gazeta2.jpg (8041 bytes)

Decifrando os segredos da água fluidificada

Glaci Ribeiro da Silva

Preparo de água fluídica no lar: coloca-se em uma ou mais vasilhas, a quantidade de água que se deseja fluidificar, fazendo-se em seguida, uma ou mais pessoas, irradiações ao Astral Superior e ao Grande Foco, por cerca de dois minutos. (...) Esta água não deve ser fervida nem exposta à luz solar. Ela é preventiva e beneficiadora, podendo ser tomada sem restrição alguma. Pelo fato de conter fluidos lançados pelo Astral Superior, alivia ou neutraliza certos males, por meio desses fluidos (do livro "Prática do Racionalismo Cristão").

 

O uso da água fluidificada vem sendo recomendado pelo Racionalismo Cristão há muitos anos. Ela é, até mesmo, rotineiramente preparada nas Casas Racionalistas após as Sessões de Desdobramento.

Observa-se, porém, até mesmo entre vários membros da comunidade racionalista cristã, um certo ceticismo sobre o poder terapêutico e preventivo dessa água.

No entanto, esse fato tem sido constantemente enfatizado tanto em comunicações dadas pelo Astral Superior, como também, tem sido citado em vários livros racionalistas (1,2).

Recentemente, dois Espíritos Superiores que, em vida física foram médicos, abordaram esse assunto em suas Comunicações. Ambos são Presidentes Astrais de Filiados do Racionalismo Cristão: Pedro Luiz Osório, do Filiado de Porto Alegre e, Augusto Gomes da Silva, do Filiado de Campinas. Este último, em uma comunicação dada em abril do presente ano, afirma que: "A água fluidificada é um remédio importante para o corpo que está doente. Um dia a medicina ainda irá estudar e demonstrar o valor benéfico da água fluidificada. Isso chegará a seu tempo - tudo chega no tempo certo. E, nesse dia, a humanidade verá que, ao invés de se gastar uma fortuna com medicamentos devastadores, será muito melhor tomar simplesmente um copo de água fluidificada."

Muito provavelmente, o principal fator que gera ceticismo sobre as propriedades terapêuticas da água fluidificada, seja a falta de um embasamento científico que justifique tal poder.

Mas, essa demonstração científica pode não estar tão longe assim de acontecer. Assim, pesquisas científicas recentes têm revelado propriedades surpreendentes para a própria água pura, que poderiam até ajudar a explicar os efeitos da água fluidificada.

Ao estabelecermos contato, através das irradiações, com o Astral Superior, é formado um campo magnético propício que induz vibrações e emissão de fluidos espiritualizadores (3). Portanto, poderíamos dizer que, a água fluidificada é uma água magnetizada que contém fluidos lançados pelo Astral Superior.

No entanto, se uma devida interpretação científica fosse dada à descrição que é feita sobre essa água nos livros editados pela Doutrina racionalista (1,2), poderíamos citar ainda outras características químicas e farmacológicas importantes da água fluidificada E, verificarmos que, essas propriedades a fazem diferir, radicalmente, da água pura.

Assim vejamos:

1 - Quimicamente, ela é termolábil, pois não pode ser fervida e é, também, sensível a radiações solares, pois não pode ser exposta ao Sol.

2 - Analisando-se agora a água fluidificada, pela ótica farmacológica, poderíamos dizer que essa água parece conter um ou mais princípios ativos que são termolábeis e sensíveis às radiações emitidas pelo Sol.

3 - A ação terapêutica da água fluidificada parece ser inespecífica, pois não encontramos referências em nenhuma obra racionalista de órgãos e/ou tecidos-alvo sobre o qual essa água pudesse estar agindo. Esse fato sugere, muito fortemente, que água fluidificada agiria aumentando o poder de reação do nosso organismo contra diferentes agentes lesivos.

4 - Como a defesa do nosso organismo é exercida basicamente pelo sistema imunológico, parece ser ele um forte candidato para ser o local onde essa água agiria.

Logicamente, lançando-se mão de técnicas modernas e sofisticadas, muitas outras propriedades físico-químicas da água fluidificada poderiam ainda ser descobertas.

A caracterização química de princípios ativos é difícil e dispendiosa. Por isso, ela é geralmente precedida por uma análise farmacológica, visando a verificar os efeitos do princípio ativo que se quer estudar em animais de laboratório.

No presente caso, um protocolo simples poderia ser facilmente executado. Assim, seriam organizados dois grupos de ratos, por exemplo. Esses animais seriam mantidos em gaiolas individuais, em ambiente de luz e temperatura controladas. Além disso, todos eles seriam alimentados com a mesma ração padrão. O primeiro grupo (Experimental) receberia para beber somente água fluidificada, enquanto o segundo grupo (Controle), beberia da mesma fonte de água, porém sem ser fluidificada. Depois de um determinado período de tempo (digamos, 30 dias), o sangue desses animais seria analisado e várias dosagens poderiam ser feitas com o objetivo de verificar quais seriam os órgãos e os tecidos-alvo das alterações produzidas pela ingestão da água fluidificada.

Estudos sobre a água são considerados atualmente uma linha de pesquisa muito importante. Durante uma visita ao Brasil no início desse ano, o inglês Peter Atkins, autoridade mundial em físico-química e professor da Universidade de Oxford, quando interrogado sobre quais os campos de pesquisa mais promissores atualmente, foi enfático ao afirmar que um desses campos eram os estudos sobre a água.

Essa é uma linha de pesquisa que tem gerado algumas das mais insólitas descobertas científicas dos últimos anos. Químicos e físicos estão esbarrando em fenômenos estranhos, como plantas que crescem mais e com maior rapidez quando suas sementes são regadas com água magnetizada. Ou, constatando que, pequenas mudanças na estrutura da água podem fazê-la absorver mais ou menos radiação (4).

Embora essa visão ainda seja polêmica e se restrinja a alguns pesquisadores, o essencial é que essas novidades podem ser a porta de entrada para avanços científicos importantes.

Esses relatos, por exemplo, têm levado muitos cientistas a fazer novos estudos experimentais sobre a homeopatia, cujas idéias foram defendidas pelo alemão Samuel Hahnemann (1755-1843) há centenas de anos.

A conduta preconizada pela homeopatia visando a tratar pacientes com soluções de princípios ativos ("remédios") extremamente diluídas, sempre foi ridicularizada pelos cientistas. Em alguns casos, essas diluições são tão grandes que se torna impossível estar presente nessa água até mesmo uma molécula desse princípio ativo. Os críticos alegavam, então, que os remédios homeopáticos eram água pura e funcionavam somente como um placebo.

Para explicar tal fato, Hahnemann afirmava que a água era capaz de guardar a memória daquilo que havia solubilizado. Ele criou, então, a expressão "Memória da água".

Recentemente, um trabalho experimental feito pelo químico suíço Louis Rey (Physica A, no prelo) mostrou, através da termoluminescência, que os remédios homeopáticos poderiam ser diferentes da água pura, uma polêmica que se arrastava há séculos. Esse artigo ganhou tanto destaque na literatura, que foi citado até na prestigiosa revista britânica "New Scientist" (5). Foi, também, aplaudido pelos homeopatas de todo o mundo, pois ele poderia dar uma explicação natural para a chamada "memória da água".

Além disso, em trabalhos recentes, vários autores (6,7) têm mostrado que a diluição sucessiva de certas substâncias em água aumenta o tamanho dessas substâncias, pois elas formariam agregados. Embora a formação desses agregados, também chamados "super-moléculas", ainda não tenha sido explicada, já foi aventada a hipótese de que isso decorra da interação da substância com a própria molécula da água. Cogita-se até, que poderiam ser essas super-moléculas as responsáveis pelos efeitos terapêuticos dos remédios homeopáticos (7).

A possibilidade de existir uma segunda estrutura para a água está também sendo defendida por alguns pesquisadores (4,6,7). Nessa segunda estrutura, as próprias moléculas de água seriam capazes de se unir entre si através dos seus átomos de hidrogênio formando agregados (ou clusters, em inglês).

Fazer pesquisa é uma atividade que requer grandes verbas. Por isso, ela é geralmente feita nas Universidades e nos Institutos de Pesquisa. Nesse caso, o pesquisador pode pleitear uma verba a várias agências de Fomento de Pesquisa para financiar a execução do seu Projeto.

Além de possuir um bom currículo e de saber redigir bem um Projeto, dois fatos importantes podem ajudar, atualmente, um pesquisador interessado nesse assunto a obter a tão sonhada verba para o suporte financeiro do seu estudo experimental:

1- importância atual dos estudos sobre a água

2-interesse mundial crescente em avaliar cientificamente fatos relacionados com o espiritualismo. Recentemente, foi criada até uma divisão especializada nesse assunto no Instituto de Saúde Americano (NIH – National Institute of Health) para julgar o mérito do Projeto e, se ele existir, liberar verbas específicas para financiá-lo.

Sabe-se que a descoberta de fatos novos costuma gerar muita polêmica e desconfiança nas comunidades científicas. Esse foi o caso que Beneviste (8), um famoso imunologista francês, enfrentou quando publicou em 1988 um trabalho na revista "Nature" mostrando evidências da memória da água. O autor foi então acusado, em um outro artigo da própria revista, de estar fazendo pseudo-ciência. Disso resultou o cancelamento das verbas que Beneviste tinha para financiar suas pesquisas, uma verdadeira catástrofe para qualquer pesquisador. Finalmente, em 2001, a reputação de Beneviste foi novamente reconhecida pelo seus pares, e seu artigo polêmico considerado como tendo sido feito com o necessário rigor científico.

Mas, mesmo correndo tal risco um cientista deve lutar sempre pela verdade das suas descobertas, por mais estranhas que elas possam parecer. É assim que a verdade surge e a ciência evolui.

E, é uma luta desse tipo que, possivelmente, o cientista que um dia se decida a estudar o mecanismo de ação da água fluidificada terá que enfrentar. Mas, com toda certeza, isso valerá a pena.

A autora é médica e militante na Filial de Porto Alegre, RS

Referências bibliográficas

1 - Preparo da água fluidificada no lar. In: Prática do Racionalismo Cristão, p. 52 (1989).

2 - Água fluídica. In: Comunicações e Cartas Doutrinárias: O Espiritismo Racional e Científico Cristão através de 1933, pp. 100-101 (1934).

3 - Luiz de Souza- Irradiações. In: A Felicidade Existe, pp. 311-319 (1963).

4 - Pablo Nogueira. Os Mistérios da Água, Revista Galileu, Agosto de 2003, pp. 73-77.

5- Lionel Milgrom. Icy claim that water has memory. New Scientist, 11 June 2003.

6 - M. F. Chaplin. Fibre and water binding. Proceedings of the Nutrition Society 62, pp. 223-227 (2003).

7 - Andy Coghlany. Bizarre chemical discovery gives homeopathic hint. New Scientist, 7 November 2001.

8 - E. Davenas, F. Beauvais, J. Arnara, M. Oberbaum, B. Robinzon, A. Miadonna, B. Tedeschi, P. Pomeranz, P. Fortner, P. Selon, J. Sainte-Laudy, B. Poitevin & J. Beneviste (1988) Human basophil degranulation triggered by very dilute antiserum against IgE. Nature, 333 (6176), pp. 816-818 (1988).

 

Página Principal da Gazeta  | Página anterior

Gazeta do Racionalismo Cristão - Uma filosofia para o nosso tempo