualmente mais rarefeitas. Do mesmo modo, a pressão que é de 1 atmosfera na superfície da Terra e ao nível do mar e 0º Celsius (CNTP), é praticamente nula a 500 km, final da última camada - a ionosfera. Observe, ainda, que o hidrogênio, o primeiro elemento da Tabela Periódica dos Elementos, cujo átomo tem massa 1 e cuja molécula tem massa 2, nem sequer aparece na análise dos gases da atmosfera ao nível do mar, por ser o mais leve de todos os gases, só estando presente nas altas camadas, assim mesmo, em quantidades reduzidíssimas.. É este elemento, o hidrogênio, acompanhado de traços de hélio, que preenche todo o espaço interplanetário, interestelar e intergalático. Observe que destaquei as palavras molecular e densidade que vão apresentar um papel importante no item seguinte.

Até 1928, prevalecia entre os cientistas a existência do éter, como matéria sutil que preenchia todo o espaço superior, formando um oceano etéreo de matéria quintessenciada. Esta idéia foi abandonada com o advento da Teoria da Relatividade, de Einstein, depois de muitas e acaloradas discussões científicas entre seus pares. Einstein mostrou que a Teoria da Relatividade não precisava do éter para ser explicada e as ondas hertzianas se propagam no vácuo, diferentemente das ondas sonoras. Hoje, a Ciência sabe que existe no espaço superior hidrogênio e hélio super rarefeitos (5 moléculas por metro cúbico), em condições de super-vácuo e a temperaturas próximas a -273 ºC, quase zero absoluto. Sabe-se, também, que existe a matéria escura e a energia escura, estas ainda pouco estudadas.

2. O fluido astral ou matéria cósmica

É do conhecimento recente da Cosmologia e Física Quântica que a totalidade da matéria visível do Universo constitui apenas 4% de sua massa total. Esta parte constitui a matéria visível que faz parte de todos os corpos celestes. Os outros 96%, que se compõe de 26% de matéria escura (dark matter) e 70% de energia escura (dark energy) encontram-se dispersos entre as galáxias, estrelas e planetas. Tanto a matéria escura como a energia escura não emite radiação magnética e são detectadas somente através de seus efeitos gravitacionais. O que elas são e que papel desempenham ainda é um grande mistério para a Ciência! Para quem desejar se aprofundar, vide o site:

http://public.web.cern.ch/public/en/Science/Recipe-en.html

Como dissemos acima, a densidade é muito importante para calcular a massa de um corpo. Toda a matéria interestelar de que estamos falando acha-se altamente dispersa (extremamente dividida ou altamente rarefeita) no Universo e sua densidade nunca foi medida. Todos os valores indicados na literatura científica são teóricos, e estes levam a uma faixa de 0,0001 a 1 átomo/centímetro cúbico, tendo um valor médio provável de 0,01 átomo/centímetro cúbico equivalente a um supervácuo calculado como sendo da ordem de 2,8 x 10-15. Nestas condições, a matéria cósmica se comporta como se fosse um fluido cósmico, facilmente trabalhável pela Força Inteligente. É o que os filósofos antigos chamavam e os espíritas/espiritualistas chamam de matéria quintessenciada. Esta matéria não está organizada em estruturas atômicas ou moleculares, mas sim num estado particular (composto de partículas) e se comporta como se fosse um fluido - o fluido astral, moldável e trabalhável pela Força. O nosso Mestre Luiz de Mattos utilizou como sinônimos os três termos: matéria cósmica, matéria fluídica e matéria quintessenciada. Nesse estado, a matéria se acha num estado de super rarefação, ou seja, é sutilíssima, e se comporta, como já dissemos, como um fluido. Ela é a matéria prima de que são feitos todos os átomos e moléculas. Vide, também o excelente artigo apresentado no site:

http://www.newtonphysics.on.ca/universe/index.html

Esta matéria intergaláctica e interestelar e interplanetária tem tudo a ver com a harmonia e o equilíbrio universal através do equilíbrio de forças gravitacionais e outras ainda desconhecidas da Ciência. É, ainda, baseando-se nela que os físicos estão construindo os novos modelos e teorias sobre o Universo, objetivando consolidar ou abandonar a teoria do "Big-Bang". Esta é uma visão muito recente da Ciência. O Racionalismo Cristão, desde 1910, vem dizendo que no Universo só existe Força e Matéria, e ambas estão por toda a parte e permeiam todas as coisas dispersas por todo o Universo. Nada mais certo, pois o Racionalismo Cristão vem reafirmando o que os filósofos da antiguidade já sabiam e afirmavam que no Universo só existe Força e Matéria.

3. Conclusões

3.1 Em nenhum lugar da obra de Luiz de Mattos existe qualquer referência ao fluido astral superior ou inferior. Existe, sim, referência ao fluido astral, único, sem o qualificativo superior ou inferior, que permeia todo o espaço e corpos, em qualquer lugar do Universo. Indiferentemente, seja o fluido astral superior ou inferior, sem distinção, importante é destacar sua condição neutra, permitindo ser trabalhado pela Força para os seus fins, isto é, para organizar a matéria sob uma infinidade de formas e propósitos.

3.2 Os mundos astrais acham-se perfeitamente categorizados pelo Racionalismo Cristão (em graus ou classes, qualquer que seja o seu número) e em sua obra básica os mundos-escolas não foram categorizados, talvez porque estes recebam espíritos com uma diversidade de corpos astrais feitos do fluido astral de seus mundos astrais, que se diferenciam pelas diferentes densidades de seus mundos de estágio.

3.3 Os graus ou classes assim são referidos em função das densidades do fluido astral de que são "construídos" os mundos astrais.

3.4 Estas densidades, por sua vez, são funções do grau de rarefação (depende do local do espaço, da pressão existente, da força da gravidade, etc.) desses fluidos, variando a densidade na razão inversa do grau de evolução do espírito, o que equivale dizer, também, que a densidade fluídica varia na razão inversa da freqüência vibratória do espírito.

3.5 Suspeita-se que a organização da matéria fluídica nos mundos de estágio seja particulada, isto é, esteja numa forma mais lábil e não estruturada como átomos e moléculas e, assim também, os corpos fluídicos (a tessitura fluídica) dos espíritos, já que estes são feitos da matéria fluídica dos seus respectivos mundos de estágio.

3.6 Propõe-se, então, que para indicar locais, utilize-se as expressões mundos espirituais e mundos-escolas, já consagrados na literatura do Racionalismo Cristão e que a expressão Astral Superior e Astral Inferior sejam usadas única e exclusivamente para indicarem o conjunto ou o coletivo de espíritos superiores e inferiores respectivamente e não de locais. Ainda assim, tais espíritos não são inferiores, apenas estão nesta condição temporariamente, com este qualificativo impróprio, porque desobedecem as leis naturais e imutáveis por não estarem nos seus mundos de estágio.

3.7 - Conclusão final: No Universo não existem espíritos inferiores, existem espíritos em evolução.

3.8 - Conclusão final: No universo não existem fluidos astrais superiores e inferiores, existe o fluido astral, único.

5 de junho de 2010

 

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